O sociólogo luterano Peter Berger observou certa vez que o protestantismo havia cortado o “cordão umbilical” entre o céu e a terra. Que grande verdade ele disse! Naturalmente, a questão é se deveria haver um cordão em primeiro lugar. Os católicos sustentam que deveria havê-lo, e minha tarefa neste livro é fornecer evidências bíblicas disso.
Um amigo protestante fez uma pergunta (com uma analogia em termos empresariais) que sempre aparece em qualquer discussão sobre a visão católica da comunhão dos santos: “Por que alguém se contentaria em buscar a intercessão de um gerente, quando se pode ir diretamente ao presidente da companhia?”
Fazem-no por uma razão simples: porque nos é ensinado na Bíblia que as orações de algumas pessoas têm mais eficácia do que as de outras. Mesmo na visão protestante, existe essa noção de “pedir a um homem santo [ou ao pastor, etc.] que ore por nós”. Dessa maneira, alguém poderia, por exemplo, pedir a Billy Graham que ore por ele, porque pensam que de alguma forma sua oração pode ser mais eficaz. Essa intuição baseia-se realmente no testemunho bíblico explícito:
“Está alguém doente entre vós? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o restabelecerá; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois, vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito vale a súplica perseverante do justo. Elias era um homem semelhante a nós, sujeito às mesmas misérias, e orou com insistência para que não chovesse sobre a terra, e não choveu durante três anos e seis meses. E orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto” (Tiago 5,14-18)
Note-se aqui que a própria Bíblia recomenda pedir a outra pessoa que ore: “os presbíteros” da Igreja, que, assim como o restante de seus líderes (1 Timóteo 3,1-13; Tito 1,7), supõe-se que sejam pessoas exemplares, “dignos de duplicada honra” (1 Timóteo 5,17). Eles têm mais poder, por causa de sua ordenação. De fato, este é um texto que aparece em relação com o sacramento da unção (também conhecido como “extrema-unção” ou “últimos sacramentos”: quando uma pessoa está em perigo de morte). Assim, pede-se a eles que orem pelo maior poder que têm, em termos de ocorrer um possível milagre, ou de a graça sobrenatural ser concedida por meio deles. Eles podem fazer mais do que nós mesmos podemos fazer; portanto, pedimos-lhes sua oração.
Para concretizar este ponto, o apóstolo Tiago cita o exemplo do profeta Elias. Graças à sua oração, não choveu durante três anos e meio. Tiago diz que este era o caso porque (este é o princípio que deseja transmitir): “Muito vale a súplica perseverante do justo”. Vemos a mesma dinâmica na passagem seguinte:
“Respondeu o rei ao homem de Deus: Aplaca a face do Senhor, teu Deus, e roga por mim, para que minha mão possa voltar a mim. O homem de Deus aplacou a face do Senhor; a mão do rei voltou a ele e ficou como antes” (1 Reis 13,6)
Esta é a razão bíblica para pedir aos outros de maior estatura espiritual no reino de Deus, ou mais santos (ou, melhor ainda, ambos!), que roguem por nós. Imediatamente se pensa em outros intercessores poderosos, como Abraão e Moisés. Em ocasiões, Deus não destruiu cidades inteiras como resultado de suas súplicas. Naturalmente, Deus não pode mudar, e sabia o que ia fazer o tempo todo, mas o ponto é que Ele torna suas criaturas participantes do processo, de uma maneira menor e secundária. Elas participaram, assim como São Paulo diz que devemos “trabalhar por nossa própria salvação” (Filipenses 2,12).
O apóstolo João escreve: “E a confiança que temos nele é esta: que ele nos ouve, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade” (1 João 5,14-15). Textos semelhantes abundam nas Escrituras. Não será necessário documentá-lo daqui em diante, porque o princípio está bem estabelecido na Bíblia.
Seguindo esta linha de pensamento, então, se a Santíssima Virgem Maria é imaculada, de fato (permaneço ainda dentro do paradigma católico, em prol do argumento), então segue-se inexoravelmente (de acordo com a Escritura) que suas orações teriam maior poder e eficácia, e não só por causa de sua ausência de pecado, mas por sua condição de Mãe de Deus e Mãe espiritual, para a qual Deus a designou.
Oramos pelos outros, porque temos que amar uns aos outros, e a oração é um aspecto evidente do amor, porque se amamos alguém, e sabemos que a oração pode ajudá-lo, o fazemos buscando o seu bem. Isso é o que a intercessão é. Deus nos concede esse grande privilégio, e o fazemos porque amamos os outros e desejamos manifestar o amor de Cristo. Jesus nos diz que oremos. Isso resolve a questão.
Os católicos concordam com os protestantes que a oração é sumamente importante, e é vontade de Deus. O desacordo é sobre se os que morreram e foram estar com Jesus na outra vida podem continuar intercedendo (como intercessores a Deus em nosso nome). A maioria dos protestantes crê que não devemos pedir sua intercessão; geralmente indicam que devemos ir diretamente a Deus, mas alguns reconhecem que não se pode levar esse princípio longe demais, do contrário todas as orações pelos outros teriam que ser descartadas.
A posição protestante mais comum é aceitar as orações daqueles que ainda estão na terra, mas não as dos (santos salvos) que se apartaram da terra como resultado da morte física.
É realmente algo bastante simples. Ou estas pessoas estão vivas ou não estão. Está claro que estão vivas (mais do que nós estamos). Jesus alude a este fato quando fala “do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó”, afirmando que “Ele não é Deus de mortos, mas de vivos” (Mateus 22,32). Todos os cristãos que não são niilistas ou crentes no “sono da alma” (como, por exemplo, os adventistas do sétimo dia, ou hereges trinitários, como as Testemunhas de Jeová) creem que as almas estão conscientes depois da morte.
Sem dúvida, muitos protestantes respondem: “está bem, eles estão vivos, mas isso não prova que possam orar por nós ou escutar nossas orações”. Nesse momento, os católicos apelam para uma combinação de provas bíblicas diretas e indiretas muito sólidas.
Os santos no céu estão claramente conscientes dos acontecimentos terrenos (Lucas 15,7s; Apocalipse 6,9-11). Se têm essa consciência, não é um salto muito grande deduzir que podem escutar nossos pedidos de oração. Mas há alguma evidência bíblica de que podem fazê-lo? Creio que sem dúvida há.
Em Jeremias 15,1, lemos: “O Senhor disse-me: Ainda que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, minha alma não se voltaria para este povo”. Aqui parece que Deus recebe as orações dos santos que morreram como uma questão de rotina. Moisés e Samuel foram conhecidos como intercessores, e Jeremias viveu séculos depois de ambos (cf. 2 Macabeus 15,13-14, que revela Jeremias orando pelos judeus depois de sua morte).
Esta é a nossa razão inteiramente racional para pedir aos santos sua intercessão a Deus por nós: e tudo está na Bíblia:
1. As orações das pessoas santas têm um grande poder.
2. Aquelas pessoas santas que morreram são aperfeiçoadas em santidade e continuam sendo parte do Corpo de Cristo.
3. A Santíssima Virgem Maria, em particular, é excepcionalmente santa (Imaculada desde sua concepção), e como Mãe de Deus suas orações têm mais poder e efeito do que as de qualquer outra criatura: tudo pela graça de Deus.
4. Sabemos que eles estão conscientes do que sucede na terra.
5. Sabemos que exercem muita caridade e rogam por nós.
Não estamos confiando no poder de alguns “médiuns” (muitos dos quais se demonstrou serem falsos, para começar, como Houdini, o incrível Randi, e muitos outros), nem no oculto ou nos poderes demoníacos, mas no poder de Deus. Os santos nos veem, nos ouvem, e oram por nós, porque estão com Deus, fora do tempo, e Ele lhes outorga as notáveis capacidades além daquelas que possuem os que estão neste estado. Não sabemos todos os mecanismos de como funciona, mas sabemos, sim, que a Escritura diz que é “como” ser semelhante a Deus no além:
“Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é” (1 João 3,2).
Se por “rezar a um santo” se entende “pedir ao santo que atenda a uma solicitação por seu próprio poder”, então isso não é o que nós, católicos, cremos. O que estamos fazendo (em última análise) é “pedir a um santo que interceda diante de Deus por nós”. Deus responde com o seu poder. O princípio é simples, e bíblico.
A oração em si mesma não é adoração. Eu não estou adorando a Deus por simplesmente pedir-lhe que cure minha esposa. Tampouco estou adorando um santo se lhe peço que interceda diante de Deus para que cure minha esposa. É simplesmente o amor e a preocupação que o Corpo de Cristo tem por cada um de seus membros. A morte não põe fim a isto, porque Deus transcende o poder da morte e da separação física.
A nigromancia, a adivinhação, a feitiçaria, a bruxaria e as diversas práticas ocultistas foram condenadas firmemente na lei do Antigo Testamento; no entanto, os judeus oraram pelos mortos. Eles não viram nenhuma contradição, porque não havia nenhuma. 2 Macabeus 12,39-45 apresenta orações pelos mortos nos termos mais inquestionáveis.
Naturalmente, os protestantes responderão que se trata de livros “apócrifos” da Bíblia que eles rejeitam, o que é outra discussão, mas independentemente de se tratar da Escritura ou não (a Igreja primitiva pensava assim), a passagem continua mostrando que esta era a prática dos judeus, e que não viam nenhum conflito entre isso e as práticas proibidas. O cristianismo surgiu do judaísmo. Muitas coisas no judaísmo tardio, como a escatologia, a angelologia e as noções da ressurreição do corpo, mantiveram-se e foram desenvolvidas pela Igreja primitiva. Rezar pelos defuntos foi apenas um de muitos exemplos disso.
É quase como se o protestantismo adotasse os tolos estereótipos culturais do que o céu supostamente é, como se fosse o Valhalla nórdico, mais do que um lugar (ou estado) intensamente espiritual em que as almas anseiam e ardem em seu desejo de que os seres humanos sejam salvos e não condenados. Os santos que morreram conhecem a magnitude do assunto. Estão em um lugar onde podem dedicar-se à oração por nós (porque estão aperfeiçoados no amor), e sabem muito bem o quanto está em jogo. Eles já não têm que jogar todos os jogos que jogamos a fim de ignorar a dimensão espiritual e esquecer o mundo vindouro. Razão pela qual podemos, e certamente devemos, pedir sua intercessão: a da Santa Virgem Maria principalmente.
Quanto a pedir a um anjo que ore por nós ou nos ajude, a Bíblia indica que os homens são, pelo menos em algum sentido, de uma ordem superior à dos anjos (1 Coríntios 6,3; 1 Pedro 1,12). Um anjo da guarda é um servo do homem e não o contrário. Portanto, não há por que sentir que estamos fazendo algo inadequado ao tratar com ele.
Saul tentou contatar os mortos pelo caminho errado: por meio de um médium. Mas o fato é que de alguma maneira o falecido profeta Samuel tinha conhecimento do que acontecia; de fato apareceu a Saul e comunicou-se com ele. Isto mostra que sua alma estava em um estado de consciência e tinha a capacidade de “escutar” e de comunicar-se com uma pessoa na terra.
Se, pelo contrário, Deus desejasse que não houvesse comunicação alguma entre o céu e a terra, então este e outros incidentes semelhantes (como a Transfiguração (Marcos 9), etc.) não teriam ocorrido, já que teriam estado contra a vontade de Deus, e portanto não teriam sido permitidos por Ele. Este incidente, portanto, serve como prova de que os santos mortos podem ouvir os pedidos daqueles que estão na terra, e que Deus permite a comunicação bidirecional. Os protestantes geralmente negam ambas as coisas.
Em Lucas 16 descrevem-se dois homens mortos que falam um com o outro. Isto é distinto de um homem na terra falando com uma pessoa morta, mas ainda assim é relevante para esta discussão na medida em que o homem rico estava rezando ou pedindo a Abraão. Isso não deve ocorrer, de acordo com a forma de pensar protestante, já que a oração se supõe que deve ir diretamente a Deus. Isso se aplicaria aos homens mortos, assim como aos da terra.
Por que estaria fazendo isto em vez de ir a Deus diretamente? Ele está fazendo uma petição específica a Abraão, não só lhe pede que ore por ele a Deus (mais do que os católicos pedem à Santíssima Virgem Maria para atender seus pedidos). Abraão negou-se duas vezes a seus pedidos, o que demonstra que os mortos podem desempenhar um papel, junto com Deus, inclusive em recusar (ou, por implicação, também no cumprimento dos pedidos de oração).
Tenha em conta também que em Lucas 16,27-31 o homem rico pede que Lázaro fosse enviado a seus irmãos, para adverti-los de seu próprio terrível destino. Abraão recusa-se, mas não descarta a possibilidade de um homem morto poder regressar à terra. Portanto, mais uma vez, a suposta “parede” entre o céu e a terra torna-se muito menos impenetrável do que seria segundo a mentalidade protestante.
Estas são as pressuposições por trás da crença católica na comunhão e intercessão dos santos. Muitos críticos protestantes de nosso ponto de vista parecem estar buscando a correspondência exata de cada uma das arestas destes argumentos (o que corresponde frequentemente à forma de pensar protestante, já que a miúde exigem de forma irrazoável provas bíblicas explícitas), enquanto eu estou provando as diferentes partes de um todo com cada exemplo: fazer um argumento acumulativo das práticas católicas.
Creio que vemos o suficiente sobre a comunhão dos santos nas Escrituras para estabelecer o princípio. Não se requer ter uma grande quantidade de material na Bíblia acerca de algo a fim de que possa ser crido e seguido. Por exemplo, o nascimento virginal baseia-se em pouquíssimas passagens (só umas duas ou três, calculo), mas é firmemente crido por todos os cristãos. O pecado original, que só se menciona pouquíssimas vezes na Escritura, é aceito por quase todos os cristãos (com algumas raras exceções).
Por outro lado, as doutrinas acerca dos anjos e da vida após a vida encontravam-se em uma etapa inicial de desenvolvimento no momento em que se compilou o Novo Testamento. Muitas delas estavam muito desenvolvidas no período intertestamentário, e por isso vemos muito mais destas doutrinas nos deuterocanônicos, que derivam sobretudo desse período de tempo.
Esta é a razão pela qual os saduceus rejeitavam a ressurreição dos mortos e os conceitos da angelologia e da escatologia judaica. Isso é porque aceitavam apenas as leis escritas da Torá (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio), e nestes mal se debatem estas questões. Eram algo assim como o “Só a Escritura” das pessoas de seu tempo. Os fariseus, ao contrário, aceitaram todas estas doutrinas, pelo que Jesus operava dentro dessa tradição, e por isso é que Paulo se chama a si mesmo um fariseu três vezes, inclusive depois de sua conversão. Eles aceitaram a Torá oral, assim como por escrito, e estas tradições posteriores.
Por estas razões, não há muito no Novo Testamento acerca destas práticas. Isto não apresenta nenhum problema, porque as doutrinas, inclusive mais importantes e centrais, como a Santíssima Trindade ou as duas naturezas de Cristo, desenvolveram-se muito mais além, vários séculos depois da Bíblia. Em outras palavras, se inclusive doutrinas como a Trindade, a cristologia e o pecado original foram submetidas a um intenso desenvolvimento no período pós-bíblico, então não é mais difícil crer que as doutrinas católicas da comunhão dos santos, e a intercessão e invocação dos santos, também o fazem.
Se um santo é verdadeiramente considerado como um substituto de Deus, e um fim em si mesmo, então é idolatria. Se se pensasse, por exemplo, que Maria poderia atender às solicitações de si mesma, sem a graça de Deus, como se fosse autossuficiente (com efeito, como Deus), seria claramente mariolatria e uma espécie de idolatria, já que seria uma substituição do próprio Deus. Do ponto de vista católico, os santos refletem a glória de Deus. São os intermediários, os navios. Maria aponta para o seu Filho, que é Deus, aos discípulos do Senhor. Ela não se eleva a si mesma.
Os protestantes frequentemente pedem aos católicos que forneçam inclusive um só exemplo da invocação de uma pessoa morta de qualquer maneira, forma ou figura similar à oração na Bíblia (especialmente no Novo Testamento). Felizmente obrigados a dar uma resposta, apresentamos a seguinte documentação:
“Havia em Jope, entre os discípulos, uma mulher chamada Tabita (que quer dizer Dorcas). Era rica em boas obras e distribuía muitas esmolas. Sucedeu naqueles dias que ela adoeceu e morreu. Lavaram-na e a depositaram no quarto de cima. Como Lida ficava perto de Jope, os discípulos, ao saberem que Pedro ali se achava, mandaram-lhe dois homens a pedir-lhe: Não te demores em vir ter conosco. Pedro partiu imediatamente com eles. Logo que chegou, levaram-no ao quarto de cima. Todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando-lhe as túnicas e as vestes que Dorcas lhes fazia enquanto esteve com elas. Pedro mandou sair todos, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se depois para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Pedro deu-lhe a mão e ajudou-a a levantar-se. Chamou então os santos e as viúvas e a entregou viva” (Atos 9,36-41)
Tabita foi uma discípula que morreu em Jope. São Pedro orou a ela quando lhe disse: “Tabita, levanta-te”. Ela estava morta e ele se dirigia a ela. Caso encerrado. Não há muro impenetrável entre o céu e a terra. Isto não é apenas rezar (isto é, falar) aos mortos, mas também pelos mortos, já que a passagem diz que Pedro “orou” antes de dirigir-se a Tabita na segunda pessoa.
Nosso Senhor Jesus faz o mesmo a respeito de Lázaro. Ora por Lázaro (um morto. Veja-se João 11,41-42) e logo se dirige diretamente a um homem morto (com efeito, “orando” a ele): “Lázaro, vem para fora!” (João 11,43). O profeta Elias também orou e conseguiu que um morto ressuscitasse (1 Reis 17,17-24). Assim que temos três casos: um de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele proporcionou um exemplo a imitar, e Pedro o seguiu com clareza, já que Jesus havia dito que seus seguidores “ressuscitariam mortos” (Mateus 10,8).
Portanto, deduz-se que o uso de médiuns ou participar em outras práticas ocultistas abomináveis não são a soma total de todas as comunicações possíveis com os mortos. Pelo fato de a prática estar errada, não se segue que toda a comunicação (de natureza distinta) com os mortos também esteja.
A oração é a comunicação entre dois seres. Se alguém diz que não se pode: 1) falar com uma pessoa morta, ou 2) que a pessoa morta não poderia ouvir-nos de todo modo, inclusive se o fizéssemos, então esta passagem (Atos 9,36-41) refuta ambas as objeções de uma só vez (e ambas são as premissas da invocação dos santos). Pedro falou com uma pessoa morta (Tabita) e ela o escutou porque obedeceu sua “ordem” e voltou à vida. Jesus faz o mesmo com Lázaro. O fato de que Jesus disse a seus discípulos que poderiam ressuscitar os mortos abre a possibilidade de muitos casos similares.
Por último, os protestantes argumentam que não veem nada explícito ou direto no Novo Testamento a respeito de pedir aos santos que orem por nós. Mas isto também é verdade a respeito da oração ao Espírito Santo. O Espírito Santo é Deus, e intercede por nós (Romanos 8,26-27), pelo que se pode (obviamente) orar a Deus.
Se a prova bíblica direta é necessária para a invocação dos santos para pedir-lhes que orem por nós, então, por analogia, requer-se para a oração ao Espírito Santo também. Mas carece-se dela igualmente. Portanto (levando este raciocínio protestante à sua conclusão lógica), a oração ao Espírito Santo também deveria estar proibida. Ergo: não se pode proibir a intercessão dos santos sem proibir também a oração ao Espírito Santo.
Como isto “prova demais” e é o que se chama redução ao absurdo na lógica clássica, o protestante deve então abandonar sua exigência excessiva de provas expressas bíblicas necessárias para a ideia de pedir aos santos que orem por nós. De fato, ambos os casos são perfeitamente aceitáveis, e ambos se baseiam em uma grande quantidade de informação bíblica indireta ou dedutiva.
Diferentes raciocínios são convincentes para pessoas diferentes. Ocorre-me pensar que todos os argumentos apresentados neste volume, em conjunto, proporcionam uma evidência muito sólida de que a comunhão dos santos não só não está contra a Escritura, mas é positivamente sustentada pelas Escrituras em todos os seus detalhes, a partir da evidência acumulativa. Naturalmente, não vão convencer a todos, devido à natureza dedutiva de algumas das provas, mas é, contudo, um bom argumento, quando todos os diferentes aspectos dele se consideram em conjunto.
Nota: Este artigo foi traduzido e publicado com a permissão do autor por José Miguel Arráiz para ApologeticaCatolica.org, do capítulo 4 de seu livro Biblical Evidence for the Communion of Saints. Pode reproduzi-lo livremente desde que seja íntegro, citando a fonte e incluindo esta nota. Pode localizar e adquirir os livros do autor em seu site: Biblical Evidence for Catholicism
Autor: Dave Armstrong