Nos tempos que correm, marcados por um crescente interesse pelo diálogo entre os cristãos e pelo reconhecimento dos erros do passado, alguns ambientes “evangélicos” persistem numa anacrônica atitude anticatólica, mais baseada em preconceitos do que na realidade das coisas. A presente é uma carta dirigida aos editores da publicação “En la Calle Recta” (com sede na Holanda). Seu autor acompanha há anos essa revista. Apresenta aqui uma análise crítica da mesma. (NdR)
17 de abril de 2001
Já faz alguns anos que chegou às minhas mãos a revista dos senhores intitulada “La Calle Recta”, a qual leio integralmente e coleciono. Desde algum tempo desejava escrever-lhes para expressar minhas reflexões acerca da publicação em referência e do propósito que creio ver nela refletido. A seguir, comunico-lhes o seguinte:
Em primeiro lugar, manifesto-lhes que sou um leigo católico que se esforça por ter sempre Cristo como centro de sua vida, e amo a sua Igreja Universal ou católica, procurando seguir o seu exemplo, manifestado em Ef 5,25.
Apesar das misérias de minha natureza humana, e também ajudado pela Graça de Deus, desejo caminhar e perseverar no caminho do amor ou caridade cristã com todas as pessoas que ELE permitir que eu encontre em meu caminho, ainda quando não compartilhe com elas os seus conceitos religiosos, máxime com aquelas que, como os senhores, um dia exerceram o ministério altíssimo do sacerdócio, por participação do único sacerdócio de Cristo, na minha Igreja Católica — e digo exerceram porque agora, pelo manifestado em sua revista, ao se retirarem da Igreja Católica Apostólica Romana, é lógico que eu entenda que já não é assim, talvez por considerá-lo inútil, sem sentido e possivelmente até herético. De todo modo, para este servidor, independentemente de sua atitude, continuarão sendo Sacerdotes para sempre. Já que este sacramento imprime Caráter para sempre.
Não obstante já serem muitos os números, de vários anos, de exemplares de ECR que tenho colecionados, vejo em todos eles sempre um denominador comum ou círculo fechado, com o mesmo conteúdo, ou seja: ainda que tivesse lido somente um exemplar, teria uma visão geral de todos os demais, já que na realidade TODOS têm as mesmas colocações e omissões, por exemplo:
COLOCAÇÕES DOUTRINÁRIAS
- O novo nascimento pela fé em Cristo
- Apresentar um plano de salvação só em Cristo, rejeitando a sua Igreja visível
- Distinção entre religiosidade e fé num Cristo vivo, segundo o seu ponto de vista
- A Sola Escritura frente à doutrina oficial de Roma
- Candentes condenações a tudo o que faz ou deixa de fazer o Papa da Igreja Católica (se pede perdão pelas faltas da Igreja, como também se não o faz).
- Afã de atrair ex-sacerdotes católicos e fiéis da mesma fé a essas colocações
- Apresentação da vida da Igreja primitiva unicamente na época dos Atos dos Apóstolos
- Exaltação da figura de Martinho Lutero, passando por alto todos os seus erros (por exemplo, considerar a carta de Tiago uma carta “de palha” que não leva a Cristo)
- Condenação à mais mínima veneração à Virgem Maria e/ou aos santos
- Sutis mensagens de não utilizar nossa mente racional, mas aceitar tudo somente pela fé
- Testemunhos de convertidos às colocações apresentadas em “Calle Recta”
OMISSÕES MAIS NOTÁVEIS
- Estudo da história da Igreja a partir do século II até o atual, incluindo suas luzes e sombras. Pois não existiu somente a Igreja do tempo dos Atos dos Apóstolos
- Reconhecimento das contribuições dos Concílios Ecumênicos da Igreja Católica aos não católicos (Niceia, Calcedônia, Éfeso etc. etc.), onde se definiram plenamente os conceitos cristológicos que os senhores e muitas denominações protestantes aceitam.
- Análise da Patrística, como a obra de Santo Inácio de Antioquia, São Policarpo, Santo Irineu, São Justino Mártir, Santo Irineu de Lião, São Cipriano etc. etc. Personagens de grande santidade e reta doutrina, aceitos por muitos eruditos protestantes.
- Justificativas para a incongruência de que, tendo a Escritura como única regra de fé e conduta, ECR aceite o Natal, o termo Trindade, a autoria segundo a qual São Mateus, São Marcos e São João sejam os que escreveram tais Evangelhos. A Bíblia não o diz.
- Ausência de condenações, a partir de sua vivência em Cristo tal como os senhores a concebem, aos males sociais ou pecados que clamam justiça ao céu, como a eutanásia, que particularmente se originam e se autorizam na Holanda, sede de sua comunidade de ECR. País onde até a droga, a prostituição e o homossexualismo estão legitimados. Já visitaram o bairro vermelho de Amsterdã? Já tentaram evangelizar as pessoas que nele vivem?
- Jamais condenam ou põem de manifesto as grandes diferenças doutrinárias básicas da fé cristã que existem no setor protestante (batistas, metodistas, pentecostais etc. etc.), que vão contra o assinalado em Ef 4,5, “um só Senhor, uma só fé e um só batismo”, em contraste com as severíssimas que aparecem em ECR quando se manifestam tentativas de ecumenismo entre a Igreja Católica e as protestantes.
- Nunca apresentam, ainda que brevemente, testemunhos de personagens santos como um São Francisco de Assis, o Padre Damião, que contraiu a lepra ao viver com os leprosos, ou a obra da Madre Teresa de Calcutá. Eu já li revistas protestantes onde citam de forma positiva temas como os indicados; por que os senhores não?
- Nos testemunhos que publicam, jamais citam o endereço completo de seus autores (creio que alguns devem autorizar-lhes isso), o que dá margem a duvidar da sinceridade dos mesmos. Nisso se assemelham aos que aparecem em revistas como “A Sentinela” das Testemunhas de Jeová. Pessoalmente, tenho constatado que aqueles que lhes solicitam esse dado diretamente jamais alcançam seu objetivo: respondem-lhes com evasivas ou simplesmente não respondem.
- Nunca transparece no propósito dos editores de ECR orar pela conversão do “malvado Papa”. É uma omissão grave não rogar pelos pecadores. Se eles condenam a conduta do Pontífice, devem dar o exemplo de cristãos, orando por Ele, não somente condenando sua má conduta segundo o seu ponto de vista. Na mesma revista em que o reprovam, anotem uma oração por sua conversão, e Deus responderá. Terminará a obra de ECR ou a do Papa, já que a Bíblia diz que, se a Obra é de Deus, ela permanecerá (At 5,38-39). A Igreja presidida por Cristo e por seu vigário, o Papa, já leva quase 2000 anos; a da Calle Recta, pouco mais de 30 anos. Com certeza Deus fará que a Obra que for d’Ele permaneça até que Cristo volte; a outra desaparecerá, ainda que seus operários tenham trabalhado arduamente nela. Veja-se Sl 127,1.
A seguir, e em complemento ao antes exposto, permito-me fazer uma análise dos propósitos de sua Associação e do conteúdo de sua revista EN LA CALLE RECTA:
Vem a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Jo 16,2
Os senhores devem estar conscientes de que muitos católicos estamos deficientes no conhecimento de nossa fé, embora isso não nos impeça de amar a Cristo e à sua Igreja. Sabem, do mesmo modo, que existem muitas regiões do mundo onde Cristo é completamente desconhecido e a obra dos missionários está proscrita. Exemplo: a China comunista, para não falar de alguns países muçulmanos onde decidir-se por Cristo se paga com a morte. Por que não dirigem a sua obra ECR a essas regiões? Creio que lhes parecerá mais fácil “edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15,20), enviando ECR aonde a Igreja Católica, com todas as suas deficiências e acertos, está trabalhando há vários séculos.
O propósito de sua revista, mais que evangelizar novos discípulos de Cristo, está dirigido principalmente a matar a fé dos católicos em Cristo e em sua Igreja. Desejo-lhes que o nosso Justo Juiz seja misericordioso com os senhores e com a sua obra no dia em que se apresentarem diante d’Ele, no Juízo Final.
“Todos os príncipes dos sacerdotes entraram em conselho contra Jesus para o entregarem à morte”. Mt 27,1
A Igreja é Jesus. Cristo o disse a São Paulo: “por que me persegues?” At 9,4.
É triste, e motivo de que os que conhecemos a sua obra ECR estejamos em constante oração pelos senhores, que, sendo sacerdotes PARA SEMPRE, estejam agora associados em conselho, como os sacerdotes do A.T., para pretender em vão destruir a Igreja Universal (Católica) de Cristo. Isto, como verão — que os sacerdotes entreguem Cristo à morte —, já sucedeu desde o primeiro século, e assim acontecerá, inutilmente, até a Parusia do Senhor.
Durante a Revolução Francesa (finais do século XVIII), vários ex-sacerdotes, depois de traírem a Cristo e à sua Igreja, foram ferozes inimigos d’Ele e da sua Igreja. Identificavam Cristo como o “tirano das almas”, participaram de festas blasfemas dentro da Catedral de Notre-Dame de Paris, onde se vestiu um asno com vestes sacerdotais e o fizeram beber água no cálice da Missa, penduraram-lhe na cauda o Missal e a Bíblia. Presenciaram e aprovaram que a imagem da Virgem Maria fosse derrubada do altar da catedral e colocado em seu lugar o trono da deusa Razão, figurada numa formosa jovem coroada de grinaldas.
Um ex-sacerdote chamado Joseph Le Bon foi tão sanguinário que, exercendo funções de comissário dos revolucionários, colocava junto à guilhotina uma orquestra de músicos para injuriar as suas vítimas antes de executá-las; para não falar do que fez Joseph Fouché, outro ex-religioso da época.
Em contrapartida, 17 religiosas carmelitas, tendo-se oferecido como vítimas ao Altíssimo para que aquela orgia terminasse e a França deixasse de beber o sangue de seus filhos, morreram mártires na guilhotina; e 7 dias depois caiu o próprio e feroz Robespierre, com vários de seus sequazes, na mesma guilhotina para a qual enviaram à morte tantas pessoas inocentes, e com isso a época do terror terminou.
A Igreja, a esposa de Cristo, renasceu na França, depurada de suas falhas e gloriosa em seus mártires. O próprio Deus permitiu que a Virgem Maria aparecesse em Lourdes e que se iniciasse naquele lugar a interminável série de milagres reconhecidos em todo o mundo, inclusive por não católicos.
Uma vez mais se tornam realidade as palavras de Jesus: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” Mt 16,18.
Um pároco simples de aldeia, pouco depois, disse ao célebre Napoleão: “nem nós, os padres, com os nossos pecados, conseguimos destruí-la; muito menos o senhor”. Conseguirá isso a obra de ECR?
Para quem deseje criar uma Igreja verdadeira, a fórmula é: “Morrer numa sexta-feira e ressuscitar num domingo”.
Comento-lhes o exposto porque, por sua condição de sacerdotes, ungidas as suas mãos com o óleo santo, considerando o anterior, poderão compreendê-lo e refletir que a obra que realizam, por essa condição, torna mais terrível o impacto que causam nas almas simples que têm a desgraça de ler a sua publicação ECR, como sucedeu, em sua época, com os ex-sacerdotes franceses, que conseguiram arrastar atrás de si muitos apóstatas, convertidos às ideias revolucionárias, para que depois, sem escrúpulo de consciência, cometessem crimes atrozes.
Que terrível e triste é ver que sacerdotes de Cristo, que antes tomaram em suas mãos o cálice com o seu sangue diante da Assembleia dos fiéis, agora tomem a pena para escrever contra Ele e a sua Igreja!
Diante dos grandes pecados que cometeram, cometem e cometerão as almas consagradas a Deus em sua Igreja, devemos recordar a atitude dos santos esposos São José e a Virgem Maria, que, conhecendo as falhas dos sacerdotes de seu tempo — os mesmos que um dia entregariam o seu Filho à morte de cruz —, nunca apostataram nem se afastaram do culto que eles presidiam no Templo de Jerusalém ou nas sinagogas; mas tomaram consciência de que aquela Igreja ou casta de sacerdotes, embora indignos, eram os que presidiam a congregação de Deus em seu tempo. Esses santos esposos cumpriram todos os preceitos que a Lei de Deus, por meio deles, prescrevia aos fiéis da antiga aliança. Assim nós, nesta Nova Aliança, devemos agir quando virmos escândalos nas pessoas consagradas ao Altíssimo na Nova e mais perfeita Aliança.
“Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus; assim, tudo o que vos disserem que guardeis, guardai-o e fazei-o; MAS NÃO FAÇAIS CONFORME AS SUAS OBRAS”. Mt 23,2-3
Sua revista ECR está constantemente saturada das reais, supostas e inventadas falhas que através da história se suscitaram na Igreja Católica. Tudo se critica, máxime se provém da conduta do Papa ou de algum outro eclesiástico. A mesma técnica das seitas destrutivas. Nunca veem algo positivo neles.
Na Igreja de Cristo, já foi dito, crescerão juntos o trigo e o joio. Sempre existiram e existirão, até o fim dos tempos, falhas terríveis na parte humana dos que a formamos, sejamos clérigos ou leigos.
Os sacerdotes mais indignos de seu ministério jamais — e isso me consta pessoalmente — nos motivam, durante as suas exortações no culto divino, a sermos pecadores, embora alguns deles talvez nos superem nisso por sua má conduta. Também não devemos perder de vista que, graças a Deus, existem em sua Igreja, como me consta, muitos deles que possuem uma conduta de santidade.
Diante da atitude imoral de nossos irmãos na fé, sejam sacerdotes ou líderes relevantes da Igreja, quando esta neles se suscita, temos a regra expressa por Jesus, acima mencionada. O que ECR assinala nesse aspecto com índice de fogo deve ser visto sob essa ótica.
O próprio Papa, ao celebrar diariamente a Sagrada Eucaristia, como todos os sacerdotes, declara-se diante da Assembleia um grande pecador, quando diz: “Confesso a Deus e a vós, irmãos, que PEQUEI MUITAS VEZES por pensamentos, palavras, atos e omissões…” Eis a razão das constantes orações da Igreja Universal para que, a cada dia, ela se aperfeiçoe na caridade em todos os seus membros. Devemos estar numa luta constante para consegui-lo, seguindo a Cristo, renunciando a nós mesmos, sendo violentos para conquistar o Reino Mt 11,12, não fugindo como os apóstatas.
O próprio Jesus, vendo a situação da Igreja de seu tempo, condoeu-se de seus fiéis e dizia que pareciam ovelhas sem pastor Mt 9,36, já que os seus Dirigentes não cumpriam a função que Deus lhes confiara; entretanto, o bom Jesus jamais encorajou ninguém a sair daquele sistema religioso; Ele mesmo visitava o templo e as suas sinagogas para expor a sã doutrina. Ele, único e eterno Sacerdote, teve toda a oportunidade de afastar os fiéis daquele clero corrupto (embora nem todo o fosse: recordemos o justo Simeão, Lc 2,25) e de ter ordenado alguma publicação semelhante à ECR, e não o fez. Bela lição: a reforma e a purificação de um sistema se conseguem lutando por dentro, não fugindo com covardia. Vários santos da Igreja são exemplo disso:
São Francisco de Assis, Santa Catarina de Sena, Santa Brígida da Suécia etc., diante dos escândalos da Igreja de seu tempo, agiram dessa maneira: permaneceram na Igreja e, com o seu santo exemplo, questionaram os próprios altos e indignos dirigentes da mesma.
Na vida cotidiana, se em minha casa há deficiências, não vou resolvê-las fugindo dela, mas ficando dentro para corrigi-las.
Por que, então, devemos escandalizar-nos quando ECR se afana em ressaltar as sombras dos membros da Igreja e oculta as suas luzes, os seus grandes personagens santos, assim como as suas obras?
Seria melhor que ECR iniciasse um plano de pregação do Evangelho de Cristo no ambiente holandês, que atualmente tanto o necessita.
Este servidor esteve na Holanda uma semana, em outubro de 2000, e constatei a frieza religiosa que se manifesta nos cristãos de todas as denominações. Em seus templos predominam anciãos, com notável ausência de jovens e, mais ainda, de crianças.
ECR deveria acrescentar em seus artigos temas que animem os que se dizem cristãos a cooperar, ao menos na Holanda, com a obra do Criador, não evitando o nascimento das crianças, condenando o controle artificial da natalidade em prol de um hedonismo vazio de Cristo. Também seria muito conveniente que estendesse essa campanha à Espanha (onde há sucursal de ECR), para que corrijam essa anomalia que está convertendo aquele País numa Nação de anciãos. (Também visitei a Espanha.) A Igreja Católica o realiza nesses e em todos os países do mundo. Se alguns católicos não atendem à sua mensagem, a culpa é deles; os Dirigentes católicos já não podem ser acusados de omissão. Ver Ez 33,9
O Papa constantemente condena a destruição da vida (aborto, controle artificial da natalidade, eutanásia etc.). Como é possível que, sendo ele tão perverso segundo ECR, os senhores guardem silêncio a respeito desses pecados diante de seus leitores, principalmente holandeses e espanhóis? Espero que os ex-sacerdotes casados tampouco utilizem, ou aprovem com o seu silêncio culpável, esses métodos que vão contra a vida, grande dom de Deus. Não estarão incorrendo num silêncio reprovável, como os maus cristãos que presenciaram passivamente o holocausto judeu?
Quando veremos em ECR mensagens motivadoras para os seus leitores holandeses e espanhóis nesse sentido?
Quando dedicarão ainda que seja a metade do esforço com que combatem a Igreja Católica para falar sobre isso em sua revista?
“Tudo isso é sombra do que há de vir; mas o corpo é de Cristo” Cl 2,17
A Igreja de Deus prefigura-se na mulher do Apocalipse (cap. 12): estava grávida (esperava o Messias). Essa Igreja, em sua fase do Antigo Testamento, muitas vezes foi infiel a Deus; inumeráveis são as citações bíblicas que assim o manifestam. Seus relevantes personagens falharam, apesar de serem considerados homens justos que amavam a Deus. Os exemplos abundam. Para abreviar, citarei só um:
Davi, para satisfazer os seus caprichos, mata 200 filisteus e lhes corta os prepúcios, apresentando-os a Saul (1Sm 18,25-27); isto é sadismo. Mais tarde, planeja o assassinato de Urias para casar-se com Betsabeia, o que executa com premeditação, aleivosia e vantagem. Também pecou quando fez o censo 2Sm 24,1-3.
Em suas orações, que ficaram registradas no Salmo 137,9, dizia a Deus, a respeito de seus inimigos: “Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos e os esmagar contra o rochedo”.
Foi ele rejeitado por Deus, como Saul? NÃO, porque Deus havia feito um pacto com Davi e tinha de ser-lhe fiel 2Sm 12,10-12.
O matrimônio de Davi e Betsabeia está alicerçado num crime; entretanto, Deus permitiu que o seu próprio Filho Jesus nascesse dessa descendência Lc 1,27. Assim também, se na Igreja de Cristo há — ou existimos — grandes pecadores, nem por isso Jesus acabará com Ela; no final dos tempos dará a cada qual o seu merecido.
Que se pode dizer dos reis descendentes de Davi? Com exceção de dois ou três, todos foram piores que Átila; mas eram membros do Povo de Deus e estavam sentados no trono outorgado por Deus, e Ele não rompeu o seu pacto.
E se tudo isso sucedeu no A.T., que era sombra do que havia de vir Cl 2,17, por que ECR se escandaliza com o que sucede no N.T.?
Os 12 apóstolos escolhidos por Jesus falharam: Pedro duvidou de Jesus ao tentar caminhar sobre as águas; depois negou-o 3 vezes. Tomé, tendo visto Lázaro ressuscitar, não aceitou que Jesus ressuscitasse. Essa má conduta foi motivada por ele andar fora do núcleo primitivo da Igreja daquele tempo, talvez por andar buscando a verdade fora dela Jo 20,24, como os autores de ECR. Quase todos o abandonaram no Calvário e, antes, dormiram no horto do Getsêmani.
Mesmo depois de Jesus ressuscitado, sentiam um grande temor e fechavam-se por medo dos judeus Jo 20,19. Judas o traiu
Os discípulos de Emaús, apenas iniciada a Igreja, já estavam desalentados Lc 24,17. Por que haveríamos de escandalizar-nos de que, a 2000 anos daquela época, haja não só desalentados, mas até apóstatas?
Ao manso e humilde de coração, Jesus, solicitavam que calcinasse as pessoas com fogo, pelo delito de não os escutarem Lc 9,54 (germe dos futuros e maus inquisidores). Das 7 Igrejas do Apocalipse, que prefiguram a Igreja Universal de todos os tempos (o 7 denota plenitude), 5 produzem frutos podres, e Deus as vomita de sua boca Ap 3,16. A proporção é muito alta: uns 70%. Na Igreja atual pode suceder que, de 7 sacerdotes, 5 sejam indignos. Que não será de um bilhão de católicos? Ou dos mais de 260 Pontífices (Papas) que já existiram? E se os 5 contra 7 não destruíram a Igreja, segundo o Apocalipse, poderemos pensar o mesmo agora?
Claro que sim! A Igreja é a esposa de Cristo e, no final dos tempos, formosa como uma noiva, já depurada de toda maldade, desposar-se-á eternamente com o seu esposo Jesus. Ap 21,2.
Destruiu-se a Igreja primitiva por essas gravíssimas infidelidades? Certamente que não. Jesus não prometeu aos membros de sua Igreja, por maior que seja a sua relevância, a IMPECABILIDADE. Ele assegurou que o poder do demônio entraria na Igreja, mas que não PREVALECERIA contra ela. Mt 16,18. Quanto mais nos aproximarmos do fim dos tempos, mais Satanás intensificará os seus ataques contra a Igreja e entrará nela Mt 24,15; a apostasia aparecerá 2Ts 2,3. Não obstante, sempre haverá um resto fiel, ainda que alguns se retirem e a ataquem.
Com os olhos da fé e o testemunho da história, podemos ver que A IGREJA CATÓLICA sempre foi a mais odiada e atacada, por dentro (apostasias, heresias etc.) e por fora.
Combateram-na e a combatem:
- Os imperadores romanos
- Os cismáticos
- Os hereges
- Os muçulmanos
- Os eclesiásticos corruptos e infiéis a seu ministério, com o seu mau testemunho, tanto os que permanecem dentro dela como os que se foram.
- Os leigos infiéis ou simuladores de membros dela
- O protestantismo
- Napoleão
- O sectarismo atual
- Os satanistas
- O nazismo (que corrompeu muitos de seus membros)
- O comunismo
- O capitalismo materialista
- A maçonaria
- Os racionalistas
- Os ateus
- A Revolução Francesa
- O sectarismo
- O hedonismo
- A corrente chamada Nova Era
- Os liberais que pretendem legalizar, ou já legalizaram, a eutanásia, a homossexualidade, o sexo livre etc. etc.
- E todos aqueles a quem incomoda o Evangelho de Cristo proclamado em sua Igreja
Apesar de tudo, Deus não a abandona. Esta Igreja Peregrina, que caminha pelo deserto da vida, prefigurada na Mulher que vai para o deserto, citada em Ap cap. 12, Deus a protege diante de seus inimigos. Ninguém poderá destruí-la.
Uma convertida ao catolicismo me dizia: Eu penso que, se meu pai foi para um país distante e me deixa em nossa casa aos cuidados de meus irmãos, e estes se corrompem em sua conduta durante a sua ausência, meu dever não é abandonar a casa, mas lutar por conservá-la em paz. Pois meu pai voltará a esta casa, independentemente da conduta dos que ficarmos nela. Assim Cristo tem a sua Igreja visível e, ainda que muitos de seus membros se corrompam, eu procurarei não fazê-lo e esperarei o meu Jesus em sua CASA, a minha IGREJA CATÓLICA.
Grandes santos, como Francisco de Assis, Tomás More, Santa Catarina de Sena etc., foram testemunhas dos grandes pecados dos clérigos de seu tempo, incluindo os Papas, e, sem sair da Igreja, sem se escandalizar ou perder a fé, lutaram por purificar a sua Igreja (por dentro, não de fora). Precisamente Santa Catarina de Sena, vendo isso, escrevia ao Papa Gregório XI:
“Vícios, pecados, soberba, imundície abundam hoje no povo cristão e singularmente nos prelados e nos diretores da Santa Igreja, os quais são comedores e devoradores das almas, não digo convertedores, mas devoradores” (carta nº 3 )
Em outra ocasião escrevia: “Ai de mim, que aquilo que Cristo conquistou sobre o madeiro da cruz se gasta com as prostitutas…” (Carta XLI ao Abade Núncio Apostólico).
“Frades e cônegos deveriam ser honrados e espelho de santidade; em vez disso, estão agora como trapaceiros, lançando peste e imundície e exemplo de miséria moral. Com pena e dor e grande amargura e pranto escrevo isto, e por isso, se falo demais, que a dor e o amor me escusem diante de Deus”.
Diante dessa situação, Santa Catarina poderia ter perdido a fé e apostatado (ou editado uma revista como ECR); mas não: foi fiel, e agora é um diamante de santidade que brilha na Igreja Peregrina e na Triunfante do céu.
Nos tempos modernos, temos uma Edith Stein, religiosa carmelita de raça judia que morreu nos campos de extermínio do nazismo, diante da indiferença de muitos cristãos (protestantes e católicos) que souberam do holocausto judeu e nada fizeram para detê-lo. Ela poderia ter apostatado diante dessa miséria moral; mas não: compreendeu que a IGREJA DE CRISTO, apesar dos graves pecados dos que a integramos, tem a promessa do Salvador de que permanecerá até o fim dos tempos.
“E naquele mesmo dia Pilatos e Herodes se tornaram amigos, porque antes estavam inimizados entre si” Lc 23,12
Em Calle Recta nunca se denunciam claramente as terríveis diferenças doutrinárias das diversas denominações protestantes e das seitas que dessa corrente surgem incessantemente. Quando veremos analisados em ECR temas como “Quem está na verdade”:
- O batista, que proclama que a salvação, uma vez obtida, jamais se perde — é-se salvo para sempre —, ou
- O metodista, que diz e crê o contrário
- Os unitários, que dizem que só o Pai é Deus, o Filho não, ou
- O que batiza só em nome do Senhor Jesus e o que o faz em nome das três pessoas divinas
- O que guarda o sábado ou o domingo
- O que celebra o Natal e o que o rejeita
- O que aceita a cruz e os que a repudiam
- Os que falam em línguas, têm desmaios, risos santos, prantos sem lágrimas (pentecostais) etc., e os que não aceitam essas manifestações
- Os que celebram a Ceia do Senhor a cada mês, a cada três meses, quase nunca ou uma vez por ano. Em oposição a At 2,42, que assinala ser costume celebrá-la frequentemente. O próprio Jesus a realizou no dia de sua ressurreição com os discípulos de Emaús. Lc 24,30. A Igreja Católica a efetua todos os dias do ano e nas 24 horas do dia, desde o nascer do sol até o seu ocaso Ml 1,11.
- Os que aceitam casamento de homossexuais, controle da natalidade, sexo livre etc.
- Os que têm hierarquias — bispos, presbíteros, diáconos etc. — e os que as rejeitam
- Os que batizam crianças e os que negam isso como paganismo
Creio que a colocação que ECR considera UNIFICADORA e sinal de VERDADE é que, ainda que existam essas e muitas outras diferenças doutrinárias abismais, basta que esses grupos estejam CONTRA A IGREJA CATÓLICA para que tudo esteja correto. O Ecumenismo que busca é semelhante à amizade acidental de Herodes e Pilatos quando se uniram para destruir Jesus.
Lutero, personagem tão admirado nas páginas de ECR, vejo-o mais sincero diante dessa realidade do que os editores de ECR, já que estes últimos não conseguem detectar o que o ex-sacerdote Lutero via em seu tempo (como se não fosse acontecer agora, a 500 anos de distância): o caos que ele mesmo provocou com aquilo de A SOLA ESCRITURA COMO REGRA DE FÉ. Eis os frutos que o Reformador assinala:
“Há quase tantas seitas e crenças quantas cabeças; este não admite o batismo, aquele rejeita o sacramento do altar, um terceiro diz que há um mundo intermediário entre o presente e o dia do juízo; não falta quem ensine que Jesus Cristo não é Deus. Não há ninguém, porém, por mais bufão que seja, que não afirme estar inspirado pelo Espírito Santo e que não considere profecias os seus sonhos e desvarios. (Citado em Leslie Rumble, Bible Quizzes to a Street Preacher (Rockford, IL. TAN Books 1976), pág. 22.”)
Parece-me uma incongruência que os Editores de ECR tenham intitulado a sua revista oficial com o nome “EN LA CALLE RECTA” para difundir a sua principal doutrina ou arma de diálogo, “a Sola Escritura”; sendo que é precisamente nessa rua do Damasco dos tempos bíblicos, assim chamada, que encontramos o testemunho de que Jesus, em busca da luz divina, nos remete à sua Igreja, não a um livro sem respaldo, como os protestantes têm a Bíblia.
Jesus, em revelações paralelas, une Ananias e o modelo dos convertidos de todos os tempos, São Paulo, num propósito que converte este último num dos grandes Apóstolos. Cristo não pediu a São Paulo nem a Ananias que recorressem à Sagrada Escritura ou a algum escrito sagrado para a grande Obra que o Apóstolo dos Gentios logo iniciaria, mas o pôs em contato com um membro de sua Igreja; utilizou, para o crescimento espiritual de São Paulo, outro homem: Ananias. Valeu-se de um intermediário — aquilo que ECR tanto critica nos católicos, porque recorremos aos nossos sacerdotes.
Jesus, devido à sua Encarnação, buscou “homens para salvar os homens” Mt 4,19 e comunicou-lhes a sua Graça e poderes para tão bela missão (celebração da Eucaristia Lc 22,19, perdão dos pecados Jo 20,22-23, transmissão desses poderes a outros 1Cor 11,23, 2Tm 2,2 etc. etc.). Isto se fará realidade desde Pentecostes até a Parusia do Senhor, ainda que os receptores desses dons divinos, por sua miséria humana, falhem.
É curioso que os protestantes não se puseram a meditar que no céu se manifesta um ambiente do culto católico, não do austero e vazio culto protestante:
A Bíblia nos mostra no céu: um Cordeiro de pé e imolado, Ap 5,6, sinal espiritual de que o sacrifício que se ofereceu todos os dias na terra At 2,42 continua no céu.
No céu veem-se incensários Ap 5,8, candelabros Ap 1,12, anciãos que exercem função sacerdotal Ap 4,4, um altar Ap 6,9, vestes sacerdotais Ap 1,13. Um cristão como os que os de ECR pretendem formar sentir-se-ia incômodo num estado assim.
Considerando o exposto, creio que seria mais lógico, com a sua linha de SOLA ESCRITURA, que tivessem intitulado a sua revista oficial com algo assim como “EN LA SOLA ESCRITURA”, e não “EN LA CALLE RECTA”.
No México, onde resido, como no resto da América Latina, estamos sofrendo uma terrível invasão de seitas com colocações doutrinárias muito afins às que proclama ECR.
Estão causando grande divisionismo nas famílias; poderia citar-lhes uma infinidade de desastres desse tipo, até mortes, por se negarem a aceitar medicamentos, porque dizem que só pela fé sararão — independentemente de seitas tão terríveis como as Testemunhas de Jeová, com a sua muito conhecida e aberrante doutrina do não às transfusões de sangue.
Numa comunidade rural morreram vários fiéis de uma seita pretensamente cristã por emanações de gás. O pastor, ao vê-los cair, dizia-lhes que era “a ação do Espírito Santo”. Que pensaria Lutero disso atualmente?
Essas seitas manejam conceitos como: “Como já és um nascido de novo, nova criatura és; as coisas velhas ficaram para trás”. Manipulam a seu bel-prazer a Bíblia em passagens como 2Cor 5,17 e concluem: como o meu cônjuge não admite a minha nova fé, abandono-o (como coisa velha) e caso-me novamente.
Temos pastores “nascidos de novo” — para não falar dos fiéis — casados, divorciados, casados de novo, e assim sucessivamente.
Até atrizes do cinema o fazem e depois, “muito convertidas”, oferecem recitais onde dizem “tudo recebi de graça e de graça o dou”, “já sou salva, nascida de novo”, “tenho um Cristo vivo, não um morto como o dos católicos” etc. etc. Mas, na hora de se retirarem, não existe nada de graça: cobram os seus bons honorários e o custo das viagens de avião.
Os senhores estarão conscientes de que no campo protestante é muito fácil casar-se e divorciar-se; geralmente essas congregações não mantêm livro de registro de matrimônios; muito menos costumam anunciar diante dos fiéis os futuros matrimônios, para o caso de alguém conhecer algum impedimento à sua realização.
A Igreja Católica tem em grande santidade o sacramento do matrimônio; não sucede assim no ambiente protestante ou sectário. Se na China um católico pretender casar-se de novo, lá se detectará a sua má pretensão. Consta-me, porque conheço a estrutura com que se conta em nossa Igreja para evitar isso.
Estou consciente de que talvez se cometam abusos com base em mentiras ou corrupções, mas isso não é a regra, e a Deus não se pode enganar, ainda que o façam com o sacerdote ou com o respectivo Tribunal eclesiástico. Deus dará a cada um, no dia do Juízo, o seu merecido. Ap 20,13.
Ninguém poderá acusar a Igreja Católica de não fazer um grande esforço ao manter esses registros em nível mundial. Mas o protestantismo e as seitas, que fazem a respeito?
Gostaria de saber se, entre os ex-sacerdotes que se associam em ECR, têm algum registro semelhante para que, se já se casaram, não voltem a pretender fazê-lo e incorrer no adultério ou fornicação, condenados por Deus, ou alegando que já são salvos e que a fé de Cristo os cobre de todo pecado.
Sugiro-lhes um tema a respeito para os próximos exemplares de ECR. Em 2Cor 11,4 somos advertidos de que há quem pregue “outro Cristo”. É muito comum que grupos religiosos novos tomem como bandeira a pessoa de Cristo; alguns são Cristos made in USA, como o das Testemunhas de Jeová, ou outros de doutrina mutilada, “Cristos de conveniência”: não são o Cristo da Bíblia.
Há alguns que se dizem genuínos discípulos de Cristo e se proclamam “nascidos de novo”, já salvos para sempre. Outros põem na salvação uma etiqueta de “marketing”, como em oferta comercial: dizem que a salvação a obterás num minuto, o tempo que demorares em dizer “aceito em meu coração Cristo como meu único e suficiente Salvador”, só pela fé, nada de obras. Como se disse antes: PECA FORTE, MAS CRÊ MAIS FORTE.
O Cristo da Bíblia é aceito em 100% de seus ensinamentos, não somente naqueles que nos soem cômodos para uma vida de simulação cristã.
Se Ele disse “Isto é o meu corpo” Mt 26,26 e prometeu vida eterna a quem o comesse (cap. 6 de João), e há quem o rejeite ou o receba só como um simples símbolo, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
Se Ele disse a Pedro “Apascenta os meus cordeiros e as minhas ovelhas” Jo 21,15-17, e alguém se recusa a aceitar este Pastor designado por Cristo e os que o sucederam, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
Se Ele disse: “recebei o poder de perdoar os pecados…” Jo 20,22-23, e alguém não aceita que esse grande poder tenha sido compartilhado por Jesus com os homens, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
Se Ele permitiu que na Bíblia a sua Mãe, a Virgem Maria, fosse chamada “Mãe do Senhor”, sinônimo de Mãe de Deus, Lc 1,43 — o mesmo Senhor em quem crê Santa Isabel —, e agora há quem se escandalize por esse título dado à mãe de Jesus, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
Se Jesus celebrou a Eucaristia no mesmo domingo em que ressuscitou, com os discípulos de Emaús — não esperou meses ou um ano, Lc 24,30 —, e os primeiros cristãos, seguindo o seu exemplo, realizavam-na com perseverança At 2,42, e agora há quem relegue isso a uma celebração simbólica e sem importância, condicionada ao líder ou pastor da vez, a cada vários meses ou a cada ano, estes já não creram 100% no Cristo da Bíblia.
Por carecer da Eucaristia no sentido católico, o protestantismo reflete em seus próprios templos essa ausência e aridez de Deus. Os templos protestantes geralmente permanecem fechados o dia todo e só se abrem quando chega o pastor; em contrapartida, os católicos ficam abertos o dia inteiro, e os fiéis vêm orar diante de Jesus no Sacrário, ainda que naquele momento não se esteja celebrando culto algum.
Igualmente, durante o culto católico, os fiéis assumem uma atitude de grande respeito e silêncio. No protestante vê-se mais desordem (conversam entre si, passam de mão em mão os instrumentos musicais a todo momento, cruzam as pernas como se estivessem numa tertúlia; alguns — eu os vi — em época de calor tomam algum refrigerante em pleno culto, e vários outros detalhes não presentes em situações similares entre os católicos).
A um adventista que conversava com este subscritor, depois de ele se expressar nos termos mais atrozes contra a fé católica, perguntei: “dize-me sinceramente: já viste ao menos algo positivo no catolicismo? Nem tudo pode ser mau. A maldade absoluta humanamente não existe; até Hitler tinha traços positivos: era um magnífico líder de massas, embora com fins nocivos, e foi ele quem promoveu a construção das primeiras autoestradas europeias. A Igreja Católica, para ti, não tem algo de bom?”. O adventista me disse: o meu pastor e toda a congregação admiramos o respeito com que celebram o seu culto, e desejaria saber como poderíamos nós consegui-lo. Disse-lhe: seria impossível; tudo gira em torno do fato de aceitarmos que Cristo está presente nas Espécies Eucarísticas, o que, para vós e para todos os não católicos, é somente um símbolo. Nunca será o mesmo estar numa Assembleia com um símbolo de Deus e estar com ELE MESMO REALMENTE PRESENTE. Daqui procede tudo o que me dizes admirar no catolicismo. O adventista emudeceu e retirou-se.
Se Cristo ordenou batizar em nome das três Pessoas Divinas Mt 28,19-20, e agora há quem diga que não deve ser assim, mas somente em nome exclusivo de Jesus, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
Se Cristo nunca escreveu livro algum, nem ordenou que os seus discípulos o fizessem para formar o Novo Testamento, mas sim que se “escutasse a voz de sua Igreja” Mt 18,17, e agora há quem diga que A SOLA ESCRITURA É REGRA DE FÉ, este já não creu 100% no Cristo da Bíblia.
E assim se pode continuar indefinidamente, diante do panorama atual de tantos Cristos que nos são pregados por uma infinidade de grupos religiosos e seitas.
O “slogan” “aceita Cristo como teu único e suficiente Salvador”, grito de combate para conquistar prosélitos de muitas seitas — termo que, por sinal, não se encontra na Bíblia e que nem Lutero conheceu —, procura induzir quem o proclama a aceitar dessa maneira “um Cristo vivo”; mas, analisando a procedência do mesmo, surgido do ambiente sectário, o que ele antes nos leva é a um “Cristo mutilado e de fatura humana”, já que tais grupos, em sua totalidade, rejeitam a presença real de Cristo na Eucaristia e outras doutrinas básicas que a mensagem TOTAL de Cristo contém.
Um pregador católico dizia: “O Cristo da Eucaristia” se nos faz mais presente do que o próprio Cristo quando fisicamente estava nas terras da Palestina. Por exemplo, no século I, Cristo pregava o seu evangelho e realizava os seus milagres no reduzido entorno da Galileia; naquela época, por exemplo, no que agora é a América, dessa maneira Ele não estava presente. As raças indígenas (astecas, incas etc.) não tiveram a oportunidade de vê-lo visivelmente; entretanto, com a chegada dos missionários da Mãe Pátria Espanha, que abriram estas terras com a sua pregação, selada até com o martírio, receberam um Cristo dinâmico e vivo, presente em cada Sacrário.
Este é o Cristo que a nossa fé católica proclama. Certamente Ele está presente espiritualmente, como o prometeu Mt 18,20, onde dois ou três se reúnem em seu nome; mas realmente, com o seu corpo, o seu sangue e a sua Divindade, somente nas Espécies Eucarísticas e no céu. Desta segunda presença carecem as denominações protestantes e as seitas delas originadas.
Por isso, aquilo de “aceita Cristo como teu único e suficiente Salvador”, visto à luz da Bíblia e dos 2000 anos de história da Igreja, deve ser encarado com reserva, porque poderia tratar-se de um “Cristo desvalorizado e acomodado aos interesses humanos de quem diz assim aceitá-lo”. “Outro Cristo” 2Cor 11,4, não o bíblico. Sua profissão é relativa, e os lábios que lançam louvores a esse Cristo devem ser escutados com prudência, não seja que se refiram, talvez sem o saber, ao “Cristo de sua fatura humana”, não ao CRISTO DA BÍBLIA.
Grandes santos — para citar uma: Santa Teresinha do Menino Jesus, ou um São João da Cruz —, sem alardear tanto como o fazem os “slogans” protestantes atuais, deixaram impressas em seus livros expressões de seu grande amor e entrega a Cristo que deixam pálidas as mais repetitivas e batidas de muitos dos que agora se dizem “cristãos nascidos de novo” ou que seguem, segundo eles, “um Cristo vivo”.
Os senhores, como sacerdotes, devem ter conhecido — e, se não o fizeram, seria muito edificante que lessem e meditassem — os sublimes escritos de um São João da Cruz, tais como o “Cântico espiritual entre a alma e Cristo e a chama de amor viva”, a “Noite escura da alma”, a “Subida do Monte Carmelo” etc., e verão que pessoas como ele, sem utilizar o estribilho de “ter Cristo como seu único e suficiente Salvador”, plasmaram essas sublimes vivências de espiritualidade, jamais superadas, acerca de seu amor e entrega ao Cristo da Bíblia, e não ao que as seitas nos pedem que aceitemos.
Sugiro-lhes que analisem a vida de São João da Cruz e verão como sofreu a inveja dos seus próprios irmãos da Ordem religiosa a que pertencia; chegou a ser condenado como um criminoso e até foi encerrado na prisão de Toledo, e dos seus lábios não saiu nem uma palavra de queixa. Ele também podia — e talento não lhe faltava — ter editado uma revista ao estilo de ECR e apostatado do catolicismo; mas não o fez. Mais um exemplo, dos muitos que há na história, dos que amam a Igreja de Cristo e são fiéis ao seu Fundador e a Ela até a morte.
Há também quem terrivelmente ponha uma disjuntiva para a salvação: TODOS COM CRISTO, NINGUÉM COM A IGREJA. CRISTO SALVA, A IGREJA NÃO.
Se Cristo não tivesse fundado uma Igreja e o seu plano de salvação não a integrasse como presença viva d’Ele desde Pentecostes até a Parusia, poderiam ter razão os que proclamam isso.
Acusam-nos, aos católicos, de identificarmos o plano de salvação com “a santa Igreja” — anotando-o com aspas depreciativas — e não com Cristo. Isso é mentira. Sabemos que Cristo é o caminho, a verdade e a vida, e fora d’Ele não há salvação; mas também aceitamos que essa salvação nos é provida, segundo o seu próprio plano, dentro de sua Igreja, não fora d’Ela. De outra maneira, não teria cabimento nem sentido que Ele houvesse dito “EDIFICAREI A MINHA IGREJA” Mt 16,18.
Cristo é a cabeça da Igreja, e a Igreja, o seu corpo Ef 5,23, Cl 1,18. Cristo é o esposo, e a Igreja, a sua esposa Mt 25,1, Ap 21,2. É inconcebível que alguns, crendo-se cristãos, pretendam separar, no plano de salvação, Cristo da Igreja, a cabeça do corpo, o esposo da esposa. Uma pretensão perversa e blasfema.
Devido aos males que gerou a reforma protestante, com a infinidade de seitas dela surgidas, pretendendo todas elas ser a verdadeira Igreja de Cristo, daqui nasceu essa malvada doutrina de apartar a Igreja do plano de salvação da pessoa de Cristo.
Há alguns que, considerando-se cristãos, assistem ao culto batista pela manhã e, à tarde, ao pentecostal, e noutro dia vão ao presbiteriano, para depois rematar em alguma comunidade que somente se denomina “cristã” — todas elas pregando um Cristo distinto, unidas somente pela sua rejeição ao catolicismo. São, como se diz no México, “gergelim de todos os moles”. Essas pessoas sentem-se como peixe na água, já que consideram que a Igreja é algo invisível e relativo e que só Cristo salva. Essa situação é gerada precisamente pela doutrina de que basta aceitar Cristo, sem necessidade de uma IGREJA VISÍVEL.
É notável que o leitor de ECR depreenda que o catolicismo é a religião falsa que traiu a Cristo, e que só no alheio a ela, com a bandeira da vivência de um Cristo aceito só pela fé, se poderá alcançar a salvação.
Se fosse verdadeira a tese anterior, muito própria de todos os protestantes e das seitas deles nascidas, erroneamente se concluiria que o mais de um bilhão de católicos que habitamos a terra, mais a imensa maioria dos que viveram desde o século I até o atual e os que assim viverem de agora até a Parusia do Senhor, estamos condenados e, por conseguinte, somos candidatos ao inferno.
Uma realidade assim — tantos que haveria no inferno por não seguirem a doutrina inspirada nos reformadores do século XVI, somados aos muçulmanos e às demais religiões não cristãs que não receberam “Cristo como seu único e suficiente Salvador” — nos mostraria um Deus muito cruel, que somente dará a sua salvação a um grupo restrito que tem a doutrina protestante.
Que um cristão dos que se dizem “nascidos de novo” pense assim e o aceite converte-o, moralmente, num ser mais terrível que o inquisidor Torquemada ou outros que, segundo a história, utilizaram o tormento do fogo contra os que, segundo o seu ponto de vista, traíam a fé de Cristo, tal como eles erroneamente a entendiam.
A doutrina que ECR plasma em suas páginas mostra um Deus mau, que permitiu, por quase 16 séculos — até que viessem os reformadores, com doutrinas nunca antes proclamadas —, que milhões de almas estivessem presas, sem esperança de salvação, na Igreja Católica. Se assim fosse, podemos perguntar-nos:
Em que Igreja surgiram homens de grande santidade e sabedoria como Santo Agostinho, São Jerônimo, Santo Ambrósio de Milão, São João Crisóstomo, São Francisco de Assis, Santo Tomás de Aquino, São Bernardo de Claraval etc. etc.? Deste último, o próprio Lutero, tão admirado por ECR, chegou a exclamar: “Se houve no mundo um monge santo e temente a Deus, foi São Bernardo de Claraval” (La Historia de la Iglesia Cristiana, publicação protestante, por Jesse Lyman (1985) – Editorial Vida, Miami, Flórida, USA, pág. 128).
Os protestantes, que fizeram sua a doutrina da Divindade de Cristo e da Santíssima Trindade, devem estar agradecidos a personagens católicos como um Santo Atanásio, que enfrentou o herege Ário com a sã doutrina, assim como São Jerônimo a Pelágio, ou Santo Agostinho a outros que difundiam doutrinas cristológicas errôneas. Igualmente aos grandes Concílios da Igreja, como o de Calcedônia e outros, que reafirmaram o depósito sagrado do Evangelho de Cristo.
Quando os grandes hereges do passado pretenderam corromper a sã doutrina, quem saiu a enfrentá-los e a combater os seus erros? Foram os batistas, os metodistas, os luteranos, os nascidos de novo, os que estruturaram essa frase de aceitar Cristo como seu único e suficiente Salvador? Certamente que não. Foram membros da Igreja Católica Apostólica Romana. Então, por que agora os grupos e congregações saídos da rebelião luterana, que compartilham a CRISTOLOGIA defendida por personagens católicos, não lhes reconhecem essa sublime ação? Ao contrário: a todo custo evitam mostrar aos seus adeptos essa parte da história da Igreja e se encerram somente na dos primeiros 40 anos de existência desta, mostrada no livro dos Atos. A única que dolosamente publica ECR.
Esforço vão: a “luz não se pode ocultar debaixo do alqueire” Mt 5,15
Não, senhores: a Igreja de Cristo não foi somente a narrada no livro dos Atos, mas a que tem perdurado desde Pentecostes até os nossos dias e que estará presente no dia da Parusia do Senhor, ainda que muitos tratem de destruí-la ou de apartá-la de seu Divino esposo, CRISTO NOSSO SALVADOR.
Poderão dizer os editores de ECR: não pensamos assim; mas as suas colocações, sutil ou abertamente, assim o declaram, pela forma como apresentam o seu plano de salvação; máxime quando, segundo ECR, somos idólatras por termos ídolos (imagens que veneramos). Ao anterior poderiam acrescentar que, se estamos equivocados quanto à presença real de Cristo nas espécies eucarísticas, somos os mais terríveis dos idólatras, ao crer que num simples pedaço de Pão estão o corpo e o sangue do Salvador do Mundo. Mas, se os equivocados são outros: de que grande maná estão se perdendo! Jo 6,49-50.
Agora que existem seitas satânicas, nelas o próprio Demônio, melhor do que muitos que se dizem cristãos, dá testemunho da PRESENÇA REAL DE JESUS NA EUCARISTIA. Os líderes dessas terríveis seitas buscam com afã somente hóstias consagradas da Igreja Católica para profaná-las. Por que agem assim e não tratam de adquirir pães da chamada Ceia do Senhor que os não católicos ou protestantes celebram? Simplesmente porque o próprio Demônio lhes manifesta que somente nas hóstias da Missa católica está presente CRISTO, a quem tanto odeia o Maligno. Nas outras, simplesmente NÃO HÁ NADA, unicamente farinha.
Os senhores, que são ex-sacerdotes, por seu ministério poderão compreender mais profundamente o que este indigno leigo lhes comenta. Quando virem, a cada dia, as suas mãos consagradas com o óleo santo, recordem isto e roguem ao Senhor pelos senhores e por este servidor.
Aqui no México, há muitíssimos anos, exibiu-se um filme, e numa cena dele mostrava-se um ex-sacerdote consumido no vício da embriaguez, dentro de uma taberna, dizendo a um jovem católico: crês tu na patranha de que nós podemos converter o vinho no sangue de Cristo? Eu, que fui sacerdote, digo-te: isto é uma grande mentira; e, para prová-lo, pedindo ao taberneiro um grande recipiente com muito vinho, disse ao jovem: aqui mesmo, sobre o balcão desta taberna, como se fosse o altar, vou “consagrá-lo” naquilo em que dizes crer; e, dito isto, pronunciou as palavras rituais da consagração, as mesmas que cada sacerdote repete em cada Missa, como Jesus na última Ceia. Terminado isso, o ex-sacerdote, entre zombarias, pretendeu atirar ao chão o vinho consagrado. O jovem imediatamente lhe arrebatou a grande taça e bebeu todo o seu conteúdo. Em consequência disso, o jovem morreu. Ao ver isso, o ex-sacerdote caiu de joelhos e, ali mesmo, pediu perdão a Deus por tão grande pecado e mudou a sua vida de pecado para uma vida de entrega a Jesus, que um dia o chamou a participar de seu sacerdócio.
Mesmo sendo um filme o antes narrado, deixa-nos uma grande mensagem de fé.
“Ninguém que, pondo a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus” Lc 9,62
Aceitando que são ex-sacerdotes no exercício de seu ministério, não em sua identidade — já que, independentemente da decisão que tenham tomado, continuo a considerá-los sacerdotes PARA SEMPRE —, compartilho com os senhores, como conclusão, o seguinte:
Penso que alguns se retiraram de seu ministério por razões e misérias humanas, tanto próprias como motivadas por aqueles que não deram diante dos senhores testemunho de amor cristão, ou talvez de apoio à sua vocação — podendo ter sido até o seu próprio bispo. A Igreja nos recorda que, em maior ou menor grau, muitas vezes não temos sido o reflexo do rosto santíssimo de Cristo diante de nossos irmãos, e isso atrasa o crescimento do Reino de Deus (Decreto sobre o Ecumenismo, cap. I, ponto 4). Outros, talvez, por uma vocação imatura ou por debilidade humana. O subscritor não é ninguém, neste caso, para julgá-los; remeto o juízo ao nosso Deus bom.
Como católicos, ainda fiéis, pela Graça de Deus, à nossa Igreja, devemos sempre orar por nossos sacerdotes, e com maior insistência pelos que se retiraram de seu ministério; máxime porque, como me consta pessoalmente — tenho-o observado e o sei —, muitos deles jamais conseguem ser felizes, ainda que se casem e tenham filhos.
Sei de um ex-sacerdote que, vários anos depois de seu afastamento e já convivendo com a esposa, contava ela que observava que ele se levantava a altas horas da noite; e, um dia em que o seguiu ocultamente, viu com tristeza como ele estendia sobre uma cama as suas vestes sacerdotais e, ajoelhado, orava diante delas, com os olhos cobertos de lágrimas. Dispensam-se os comentários.
Não o sei, mas penso que, se ainda não se deram, hão de apresentar-se casos de filhos de ex-sacerdotes que, movidos pela Graça de Deus, um dia veremos também convertidos em sacerdotes. Um filho do proeminente criminoso nazista Bormann, que odiava a Igreja, chegou ao sacerdócio; do mesmo modo, a filha de um feroz e sanguinário revolucionário francês de sobrenome Duchesne, arqui-inimigo da Igreja, foi religiosa missionária no território do Canadá, e agora Ela está em processo de canonização. Ambos, além de sua vocação, o fizeram movidos a implorar a Deus perdão pelas faltas de seus pais. Não poderá suceder algo assim, algum dia, com o filho ou a filha de um ex-sacerdote?
Os juízos e o plano de Deus são incompreensíveis para nós. Recordem: o Faraó do Egito tratou de acabar com o povo de Israel, e o seu principal libertador, que frustrou esses planos, encontrava-se protegido pelos da própria casa dele Ex 2,8. No N.T., Saulo, perito no conhecimento da Escritura At 22,3, não conseguindo identificar nela o seu personagem central, Jesus, o Messias ali proclamado, perseguia-o ferozmente, sendo as suas possíveis vítimas — que tanto o temiam, At 9,26 — as que o ajudaram em seu sublime ministério de Apóstolo. Estes são, poderíamos dizer, “os paradoxos de Deus”
Assim pode suceder que, dos descendentes dos ex-sacerdotes, surjam grandes apóstolos da fé católica; não é impossível esperá-lo de um Deus que nos diz que, se os homens calarem a verdade, “as próprias pedras clamarão” Lc 19,40.
Tenham a certeza de que o subscritor, um vil pecador, em minhas simples orações sempre tenho presentes os ex-sacerdotes.
Um jovem dos EUA, protestante fundamentalista, de nome Tim Staples, começou a ter dúvidas da verdade de sua religião e começou a investigar a Igreja Católica por conta própria; mas, como não queria mudar assim sem mais, decidiu inscrever-se no Jimmy Swaggart Bible College. Ali viram que estava “picado” de catolicismo, pelas perguntas que fazia, e disseram-lhe que lhe iam apresentar uma pessoa que o curaria definitivamente dessa “enfermidade”. Apresentaram-lhe um “perito” em catolicismo, que resultou ser um ex-sacerdote católico de nome Andrew Caradagas; este lhe disse que os Papas só existiram depois do século V, mas ele o refutou citando-lhe testemunhos de padres da Igreja anteriores a esse século (os que ECR nunca cita) que falavam da autoridade do Bispo de Roma. Também lhe disse que a Eucaristia era uma invenção da Idade Média. Ele lhe citou testemunhos de padres tão antigos como Santo Inácio de Antioquia, São Justino e Santo Irineu (século II) sobre a presença real de Cristo na Eucaristia (também nunca apresentados aos leitores de ECR). O triste é que o ex-sacerdote sabia tudo isso muito bem (como evidentemente o sabem bem os ex-sacerdotes que editam ECR). Diz o jovem convertido ao catolicismo: “enquanto discutíamos mais e mais doutrinas, tornou-se evidente que o ex-sacerdote não havia deixado a Igreja por razões doutrinárias. Finalmente admitiu que tivera na Igreja Católica algumas ‘más experiências’ que o levaram a abandoná-la”. (Citação do livro “Surprised by Truth”, Basilica Press, San Diego, CA, 1994, por Patrick Madrid, pág. 238).
A esse tipo de ex-sacerdotes, que conheceram e conhecem o pleno conhecimento da verdade, a Sagrada Escritura se refere com terríveis palavras:
“Porque, se pecamos voluntariamente depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas a terrível espera do juízo e o furor do fogo pronto a devorar os rebeldes” Hb 10,26-27, Bíblia de Jerusalém.
Esses ex-sacerdotes deveriam meditar na vaidade de seu esforço Sl 127,1, e bastaria que meditassem que Cristo e a sua Igreja são indestrutíveis, pois Ele sempre a assiste e do mal tira o bem.
Diante do herege — e até bispo — Ário, surgiu um Santo Atanásio. Diante da corrupção da Igreja medieval (simonia, corrupção clerical, luxúria etc.), um São Francisco de Assis. Diante de Lutero, um Santo Inácio de Loyola. Diante da obra do comunismo ateu de nossos tempos, “um homem vindo do mundo marxista: João Paulo II”, que muito influiu na queda daquele sistema simbolizado no muro de Berlim (“Como El Papa Venció al Comunismo”, Ediciones Rialp, Sebastián Elcano 30, 28012 MADRID, 1992). Liberdade que agora aproveitam as seitas que, como os gafanhotos do Egito, vão a esses países, ávidos de Deus, capturar adeptos. Os testemunhos são inumeráveis; basta analisar os 20 séculos de história da Igreja.
Devemos estar conscientes — os que, pela Graça de Deus, ainda somos fiéis a Cristo e à sua Igreja, apesar de todas as nossas misérias — de que, de obras como as dos autores de ECR, não obstante serem tão negativas para o plano de salvação, o nosso Deus bom tirará o bem, como no-lo recorda, em seu ponto 314, o Catecismo da Igreja Católica:
“Cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Mas as vias de sua providência nos são frequentemente desconhecidas. Somente no fim, quando tiver termo o nosso conhecimento parcial, quando virmos a Deus ‘face a face’ 1Cor 13,12, é que nos serão plenamente conhecidas as vias pelas quais, mesmo ATRAVÉS DOS DRAMAS DO MAL E DO PECADO, Deus terá conduzido a sua criação até o repouso desse Sabbat Gn 2,2 definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra”
É por isso que também devemos estar conscientes de que há muitos ex-sacerdotes que se foram por motivos como o antes referido e agora estão em congregações anticatólicas para tratar de calar a sua consciência; e por isso gritam forte e se afanam em desacreditar o catolicismo, crendo assim justificar-se. Não tratam de evangelizar em Cristo, mas de valer-se de sua experiência e desilusão para mascarar as suas reais frustrações.
Outros há, mais tristemente, que pura e conscientemente traíram a Cristo, ao seu ministério e à sua Igreja. Deram dois passos terríveis: primeiro, voltaram as costas ao seu ministério sacerdotal, participado do ÚNICO DE CRISTO; e depois, com furor, combatem a Igreja onde as suas mãos foram ungidas com o óleo santo. Para eles, resta somente que invoquemos a misericórdia de Deus, para que não sejam confundidos eternamente no dia do Juízo Final.
Tem-se dito que a Cristo se trai ou se conhece na Eucaristia. Judas o traiu no dia da Instituição deste Divino Sacramento Mt 26,25, e os discípulos de Emaús o conheceram “ao partir o pão” Lc 24,35. É significativo que os discípulos de Emaús — apesar de ter sido o próprio Jesus quem lhes explicou as Escrituras no caminho para aquele povoado, o mestre modelo e, sem dúvida, com um de seus sermões mais explicativos e belos — não descobriram Jesus pela pregação bíblica, mas “ao partir o pão”. A Eucaristia, o que comumente chamamos a Santa Missa.
Por isso, o Jesus da Bíblia se descobre em seu Evangelho completo, 100%, que inclui o grande Mistério da nossa Fé, a Sagrada Eucaristia, não com expressões extrabíblicas como “Aceito Cristo como meu único e suficiente Salvador”, de procedência humana.
Isto o recordará sempre todo sacerdote católico, dentro ou fora do ministério. A sua vida, independentemente do curso que siga, estará sempre ligada ao sacramento da nossa Fé, a Sagrada Eucaristia; as suas mãos foram consagradas para isso pelo Bispo, sucessor dos próprios apóstolos do Cordeiro Divino, Jesus.
Despeço-me desejando-lhes que CRISTO, ÚNICO E ETERNO SACERDOTE, lhes mostre o seu ROSTO e lhes dê a Paz. Encomendando-me às suas orações e tendo-os presentes nas minhas.
Autor: José L. Fierro Córdova