Estabelecer as causas da Reforma Protestante não é algo simples, pois tratou-se de um conjunto de fatores que se combinaram entre si e determinaram o rumo dos acontecimentos. É necessário reconhecer que, naquela época, a Igreja atravessava uma profunda crise, marcada pela abundância de abusos e pela vida escandalosamente pecaminosa de alguns membros do clero católico e até da alta hierarquia. Até aos nossos dias perdura a opinião majoritária de que foram esses abusos que provocaram a Reforma, e até católicos notáveis da época concordavam com essa avaliação[1].
Outros historiadores e católicos notáveis discordavam, alegando que em outras épocas também tinham ocorrido abusos semelhantes ou até maiores, sem que isso tivesse provocado o cisma[2]. Mas, independentemente de ter sido este o principal detonador ou apenas um dos muitos fatores que o originaram, o certo é que os reformadores tinham muito claro que as suas objeções não se dirigiam aos abusos, mas à própria doutrina católica.
Obviamente, encontra-se nos escritos de Lutero e outros reformadores abundantes reprovações à vida e conduta do clero católico (provavelmente porque, para efeitos propagandísticos, serviam bem à sua causa), mas em muitas ocasiões reconheceram que o seu problema não eram os abusos, mas as suas objeções doutrinais.
A este respeito escreveu Lutero:
“Eu não impugno os maus costumes, mas as doutrinas ímpias.”[3]
“Eu não impugnei as imoralidades e os abusos, mas a substância e a doutrina do papado.”[4]
“A vida é tão má entre nós como entre os próprios papistas; a questão é outra: se ensinam ou não a verdade.”[5]
Nas suas conversas de sobremesa:
“Nós vivemos mal, como vivem os papistas. Não lutamos contra os papistas por causa da vida, mas da doutrina. Pessoalmente, não digo nada sobre a sua forma de viver, mas sobre a doutrina. O meu trabalho, a minha luta, centra-se em saber se os adversários transmitem a verdadeira doutrina.”[6]
“Por isso, mesmo que o papa fosse tão santo como São Pedro, o consideraríamos ímpio e nos rebelaríamos contra ele.”[7]
“Oporemos a ele o Pai-Nosso e o Credo, não o Decálogo, porque em matéria de moral somos demasiado fracos.”[8]
Causas doutrinais da Reforma
Origem da doutrina da Sola Scriptura e do juízo privado
Uma chave para encontrar as causas doutrinais da Reforma encontra-se na vida e obra dos reformadores protestantes, e em particular de quem lhe deu o seu impulso inicial: Martinho Lutero.
Por questão de espaço, não é possível determo-nos a aprofundar a vida de Lutero tanto quanto gostaríamos[9], por isso nos limitaremos a dizer que era um homem profundamente escrupuloso que vivia cheio de angústia e atormentado por se sentir incapaz de dominar as suas paixões. É assim que, sentindo-se abandonado e reprovado por Deus, vai formando o núcleo da doutrina que lhe dará consolo: se a concupiscência (que para Lutero era pecado porque não diferenciava o sentir do consentir) permanece sempre no homem por causa do pecado original, é porque a liberdade humana ou livre-arbítrio está completamente corrompida[10], daí que o homem não pode ser justificado intrinsecamente, mas extrinsecamente por imputação. O homem não é feito santo, mas declarado santo; permanece pecador, mas imputa-se-lhe a justiça de Cristo, daí que o homem se salve somente pela fé fiducial, que se entende como a só confiança em que a divina misericórdia perdoará os pecados pelos méritos de Jesus Cristo[11]. As obras e o cumprimento dos mandamentos não são necessários para a salvação, mas simplesmente consequências da fé. E é neste contexto que nasce a doutrina conhecida como a Sola Fides ou salvação pela fé somente.
A doutrina da Sola Fide é rejeitada pelo Magistério e pela Tradição
O problema de Lutero é que as suas posições chocavam não só com o ensino do Magistério da Igreja, mas com toda a Tradição eclesiástica, desde a Igreja primitiva até os nossos dias.
Desde os primeiros séculos, os cristãos entendiam que a salvação era fruto da graça de Deus, mas, ao mesmo tempo, afirmavam que não anulava a liberdade humana, porque a graça não era irresistível.
Os Reformadores, naturalmente, tentaram procurar no ensinamento dos primeiros cristãos e dos Padres da Igreja algum apoio às suas propostas doutrinais, mas descobriram que a sua doutrina não só constituía uma novidade, como, nos pontos em que não o era, tinha sido unanimemente rejeitada pelos primeiros cristãos e Padres da Igreja.
João Calvino, na sua mais célebre obra Instituição da Religião Cristã, reconhece que os primeiros Padres sustentavam uma opinião diferente da sua, mas atribui isso ao fato de terem seguido em excesso os filósofos[12].
Santo Agostinho, a quem citaram inúmeras vezes, já tinha identificado, mais de um milênio antes, aqueles que sustentavam uma opinião semelhante à de Lutero como “pessoas pouco inteligentes”[13]. As abundantes evidências que se encontram nos escritos dos primeiros Padres da Igreja, tratadas em outro lugar deste mesmo livro, comprovam-no.
É assim que Lutero e os reformadores, para imporem a sua doutrina da Sola Fide, tinham previamente de derrubar tanto a autoridade do Magistério católico (como intérprete autorizado da Revelação) como a Tradição (porque também não estava de acordo com eles). Ao derrubar a Tradição, derrubavam igualmente a autoridade dos Concílios Ecumênicos e das definições dogmáticas que a Igreja tinha feito ao longo de toda a sua história.
O tripé fica com uma só “perna”
Até então, os cristãos tinham sustentado que a teologia devia ser formulada de acordo com três princípios: Escritura, Tradição e Magistério. A este respeito, explica o apologista James Akin:
“Os dois primeiros destes forneciam os dados necessários para conduzir investigações teológicas, enquanto o terceiro servia para formular autoritariamente a interpretação correta dos dados apresentados pelas duas fontes materiais. Assim, Escritura e Tradição serviam como princípios materiais de teologia, enquanto que o Magistério, ao permitir-nos saber com segurança o significado correto deste material, servia como um princípio formal de teologia.”[14]
A Tradição, até então, tinha servido como um ponto vital de referência para saber como os primeiros cristãos e as gerações seguintes tinham interpretado o conteúdo da Revelação. Era uma referência inestimável para não deturpar o significado original dos textos, mas, sem ela, este ponto de referência encontrava-se completamente ausente.
Naturalmente, era necessário para os protestantes rejeitar não apenas a Tradição posterior ao século IV, à qual atribuíam o início da apostasia da Igreja, mas sim toda a Tradição, porque nela havia provas de que as doutrinas católicas já eram professadas muito antes. O sólido fundamento patrístico de doutrinas como o primado de Pedro, a penitência e o purgatório, entre outras, não lhes deixou outra alternativa se quisessem justificar a sua Reforma.
Era muito incômodo, porque ao evidenciar que os primeiros cristãos professavam uma fé distinta da deles, deixava-se claro que a sua doutrina era certamente inovadora em sentido oposto à doutrina anterior. Reconhecer isto era como colocar no peito um cartaz com a inscrição “falso profeta”, pois estava escrito: “virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si.” (2 Timóteo 4,3-4).
Surge o princípio do juízo privado ou da livre interpretação da Bíblia
Foi precisamente este o argumento que os católicos opuseram aos reformadores: Quem pensas tu ser para afirmar que sabes mais do que todos os nossos predecessores juntos? Vale mais o teu próprio critério do que o da Igreja desde os primórdios? Afinal, embora Lutero pudesse alegar que aqueles eram “homens”, tinha de reconhecer que ele também o era, e foi certamente arrogante acusar a Igreja (que a própria Bíblia chama “coluna e fundamento da verdade”) de uma apostasia permanente, enquanto atribuía a si mesmo uma doutrina de caráter divino.
O próprio Lutero reconhece que não eram apenas os católicos que lhe faziam semelhante objeção, mas a sua própria consciência, que, do seu íntimo, procurava adverti-lo e o atormentava:
“Mal pude assegurar ou acalmar a minha consciência com as muitas e poderosas evidências da Escritura, para poder contradizer sozinho ao Papa, e para crer nele como anticristo, aos bispos seus Apóstolos; às universidades seus bordéis. Quantas vezes o meu coração tremeu, e me repreendeu objetando-me o seu argumento mais forte e único? És tu somente o sábio e os outros erram?”[15]
“Uma vez (o diabo) me atormentou, e quase me estrangulou com as palavras de Paulo a Timóteo; tanto que o coração se me queria dissolver no peito: ‘Tu foste a causa de que tantos monges e monjas abandonassem os seus mosteiros’. O diabo me afastava habilmente dos textos sobre a justificação… Eu pensava: ‘Tu somente és o que ordenas estas coisas; e, se tudo fosse falso, tu serias o responsável por tantas almas que caem no inferno’. Nesta tentação cheguei a sofrer tormentos infernais até que Deus me tirou dela e me confirmou que os meus ensinamentos eram palavra de Deus e doutrina verdadeira.”[16]
Lutero consegue apagar assim, pelo menos em parte, esses remorsos, atribuindo-os a tentações do demônio e convencendo-se a si mesmo de que a sua própria interpretação das Escrituras é a própria Palavra de Deus. Em 1535 escreve:
“Os Apóstolos, os Santos Padres e os seus sucessores nos deixaram estes ensinamentos; tal é o pensamento e a fé da Igreja. Ora, é impossível que Cristo tenha deixado errar a sua Igreja por tantos séculos. Tu só não sabes mais que tantos varões santos e que toda a Igreja… Quem és tu para atrever-te a dissentir de todos eles e para nos encaixar violentamente um dogma diverso? Quando Satanás urge este argumento e quase conspira com a carne e com a razão, a consciência se aterroriza e desespera, e é preciso entrar continuamente dentro de si mesmo e dizer: Ainda que os santos Cipriano, Ambrósio e Agostinho; ainda que São Pedro, São Paulo e São João; ainda que os anjos do céu te ensinem outra coisa, isto é o que sei de certo: que não ensino coisas humanas, mas divinas; ou seja, que (no negócio da salvação) tudo atribuo a Deus, aos homens nada.”[17]
Desta maneira acaba por se convencer de que toda a Igreja, com todos os santos juntos, podia errar, ao mesmo tempo que negava essa possibilidade para si próprio:
“Os Santos Padres, os Doutores, os concílios, a própria Virgem Maria e São José e todos os santos juntos podem equivocar-se.”[18]
“Estou certo de que os meus dogmas os recebi do céu. Os meus dogmas permanecerão e o papa sucumbirá.”[19]
Para ele não era arrogância atribuir-se tal infalibilidade e justificava dizendo: “eu não valho nada; o infalível é Cristo, cuja palavra eu defendo contra todos”, sobre o qual comenta acertadamente Ricardo García-Villoslada que era uma “humildade nada mais que aparente, porque, ao identificar a sua própria opinião com a palavra divina, está dizendo que ele é o único a interpretar corretamente a palavra de Deus, contra a opinião de todos os Santos Padres e Doutores da Igreja e contra as decisões de todos os concílios e Sumos Pontífices.”[20]
O seu endurecimento chegou a ser tal que ele próprio confessa que diariamente rezava, enchendo a boca de maldições — paradoxal para alguém que afirma seguir um Evangelho que manda rezar e abençoar os que nos amaldiçoam:
“Desejo, doravante, amaldiçoar estes patifes e insultá-los até o dia da minha morte, sem que jamais ouçam de mim uma só palavra boa. Que estes trovões e raios me acompanhem até o túmulo. Não posso orar sem que ao mesmo tempo amaldiçoe. Ao dizer: Santificado seja o teu nome, tenho que acrescentar: maldito, condenado, infamado seja o nome dos papistas e todos quantos blasfemam do teu nome. Ao dizer: venha o teu reino, tenho que acrescentar: maldito, condenado, perturbado seja o papado com todos os reinos da terra que são contrários ao teu reino. Ao dizer: faça-se a tua vontade, tenho que acrescentar: malditos, condenados, desonrados e aniquilados sejam todos os pensamentos e desígnios dos papistas e de todos os que conspiram contra a tua vontade e conselho. Verdadeiramente, assim oro eu todos os dias com a boca e com o coração, ininterruptamente, e comigo todos os que creem em Cristo.”[21]
João Calvino não estava propriamente menos convencido do que Lutero e, após uma longa luta para impor uma teocracia em Genebra ao estilo do antigo reino judaico e da república platônica, conseguiu que o Conselho reconhecesse a sua obra como a “doutrina santa de Deus”.[22]
É neste contexto, estando os reformadores completamente convencidos de serem os verdadeiros portadores da doutrina cristã, que surge o princípio do juízo privado ou da livre interpretação da Bíblia. Para despojar o Magistério da Igreja da autoridade de interpretar de modo autêntico as Escrituras, viram-se obrigados a transferi-la a cada crente de forma individual, de maneira que agora eles, podendo valer-se desse direito, pudessem divergir da Igreja Católica e pregar a sua própria doutrina.
Os reformadores sofrem as consequências da sua própria doutrina
Porém, uma vez que os reformadores transferiram a autoridade para interpretar de forma definitiva as Escrituras a cada indivíduo, encontraram-se diante de um problema ainda maior: o mesmo princípio que eles usaram para rejeitar a autoridade da Igreja podia ser usado contra eles pelos seus próprios seguidores.
É aqui que começa a notar-se a grande contradição entre os princípios e a prática dos reformadores, porque, embora continuassem a ensinar que só a Bíblia é a única regra de fé, que Deus ilumina cada crente para julgar o seu verdadeiro sentido, que o ditame dos Santos Padres, os decretos dos concílios e as decisões da Igreja não são mais do que palavras de homens às quais ninguém está obrigado a submeter-se, ao mesmo tempo não cessaram de celebrar sínodos, de escrever confissões de fé, de condenar erros e de excomungar aqueles que os sustentavam. Qualquer resultado dessas deliberações carecia por completo de autoridade, já que podia ser considerado, por sua vez, pelos dissidentes como “palavra de homens”.
Certo é que, quando os reformadores pregaram o juízo privado, o que queriam impor era o seu próprio juízo privado. Eles sabiam que, na prática, não podiam manter a unidade da sua Igreja se cada um definisse a doutrina por conta própria.
Isto, claro, foi-lhes apontado muitas vezes pelos católicos, porque era como sustentar que Jesus Cristo, em vez de ter estabelecido na sua Igreja um princípio de unidade, colocou nela um princípio de divisão para todos os séculos, deixando a todos os tenazes sectários a liberdade moral de formar bando à parte, sempre que acusassem a Igreja de erro ou desordem. Daí que os católicos lhes recordassem que era ordem evangélica manter a unidade entre os cristãos, já que a Igreja é UNA:
“Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento.” (1 Coríntios 1,10)
“Quando vos diziam: ‘Nos últimos tempos haverá uns impostores, que viverão impiamente ao sabor das suas paixões.’ Estes são os que semeiam divisões, pessoas guiadas pelos instintos, pessoas que não têm o Espírito.” (Judas 18-19)
“Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os!” (Romanos 16,17)
“Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.” (2 Pedro 1,20)
Os cismas não se fizeram esperar: Luteranos versus Anabatistas opunham-se entre si, entre outras razões, pelo batismo infantil[23], Zwinglio opunha-se a Lutero, que reconhecia a Presença Real de Cristo na Eucaristia[24], os próprios calvinistas foram incapazes de se pôr de acordo com os arminianos a respeito de não poucos pontos da doutrina da graça e da predestinação.
A situação era realmente muito incômoda para os reformadores, porque conheciam perfeitamente os textos bíblicos que condenavam as divisões — e eram demasiado abundantes para poderem ser ignorados. Sabiam que a Bíblia afirma que as divisões são uma “obra da carne” (Gálatas 5,19-20), e que os que as provocam são “impostores, que viverão impiamente ao sabor das suas paixões” (Judas 1,18). Numa carta que João Calvino escreveu a Philipp Melanchthon, ele confessa:
“É de grande importância que as divisões que subsistem entre nós não sejam conhecidas pelas gerações futuras, porque nada pode ser mais ridículo do que nós, que fomos obrigados a nos separar do mundo inteiro, tivermos tão mau acordo entre nós desde o início da Reforma.”[25]
Mas não apenas Calvino observava os desastres causados pelo seu próprio princípio; os restantes reformadores também se queixavam de os sofrer na própria pele. Lutero escreveu assim a Zwinglio:
“Se o mundo durar muito, será novamente necessário, por causa das várias interpretações das Escrituras que agora circulam, para conservar a unidade da fé, receber os decretos dos concílios e refugiar-nos neles.”[26]
A queixa de Lutero, aqui, é bastante significativa, porque demonstra que ele se dava conta de que, ao derrubar a Tradição, não apenas abriu a porta para poder ele mesmo pregar as suas doutrinas, mas também a abriu a todas as heresias que a Igreja havia combatido ao longo da história. Doutrinas que ele próprio reprovava e qualificava de heréticas teriam de voltar a ser combatidas indefinidamente dentro do seu próprio rebanho, geração após geração, porque qualquer acordo que alcançassem não obrigaria os seus sucessores, já que, afinal de contas, são “palavras de homens”. O mesmo germe do protestantismo faz com que continuem expostos a combater heresias que, para os católicos, já são uma questão encerrada há séculos.
Outras queixas amargas de Lutero:
“O mundo piora dia após dia. Os homens agora são muito mais gananciosos, maliciosos e ressentidos, e muito mais rebeldes, descarados e cheios de vícios do que eram na época do papismo.”[27]
“Anteriormente, quando foram seduzidos pelo Papa, os homens seguiam de boa vontade as boas obras, mas agora todo o seu empenho é para conseguir tudo para si mesmos, através de exações, saques, roubos, mentiras e usura.”[28]
“Com relação à nossa Alemanha, é evidente, de acordo com a grande luz do Evangelho, que está claramente possuída pelo diabo. Os nossos jovens são insolentes e rebeldes, já não se submetem à educação; os velhos estão carregados com os pecados da avareza, da usura e de muitos outros que não se podem mencionar.”[29]
João Calvino também se queixou do mesmo:
“Quando milhares de homens, depois de se libertarem da autoridade papal, com entusiasmo se alistaram no Evangelho, quantos poucos, pensa bem, se arrependeram de seus vícios? Não, o que a maioria demonstrou desejar, após sacudir o jugo da superstição, senão lançar-se mais livremente em todo tipo de lascívia?”[30]
Philipp Melanchthon, amigo incondicional de Lutero, também se queixava:
“O [rio] Elba, com todas as suas águas, não poderia fornecer lágrimas suficientes para chorar as misérias que a Reforma trouxe.”[31]
Martim Bucer, considerado um dos mais importantes teólogos da Reforma Protestante e reformador de Estrasburgo e Alsácia, partilhava a mesma opinião:
“A maior parte das pessoas parece ter abraçado o Evangelho apenas com o objetivo de se livrar do jugo da disciplina e da obrigação do jejum, da penitência, etc., que existia no papado, e viver segundo a sua vontade, entregando-se às suas paixões e apetites fora da lei, sem controle. Por isso, dão ouvidos com disposição à doutrina de que somos salvos apenas pela fé, e não pelas obras, pois não têm gosto por estas últimas.”[32]
Teodoro Beza, discípulo fiel e sucessor de Calvino:
“Também me atormentaram por muito tempo esses mesmos pensamentos que descreves: vejo os nossos divagando ao sabor de qualquer vento de doutrina e, após se elevarem, caem ora de um lado, ora de outro.
O que pensam hoje sobre a religião, talvez eu possa saber; mas o que pensarão amanhã, não. As Igrejas que declararam guerra ao Pontífice Romano, em que ponto da religião estão de acordo? Percorre tudo do princípio ao fim, e dificilmente encontrarás algo afirmado por um que outro não condene como ímpio.”[33]
O endurecimento dos reformadores
Diante desta situação, os reformadores encontravam-se completamente impotentes. Haviam pregado que cada pessoa tinha o direito de interpretar as Escrituras por sua própria conta, sem ter de se submeter a qualquer autoridade humana. Contudo, quando as pessoas exerciam esse direito para discordar deles, os reformadores não tinham base moral, dentro do próprio princípio que haviam instituído, para lhes proibir tal conduta. Aqui, a Reforma atingiu o auge da sua hipocrisia, pois negaram a todos os outros protestantes o direito que proclamavam possuir para si próprios.
Qualquer um que discordasse de Lutero em qualquer ponto doutrinal ou fosse considerado seu inimigo tornava-se alvo dos insultos mais grosseiros e vulgares. Ao duque Jorge da Saxônia chamou “assassino”, “traidor”, “infame”, “sicário”, “derramador de sangue”, “patife descarado”, “mentiroso”, “maldito”, “cão”, “sanguinário” e “demônio”[34]. Os insultos ao Papa foram sempre uma constante e é quase impossível contabilizá-los: “anticristo maldito”[35], “burrico papal”, “asno papal”[36], “bispo dos hermafroditas e papa dos sodomitas” e “apóstolo do diabo”[37]. Contudo, os opróbrios já não se restringiam apenas aos católicos; agora alcançavam também os próprios protestantes. Tomás Müntzer era descrito como um “arquidemônio que só perpetra roubos, assassinatos e derramamento de sangue”[38]. Andreas Karlstadt, seu aliado, ao divergir dele, foi chamado de “sofista, essa mente louca” e “muito mais louco que os papistas”. O mesmo ocorreu com Ulrico Zwinglio que, ao negar a presença de Cristo na Eucaristia, foi considerado “digníssimo de sagrado ódio, por agir de forma tão insolente e maliciosa em nome da santa palavra de Deus”[39] e “servo do diabo”.
Ao interpretar textos como Mateus 10,34 ou Lucas 12,49, sustentava que o Evangelho devia ser pregado com a espada na mão e que era preciso exterminar todos os que oferecessem resistência[40].
Calvino não era, de modo algum, uma exceção. Os seus adversários eram chamados de “malvados, patifes, bêbados, loucos, furiosos, raivosos, bestas, touros, porcos, asnos, cães, vis escravos de Satanás”[41].
Indignado com as correções que Miguel Servet fizera à sua obra Instituição da Religião Cristã, Calvino escreveu a Farel confessando que, se dependesse dele, veria Servet morto[42]. Trata-se de uma confissão assinada pelo próprio reformador, revelando como podia desejar a morte de outro cristão por exercer um direito que ele próprio afirmava possuir e que era um dos pilares da Reforma. Quando finalmente Servet caiu nas suas mãos e foi levado à fogueira, Calvino escreveu Fidelis expositio errorum Michaelis Serveti & brevis eorundem refutatio, justificando a pena de morte para os hereges[43].
Servet não foi a única vítima das inquisições protestantes. Como breve resumo, até 1546 registram-se sessenta e sete condenações à morte (trinta e quatro somente em 1545, em apenas três meses, entre bruxas e supostos propagadores da peste), além de outras tantas condenações ao exílio e cerca de oitocentos encarcerados[44]. Entre as vítimas de maior renome do regime calvinista está Jacques Gruet, que foi preso por negar a divindade de Cristo e acusado de colocar um cartaz com irrisões sobre Calvino. Gruet foi torturado duas vezes por dia até confessar e, finalmente, decapitado em 1547[45]. Outro caso foi o de Raoul Monnet, acusado de heresia e blasfêmia por ter composto um Novo Testamento para uso dos seus discípulos e mandado gravar caricaturas dos personagens bíblicos. Monnet foi condenado e decapitado na colina de Champel[46]. Já Valentim Gentile foi igualmente condenado à morte, mas salvou a vida ao retratar-se.
Entre os desterrados mais emblemáticos estão Jerônimo Bolsec, que se opôs a Calvino e sua concepção da predestinação, e também um livreiro chamado Belot, identificado como anabatista. Belot foi preso, torturado e finalmente exilado sob a ameaça de enforcamento caso retornasse, tudo isso por cometer a “insolência” de distribuir livros e folhetos sem a autorização do reformador[47].
Mas, se na Genebra de Calvino as vítimas parecem poucas, nos restantes países reformados e luteranos as vítimas foram ainda mais numerosas, como reconhece o próprio Beza ao referir-se às muitas condenações à morte de anabatistas[48]. Nem sequer é necessário mencionar a Inglaterra de Henrique VIII ou Isabel I.
Estes fatos demonstram que é errada a imagem idealizada que alguns protestantes formaram, segundo a qual os reformadores lutavam pela liberdade religiosa. É triste dizê-lo, mas trata-se de um fato histórico que eles lutavam pela liberdade de que apenas a sua religião fosse praticada, o que incluía a proibição do exercício da religião católica. Esta era retratada como uma idolatria que todo bom cristão tinha, em consciência, o dever de destruir. Calvino escrevia que era necessário exterminar os patifes zelosos que se opunham ao estabelecimento da reforma; tais monstros deviam ser sufocados, como demonstra na já mencionada defesa da condenação de Servet ou na sua carta ao amigo, o marquês de Poét:
“Enquanto isso, não omitas nem viagens nem ocupações; trabalha, pois: tu e os teus dançareis tudo depois, honra, glória e riquezas serão o prêmio de tantas penas: acima de tudo, não cometas o erro de não libertar o país desses canalhas zelosos que caluniam nossa conduta e difundem como delírio nossas crenças. Esses monstros merecem o destino que eu fiz recair sobre Miguel Servet, o espanhol; não creias que alguém ousará imitá-lo daqui em diante. Teu humildíssimo e dedicado servidor.”[49]
Basta dizer que não houve um único povo onde os calvinistas tivessem dominado que tolerasse o exercício da religião Católica. Na Suíça, na Holanda e na Suécia, proibiram-na, assim como fizeram os anglicanos na Inglaterra.
Algumas das consequências desastrosas da Sola Scriptura
Já muito foi dito sobre as consequências desastrosas que os protestantes sofreram na própria pele com base no seu próprio princípio. Alguns exemplos adicionais bastarão:
Pela Sola Scriptura aprovam-se o divórcio e a poligamia:
Apesar de a Escritura deixar claro que “o que Deus uniu, o homem não separe” (Mateus 19,6) e que “no caso de separação, que não volte a casar” (1 Coríntios 7,11), os protestantes permitiram o divórcio com base na interpretação que faziam da Bíblia.
Outro dislate ocorreu quando Lutero chegou a autorizar a poligamia, permitindo que o príncipe Filipe, Landgrave de Hesse, tivesse duas mulheres ao mesmo tempo[50]. O príncipe, grande benfeitor do movimento protestante e principal apoio da famosa Liga de Smalcalde, solicitou a Lutero e a outros reformadores que lhe fosse permitido ter duas mulheres. A razão? Declarou simplesmente que vivia em adultério, não podia nem queria mudar de esposa e, portanto, pedia a Lutero, Melanchthon e Bucer que lhe fosse permitido casar-se com uma segunda mulher enquanto vivia a primeira. Após longa deliberação, a poligamia foi declarada permitida ao príncipe numa carta assinada por Martinho Lutero, Filipe Melanchthon, Martinho Bucer, Antônio Corvin, João Leningue e muitos outros líderes da Reforma[51].
Guerra e massacre dos camponeses na Alemanha
Outro efeito catastrófico trazido pelo germe da doutrina protestante foi a guerra dos camponeses, que culminou no subsequente massacre de cerca de cem mil camponeses. A partir do escrito de Lutero de 1520, intitulado “A Liberdade Cristã”, onde afirmava que o cristão não estava sujeito a nenhum homem e insurgia-se contra todos os soberanos[52], muitos levaram a sua pregação ao extremo e, assim como Lutero, reivindicaram o direito de interpretar a Bíblia por sua própria conta, o que deu força ao movimento anabatista. A esse respeito, explica o historiador Joseph Lortz:
“… da posição fundamental da Reforma (a Bíblia como única fonte de fé sem garantia de um magistério), chegaram a tirar-se consequências radicais, em aberta contradição com os artigos essenciais da nova doutrina. O ímpeto irreprimível da consequência lógico-formal revelou já aqui sua força explosiva. Os principais representantes dessa linha foram Thomas Müntzer, de grande formação filosófica e exegética († 1525), que atuou em Zwickau e Mühlhausen, e os anabatistas de Münster, na Vestfália (1534, Johann von Leyden). Com esses fanáticos, entraram em cena correntes radicais. Suas repercussões funestas puderam ser vistas, por exemplo, na sublevação religioso-socialista dos camponeses (fortemente impulsionada pela pregação de Lutero sobre a liberdade), que foi esmagada de forma sangrenta.”[53]
O historiador protestante Justo González reconhece que Lutero deu à rebelião dos camponeses um componente que a levou a níveis nunca antes atingidos:
“Pouco depois, em 1525, estalou a rebelião dos camponeses. Estes tinham sofrido durante várias décadas uma opressão sempre crescente, e, por isso, tinham ocorrido rebeliões em 1476, 1491, 1498, 1503 e 1514. Mas nenhuma delas teve a magnitude da de 1525. Nesta nova rebelião, um fator veio juntar-se às demandas econômicas dos camponeses. Esse novo fator foi a pregação dos reformadores. Embora o próprio Lutero não acreditasse que a sua pregação devesse ser aplicada em termos políticos, houve muitos que não concordaram com ele neste ponto. Um deles foi Tomás Müntzer.”[54]
Formaram-se pelotões de camponeses exigindo a emancipação da servidão e que, acreditando estarem justificados pela Palavra Divina, atacaram, saquearam e queimaram mosteiros, igrejas e castelos, degolando, em nome do Evangelho e da liberdade cristã, monges, nobres e eclesiásticos que lhes resistiam[55]. Lutero, a princípio, reconheceu que entre as demandas dos camponeses havia algumas que eram justas e intercedeu a favor da reconciliação entre as duas partes[56]. Recomendou aos camponeses que não se rebelassem contra as autoridades temporais e, aos príncipes e senhores, que reconhecessem os direitos dos camponeses[57]. Porém, escandalizado pelos abusos e devastações, inclinou-se mais tarde a favor dos príncipes, ordenando que os camponeses fossem mortos, quer publicamente, quer em segredo, no seu escrito Contra as hordas bárbaras e assassinas dos camponeses[58]:
Para o reformador, os camponeses passaram a merecer “mil vezes a morte do corpo e da alma” e escreveu: “quem primeiro quiser e puder matá-lo, procederá bem e justamente”; e continuou mais adiante: “quem puder deve espancá-los, degolá-los e apunhalá-los de modo público ou clandestino”. Com um furor tremendo, exclamou: “já é o tempo da ira e da espada, e não o da graça”, concluindo com uma ordem categórica:
“feri, degolai e estrangulai quanto puderdes; e, se ao fazê-lo vier a morte, melhor para vós, pois nunca poderíeis encontrar morte mais bem-aventurada, porque morrereis em obediência à palavra e ao mandato de Deus.”
Eis a Sola Scriptura dando licença para matar ao bel-prazer e de forma clandestina. E, quando, muitas vezes, Lutero era responsabilizado pelas atrocidades, justificava-se dizendo que, se havia alguém a ser culpado, esse alguém era Deus, que lhe havia mandado falar daquela maneira:
“Os pregadores são os maiores homicidas, pois exortam a autoridade a cumprir resolutamente o seu ofício e castigar os culpados. Eu matei todos os camponeses que se revoltaram, todo o sangue deles caiu sobre a minha cabeça; mas eu o lanço sobre Deus, nosso Senhor, que me ordenou que falasse como falei…”[59]
Exemplo cru de até onde pode chegar alguém quando a soberba o leva a confundir a sua própria interpretação das Escrituras com a voz de Deus. A Sola Scriptura e o julgamento privado na sua máxima expressão.
Após esta guerra, Lutero obteve ainda maior favor dos príncipes, com os quais já se havia conciliado pelo seu tratado “O Fisco Comum”, no qual colocava à disposição dos príncipes seculares os bens dos bispados, abadias e mosteiros[60], que foram saqueados com a aprovação do reformador.
O que teria acontecido se os Reformadores tivessem conhecido as consequências da sua doutrina?
É impossível saber; embora, pelas dúvidas que sofreram ao começarem a ver a Reforma fragmentar-se num número infinitamente inferior ao dos dias de hoje, é possível que tivessem pensado duas vezes.
A Igreja está sempre carecida de reforma, mas a solução não estava no caminho tomado pelos reformadores. O exemplo de santos como São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loyola renovou com mais força a Igreja do que todos os reformadores e heresiarcas juntos, porque aqueles, dóceis, como verdadeiros instrumentos de Deus, compreenderam que é de dentro da Igreja, e sob a autoridade instituída por Jesus Cristo, onde realmente podemos fazer a diferença com a graça de Deus.
Lamentavelmente, os reformadores não tinham a santidade necessária para uma tarefa semelhante. Sem descartar a possibilidade de que tivessem genuinamente a intenção de renovar a Igreja — pois só Deus conhece a intenção do coração — basta observar os seus escritos e o seu comportamento para perceber isso. A sua vida chegou, por vezes, a ser uma antítese do Evangelho, e hoje as consequências dos seus ensinamentos são desastrosas.
É claro que seria insensato negar que parte da responsabilidade recai sobre muitos católicos e membros da hierarquia que, imersos numa vida corrupta, deram margem para que estes homens, dominados pelas suas paixões e não pela graça de Deus, demolissem parte da Igreja e conduzissem muitos ao erro do relativismo de interpretar a Bíblia segundo a sua própria maneira. Deus julgará cada um e tenha misericórdia de todos.
Bem-aventurados aqueles que permaneceram e permanecem fiéis a Cristo na Igreja, que é o seu Corpo Santo, sempre santa e sempre necessitada de reforma.
Notas
- A este respeito, o historiador Francisco Martín cita, entre outros, o Cardeal Reginaldo Pole nos tempos da reforma: “Por nossa causa desencadeou-se a tempestade”, ao célebre Erasmo de Roterdão: “Direi qual foi a fonte deste primeiro mal, a aberta e ímpia vida de alguns sacerdotes e o ar sombrio de alguns teólogos deu lugar a esta tempestade”. Opiniões na mesma via também de H.S. Denifle, Bossuet, etc.
Francisco Martín Hernández, História da Igreja II. La Edad Moderna, Ediciones Palabra, 3ª Edição, Madrid 2005, p. 111-112. ↩ - O mesmo Francisco Martín Hernández cita como exemplo Imbart de la Tour (Les Origines de la Réforme, Paris, 1905) entre outros. Da mesma opinião é o célebre Jaime Luciano Balmes, tal como explica na sua obra El protestantismo comparado con el catolicismo en sus relaciones con la civilización europea. ↩
- Martinho Lutero, Carta a Leão X, ano de 1520, Weimarer Ausgabe 7,43. Juan Luis Lorda, La gracia de Dios, Editorial Pelícano, Madrid 2004, p. 152. ↩
- Weimarer Ausgabe Tischreden 3555, III, 408. Sergio Fernández Larraín, Carlos V, Lutero y la Reforma Protestante, Biblioteca del Congreso Nacional, Homenaje Guillermo Feliu Cruz, Editorial Andrés Bello, Chile 1973, p. 298. ↩
- Francisco Martín Hernández, História da Igreja II. La Edad Moderna, Ediciones Palabra, 3ª Edição, Madrid 2005, p. 113. ↩
- Ibid. ↩
- Weimarer Ausgabe Tischreden 6421, V, 654. ↩
- Weimarer Ausgabe Tischreden 3550, III, 402. ↩
- Para uma revisão profunda da pessoa de Lutero, sugere-se a obra em dois volumes de Ricardo García-Villoslada, intitulada Martín Lutero. ↩
- Posteriormente, Lutero viria a dizer que o livre-arbítrio é “pura mentira” e o negaria totalmente. Martinho Lutero, De servo arbitrio, disponível em http://www.iglesiareformada.com/Luther_Servo_Arbitrio_1.html ↩
- O Concílio de Trento rejeitou as teses protestantes, com as seguintes palavras: «Se alguém disser que a fé justificante não é outra coisa que a confiança e que essa confiança é o único com que nos justificamos, seja anátema» (DS 1562). ↩
- Escreve assim Calvino: “Os Padres antigos seguiram excessivamente os filósofos. Quanto aos doutores da Igreja, embora não haja nenhum que não compreenda quão debilitada está a razão no homem por causa do pecado, e que a vontade se encontra sujeita a muitos maus impulsos da concupiscência, no entanto, a maior parte deles aceitou a opinião dos filósofos muito mais do que seria desejável”. João Calvino, Instituição da Religião Cristã, II, 2,4. ↩
- “Pessoas pouco inteligentes, no entanto, em relação às palavras do Apóstolo: «pensamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei», pensaram que isso significa que a fé é suficiente para um homem, mesmo quando leva uma má vida, sem boas obras.” Agostinho de Hipona, Sobre a Graça e o Livre Arbítrio XVIII. Traduzido de On Grace and Free Will XVIII, NPNF1 Vol. V. ↩
- Jimmy Akin, Sola Scriptura and Private Judgment.
Disponível em https://jimmyakin.com/library/sola-scriptura-and-private-judgment. ↩ - Martinho Lutero, De abroganda missa privata, Prefácio. Roberto Manning, El camino más corto para quitar disputas en materia de religión, Imprenta Real, Madrid 1795, p. 158-159 ↩
- Weimarer Ausgabe Tischreden 141, I, 62-63 ↩
- Weimarer Ausgabe 40,1 p. 130-131. Traduzido de Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid 1976, p. 15 ↩
- Weimarer Ausgabe 17,2 p. 28. Traduzido de Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid 1976, p. 14 ↩
- Weimarer Ausgabe 10,2 p. 184. Traduzido de Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid 1976, p. 15 ↩
- Traduzido de Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid 1976, p. 14 ↩
- Weimarer Ausgabe 30,3 p. 470. Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid 1976, p. 377 ↩
- Léonard, E. G., Histoire générale du protestantisme I, Paris 1961, p. 301 s ↩
- A este respeito, ver O Batismo de Crianças nos Padres da Igreja e na História. ↩
- Apesar de se reunirem para deliberar e chegar a um acordo no Colóquio de Marburgo em 1529, todo acordo foi impossível e as diferenças subsistem até hoje. ↩
- João Calvino, Ep 141, Carta a Philipp Melanchthon.
O texto em inglês conforme aparece em Charles F. B. Allnatt, Which is the true church? or, a few plain reasons for joining the Roman Catholic communion, Ballantyne Press 1881, p. 58, diz: “It is of great importance that the divisions which subsist amongst us should not be known to future ages; for nothing can be more ridiculous than that we, who have been obliged to separate from the whole world (a toto mundo discessionem facere coacti sumus), should have agreed so ill among ourselves from the very beginning of the Reformation.” ↩ - Martinho Lutero, Carta a Zwinglio. Jaime Luciano Balmes, El protestantismo comparado con el catolicismo en sus relaciones con la civilización europea, Tomo I, Imprenta del Diario de Barcelona, Décima Edição, Barcelona 1921, p. 213 ↩
- Martinho Lutero, In Postill. super Evang. Dominicae primae Advent. ¶ Charles F. B. Allnatt, Which is the true church? or, a few plain reasons for joining the Roman Catholic communion, Ballantyne Press, 1881, p. 60. ↩
- Martinho Lutero, Serm. Dom. 26 post Trinit.
Charles F. B. Allnatt, Which is the true church? or, a few plain reasons for joining the Roman Catholic communion, Ballantyne Press, 1881, p. 60. ↩ - Martinho Lutero, In Gen. xxiii.9, tom. i, p. 2451.
Charles F. B. Allnatt, Which is the true church? or, a few plain reasons for joining the Roman Catholic communion, Ballantyne Press, 1881, p. 60. ↩ - João Calvino, De Scandalis, tom. ix, p. 71, ed. Amstelod, 1667. ¶ Charles F. B. Allnatt, Which is the true church?, Ballantyne Press, 1881, p. 60. ↩
- Philipp Melanchthon, Epis. 202, lib. II.
Charles F. B. Allnatt, Which is the true church? or, a few plain reasons for joining the Roman Catholic communion, Ballantyne Press, 1881, p. 59. ↩ - Martim Bucer, De Regno Christi, lib. i, c. 4. Charles F. B. Allnatt, Which is the true church?, Ballantyne Press, 1881, p. 61. ↩
- Theodore Beza, Epist. ad Andream Dudit.
Jaime Luciano Balmes, El protestantismo comparado con el catolicismo en sus relaciones con la civilización europea, Tomo I, Imprenta del Diario de Barcelona, Décima Edição, Barcelona, 1921, p. 213-214. ↩ - Martinho Lutero, Contra o pérfido assassino de Dresden
Wider den Meuchler zu Dresden: Weimarer Ausgabe 30,3, p. 444-471. ↩ - Weimarer Ausgabe 54, 214-215.
Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 545. ↩ - Weimarer Ausgabe 54, 220-221.
Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 545. ↩ - Weimarer Ausgabe 54, 226-228.
Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 545. ↩ - Weimarer Ausgabe 18, 357 e 367.
Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 181. ↩ - A Link, 27 de Outubro: Briefw. IV, 272.
Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 306. ↩ - Abate Bergier, Diccionario Enciclopédico de Teología, Tomo III, Imprenta Don Tomás Jordán, Março 1832, p. 541. ↩
- Jaime Luciano Balmes, El protestantismo comparado con el catolicismo en sus relaciones con la civilización europea, Tomo I, Imprenta del Diario de Barcelona, Décima edição, Barcelona, 1921, p. 208. ↩
- Escreve Calvino a Farel: “Servet acaba de me enviar, junto com suas cartas, um volumoso livro com seus delírios. Se o permitisse, viria aqui, mas não lhe dou a minha palavra, pois, caso venha, se a minha autoridade servir para algo, não permitirei que saia vivo.”
Roland H. Bainton, Servet, el hereje perseguido, Taurus Ediciones, Madrid 1973, p. 152. ↩ - César Cantú, Historia Universal, Tomo IV, Imprenta de Gaspar y Roig Editores, Madrid, 1866, p. 67. ↩
- Guido Zagheni, La Edad Moderna, Curso de Historia de Iglesia III, Ediciones Palabra, Madrid 2005, p. 139. ↩
- Hermann Tuchle, Nueva Historia de la Iglesia, Tomo III, Ediciones Cristiandad, 1987, p. 122. ↩
- Uma menção ao suplício de Monnet pode ser encontrada em: Paul Henry, The Life and Times of John Calvin, the great reformer, Vol. II, Whittaker and Co., Londres 1849. ↩
- Este episódio é narrado pelo historiador protestante Bernard Cottret em sua obra Calvino, la fuerza y la fragilidad, Editorial Complutense, Primeira Edição, Madrid, 2002, p. 198. ↩
- Bernard Cottret, Calvino: la fuerza y la fragilidad, p. 197. ↩
- Juan Calvino, Carta al marqués de Poét, Genebra, 8 de setembro de 1561.
Lorenzo Hervás y Panduro, Causas de la revolución en Francia, Tomo II, Madrid, 1807, p. 273. ↩ - Abate Bergier, Diccionario Enciclopédico de Teología, Tomo VI, Imprenta Don Tomás Jordán, Março 1833, p. 286. ↩
- R.P. Croiset, Paralelo de las costumbres de este siglo y de la moral de Jesu-Christo, Imprenta Real, Madrid, 1789, p. 164-165. ↩
- Abate Bergier, Diccionario Enciclopédico de Teología, Tomo II, Imprenta Don Tomás Jordán, Novembro 1831, p. 214. ↩
- Joseph Lortz, Historia de la Iglesia, Tomo II, Ediciones Cristiandad. ↩
- Justo L. González, Historia del cristianismo, Tomo II, Editorial Unilit, Miami, 2004, p. 42. ↩
- Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 204. ↩
- Lutero aborda este tema em seu escrito intitulado Exhortación a la paz en contestación a los doce artículos del campesinado de Suabia. Uma tradução desses doze artigos mencionados por Lutero encontra-se na obra de Ricardo García-Villoslada, Martín Lutero II, en lucha contra Roma, Biblioteca de Autores Cristianos, Segunda edição, Madrid, 1976, p. 206-207. ↩
- Salvador Castellote, Reformas y Contrarreformas en la Europa del siglo XVI, Ediciones Akal S.A., Madrid, 1997, p. 42. ↩
- Martinho Lutero, Contra las bandas rapaces y asesinas de los campesinos, ano 1525. ↩
- Martinho Lutero, Weimarer Ausgabe Tischreden 3, 75, n.º 2911a.
Hubert Jedin, Manual de Historia de la Iglesia, Tomo V, Editorial Herder, Barcelona, 1972, p. 217. ↩ - Jaime Luciano Balmes, Observaciones sociales, políticas y económicas sobre los bienes del clero, Imprenta de A. Brush, Segunda edição, Barcelona, 1854, p. 64. ↩