Meu testemunho pessoal

Este testemunho pessoal descreve minha vida e a jornada desde a vida no topo da Broadway (Nova York) até a vida nas ruas de Ottawa e minha nova vida em Jesus. (A leitura levará cerca de 35 minutos).

david macdonald 2Os primórdios

Nasci o mais novo de 4 filhos homens em Overbrook, um bairro pobre de Ottawa, Canadá. Minha família não era nem um pouco religiosa. Ouvi muitos pensamentos religiosos. Meus pais me batizaram presbiteriano “por via das dúvidas”, mas na verdade não havia um seguimento da fé cristã. Nunca íamos à igreja. A família era muito inteligente e carinhosa, mas entre nós havia muitas brigas.

 

Sem Deus

Sem Paz

Conhecer a Deus

Conhecer a paz

 

Não tínhamos Deus. Além disso, nosso bairro era um pouco pesado. Havia motoqueiros, suicidas, alguns carros-bomba e assassinos. Um menino de dez anos matou a facadas suas duas irmãs mais novas na casa vizinha à nossa. Muito cedo desenvolvi um distúrbio alimentar, talvez em resposta ao medo em que vivia; recusava-me a comer dias inteiros. Meus amigos cresciam, mas eu continuava magrelo.

Meu vazio espiritual também se manifestava numa sede insaciável de chamar a atenção. Aos 5 anos eu era muito pequenininho e engraçado; todos riam até a histeria e eu adorava. No entanto, essa sede de atenção não era boa para um menino do meu tamanho. Levei muitas surras dos meninos maus da vizinhança. Em uma delas quebraram meu cotovelo com um taco de hóquei. Ele tentou acertar minha cabeça!

Meu avô materno era ministro da United Church (Igreja Unida do Canadá) e seus avós tinham sido praticantes na United. Minha avó nos deu uma Bíblia (a Versão King James) e houve um tempo em que minha mãe começou a lê-la para mim. Eu adorava, mas não sabia por quê. Quem cuidava de mim eram os Hanlon, uma família católica; sua filha Claire era minha melhor amiga. Eu sempre olhava para a Cruz na parede da casa dela e ela me atraía e me causava estranheza.

Certa vez entrei em êxtase assim que meus irmãos mais velhos chegaram em casa trazendo um violão que tinham comprado por $12. Logo de início eu o peguei e comecei a cantar e a tocá-lo. Eles se olhavam e diziam: “ele é bom (faz bem)”. Acho que Deus me deu aquele violão para me ajudar a me concentrar. A partir de então a música foi o centro da minha vida. Nossa família nunca foi a nenhuma igreja.

Na 5ª série vi alguns meninos empinando pipas no pátio da escola e pensei comigo mesmo: “quero aprender a fazer isso”. Então fui comprar uma pipa e comecei a empiná-la. Queria que voasse cada vez mais e mais alto. Comprei 3000 pés de linha (uns 900 metros!). Minha pipa voava mais alto que a de todos os demais. Tão alto que era uma pequena manchinha no céu, muito difícil de enxergar. Mas eu queria que voasse ainda mais alto. Soltei tanta linha que cheguei ao fim, ela se soltou do carretel e a pipa desapareceu. Essa seria mais tarde a história da minha vida: sempre indo além do que eu podia controlar.

Lembro-me de pedalar no fim de uma longa fila de 15 ou 20 ciclistas numa ciclovia. Propus-me a ultrapassar todos. Comecei a pedalar forte; quando havia chegado ao 5º lugar, as outras bicicletas começaram a tomar a direção oposta e voltei de novo ao fim da fila. Depois de 5-10 tentativas dessas (e de me cansar pelo desgaste de energia), um adulto me disse: “Por que você simplesmente não fica atrás e aproveita este lindo dia de sol passeando de bicicleta, em vez de tentar chegar à frente da fila?” A ideia de simplesmente aproveitar sem “ganhar” era um conceito totalmente estranho para mim. Ironicamente, sempre fui o mais fraquinho dos jogadores nos piores times da liga infantil de hóquei, rúgbi e beisebol. Essa (a de ganhar) não era uma fórmula bem-sucedida para me conter.

La IglesiaUm dia passeava de bicicleta e passei bem em frente a uma igreja antes da Missa de domingo. Eram tempos em que as pessoas se vestiam bem para ir. Vi um dos meus colegas de escola entrando de bermuda. Ri dele: “ha ha, você está indo à igreja de bermuda”. Ele se virou, olhou para mim e respondeu: “pelo menos eu estou indo”. As grandes portas da igreja se fecharam e eu continuei dando voltas pela rua vazia.

Tornei-me religioso à minha maneira a partir de então. Memorizei a letra inteira de “Jesus Cristo Superstar”. Hoje sei que seu conteúdo é fraco do ponto de vista das Escrituras, mas de certo modo me ensinou o Evangelho, e o nome de Jesus foi suficiente para dar certo sopro de vida ao meu ser. Eu costumava saltitar pela casa cantando: “what’s the buzz, tell me what’s a happening.”

Às vezes eu acordava de madrugada com nós no estômago. Certa noite, quando tinha 10 anos, acordei e vi uma cruz de néon azul na torre de uma igreja através da minha janela. Ela brilhava ainda mais através do gelo que pendia do nosso telhado e a luz entrava no meu quarto. Era belíssimo; os nós no meu estômago desapareceram. Creio que essa foi minha primeira experiência espiritual; depois disso comecei a cantar coisas que falavam de Jesus. Inventei uma cantiguinha que cantava sem parar até deixar meus irmãos loucos.

Eu me metia em muitos problemas na escola e passava muito tempo no pátio (de castigo). Certa vez a professora saiu para me buscar no pátio, onde ela me havia mandado de castigo, e me disse: “David, é para seguirmos as ordens dos nossos professores; foi assim que Deus nos fez”. Olhei para ela com ar desafiador e respondi: Eu não creio em Deus! Pude ver seu rosto desabar. Sem Deus como referência moral, as crianças são incontroláveis; ao menos eu fui. No ano seguinte, uma professora diferente me deu liberdade para fazer o que quisesse na aula e me sentar quando quisesse. Naquele ano ganhei um prêmio acadêmico na escola, mas aprendi uma péssima lição que me causaria muita miséria anos depois, quando cresci: reforçou-se em mim a ideia de que eu podia estabelecer minhas próprias regras para viver esta vida.

"War of the Worlds"Naquela época vi um filme chamado “War of the Worlds” (A Guerra dos Mundos), baseado num romance de H.G. Wells. Uma cena causou uma impressão incrível na minha mente de 11 anos. Os alienígenas dominavam a terra e toda a humanidade seria destruída. As pessoas se aglomeraram numa igreja clamando a Deus que as salvasse e intercedia. As paredes da igreja se romperam e o teto começou a ceder. De repente fez-se silêncio lá fora. Depois de alguns momentos, as pessoas saíram hesitantes e encontraram todos os alienígenas mortos. As bactérias os haviam matado. As orações tinham sido atendidas. Eu não sabia que um dia chegaria a uma igreja aterrorizado de medo buscando refúgio, quando meu mundo desmoronasse e as paredes da minha autopreservação começassem a virar pó.

Na 7ª série, a escola apresentava uma peça: “Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat.” (José e a Incrível Túnica Colorida dos Sonhos). Eu não fazia ideia da história nem da letra, mas a professora de música me pediu que liderasse a canção com 5 meninas dançando atrás de mim. A assembleia escolar, uma multidão de 800 crianças, enlouqueceu com a canção e “veio abaixo” com os gritos e aplausos. Foi a primeira vez que experimentei esse tipo de aceitação em massa e, a partir daí, soube que queria mais daquela “droga da atenção” que eu havia descoberto. Que pena, não pensei muito nas palavras da história da Bíblia que havia cantado.

A mania adolescente ataca

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Quando a puberdade chegou, dei um beijo de despedida em Deus. Exceto por uma garota que conheci num intercâmbio bilíngue e que me deu uma cruz, não acho que eu quisesse nada com isso. Tinha garotas, música, álcool e maconha. Depois de alguns anos tirei a cruz do pescoço e a substituí por um signo de “capricórnio” do horóscopo.

 

 

Isto foi um pouquinho antes de eu jogar fora a cruz (14 anos)

Eu era um pouco bobinho, mas quando tinha um violão na mão… Tremam! Foi isso que me tornou muito conhecido no colégio. Meus pais reconheceram meu talento e me proporcionaram aulas particulares de violão, flauta, canto e piano. Meus professores me levavam a festivais de música clássica. Consegui alguns gravadores de fita cassete e comecei a gravar as canções que eu escrevia, sobrepondo um instrumento ao outro. Praticava 5 horas por dia com o violão, a flauta e o piano. Meu vínculo com a escola era a sala de música; esse era o oásis da minha vida louca.

Show de talentos no Colégio

Também passava muito tempo nas boates e comecei a ser um dançarino muito bom. Infelizmente, isso me rendeu surras de alguns membros de gangues. Certa noite, um sujeito duas vezes maior que eu me seguiu para fora da boate com sua gangue. Começou a me bater sem parar até quebrar meu nariz. Consegui escapar e correr. Sua turma de 20 sujeitos me perseguiu com a intenção de acabar comigo. Escondi-me num monte de neve. Todos corriam à minha procura. Eu estava a apenas 10 pés (3 metros) deles, mas não conseguiram me ver. Eu não conseguia acreditar. Fiquei naquele monte por 2 horas, com o nariz quebrado, o rosto suando e o sangue pingando sobre a neve fresca. Mesmo quando eu não conhecia a Deus, Deus me conhecia e me protegia. Tenho certeza de que os cegou, tal como li depois na Bíblia, quando os arameus ficaram confusos após a oração de Eliseu (II Reis 6,18). Milagrosamente, pouco depois daquele incidente minha família comprou uma casa do outro lado da cidade e mudei de escola.

Montreal e as Bahamas

Comecei a tocar violão e a cantar nas ruas de Ottawa. (Repare na flauta ao meu lado; ela veio a ser grande parte da minha expressão musical).

16 anos

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16 años

Foi nas ruas que eu realmente me formei. Aprendi a chamar a atenção e a manter o envolvimento com as pessoas. Um cantor francês de Montreal, Manuel Tadros, me viu e me pediu que me juntasse à sua banda. Ele era muito conhecido e tocamos na grande boîte des chansons de Montreal, “Les Deux Pierrots”. Ele foi ficando conhecido e, crescendo, tornou-se famoso como autor e compositor, além de ator no Quebec, escrevendo canções para Roch Voisine e atuando em dezenas de filmes, programas de TV e comerciais.

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Les Deux Pierrots, um clube com capacidade para 1500 pessoas em Montreal. Eu estou à esquerda (18 anos), Manuel Tadros (jovem) está no centro. Claude Foisy no teclado. O pessoal do Quebec era uma plateia genial porque conseguia cantar e pular ao mesmo tempo. O que agora me deixa realmente triste é como o cristianismo no Quebec caiu no ostracismo; a frequência às igrejas despencou para 7%. Ó Senhor, derrama tua Graça sobre o Quebec.

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Foi nessa época que fiz minha primeira gravação com uma pequena gravadora em Ottawa, a Diana Records, de propriedade de Ralph Mongeau. Ali começou a “boa vida”. No outono daquele ano fui enviado como solista para o Club Med em Paradise Island, Bahamas. Bebida e sexo, música e dança: essa era minha vida aos 18.

Club Med, Paradise Island, Bahamas, 18 anos. A cruz eu já havia arrancado do pescoço fazia muito tempo. Vinnie, que era minha namorada em Ottawa naquela época, tirou esta foto. Ela era muito boa e doce, mas minha ambição falou mais alto e a deixei. Meu abandono a feriu imensamente. A falta de castidade sempre parte corações. Hoje ela está casada com um grande homem e têm um filho.

New York, New York

As revistas de glamour de Nova York levavam suas modelos às Bahamas para fazer sessões de fotos no inverno. Apaixonei-me por uma delas. Ela me convidou para morar com ela em seu apartamento em Nova York. Um empresário que estava ali e que morava em Nova York me disse: “Yeah? Vai durar no máximo 2 semanas; topa fazer isso?” Respondi: “Não, não vai ser assim, é amor de verdade”. Ele me deu seu cartão e disse que o ligasse quando ela me pusesse para fora. Eu disse “é amor de verdade”, mas peguei o cartão.

Na noite em que cheguei a Nova York, eu estava esperando na porta principal da rodoviária com minha mochila e meu violão, feito um inocente canadense de 19 anos, perdido. A única coisa de que me dei conta foi de uns sujeitos porto-riquenhos que estavam ao meu lado. Eles começaram a me fazer perguntas como: “De onde você é, mano?”, “Há quanto tempo está aqui?”, etc. Ao ouvi-los, eu ia me preparando para perder tudo o que trazia comigo; no entanto, um deles disse:

Você já ouviu falar do Senhor Jesus Cristo? Sabia que Ele nos salvou com seu sangue e que você pode participar disso se “renascer” Nele?

Respirei fundo e me senti liberto. Eu não era um crente, mas nunca havia me sentido tão feliz de ver “cristãos renascidos” em toda a minha vida. Com toda a educação, me despedi e, aliviado, segui meu caminho.

Dois dias depois de me mudar para a casa da modelo, liguei para o empresário que me havia dado seu cartão. A modelo tinha me posto para fora! Como ele sabia o que ia acontecer?

Comecei a tocar em night clubs de Greenwich Village, como por exemplo o Folk City. Ali havia fotos autografadas de Bob Dylan, Joni Mitchell, Paul Simon e muitos outros artistas famosos que eram meus deuses naquela época. Eu tinha estrelas diante dos olhos. Achava que um dia poderia chegar a ser tão famoso quanto eles e então seria feliz e minha vida estaria realizada. Mas, por enquanto, o meu negócio era tocar nas ruas e nas estações de metrô. A Washington Square Park era um lugar “ótimo”, cheio de diversão, mas logo entendi que estava cheio de músicos “wanna be” (sonhadores e aventureiros) que, como eu, não tinham dinheiro. E chegou a acontecer que, numa tarde, fui roubado por uma garota que levei para casa depois de tocar na Washington Square. Minha vida impura começava a dar seus frutos. Era apenas o começo, o prenúncio do que minha falta de castidade viria a me custar.

Saí da cena das ruas do centro e fui parar no Central Park, bem na saída da 5ª Avenida, onde as pessoas de dinheiro passeiam nos fins de semana e fazem seus piqueniques. Eu tocava diante de umas duas centenas de pessoas na encosta da colina e transformava o lugar numa festa. Assim juntava um bom dinheiro e com isso me sustentei por pouco mais de dois anos.

Harlem World: No mundo do Rap

Certa noite corri para me apresentar diante dos executivos de uma gravadora do meio afro-americano do Harlem, num McDonald’s perto do Greenwich Village Speakeasy. Convidaram-me para o seu night club chamado Harlem World, na esquina da 116 com a Lenox Ave. Fui me encontrar com eles. Adoraram a gravação que eu trazia comigo e que havia feito no Canadá. Disseram-me: “Ei, vamos estar no estúdio amanhã. Quer vir e escrever umas horn lines para nós?” “Claro”, respondi. Achava que estava no lugar mais descolado da região.

Eu esperava meu ônibus do lado de fora da boate para voltar ao centro quando, de repente, senti um braço apertando meu pescoço e que eu não conseguia respirar. Fui jogado ao chão e o sujeito tentou me empurrar para dentro de um beco. Resisti e o sujeito fugiu com meu violão, minha corrente de ouro e meu dinheiro. Levantei-me e voltei ao clube gritando: “Levaram meu violão! Levaram meu violão!”. “Fat Man”, Jack Taylor, o dono do clube e notório gângster, começou a mobilizar seus contatos no submundo underground do Harlem para encontrar meu violão. Duas horas depois voltaram com meu violão.

Deram-me um trabalho como produtor de gravações de rap. Gravamos o álbum de estreia de Love Bug Starski (nome verdadeiro: Kevin Smith), chamado “Positive Life” (Vida Positiva), no estúdio “The Platinum Factory”, em Bedford Stuy, Brooklyn. Muitos dos historiadores do rap dão a Luv Bug Starski o crédito de ter dado o nome ao Hip Hop, porque, pouco antes de ir para a cadeia, ele tocava num street dance em que gritava “Hip Hop, ya don’t stop!”. A frase virou uma “marca registrada” e Luv Bug é hoje considerado uma “lenda urbana” do meio do Hip Hop. Luv Bug, naquele momento, estava saindo da cadeia e queria fazer um rap sobre o lado positivo da vida, mais do que sobre drogas. Amém por isso.

Nos 18 meses em que estive lá, produzi Jeckyl & Hide, the Harlem World Crew, Lady “Smiley” e muitos outros. Muitas noites eu saía para o estúdio no Brooklyn às 21h e chegava em casa às 10h30. Algumas poucas vezes caí exausto no chão do estúdio. Aprendi a dormir em qualquer lugar e a cochilar quando podia. Aprendi muitíssimo.

O Harlem World me levou a lidar com artistas de primeira linha do mundo afro-americano, como “The Mighty Sparrow” e “Eartha Kitt” (a Mulher-Gato). Lembro que uma vez eu fazia o som para a Eartha e pulava no palco para ajustar as coisas. De repente me dei conta de que estava fora de lugar e tinha caído para fora do palco, quicando.

20 anos e a inocência havia se esvaído
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Cold Crush no Harlem World no início dos anos 80. Repare no globo sobre a pista de dança.
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Eram tempos empolgantes; o break dance estava começando a fazer furor nas boates do Harlem e do South Bronx. O Harlem World era um lugar onde a ação acontecia. Meu apelido era “Mighty Whitey” (pronuncia-se “Madday Wadday”) — que quer dizer algo como “branquelo poderoso” — e me ensinaram a dançar break dance. Havia acesso livre a um monte de cocaína, heroína e tudo o que se possa imaginar a portas fechadas, mas tentavam manter isso longe da minha vista. Todos os caras tinham coração de ouro e sempre cuidavam do “Mighty Whitey”, de modo que nunca tive problemas. Costumavam ficar, sorrateiramente, atrás de mim quando eu dançava e fazer brincadeiras, porque eu era uma espécie de desajeitado que… obviamente dançava como branco! Cheguei a me cansar disso. Com o tempo consegui ser um dançarino decente e, no fundo da alma, soube que o Harlem tinha me deixado a um passo do circuito de testes do centro da Broadway.

No meio: Steve Negron. Recentemente fiquei sabendo que Steve encontrou Jesus e se converteu. À frente: DJ “Master Maze”. Infelizmente ele escolheu outro caminho e morreu aos 21 anos de idade por um ferimento de bala. Que o Senhor tenha piedade.

A equipe do Harlem World Crew (da esquerda para a direita): Son of Sam, DJ Kool D., Charlie Rock, cujo nome verdadeiro é Charles Leake (Charlie me ensinou a dançar electric boogie). Charlie deixou a noite e entrou na universidade. Hoje é consultor de informática. Recentemente começou a produzir shows de R&B em Nova York, apresentando alguns dos grandes artistas dos anos 70, como “The Spinners” e “The Stylistics”
Estas fotos são de Joe Conzo www.joeconzo.com

Devo admitir que o Rap não era o que me deixava louco; eu gostava muito mais de Soul e de R&B. Achava que o Rap teria vida curta, que morreria em alguns meses, talvez não mais que um par de anos no máximo. (Era 1981; cara, como eu estava enganado!) Certa noite, às 2 da manhã, eu estava no 3º andar do Harlem World com Fat Man e 10 dos seus rapazes. Tentava convencê-lo a voltar ao R&B, de que eu gostava muito mais. Cheguei a me irritar a ponto de dizer: “Podem pegar sua música Rap e enfiar no…” e saí. Assim que ia saindo, senti 10 pares de olhos furiosos fixados na minha cabeça. Desci e tentei sair. Foi então que me dei conta de que tinha cometido uma verdadeira bobagem, porque, se eu andasse pelas ruas do Harlem às 2 da manhã sem nenhum daqueles caras me protegendo, não duraria 2 minutos. Então voltei a subir e pedi desculpas. Eles me disseram que eu tinha tido sorte de não terem decidido me dar uma boa surra naquela noite. Eu era pequeno e magrelo demais para ter uma boca tão grande. Fat Man, Jack, por alguma razão, foi muito, muito gentil comigo e me deixou ir com muita arrogância. Acho que Deus estava cuidando de mim.

Lembro-me de olhar para um cortiço no Harlem que tinha uma grande cruz na fachada. Aquela era a igreja deles. Fiquei surpreso e maravilhado com aquela gente que tinha tanta fé que havia transformado um cortiço semidestruído do Harlem numa igreja. Isso me tocou, mas aos meus sentimentos por Deus preferi o sexo, as drogas e minha louca ambição de fama.

“Fat Man” quis que eu gravasse um álbum que se chamaria “Mighty Whitey and the Harlem World Crew”. Começamos a gravação, mas cometi o erro de ir a um advogado da 5ª Avenida que preparava contratos para “garotos brancos” com todo tipo de previsões legais. “Fat Man” olhou o contrato e me disse: “Ei, garoto, não é assim que as coisas funcionam aqui”. Simplesmente, eu não tinha entendido a cultura. Essa situação congelou nosso negócio de gravação.

O braço direito de Jack Taylor era O.C. Tolbert. O.C. era um grande cantor, mas cantava Soul, não fazia Hip Hop, de modo que, de tanto esperar sua vez de conseguir uma gravação, acabou virando guarda-costas de Jack. Acho que aquele submundo o tinha aprisionado, mas ele tinha um coração de ouro. Uma vez, quando Jack havia saído por um momento, perguntei a ele: “O.C., você quer fazer uma gravação?” Porque eu queria produzir R&B, e não rap. O.C. me respondeu: “Ah, lá vem”. Eu continuei: “O que você colocaria na capa do seu LP?” Ele me respondeu: “Quero aparecer realmente rico, roupas boas, chapéu e correntes”. Essa era a diferença entre os garotos negros e os brancos naquela época. Os cantores brancos queriam se vestir como pobres, simples e de jeans; os negros tentavam se mostrar muito ricos, com belos ternos brancos. Eu sempre ouvia O.C. fazer arranjos muito descolados para o R&B com sua voz e tentava imitá-lo, mas nunca conseguia. Eu era branco! Mesmo assim, tornei-me um cantor muito melhor por estar perto dele.

Numa boate de Greenwich Village conheci um cara branco, Russ Mason, que estava trabalhando em fazer uma paródia de rap chamada “Prep Rap”, sobre a liga escolar Preppy Ivy (de brancos ricos). Ele era guia turístico nos estúdios da NBC e conhecia o produtor do “Coast to Coast with Tom Snyder”. Terminamos juntos a canção e a apresentamos no programa, que era transmitido pela NBC. Naquela noite, o então desconhecido “Weird Al Yankovic” fez a estreia nacional de “Another One Rides the Bus” no mesmo programa, e esse foi o começo da carreira dele.

Os caras do Harlem World me viram tocando violão com esse rapper branco na NBC e ficaram furiosíssimos por eu estar tocando na TV internacional, ainda por cima parodiando o rap. Me chamaram e me pegaram. Me levaram até o Harlem e começaram a me fazer perguntas sobre o programa e sobre como eu tinha me envolvido com aquele cara. Posso dizer que algo estava acontecendo. Estavam realmente fora de si. Pedi que me deixassem sair da van deles, mas não deixaram. Pedi um punhado de vezes e fui ficando cada vez mais desesperado, porque as perguntas eram cada vez mais afiadas e agressivas. Eu estava aterrorizado. Posso dizer que iam me bater até que eu desmaiasse, ou talvez pior. Finalmente, Fat Man disse: “deixem o garoto ir”, e esse foi o fim de tudo com eles. Acabei produzindo “Prep Rap” para a Nemperor/CBS Records e teve um lugarzinho na Billboard, mas nunca decolou.

Alguns anos depois, o Harlem World estava procurando um guitarrista country e imaginaram que, por eu ser branco, provavelmente seria um bom músico de country. No entanto, sou prova viva de que nem todos os guitarristas brancos sabem tocar country! Mas fiquei feliz por me chamarem, já que foi como uma forma de me perdoarem. Fat Man sempre teve um lado gentil para caras como eu e perdoou minha arrogância e minha ambição egoísta.

Um ano depois de eu deixar a Tayster/Rojac Records, O.C. finalmente gravou uma grande canção: “I’ve Got It”. Tornou-se um dos mais importantes cantores do underground do R&B dos anos 80.

Fiquei sabendo que Jack Taylor morreu alguns anos depois, após uma longa batalha com o crack. O Harlem World fechou em 1985 e, com isso, virou-se uma página da história da música. Rogo que Fat Man, Jack Taylor, tenha encontrado o Senhor antes de morrer. Rezo por você, Jack.

O.C. Tolbert voltou para Detroit. Ele voltou sua vida para Jesus no fim dos anos 80. Conseguiu se recuperar das drogas e tornou-se pregador-cantor evangélico. Certa noite, em 1995, quando estava fazendo um grande show de avivamento, sofreu um ataque cardíaco ao descer do palco e deixou esta vida. A última canção que gravou se chamava “Heaven Bound” (“Rumo ao Céu”), produzida por Bob Dennis, que nos anos 60 havia masterizado todas as canções da Motown. O refrão dessa canção diz:

Estou indo para o Céu
Estou indo cantar e gritar
Que ninguém ali poderá me expulsar
Porque estou rumo ao céu

Isto é para você, O.C. Um dia cantaremos soul juntos no céu e então poderei cantar como você. 🙂

Roçando a Morte

Dizem que “o Senhor cuida dos tolos e dos bêbados”. Tenho certeza de que cuidou de mim. Certa noite, em 1982, eu tocava violão e cantava na estação de metrô embaixo do Citibank, na 53 com a Lexington, como sempre fazia. Tinha sido uma boa noite, ganhei uns $80. Juntei tudo e voltava para casa por volta das 23h. Estava sozinho no vagão. Três sujeitos se sentaram, um de cada lado e outro à frente. Olharam-se entre si e depois olharam para mim. Tive um mau pressentimento, agarrei meu violão e o trouxe mais para perto de mim, mas estava claro que o clima estava ficando pesado e que iam me assaltar. Bem nesse momento, a porta que liga os vagões no fim do trem se abriu e entrou um porto-riquenho com um gorro vermelho. Ele foi literalmente um “anjo da guarda”. Os “anjos da guarda” são um grupo de jovens que circula pelo metrô em grupos de 20 para proteger as pessoas que viajam nos vagões. Os três sujeitos tinham o dobro do meu tamanho e me dominavam. Um deles acariciou minha cabeça e, muito excitado, me disse: “Você teve sorte desta vez!”

Um dia eu descia da guia da calçada para atravessar a rua 52 quando um ônibus apareceu e freou tão perto de mim que roçou meu cabelo, e o vento levantou meu casaco. Fiquei atônito de como havia estado tão perto da morte.

Um dia, quando eu descia para a estação de metrô na rua 42, um sujeito me agarrou pelo braço e me pedia dinheiro; eu me soltei e continuei andando. Quando olhei para trás, vi que 7 sujeitos corpulentos estavam me seguindo. Corri escada abaixo, tinha certeza de que, se me pegassem, me dariam uma surra ou talvez algo pior. Quando virei a esquina na estação, um policial estava ali parado. Quando os sujeitos o viram, viraram para a esquerda e foram embora. Por que Deus me protegia quando eu ainda não cria Nele? Não sei.

O primeiro aborto

Nunca entendi que o sexo era algo sagrado segundo a ordem de Deus e um dom Dele aos seres humanos como meio para a unidade e a geração da vida. Eu entendia o sexo como algo que se faz por diversão, como uma expressão dos seus sentimentos por alguém de quem você gosta e por quem se sente atraído. A ideia do compromisso para a vida toda esteve sempre fora do foco do meu entendimento. Eu namorava uma garota que havia conhecido quando tocava no Central Park. Depois de uma gravidez inesperada, eu a “ajudei” a dar um jeito nas coisas para abortar. O aborto a afetou de verdade, mas estávamos certos de que um bebê não era algo bom para nós naquele momento, já que ela era estudante da American Music & Dramatic Academy (AMDA) e eu estava em plena ascensão na escada do mundo do entretenimento. Nós dois éramos loucos por sucesso. No entanto, isso a afetou de verdade. Ela sempre carregou essa perda, mesmo agora que está casada e tem um filho com uma pessoa famosa que está no Rock & Roll Hall of Fame, tanto que, se eu a nomeasse, todo mundo que lê saberia de quem se trata. Eu mitiguei minha dor com minha ambição.

Os chamados da Broadway e de Hollywood

Meus companheiros com quem eu dividia o aluguel eram atores. Um dia me mostraram um anúncio em que a “Village Voice” procurava cantores de Rock & Roll, atores, músicos e dançarinos para trabalhar num show da Broadway. O teste teve muita publicidade. Então fui a um teatro na rua 42 com meu violão para esperar na fila durante algumas horinhas desde a manhã, junto com outras 2000 almas esperançosas de alcançar um momento de glória. Quando meu teste de 2 minutos finalmente chegou, eram mais ou menos 14h. Explodi no palco com um número de blues e depois cantei uma linda balada. Disseram-me para não sair da cidade. Depois de 6 semanas e 6 chamadas de retorno, fui contratado para um show da Broadway fazendo Mick Jagger, Sting, Alice Cooper, Procol Harum e os Crewcuts. Também tocava violão, flauta e trompete no show. Eu tinha 21 anos e era um dos mais jovens na Broadway naquela temporada.

Nos 3 anos seguintes, a boa vida seria a minha vida. Trabalhei com Robert Downey Jr., Christopher Lloyd e a estrela da Broadway Liz Calloway, Jimmy Haslip dos Yellowjackets e Gary Katz do Steely Dan. Participei da turnê de “Cats”, fora da Broadway como coprotagonista, e atuei como protagonista em filmes da Paramount, Columbia, ABC TV; fiz comerciais para a Nintendo e a Levi’s; produzi música para a CBS Records e ganhei o Feature Pick da Billboard Magazine. Estive em todas as boas festas de Nova York, convivendo com toda a gente famosa, me drogando e bebendo com eles. Os empresários me diziam “você vai ser uma estrela” e eu acreditava.

Fui contratado para atuar no Playwrights Horizons (Off Broadway), numa peça chamada “Elm Circle”. Em certo ponto da apresentação, eu fazia o papel de um “cristão renascido” que tentava evangelizar uma garota (a protagonista principal) num trem. Foi irônico eu ter feito o papel de evangelizador, considerando que era ateu naquela época. Deus estava se antecipando. Na peça, ela rejeitava minha evangelização como louca, quase igual àquela vez em que eu havia rejeitado os dois sujeitos “renascidos” na Estação Central. Na peça, ela ia buscando o sentido da vida enquanto viajava rumo a Hollywood para se tornar uma estrela de cinema; no entanto, no fim, ela cometeria suicídio. É assim que a peça termina, um testemunho poderoso e um verdadeiro prenúncio do que minha rejeição a Deus significaria para mim. Contudo, não captei a mensagem.

Este é David Mac Donald fazendo o papel de Mick Jagger num show chamado “Rock & Roll: the First 5000 Years” na Broadway; ao seu lado está Karen Mankes, que despontaria para o estrelato na série de filmes “Police Academy” (Academia de Polícia).

Tudo ia para cima e para cima. Exceto por uma coisa: o vazio que eu sentia por dentro e que tentava preencher com mais e mais sucessos. Quando fui crescendo, eu tinha uma lista de conquistas que achava que me fariam feliz. Ex.: estar na Broadway, ter uma garota linda, ser famoso, ganhar dinheiro, etc. Achava que, se conseguisse ter tudo o que estava naquela lista, minha vida seria de sonho. Depois de ter cumprido todos os itens da lista, no entanto, eu continuava sem ser feliz. Isso me frustrava. Tudo o que eu tocava, transformava em ouro, mas nada era suficiente. Tinha um buraco por dentro. Tentava preenchê-lo com sexo, era um mulherengo. Experimentei cocaína, bebida e festas da noite. Nada funcionou. Eu não entendia que aquele buraco era fome de Deus.

Pouco menos de um ano depois do primeiro aborto, fui contratado na Broadway para um show chamado “Baby”, sobre três casais que esperavam filhos. Eu era o único na Broadway que conhecia esse assunto em detalhe, e foi o primeiro papel de protagonista de Liz Calloway, que fez o papel da minha esposa. Agora entendo por que meu subconsciente não me deixava trabalhar nesse show. 3 dias antes de começarem os ensaios, desisti para ir gravar uma série chamada “Flashdance” para a NBC. A série foi engavetada, e Todd Graff, que me substituiu em “Baby”, foi indicado ao Tony pelo papel que eu havia abandonado. O álbum gravado está aqui 

Hoje ele é um escritor e diretor muito conhecido. Acho irônico que, depois de um aborto, eu tenha sido contratado para o papel de um pai à espera de um filho num show chamado “Baby” e o tenha abandonado em minha ambição por ainda mais notoriedade. Mudei-me para um apartamento na rua 14 com outro ator. Ele dizia que tínhamos que transformar aquele lugar velho e agitado num ambiente descolado de solteiros. Eu achava que era uma ótima ideia. 2 dias depois de me mudar, ele saiu com os amigos para o Studio 54 para passar uma daquelas “noites loucas” de sexta-feira. Quando voltou, me encontrou com toda a parede do meu quarto derrubada, os tijolos, o reboco, a tinta, tudo espalhado por todos os lados. Olhou para mim espantado e me disse: “não é nada descolado, vou começar as restaurações…” e continuou falando de tudo. Eu sempre fui muito entusiasmado em tudo, e estava tudo bem porque a amizade não tinha se rompido. Depois de vários meses, meu quarto estava lindíssimo, e então tive que me mudar porque tinha sido contratado para um show. Assim era a história da minha vida: tive 23 mudanças de endereço em 4 anos.

Outro aborto dispara a queda em espiral

Eu não tinha aprendido a lição. Logo conheci uma garota que era médica e dançarina profissional de um conhecido grupo de dança. Ela dançava em Nova York durante o outono, a primavera e o inverno, e trabalhava como médica em Montreal nos verões. Eu tinha muito orgulho dela. Certa noite ela me contou que estava grávida, mesmo se cuidando com a pílula. Concordamos que era inconveniente ter um bebê porque estávamos “construindo nossas carreiras”, e o abortamos.

Embora ela também quisesse abortar, já na sala de cirurgia, no momento em que o médico começou a usar a máquina de sucção para remover os pedaços do nosso bebê, ela começou a gritar arrebatadamente: “Tire isso!”. Foi devastador para ela emocionalmente. Nem todo o seu glamoroso sucesso na dança conseguia arrancar seu vazio. Com toda a sua educação, seu brilho como bailarina, não havia explicação para o desequilíbrio emocional em que entrou; a não ser que tinha feito algo horrivelmente errado. Nem todo o sucesso conseguiu cobrir essa ferida em sua maternidade. Depois do aborto, um vazio também me inundou e, como muitos casais que abortam, pouco tempo depois terminamos.

Usado com permissão

Escrevi uma canção:

you and me / tu y yo
have killed the seed/ matamos la semilla
that was planted in our souls/ que habíamos plantado en nuestras almas
now there’s only you/ ahora solo eres tú
and only me/ y solamente yo
and a memory of our world/ y un recuerdo de nuestro mundo
we had it all and watched it blow/ el que tuvimos y vimos desvanecerse
away, and where it goes/ y adonde fue
we haven’t got a clue/ no tenemos una pista
nothing we can do/ nada podemos hacer

Achava que a canção falava do relacionamento perdido. Num olhar mais profundo, posso ver minha alma gritando contra o que fiz ao meu próprio filho. Meu vazio espiritual transparecia na canção. A escuridão me cercava. Desde então aprendi que muitos casais se separam depois de um aborto e, muito frequentemente, ambos caem no vazio da depressão.

Eu fazia o papel do Rock & Roll Cat na turnê nacional de “Cats” nos EUA. Emagreci até chegar a pesar 115 libras (uns 50 quilos) e, quando eu deveria interpretar Rum Tum Tugger, o gato super descolado estrela do rock, minha aparência era desastrosa, do inferno; o demônio havia tomado conta de mim. Eu havia caído num distúrbio alimentar, a anorexia. Fiquei gravemente doente com uma úlcera na garganta. O médico me disse que eu não deveria falar por três semanas. Me fiz de valentão e lhe disse: “Ei, tenho 10000 pessoas por semana e US$ 80000 por ano num papel de protagonista, não posso parar de cantar agora”. Ele me respondeu: “Bom, então cante!” Continuei cantando e, em pouco tempo, minha voz se foi por completo; perdi tudo, inclusive o show.

Perdi minha carreira e não pude falar por 3 anos. Comunicava-me por escrito, com papel e lápis. Eu tinha 24 anos de idade. Os efeitos do aborto evaporaram minha carreira.

Caí em depressão. Estava sozinho com minha mente miserável, e ela era implacável, nunca se calava. Eu não podia falar mais de 10 minutos por dia.

Um dia eu caminhava pela Times Square e de repente ouvi um sussurro por trás. Era a voz de um homem jovem que dizia: “Assume the living God, you can’t close the doors when the walls are caving in!” (“Aceite o Deus vivo, você não pode fechar as portas quando as paredes estão desabando”) Virei-me e vi uma multidão; nunca soube quem foi, mas nunca esqueci aquelas palavras.

Certa manhã, eu estava sentado num café na rua 72, na Broadway; não tinha voz e meu futuro parecia se desvanecer. De repente, pedacinhos e pedacinhos da oração do Senhor (o pai-nosso) vieram ao meu pensamento. Eu nunca havia pensado em nenhuma oração desde a 5ª série, quando rezávamos diariamente na escola como parte dos exercícios de abertura. Só conseguia lembrar de uma linha por vez e esquecia tudo o que vinha depois, mas no decorrer de mais ou menos uma hora consegui escrevê-lo quase completo no meu guardanapo. Fiquei admirado com sua sabedoria e profundidade. Nunca havia sequer pensado nele antes na minha vida adulta. “Ó Senhor, perdoa nossa cultura por ter arrancado tua oração das nossas escolas públicas”.

Fiquei preso em Nova York por uns 9 meses, esperando sarar e que minha carreira pudesse continuar. Abandonei o álcool e as drogas, e começou minha busca pela verdade. Durante aquele tempo comecei a buscar respostas para o “significado da vida”. Meti-me em todo tipo de coisas da espiritualidade New Age (fui a Boston, a Connecticut, a San Francisco, etc.). Muitas dessas coisas pareciam uma seita. Era o típico jeito espiritual de Hollywood: “torne-se espiritual e viva como um pagão”. Li Shirley MacLaine em seu livro “Out on a Limb”, viajei por todos os Estados Unidos e gastei a maior parte do meu dinheiro nessas organizações. Teria dado minha vida para encontrar algo que me tirasse do poço em que estava. Ia a uma, depois a outra. Deus é paciente.

Jesus me chama, mas eu O deixo ir

Um dia eu caminhava perto do Madison Square Garden, perto do meu apartamento. Havia um punhado de ônibus com gente negra muito bem vestida segundo seus costumes. Logo voltaram à minha mente as lembranças do Harlem, então me dirigi a um deles e escrevi na minha folha de anotações (eu não podia falar): “O que está acontecendo?”, e o homem me disse: “Entre e você vai saber”.

Lá dentro, eu era a única cara branca numa multidão de milhares. Começou a música. Era um encontro de avivamento. Quero dizer, um encontro para Reviver! Cara, como foi bom! O pregador estava ardendo por Deus. No final houve um “chamado do altar”. Dois sujeitos grandes me agarraram pelo peito e diziam: “Grite para o Senhor, irmão!”. Não sabiam que eu estava mudo. Soltei um gemido, mas senti o fogo. Uma velhinha se levantou em minha direção com lágrimas nos olhos e me disse: “Agora leia a Bíblia. Nunca a abandone, junte-se a uma Igreja. Deus te abençoe, meu filho!”. Voltei para o meu apartamento da rua 19 muito comovido, mas não procurei uma igreja nem a Bíblia. O fogo foi se apagando. Agora entendo como é importante juntar-se a uma comunidade de cristãos crentes uma vez que você tenha tido um encontro com o Espírito Santo.

A tragédia se abate

Nesse mesmo período, na minha cidade natal, Ottawa, Canadá, meu sobrinho Andrew, de 20 meses de idade, foi espancado até a morte pela babá, que foi condenada à prisão com uma pena de 5 anos por homicídio em segundo grau. O assassinato saiu em todos os jornais e o julgamento teve muita publicidade.

Certa noite, durante o julgamento, às 3 da manhã, acordei clamando a Deus por aquela situação. Estava atônito por me encontrar envolvido naquela circunstância horrível. Escrevi no meu diário: Deus, isto não está claro. Por que sinto isto e estou nesta situação, se eu não matei aquele bebê?

Rapidamente minha mão começou a escrever sozinha. Eu olhava para minha mão, mas não soube o que estava escrevendo até terminar. Então olhei e fiquei boquiaberto. Dizia: “Você assassinou bebês”

Instantaneamente entendi que os abortos em que eu havia estado envolvido eram assassinatos e que, embora o aborto fosse legal, aos olhos de Deus eram comparáveis ao que a babá tinha feito ao meu sobrinho. No meio da crise, Deus me mostrou a santidade da vida desde a concepção e como Ele ama todas as crianças, inclusive as não nascidas. Ó Deus, perdoa-me.

Meu irmão Bruce, de quem era filho o menino assassinado, era um brilhante engenheiro de computação que não cria em Deus. Logo depois da tragédia, seu casamento acabou, e ele se casou de novo, iniciando uma nova família. Era voluntário nos Beavers e havia alcançado, aparentemente, tudo o que a sociedade oferece às pessoas inteligentes, atraentes e respeitadoras da lei. Mas sem Deus ninguém consegue alcançar o perdão necessário para se curar de semelhante tragédia. Este ano (2002) ele deu um tiro na esposa e se suicidou com seu rifle de caça. Esse assassinato/suicídio deixou órfãos dois lindos meninos, que passaram a ser criados e tutelados pela família de Rod, outro dos meus irmãos. Brenda e Bruce, sinto falta de vocês. Que o Senhor tenha piedade. Aqui está uma canção que escrevi para as crianças

De volta a Ottawa

Com a voz perdida, voltei a Ottawa em busca de me curar e de estar com minha família após a trágica perda de Andrew. Meu avô Ivan, um ex-fazendeiro bem estabelecido, me levou para morar em sua casa. Ele tinha 90 anos e, supostamente, eu deveria cuidar dele; mas, com frequência, eu saía para vagar por aí. Ele era quase surdo e eu, mudo — a dupla perfeita — mas nos comunicávamos de alguma maneira. Ele me ensinou a me levantar às 6 da manhã, hora em que eu costumava me deitar. Ensinou-me a ter horários para comer e nunca bebia.Foto do meu vovô Ivan Hawkshaw

Montei um estúdio de gravação em casa. Usava como desculpa a surdez dele, embora não levasse em conta que a bateria pode fazer uma casa tremer. Ele foi muito tolerante comigo, eu o amava. Nessa época eu conseguia falar uns 30 minutos por dia. Ele ia à United Church, mas zombava do pregador que morava justamente na casa vizinha, nos fundos, e sempre chegava bêbado. À medida que a vida do meu avô ia se acabando, eu podia vê-lo se relacionar cada vez mais com Jesus, e eu aprendia. Isso me impressionava, mas eu ainda estava naquela mistura estranha que a New Age faz do misticismo oriental com o paganismo ocidental.

Uma virada decisiva em Montreal

Eu ia a Montreal me encontrar com um Guru famoso da New Age que ia me dar um novo nome (algo como “Sri Baba”). Estava prestes a largar tudo e ir morar num pequeno povoado da seita, na Virgínia, chamado Yogaville. Mas, quando peguei o ônibus em Montreal, me perdi e desci em qualquer lugar. Olhei em volta e vi uma igreja gigantesca, era o Oratório de São José; fiquei paralisado pela beleza e pela majestade.

Caminhei até aquela igreja para vê-la melhor e vi um grupo de velhinhas colocando as mãos sobre os pés da estátua de Jesus. Estavam sussurrando orações e caminhavam humildemente com as cabeças inclinadas. Fiquei muito comovido e disse a mim mesmo: “Estas mulheres têm fé! Talvez a igreja não seja um frio edifício de pedras cheio de hipócritas” (que era o que eu pensava naquele momento). Caminhei ao redor do túmulo do Irmão André (imagino que ele deve ter estado intercedendo por mim), senti-me muito tocado e subi as escadas em direção ao grande templo de cima. As luzes estavam apagadas e o templo, vazio. Havia apenas uma luz sobre a Cruz. Diferentemente da minha experiência no Madison Square Garden, desta vez eu estava sozinho com o Senhor, nada além d’Ele e eu. Pus meu rosto por terra sobre o piso de mármore e disse:

“Senhor Jesus, não Te conheço em absoluto, mas aqui estou, pensando em mudar meu nome, abandonar minha casa e me unir a uma seita. Poderias, por favor, vir à minha vida? Toma meu coração, toma minha saúde, toma minhas circunstâncias, toma tudo o que é meu. Sou Teu.”

Quando me levantei, havia perdido todo o meu interesse naquele Guru e na seita à qual estava prestes a me unir; eu tinha recebido a efusão do Espírito Santo.A New Age se foi graças a Deus! Levantei-me e caminhei para fora como um homem novo, um homem chamado à Santa e Apostólica Igreja Católica.

O chamado para abandonar a música

Já em Ottawa, senti que Deus me chamava a abandonar por completo o mundo da música. Isso me aterrorizava porque era como dar um salto ao nada, um salto ao absurdo. Eu estava sendo chamado a abandonar o “deus” da arte pelo Deus do Pai-Nosso. Fechei meu estúdio de gravação; parte do meu equipamento eu dei, parte vendi: violões, teclados, sistema de gravação, sistema de áudio, incluindo minha querida flauta. Destruí horas de trabalho, incluindo as que eu considerava uma extensão da minha alma, 10 anos de custosas gravações masterizadas das minhas próprias composições. Fui trabalhar por um salário mínimo numa organização de caridade. Eu me ajoelhava em frente a uma igreja às 5h de cada manhã.

Em retrospecto, esse foi o grande momento de clareza que eu nunca havia tido. No entanto, como explica o filósofo Kierkegaard: “há um custo em fazer de um absurdo uma decisão por Deus”. Às vezes o que vem depois é duro. Damos passos adiante com “temor e tremor” (Mt 5,33; II Cor 7,15; Fl 2,12). Abraão não se desesperou ao ver os olhos de Isaac quando levantava a faca (Gn 22,1-19); Maria não se abateu pela dor de ser incompreendida por José antes que o anjo o visitasse (Mt 1,24); os apóstolos não se desesperaram pelo medo de professar a fé como os primeiros cristãos (Atos dos Apóstolos); e eu não me senti desesperado pelo turbilhão emocional de abandonar tudo aquilo com que me identificava. Nem me abateu o sofrimento de ser mal interpretado pelos meus amigos e familiares, que acharam que eu estava enlouquecendo. De modo que o paradoxo da decisão por Deus, como explica Kierkegaard, é que “quanto mais perto chegamos do Absoluto, por meio da introspecção, menos somos compreendidos pelo mundo exterior”.

Mas cometi um erro: cortei os laços com minha família e não falei com eles enquanto ajustava minhas ideias e minha vida.

Certa noite, acidentalmente, deixei minha casa trancada por dentro e fiquei do lado de fora. Comecei a caminhar pela vizinhança pensando no que poderia fazer. Bati à porta da casa paroquial da paróquia de St. Mary e o padre Bob Bedard me abriu. Deu-me uma olhada e disse: “Meu Deus, pobre rapaz, entre”. Ele percebeu que minha aparência não estava muito boa. Hospedou-me na casa paroquial durante 3 noites, me alimentou e conversamos. Quando ouviu minha história sobre o que me aconteceu em Montreal e sobre como eu havia deixado tudo para seguir Jesus, entendeu que eu era um novo cristão e precisava ser alimentado espiritualmente (o que não tinha acontecido depois da minha experiência com Jesus em Nova York). Convidou-me para o grupo de oração, e começou meu seguimento de Cristo. Comecei a ir à Missa em 1989, a rezar o rosário diariamente em 1991, e me tornei católico em 1995. Achava que nunca mais voltaria a tocar.

Decidi ir à universidade e me formei em 2000 (B.Com, Magna Cum Laude — máxima honraria — o que me surpreendeu: era um músico com cérebro) e comecei a trabalhar com pessoas com deficiência, o presente do milênio de Deus para mim. Comecei a caminhar na luz e a me aproximar do corpo de Cristo. Uma história de 10 anos fora da música e o milagre de me dar uma carreira em tecnologia para pessoas com deficiência, deficiência sobre deficiência, e como superei minha própria deficiência, você pode ver aqui

Jesus me devolveu a música

Em abril de 1998 eu estava num retiro de fim de semana do Cursilho de Cristandade. Houve um ensinamento que falava de que o Amor é o centro da Vida Cristã.Então o dirigente do retiro disse: “Gostaria que cada um criasse uma expressão artística do que aprendeu nesta palestra”. Alguns pegaram canetas coloridas e começaram a desenhar. Quando chegou a minha vez, vi um violão.

Eu não tocava um instrumento havia 10 anos. Peguei-o, comecei a fazer acordes e a cantar as palavras que quem deu a palestra havia dito. Outra pessoa me acompanhou no canto e nasceu uma canção muito linda: “Love at the Centre” (o amor no centro). Todos os participantes enlouqueceram e começaram a cantar; ninguém sabia que eu era músico. Transformou-se na “canção” do retiro. Minha voz estava de volta, clara e perfeita. Eu estava cantando melhor do que no dia da minha estreia na Broadway, e o fazia por uma razão justa: para Deus, por Jesus!

Aqui estão meus companheiros do cursilho de homens de abril de 98, quando Deus me devolveu a música. Centenas de pessoas estavam orando por nós. Muitos de nós recebemos verdadeiros milagres. Sou o terceiro contando da esquerda na fila de baixo.

Disse ao Senhor: “Senhor, eu gostaria de gravar essa canção, mas não sei como. Não tenho dinheiro, nem instrumentos, nem estúdio”. Vários dias depois, um amigo se aproximou de mim na rua e me disse: “David?” Respondi: “Sim?” Ele continuou: “Você me produziu nos anos 80 e sua produção me inspirou tanto que comprei um equipamento de $10000 e uma flauta. Mas agora sou advogado e não tenho tempo livre. Você gostaria que eu te emprestasse meu equipamento e a flauta?” Fiquei de boca aberta e aceitei. Poucos dias depois encontrei outro amigo que me disse: “David, tenho uma guitarra elétrica e um amplificador, mas não estou usando; quer que eu te passe?” Fiquei pasmo e disse: “Sim!” Uma mulher da igreja veio me dizer depois: “David, minha mãe faleceu e herdei dela um piano digital de $1200. Você gostaria que eu te desse?” Em poucas semanas eu tinha meu quarto cheio de elementos de gravação e estava gravando minha primeira canção cristã. Amém.

O milagre da flauta recuperada

Mas algo estranho aconteceu. No dia seguinte ao que recebi todas as coisas, era Sexta-Feira Santa. Saí do banho e me dei conta de que a porta da frente da casa estava aberta e a flauta — cara, por sinal — não estava lá. Revirei meu apartamento procurando a flauta, mas não havia nada. Pensei comigo mesmo: “Ai, roubaram-na; vou ter que deixar de pagar a universidade para comprar uma flauta nova para esse cara”. Liguei para a polícia e me disseram: “vá a todas as lojas de compra e venda e casas de penhores, e a todas as lojas de música de segunda mão”. Passei o dia inteiro rodando pela cidade à procura dela, sem sorte. No último lugar aonde fui, o dono me reconheceu e me disse: “David Mac Donald?… Você veio aqui 10 anos atrás, deixou sua flauta em consignação e nunca voltou para buscá-la; mas ela nunca foi vendida. Quer que eu a devolva?” Eu não conseguia acreditar. Era a flauta que eu havia deixado 10 anos antes! O dono da loja a devolveu.

Mas eu ainda não havia localizado a flauta roubada que o advogado me tinha emprestado. No dia seguinte era Domingo de Páscoa, o dia da Ressurreição de Nosso Senhor. Abri uma gaveta para pegar algumas roupas e a flauta do meu amigo estava ali… não faço ideia de como… Tenho certeza de que havia checado aquele móvel antes de ligar para a polícia. O Senhor tinha me pregado uma peça para que eu pudesse encontrar minha flauta original, pensando que a outra havia sido roubada.

Este sou eu reunido com minha flauta. A foto foi tirada numa missão recente a Guam. Estou tocando-a como se fosse um clarinete. (Foto: Dwayne Sanchez)

A rádio cristã começa a tocar a música

A CHRI Radio (99.1 FM), em Ottawa, é a maior estação de rádio cristã do Canadá, com uma audiência de 32.000 ouvintes. Cheguei sem avisar ao estúdio e disse: “Fiz esta gravação em casa, não toco há 10 anos, então não sei quão boa ela ficou”. Disseram-me que era excelente e a colocaram em rotação regular. Algumas outras estações a pegaram e nasceu para mim um pequeno ministério de música.

Um dia eu caminhava em direção à rádio e o produtor me pediu que lesse um comercial; era a primeira vez que eu fazia isso. Olhei o texto e comecei a ler no microfone. Dizia:

O Natal é amor, o Natal é família. Neste Natal, centre-o em sua família.

Fiquei boquiaberto. Eu não falava com minha família havia 10 anos. Sabia que aquilo era um sinal de Deus. Liguei para meus pais na manhã de Natal e perguntei se poderia visitá-los no Natal. Eles me disseram que “claro”. Bati à porta e vi meus sobrinhos adolescentes (a quem eu não via desde a mais tenra infância) e três novas sobrinhas e mais dois sobrinhos que eu nunca havia visto antes. As emoções foram incríveis e achei que naquele momento ia explodir. Deram-me as boas-vindas de braços abertos. Deus é surpreendente. Deus nos quer família.

Hoje meu objetivo é levar uma vida “radicalmente moderada”. Trabalho 3 dias por semana em tecnologia para pessoas com deficiência. Também procuro servir com meu ministério a pessoas com problemas de vício, distúrbios alimentares ou que lutam com diferentes formas de pecado. Ajudo meus sobrinhos que ficaram órfãos neste verão. Dedico muito tempo à música, seja compondo canções no estúdio, seja tocando em recitais. Fui abençoado por participar de impressionantes eventos cristãos, e a música me levou a diferentes partes do mundo, como Guatemala, Guam, Saipan e, em 2005, uma turnê pela Europa. Pude colaborar com alguns grandes músicos que também amam o Senhor.

Mas, acima de tudo, a parte favorita da minha vida é sentar-me em oração com meu Senhor ou ler a Santa Palavra na Bíblia. Quando leio a Bíblia, sinto uma conexão com os homens e mulheres da antiguidade que nos deixaram o grande legado que Deus lhes deu. Na oração, sinto uma poderosa conexão com Aquele que me fez e a quem retornarei quando meu tempo nesta terra tiver acabado.

Senhor Jesus, obrigado por tudo o que me deste. Obrigado por tudo o que perdi e obrigado por todos os corações que tocaste por meio da minha história, e os corações que amaste e curaste, levando-os à felicidade em Teu Preciosíssimo e Santo Nome. Amém.

Autor: David MacDonald

Fonte: Davidmacd.com

 

IMPORTANTE: Este testemunho foi reproduzido pela ApologeticaCatolica.org com a permissão expressa do senhor David McDonald; se você deseja reproduzi-lo, deve contatá-lo diretamente.