Embora mais de uma vez tivesse dado por encerrado o debate, pois considerava que todos os argumentos importantes haviam sido analisados, quis fazer uma última postagem por várias razões.

Em primeiro lugar, porque não posso perder a ocasião de compartilhar outro livro digital sobre o tema, intitulado “Deus perdoa mas também castiga”, escrito por meu amigo e irmão na fé Adrián “UnCatólico” Ferreira, que dirige o site de apologética UnCatolico.com. Ficou esplêndido, e tudo está magnificamente documentado. De coração o felicito.[1]

Em segundo lugar, porque alguns leitores me pediram que escrevesse mais uma entrega para analisar o novo livro de Alejandro Bermúdez. A princípio pensei que não seria necessário, dado que se ele se limitasse a recopilar o que vinha expondo em seus programas em áudio, não haveria realmente nada a acrescentar; mas após examiná-lo cuidadosamente verifico que não foi assim, o que me dá a oportunidade de aprofundar um pouco mais no tema e ao mesmo tempo comentar minhas impressões finais num debate que estou certo de que, embora tenha sido longo, será para o bem de muitos católicos.[2]

Impressões iniciais

Um primeiro problema que encontrei ao longo de todo o livro de Alejandro é o recurso contínuo a argumentos falaciosos. Por exemplo, identifica os que defendem a posição contrária como próximos ao “tradicionalismo” (ad hominem), desfigura sua posição como “defensores da imagem de um Deus castigador” (espantalho) e os acusa de terem apontado os que sustentam uma posição contrária à nossa como “traidores” da Igreja (falsidade). Ao longo do restante do livro soma muitas outras falácias (falsa autoridade, dialética dos contrários, etc.). O problema é que grande parte de sua audiência não poderá detectar o uso desses recursos falaciosos, pois ele não identifica quem sustenta os argumentos contrários, nem onde é possível lê-los em primeira mão. Não me menciona, por exemplo, a mim nem ao meu site, assim como tampouco à Infocatólica. Ainda que não falte aquele ouvinte ou leitor médio com suficiente iniciativa para investigá-lo por si mesmo, a grande maioria fica simplesmente com a versão que Alejandro lhes dá, e não teria de antemão razões para duvidar, porque já sabemos que ele é um jornalista católico com muito prestígio e com grande poder de difusão dentro da Igreja Católica.

Esclarecimentos

É aqui que é importante esclarecer em primeiro lugar que não somos tradicionalistas, ou pelo menos não o são os que tiveram maior protagonismo neste debate. Não o sou eu (os tradicionalistas que me leem e conhecem podem dar testemunho disso), como tampouco é tradicionalista nosso diretor na Infocatólica Luis Fernando Pérez, nem nosso editor o sacerdote e doutor em teologia José María Iraburu. Muito menos aqueles outros sacerdotes e teólogos que participaram pontualmente no debate para expressar seu acordo com nossos argumentos, entre eles Mons. Miguel Antonio Barriola, membro por dois quinquênios da Pontifícia Comissão Bíblica e prelado de honra do Papa, ou Frei Nelson Medina, reconhecido pregador internacional (não menciono aqui todos os sacerdotes que por via privada me disseram que concordam com o aqui exposto, mas somente os que o fizeram publicamente).

Mas se realmente os que sustentam nossa posição são “tradicionalistas”, Alejandro deve explicar se considera também tradicionalista o Benedicional da liturgia romana — produto da reforma litúrgica —, que inclui entre suas orações:

“Oremos. Escuta, Senhor, as nossas súplicas e, uma vez que somos castigados por nossos pecados e sofremos a desgraça das calamidades naturais, livra-nos desses males, para glória do teu Nome, e preserva as nossas terras de toda adversidade, para que o que nelas nasça sirva à tua majestade e remedeie as nossas necessidades. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. R/. Amém.” [tradução própria]

Ou se também podem ser etiquetados como “tradicionalistas” os Papas que afirmaram repetida e incessantemente que Deus pode castigar e que de fato o faz, entre eles João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI, e antes de ser Papa, o Cardeal Jorge Bergoglio.

Tampouco sustentamos que os que defendem a posição contrária são “traidores da Igreja”. Citamos sim a Bento XVI, que deu um diagnóstico muito lúcido a respeito de onde se originou esse erro, ao qual ele qualifica como um “estreitamento do conceito de amor”. Permito-me citá-lo novamente, sublinhando em negrito alguns pontos importantes:

“O arcebispo de Dublin me comentou algo muito interessante. Disse que o direito penal eclesiástico funcionou até os últimos anos da década de 1950 e que, embora não fosse perfeito — muito há nele para criticar —, era aplicado. Mas desde meados da década de 1960, simplesmente deixou de ser aplicado. Prevalecia a consciência de que a Igreja não devia ser mais Igreja do direito, mas Igreja do amor, que não devia castigar. Assim, perdeu-se a consciência de que o castigo pode ser um ato de amor.

Nessa época, houve também entre pessoas muito boas uma peculiar obscurecimento do pensamento. Hoje temos de aprender novamente que o amor ao pecador e ao prejudicado está em seu justo equilíbrio mediante um castigo ao pecador aplicado de forma possível e adequada. Nesse sentido, houve no passado uma transformação da consciência através da qual se produziu um obscurecimento do direito e da necessidade do castigo, e em última instância também um estreitamento do conceito de amor, que não é, precisamente, apenas simpatia e amabilidade, mas que se encontra na verdade, e da verdade faz parte também ter de castigar aquele que pecou contra o verdadeiro amor.”[3]

Observe-se que se citamos a Bento XVI é precisamente porque compartilhamos sua opinião de que esse erro se produziu entre os que ele identifica como “pessoas muito boas”. Não é necessário esclarecer que não é o mesmo ser “pessoas muito boas” a ser gente “traidora” e “ignorante”. Desde o princípio venho dizendo que não considero Alejandro nem os que sustentam sua posição nem como “traidores”, nem como “hereges”, mas como pessoas que se equivocaram num ponto importante da doutrina católica; e um ponto que, sim, levado às suas últimas consequências, conduz à heresia.

Deus “castigador” versus Deus “todo amor”

Em sua defesa da imagem do Deus “todo amor” que não castiga, Alejandro nos atribui a defesa de um Deus “castigador”. Assim, como ele defende que Deus não castiga “nunca”, pretende nos atribuir que dizemos que Deus castiga “sempre”. Mas não é isso o que sustentamos. Não dizemos que Deus aplique uma justiça meramente comutativa (o esclarecemos em nossa segunda entrega) mas que sua justiça é distributiva, portanto remunerativa e vindicativa. Isso é pura e simplesmente a doutrina católica que pode encontrar em qualquer tratado de teologia, que ensina “que Deus é um juiz justo, que recompensa o bem e castiga o mal”.[4]

E eis que Alejandro cai sempre no que temos identificado como a falácia da dialética dos contrários, em que apresenta de maneira excludente conceitos que são perfeitamente complementares. O melhor exemplo o deu ele mesmo quando, no dia anterior, publicou pelas redes sociais um “meme” bastante simpático no qual se vê o Rei Leônidas de Esparta gritando furioso “Deus castiga!”, depois reflete no fato de que Deus é “todo amor”, para ao final se retratar e dizer que “Deus não castiga”. Além do toque humorístico que certamente se traduzirá em muitos “curtidas” em sua página do Facebook, resume muito bem o erro de fundo em seu “raciocínio teológico”, que ignora o que já havia dito o Papa João Paulo II a respeito de que “o amor paternal de Deus não exclui o castigo, ainda que este deva ser entendido dentro de uma justiça misericordiosa que restabelece a ordem violada em função do bem do próprio homem”. Tão certo é que a misericórdia e a justiça divinas não estão em conflito, que o próprio João Paulo II chegou a intitular uma de suas catequeses como “Deus castiga E salva”. Não é, pois, que Deus salve “OU” castigue, mas que o mesmo Deus que “salva” também “castiga”, como diz a Bíblia: “porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita todo filho que recebe.” (Hb 12,6). (E me desculpem por citar a Palavra de Deus, já que ao fazê-lo nos expomos a que nos qualifiquem de “protestante”, o que faltava.)[5][6]

Há uma audiência do Papa João Paulo I muito interessante, porque precisamente nos fala de que há verdades de fé agradáveis e outras que nos resultam incômodas, mas que não devemos filtrar a doutrina cristã ficando somente com as que não nos parecem duras. E a esse respeito precisamente diz que sustentar que Deus castiga é uma dessas verdades impopulares, mas certamente uma verdade de fé:

“Um grande bispo francês, Dupanloup, costumava dizer aos reitores dos seminários: Com os futuros sacerdotes sede um pai, sede uma mãe. Isso agrada. Em troca, diante de outras verdades, sentimos dificuldade. Deus deve me castigar se persisto; Ele me segue, me suplica que me converta, e eu digo: não!; e assim quase o obrigo eu mesmo a castigar-me. Isso não agrada, mas é verdade de Fé.” [tradução própria][7]

Há também que dizer que esse erro havia aparecido em outros tempos na história da Igreja. E é que já na Igreja primitiva, São Ireneu, um dos maiores padres da Igreja de todos os tempos, discípulo de São Policarpo — que por sua vez foi discípulo direto do apóstolo São João —, o havia denunciado em seu célebre manual contra todas as heresias:[8]

“Outro erro consistiu em tirar do Pai o julgamento e o castigo, pensando que esse poder é impróprio de Deus. Por isso imaginaram ter encontrado um Deus ‘bom e sem ira’, assim como outro Deus ‘cujo ofício é julgar’, e ‘outro para salvar’. Esses pobres não se deram conta de que privam a um e a outro da sabedoria e da justiça. Pois, se o juiz não fosse ao mesmo tempo bom, como daria prêmio a quem o merece e repreenderia a quem o necessita? Um juiz desse tipo não seria nem sábio nem justo. E se fosse um Deus bom e somente bom, mas sem julgamento para julgar quem merece essa bondade, tal Deus não seria nem justo nem bom, pois sua bondade seria impotente; nem poderia ser salvador universal se carece de discernimento.

Marcião, por sua parte, ao dividir Deus em dois — ao primeiro dos quais chamou ‘bom’ e ao segundo ‘justo’ —, acabou matando a Deus pelas duas partes. Porque se o Deus ‘justo’ não é ao mesmo tempo ‘bom’, tampouco pode ser Deus aquele a quem falta a bondade; e por outro lado, se é ‘bom’ mas não ‘justo’, da mesma forma sofreria que lhe arrancassem o ser Deus.” [tradução própria][9]

Observem que não deixa de ser impressionante a semelhança entre o erro de Alejandro Bermúdez e o que então condenava São Ireneu, e não é por acaso que em seus programas em áudio ele recorra ao mesmo raciocínio que naquela época utilizava Marcião, ao alegar que o Deus do Antigo Testamento sim era um Deus “castigador”, enquanto o do Novo era um Deus “misericordioso” que nunca castiga. São Ireneu e muitos outros padres combateram esse erro ensinando que tanto no Antigo Testamento como no Novo Deus é justo e também misericordioso.

Entenda, pois, Alejandro, que não é que defendemos a imagem de um Deus “castigador”; o que rejeitamos é a imagem que apresenta de um Deus que não castiga “nunca”. O fato de você defender a imagem de um Deus “só amor” não quer dizer que nós defendamos a imagem de um Deus “só justiça”.

Reconhecimentos importantes

Mas além de tudo isso, há alguns reconhecimentos importantes que o próprio Alejandro faz em seu novo e-book que é oportuno comentar. Vejamos tudo o que agora reconhece, mas antes negava. Escreve Alejandro Bermúdez:

“A ideia de que Deus ‘castiga’ está presente nas Sagradas Escrituras, incluindo no Novo Testamento? Sim, sem dúvida.

Mas isso resolve o tema da pergunta sobre se Deus verdadeiramente castiga ou não? A resposta é NÃO. A resposta afirmativa só poderia provir de uma interpretação completamente protestante das Escrituras, isto é, prescindindo da alegoria, da metáfora e das ferramentas exegéticas fundamentais.”

Reconhecimento importante, porque havemos de recordar que em seus primeiros podcasts havia sustentado enfaticamente que a noção de que Deus pudesse castigar se reduzia somente ao Antigo Testamento, e afirmou que em todo o Novo Testamento essa noção não aparecia absolutamente em parte alguma. Como vemos agora, não é assim, e já admite que também no Novo Testamento se afirma que Deus castiga. Que seja de maneira puramente metafórica ou alegórica? Que o decida o leitor, mas duvido que assim o tenha entendido Zacarias quando perdeu a voz por nove meses por ter duvidado do mensageiro divino (Lc 1,19-20), ou Herodes quando adoeceu por blasfemar (At 12,21-23), tampouco Ananias e Safira (At 5,1-10) quando morreram por zombar do Espírito Santo, muito menos os cristãos que adoeciam ao profanar a Sagrada Eucaristia (1 Cor 11,29-30). A esse respeito sugiro humildemente a Alejandro que estude o que realmente pode ser considerado alegórico ou metafórico na Sagrada Escritura, porque é evidente que quem não o sabe é ele.[10]

Continua Alejandro:

“Que Deus castiga é algo afirmado por concílios, papas, santos e até pela própria Virgem Maria nas aparições ‘aprovadas’ pela Igreja? A resposta é sim. Os partidários da visão de um Deus castigador acumularam um longo elenco de citações, com a convicção — disparatada, de resto, do ponto de vista apologético — de que a mais citações acumuladas, mais sólido é seu argumento.”

Outro reconhecimento importante, já que em sua série anterior de programas Alejandro havia se limitado a reconhecer que os Concílios, os Papas e santos, e inclusive a própria Virgem Maria e Nosso Senhor em suas revelações privadas aprovadas pela Igreja, haviam falado de alguma “relação” entre Deus e o castigo. Agora, ainda que não admita nosso ponto de vista, pelo menos reconhece o que vínhamos dizendo: que não é um vínculo longínquo o que o magistério estabelece entre Deus e o castigo, mas que se afirma explicitamente que DEUS SIM CASTIGA — afirmação que ele próprio reconhece encontrar-se de maneira abundantíssima em Concílios Ecumênicos, Magistério dos Papas, Santos e inclusive revelações privadas.

No entanto, na admissão seguinte fica muito aquém quando reconhece:

“É verdade que a afirmação contrária ‘Deus não castiga’, como citação textual, é escassa no corpo doutrinal da Igreja. Numa ‘guerra de citações’, a posição teológica correta não vai ganhar.”

E digo que fica aquém, porque não é verdade que a afirmação contrária “Deus não castiga” seja “escassa” no corpo doutrinal da Igreja. Não, não é que seja escassa: simplesmente NÃO EXISTE, incluindo o Magistério ordinário e extraordinário. Convido o leitor a rever todas e cada uma das contribuições de Alejandro, começando desde seus podcasts em áudio até seu último e-book digital, para ver que não pôde citar nenhuma fonte magisterial, tratado de teologia, etc., que afirme que Deus nunca castiga. E tanto é assim que, se esse fosse o caso, não teria tido de completar seu livro digital somente com:

1) Dois artigos — que não são magistério — de dois teólogos, nos quais eles próprios reconhecem que não discutem o fato de que Deus castigue, mas se Deus pôde castigar com uma catástrofe natural a inocentes junto com os culpados.

2) Uma única citação do Cardeal Ratzinger antes de ser Papa, em uma entrevista à imprensa após os ataques terroristas de 11 de setembro, na qual não nega que Deus castigue, mas explica de maneira muito geral e não teológica que os pecados nos atraem penas ontológicas, isto é, consequências de nossas próprias ações.

Tendo tudo isso em conta, não é sensato que Alejandro pretenda sustentar que sua posição é “teologicamente mais segura e certa que a contrária”, pretendendo que acreditemos de boa fé em algo que não só está ausente, mas é explicitamente contradito pelo Magistério ordinário e extraordinário da Igreja. Tentar justificar isso com base em uma suposta “razão teológica” que se reduz a um raciocínio que pode ser resumido em um simples “meme” com Leônidas gritando que “Deus não castiga porque é todo amor.” Em poucas palavras: pede que acreditemos que, embora a Bíblia (Palavra de Deus), o Magistério, os Papas, os Santos e até a Virgem e Jesus em suas revelações privadas ensinem uma coisa, devemos entender exatamente o contrário — isto é, que Deus nunca castiga —, e tudo isso somente porque “Deus é todo amor”. De fato, alguém acredita que isso é um “raciocínio teológico” sério e coerente?

Conclusões

Com isso considero que analisei todas as objeções importantes. Agora sim creio que dou por encerrado este debate (ainda que não prometa nada). Os leitores têm em mãos ferramentas suficientes para julgar os argumentos a favor e contra e tirar suas próprias conclusões. Já sabem que acima coloquei os links aos três livros digitais, tanto de Alejandro Bermúdez como o meu e o de Adrián Ferreira, de modo que tenham acesso a toda a informação. Basta clicar sobre as imagens.[11]

Lembro-lhes por último que como católicos devemos permanecer firmes ao ensinamento do Magistério para que “não sejamos mais crianças, agitadas e levadas por todo vento de doutrina” (Ef 4,14). De verdade espero que tenham aprendido muito neste debate; estou certo de que pelo menos eu o fiz.

Deus os abençoe.

  1. Publicou-se uma cópia digital no endereço: http://www.apologeticacatolica.org/Descargas/Dios_Castiga2.pdf
  2. O novo E-book de Alejandro Bermúdez “Deus não castiga” foi publicado na ACIPrensa.
  3. Bento XVI, A Luz do Mundo, Herder 2010, p. 16-17
  4. João Paulo II, Salvifici Doloris 10
  5. João Paulo II, Audiência da Quarta-feira, 29 de setembro de 1999
  6. João Paulo II, Audiência geral da Quarta-feira, 25 de julho de 2001
  7. João Paulo I, Audiência de 13 de setembro de 1978
  8. O jesuíta Benedikt Stattler, semi-racionalista, incorreu no mesmo erro que Alejandro Bermúdez, razão pela qual várias de suas obras foram incluídas no Índice de livros proibidos pela Igreja: “Plusieurs publications de Stattler furent mises à l’Index. On y a relevé un certain nombre d’erreurs (par exemple la négation de la justice vindicative de Dieu…” DTC, XIV, Col. 1851
  9. São Ireneu de Lyon, Contra todas as heresias, Livro III, 25, 2-3
  10. Alejandro Bermúdez havia dito textualmente: “No Novo Testamento estão os 27 livros que incluem os quatro evangelhos, os atos dos apóstolos, as cartas de São Paulo, a carta aos hebreus, a carta de Tiago, Primeira de João, Segunda de João, a carta de Judas, o Apocalipse. Em nenhum deles se fala do castigo fora da pena final.” [N.T.: citação do original em espanhol, mantida fielmente]
  11. Não voltarei aqui sobre a afirmação de Alejandro Bermúdez de que citamos a Salvifici Doloris fora de contexto, porque isso já foi esclarecido no capítulo anterior. No texto vê-se meridianamente claro que o que o Papa sustenta é que nem todo sofrimento é castigo, mas que o sofrimento, quando está unido à culpa, tem caráter de castigo, e também afirma explicitamente que Deus é justo, recompensa o bem e castiga o mal.