Como alguns fundamentalistas têm criticado a Igreja Católica citando o primeiro livro de Ralph Woodrow, “Babylon Mystery Religion”, compartilho com os leitores a seguinte informação de seu novo livro The Babylon Connection?, no qual o Sr. Woodrow se retrata e retira do mercado o livro Babylon Mystery Religion.
Escreve Woodrow:
“No início de minha experiência cristã, caiu em minhas mãos certa literatura que pretendia que o paganismo se havia misturado com o cristianismo. Embora a Igreja Católica Romana fosse geralmente o alvo, parecia que outras igrejas também se haviam contaminado com esses costumes e crenças, para os quais se podiam encontrar paralelos pagãos. “The Two Babylons”, de Alexander Hislop (1807-1862), com seu alarmante subtítulo, “o culto papal demonstrado como sendo o culto de Ninrode e de sua esposa”, foi o livro-texto no qual grande parte desse ensinamento estava baseada.
Ao longo dos anos, este livro afetou o pensamento de muita gente — situada em toda parte, desde o interior das seitas radicais até os cristãos mais dedicados, que têm fome do mover de Deus e se preocupam com qualquer coisa que possa obstaculizar esse fluxo.
Sua premissa básica é que a religião pagã da antiga Babilônia continuou até os nossos dias, disfarçada de Igreja Católica, e é descrita no livro do Apocalipse como “Babilônia, o Grande Mistério” — daí a ideia de DUAS Babilônias, uma antiga e uma moderna. Como o livro de Hislop é muito detalhado, com uma multiplicidade de notas e referências, eu supus, como muitos outros, que se tratava de fatos.
Citávamos “Hislop” como autoridade em paganismo, tal como se poderia citar o “Webster” para a definição de uma palavra.
Como jovem evangelista, comecei a pregar um sermão sobre a mistura de paganismo e cristianismo e, com o tempo, escrevi um livro baseado em Hislop: “Babylon Mystery Religion”. Em pouco tempo, meu livro tornou-se muito popular, passou por muitas impressões e foi traduzido para o coreano, o alemão, o espanhol, o português e alguns outros idiomas. Cheguei a ser respeitado por alguns como uma autoridade neste tema da mistura de paganismo.
Inclusive um conhecido escritor católico, Karl Keating, disse: “O autor mais conhecido é Ralph Woodrow, autor de ‘Babylon Mystery Religion’”.
Muitos preferiam o meu livro a “The Two Babylons” porque era mais fácil de ler e acompanhar. Às vezes os dois livros eram confundidos um com o outro. Cartas elogiando meu livro chegavam em fluxo incessante. Só de vez em quando havia uma voz dissidente. UM QUE NÃO CONCORDOU foi Scott Klemm, professor de história de ensino médio (High School) no sul da Califórnia.
Ele, sendo cristão e apreciando outras coisas que eu havia escrito, começou a apresentar-me EVIDÊNCIAS DE QUE HISLOP NÃO ERA UM HISTORIADOR CONFIÁVEL.
Consequentemente, dei-me conta de que precisava voltar atrás e reexaminar a obra de Hislop, minha fonte básica, e comprová-la em espírito de oração! À medida que o fazia, foi ficando claro que a história de Hislop era, com frequência, mera mitologia.
Embora os mitos possam às vezes refletir acontecimentos que realmente ocorreram, a montagem arbitrária de mitos antigos não pode proporcionar uma base digna de confiança para a história.
Tome tribos suficientes, contos suficientes, tempo suficiente; salte de uma época a outra, de um país a outro; escolha e selecione semelhanças — e praticamente qualquer coisa poderá ser “provada”!
A preocupação de não ter nada de pagão em nossas vidas pode ser comparada a um navio que cruza um vasto oceano. Essa preocupação nos levou na direção correta; mas, à medida que compreendemos melhor o que é realmente pagão e o que não é, faz-se necessária uma correção de curso em nossa viagem.
Isto não é “dar marcha a ré”, mas uma correção de curso à medida que prosseguimos: “A vereda dos justos é como a luz da aurora, cujo brilho aumenta até o pleno dia” (Pr 4,18). Embora contestemos algumas das afirmações de Hislop em THE BABYLON CONNECTION, isso de modo algum teve a intenção de ser um ataque contra ele pessoalmente.
Pelo que sabemos, ele era um cristão dedicado, um irmão em Cristo. Tampouco é nossa meta escrever este livro simplesmente para desacreditar outro livro. Em vez disso, é nosso desejo que este esforço nos ajude a entender — “e lhe expuseram com mais exatidão o caminho de Deus” (At 18,26) —, encontre um equilíbrio bíblico e glorifique aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).”
O Sr. Woodrow retirou seu livro “Babylon Mystery Religion” do mercado pela simples razão de que se deu conta, a tempo, de que havia sido enganado pela mitologia do Sr. Hislop.
Em outras palavras, qualquer um que promova informações de seu livro, sabendo que ele mesmo pagou $$$ para retirar este livro do mercado, é:
1. ignorante da mudança do Sr. Woodrow;
2. ou é um mentiroso que não gosta da verdade.
Ponham-se a par e não deem testemunho do que o Sr. Woodrow considera falso; refiro-me a toda a informação, em geral, de seu livro “Babylon Mystery Religion”.
The Babylon Connection?
Em seu livro The Babylon Connection? (“A Conexão Babilônia”), página 1 da versão inglesa, o Sr. Woodrow diz:
Suponhamos que pudéssemos retroceder no tempo, até os dias da antiga Babilônia. Que tipo de religião praticada encontraríamos ali?
De acordo com Alexander Hislop… encontraríamos gente assistindo à missa, comendo uma pequena bolacha redonda, adorando uma cruz, indo à confissão, sendo batizada com água para a remissão dos pecados, com velas de cera acesas, e fazendo reverência diante de uma mãe divina e seu menino. Notaríamos lugares de culto com feição de torre, sacerdotes com tonsura circular, vestidos com trajes negros, ministrando os últimos ritos aos que morriam, com monges e freiras em abundância. Os babilônios estariam praticando essencialmente todos os ritos que conhecemos hoje na Igreja Católica Romana!
De acordo com Hislop, tudo começou com Ninrode e sua esposa Semíramis — daí o subtítulo de “The Two Babylons”: O culto papal provado como sendo o culto de Ninrode e de sua esposa. Mas qualquer informação sobre Ninrode e Semíramis nos melhores livros de história é superficial. Na Bíblia, Ninrode, “o valente caçador”, é mencionado quatro vezes, e sua esposa nunca é mencionada. *Tal é a sua tese, inerentemente débil: a de que o culto papal é o culto de Ninrode e de sua esposa.
O método de Hislop, de tentar produzir uma história baseada em mitologia, é frequentemente contraditório. Na página 78 de “The Two Babylons”, a esposa de Ninrode é sua filha; na página 78, ela era sua irmã; na página 317, ela era sua mãe; na página 307, Baco — supostamente o mesmo que Ninrode — é chamado “Bimater”, um homem com duas mães; na página 76, introduz-se um mito sem relação alguma, sobre Heimdal da Escandinávia, “o filho de nove virgens”. Quanta confusão mais se pode fazer? Isto não é uma verdade profunda; isto é um disparate!
O Sr. Woodrow, embora não seja católico, amadureceu. Creio que, como cristão, sente-se responsável por haver desencaminhado muitos, levando-os a crer nas falsidades mitológicas do Sr. Hislop, no qual se baseou para escrever seu livro “Babylon Mystery Religion”.
A mulher que estava vestida de púrpura
Escreve Woodrow:
“No livro do Apocalipse, João descreve uma mulher que estava vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas, tendo na mão uma taça de ouro cheia das abominações e da imundície de sua prostituição; e, na sua fronte, um nome escrito: MISTÉRIO, BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DA PROSTITUIÇÃO E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA (Ap 17,4-5).
De acordo com Hislop, essa mulher simbólica, chamada “Mistério, Babilônia”, representa a Igreja Católica Romana. Muitos de nós sustentamos essa posição; mas, se examinamos a evidência ponto por ponto, ela não é tão sólida como supúnhamos.
“Mistério, Babilônia” é descrita segurando um cálice na mão (Ap 17,4). Hislop tenta associar isso a Semíramis, acrescentando uma gravura intitulada: “A mulher com o cálice da Babilônia”. *Hislop, pág. 5*
Mas isso dificilmente concorda com sua própria nota, na mesmíssima página, na qual, citando Plínio, refere que “o cálice de Semíramis” pesava 1.200 libras.
Hislop explica que essa gravura foi reproduzida da Enciclopédia Bíblica de Kitto. Mas, quando investigamos essa fonte, Kitto nada diz de que aquela mulher com um cálice seja Semíramis — a gravura apenas dá uma ideia do tipo de roupa que os babilônios vestiam. *Enciclopédia Bíblica de Kitto, artigo “Babilônia”*
Um cálice, em si, não é um símbolo mau, porque também no livro do Apocalipse o Senhor é representado segurando um cálice! (Ap 14,10; Ap 16,19). “Porque há um cálice na mão do Senhor” (Sl 75,8). Um cálice é usado inclusive como símbolo de salvação! (Sl 116,13). No Novo Testamento, “cálice” é usado como símbolo verbal, representando o sangue derramado por Cristo (1 Cor 10,16). “O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor 10,16).
A chamada meretriz “Mistério, Babilônia” está “vestida de púrpura e escarlate” (Ap 17,4). Alguns tendem a associar imediatamente essas cores às brilhantes e muito ornamentadas vestes usadas pelo Papa e por outros dentro da hierarquia da Igreja Católica Romana. Mas, de novo, essas cores não fornecem uma identificação exclusiva.
Púrpura e escarlate foram usados nas cortinas do tabernáculo (Ex 26,1), no véu do Templo (2 Cr 3,14) e nas vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento (Ex 28,6.8.15). Lídia, uma convertida ao cristianismo, era vendedora de púrpura (At 16,14). Provérbios menciona a família de uma “mulher virtuosa” que se vestia de púrpura (Pr 31,22). Daniel — certamente não contemporizador com os costumes mundanos — foi honrado e vestido de púrpura (Dn 5,29).”
Nota: o Sr. Ralph Woodrow não é católico, é evangélico!
Roma, a cidade das sete colinas
Escreve Woodrow:
“ ‘Mistério, Babilônia’ é descrita como situada em meio a sete colinas (Ap 17,9). Hislop diz: “Chamar Roma de a cidade das sete colinas é descrição que seus próprios cidadãos lhe deram, como quem a chama por seu próprio nome”; e assim, “a Igreja, que tem sua sé sobre as sete colinas de Roma, seria a mais apropriada para ser chamada ‘Babilônia’”… Em outra parte, Hislop descreve o Papa como “aquele que se assenta na cátedra das sete colinas de Roma”.
Mas é na colina do Vaticano que está a cátedra do Papa, e ali a sede da Igreja Católica Romana — e essa colina não é uma das sete colinas de Roma!
Esse distrito “não pertenceu à antiga Roma, nem foi incluído dentro dos limites das muralhas da cidade construídas pelo imperador Aureliano”. O Dicionário Bíblico de Harper (Harper’s Bible Dictionary) inclui um mapa que confirma esse ponto.
As sete colinas sobre as quais Roma foi construída são estas: o Palatino, o Capitolino, o Quirinal, o Aventino, o Célio, o Esquilino e o Viminal. A colina do Vaticano, do outro lado do Tibre, a oeste, não é uma das sete.
Dever-se-ia acrescentar também que o termo que a profecia realmente usa é “sete montanhas”. As sete colinas dificilmente se qualificariam como montanhas: todas elas têm elevação mínima. A mais alta é o Quirinal, com apenas 226 pés acima do nível do mar. A Basílica de São Pedro, por si só — somente o edifício —, tem quase o dobro disso. Posso falar de sua altura, pois eu mesmo subi as escadas entre o interior e a cobertura da cúpula em 1978. São 434 pés desde o piso até a cruz do alto.”
A Cruz, Simbolismo Babilônico
Escreve Woodrow:
“A cruz, como símbolo da morte de Cristo, é usada em toda parte por quase todas as denominações cristãs. Mas Hislop afirma que a cruz, na realidade, veio da Babilônia e que é o símbolo de Tamuz. O mesmo sinal da cruz que Roma agora adora já era usado nos mistérios babilônicos…
Por causa desses ensinamentos de Hislop, alguns supuseram que os babilônios adoravam uma cruz, usavam cruzes penduradas ao pescoço e exibiam cruzes em seus templos, tudo em honra de Tamuz. Isso simplesmente não é verdade.
Em outros exemplos, Hislop diz que a cruz foi encontrada em peças de vestuário antes da era cristã; que o desenho da cruz foi usado no mundo antigo.
Isso não é surpresa alguma; da mesma forma o foram crescentes, círculos, quadrados, curvas, retas, linhas, linhas onduladas, ângulos, triângulos e suas combinações. O livro de desenhos decorativos do mundo antigo confirma esse ponto com 3.064 ilustrações. Não há razão alguma para supor que o desenho da cruz fosse mais proeminente que os outros.
Mesmo que, em algum tempo ou lugar, alguém tenha realmente adorado uma cruz como símbolo de Tamuz, ainda assim não foi Tamuz quem morreu na cruz por nossos pecados. Nunca ninguém recebeu Tamuz como seu Salvador pessoal nem experimentou uma mudança de vida. “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2 Cor 5,17).
No início de minha experiência cristã, quando me dei conta de que o desenho da cruz fora usado nos tempos pré-cristãos, e de que a própria cruz (como instrumento de morte) era considerada “o madeiro maldito”, um emblema de tortura e “ignomínia” (Hb 12,2), supus que a cruz não poderia ser um símbolo cristão. Mas isso não leva em conta que o mau pode tornar-se belo por meio de Jesus Cristo.
Como o expressou a Enciclopédia de Religião e Ética de Hastings: “O fato de Jesus ter sofrido a morte na cruz converteu essa figura infame em símbolo de ressurreição e salvação…”
A Bolacha Redonda (hóstia)
Escreve Woodrow:
“Hislop também ensinou — e muitos de nós “repetimos” suas palavras — que a bolacha redonda, usada em algumas igrejas nos serviços de comunhão, tinha origem pagã.
Hislop diz que a bolacha redonda, cuja redondeza é um elemento muito importante no mistério romano — que significado pode ter isso? —, é apenas mais uma prova, para aqueles que têm olhos para ver, de que a bolacha, por si mesma, é somente outro símbolo de Baal, ou do Sol.
O que Hislop está insinuando — que, séculos atrás, sacerdotes católicos romanos se reuniram em sessão secreta e combinaram fazer bolachas de comunhão em formato redondo em honra do deus-sol Baal?
“A importância que Roma atribui à redondeza da bolacha tem de ter uma razão”, diz Hislop, “e a razão se encontrará se olharmos para os altares do Egito. O bolo fino e redondo”, diz Wilkinson, “aparece em todos os altares”. Wilkinson de fato fez essa declaração; mas, ao ampliar esse ponto, acrescenta que os bolos eram dos mais variados tipos. Muitos eram redondos, ovais ou triangulares, e outros tinham as bordas dobradas. Tinham também a forma de folhas, ou a forma de um animal, ou de uma cabeça de crocodilo, ou alguma figura caprichosa; e era costume frequente polvilhar os bolinhos com sementes (particularmente os bolinhos redondos e ovais)”. Mas Hislop não se preocupou em nos dar essa informação!
O fato de os egípcios fazerem esses pãezinhos finos e redondos não é surpresa. Da mesma forma os israelitas: “pãezinhos finos e redondos eram cozidos sobre a areia quente ou sobre pedras planas”. Estes eram chamados pães no Antigo Testamento (Ex 29,23; Jz 8,5 etc.), tradução de uma palavra hebraica que quer dizer círculo ou redondo, a mesma palavra usada para descrever uma grande moeda redonda!
Outra palavra traduzida por “bolos” (Gn 18,6; Ex 12,39 etc.) está também baseada no significado “redondo”. O fato de “pães”, “bolos” ou “bolachas” serem redondos não os torna maus.
Bolachas eram preparadas pelos levitas e usadas na consagração de Aarão e de seus filhos ao sacerdócio (Ex 29,2.23; Lv 8,26), no sacrifício das ofertas pacíficas (Lv 2,4; 7,12) e na oferta dos nazireus (Nm 6,15.19). Se tais exemplos estivessem em um livro babilônico, Hislop talvez os tivesse citado como paganismo…
Ao condenar as bolachas redondas de comunhão como imagens do deus-sol Baal, Hislop se esquece de mencionar que o próprio maná dado pelo nosso Senhor era redondo! “Quando se evaporou o orvalho que tinha caído, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, granulosa, fina como a geada sobre a terra. Vendo isso, os israelitas perguntaram uns aos outros: Que é isto?, pois não sabiam o que era. Moisés disse-lhes: Este é o pão que o Senhor vos dá para comer” (Ex 16,14-15). Teria Deus dado ao seu povo um símbolo do deus-sol Baal?
Na Última Ceia, Jesus tomou o pão… partiu-o… “tomai e comei” (1 Cor 11,23-29). Mas isso não constitui nenhum “mandamento” sobre a forma do pão que se deve usar, num sentido ou noutro. Se formássemos doutrinas a partir de detalhes acidentais, alguém poderia argumentar que as mulheres não deveriam receber a comunhão, posto que somente homens estiveram presentes na Última Ceia!”
O Sr. Woodrow agora, em um de seus livros (Christmas Reconsidered), retrata-se do que disse em “Babylon Mystery Religion” acerca do Natal.
Autor e Tradutor: Efraín Ortega