O remédio para o ateísmo será alcançado com a doutrina da Igreja convenientemente exposta e com a integridade de sua própria vida e da vida de todos os crentes. Por Pe. Dr. Enrique Cases

São Paulo diz aos Romanos:

-A ira de Deus se revela do alto do céu contra toda impiedade e perversidade dos homens que, pela injustiça, aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; mas perderam-se em vãos arrazoados, e obscureceu-se-lhes o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível- (1, 18-23)

As palavras de São Paulo nos ajudam a resumir algumas das causas mais frequentes do ateísmo na prática:

– O orgulho ou soberba. O homem orgulhoso se julga superior e independente. Deus o incomoda porque o limita e se converte para ele em inimigo.

– As paixões desordenadas. Deus seria um freio à busca descontrolada dos prazeres. Os que só pensam em gozar não querem ter nenhum limite para seu egoísmo e, como consequência, rejeitam a Deus.

Antes de São Paulo, o Livro da Sabedoria havia dito:

-considerando as obras não reconheceram o artífice (…), pois pela grandeza e beleza das criaturas se chega, por analogia, ao conhecimento do seu Autor- (13, 1, 5)

RESPOSTA DA IGREJA AO ATEÍSMO

religião 2
-Defende a Igreja que o reconhecimento de Deus de modo algum se opõe à dignidade do homem, uma vez que esta dignidade se funda e se realiza no próprio Deus. Com efeito, o homem inteligente e livre foi constituído em sociedade por Deus Criador; mas é sobretudo chamado a unir-se, como filho, a Deus e a participar na sua felicidade. Ensina, além disso, a Igreja que a importância das tarefas terrenas não é diminuída pela esperança escatológica, mas que esta antes reforça com novos motivos a sua execução. Pelo contrário, se faltam o fundamento divino e a esperança da vida eterna, a dignidade humana é gravemente lesada, como tantas vezes se verifica nos nossos dias, e os enigmas da vida e da morte, do pecado e da dor, ficam sem solução, o que frequentemente leva os homens ao desespero.» (GS, 21)

Sustentam alguns ateus (por exemplo, os marxistas) que a esperança em uma vida futura afasta o homem da necessária preocupação pelas coisas deste mundo. Antes, é preciso dizer o contrário: quando falta o sentido religioso da vida, o homem se degrada. Assim, a falta de fé religiosa aumenta os homicídios, o alcoolismo, o divórcio, o aborto, o uso de drogas, a desordem sexual com suas consequências, como a violação etc., pecados todos eles que não só vão contra a lei de Deus, mas também contra a sã convivência entre os homens.

Por outro lado, só a fé religiosa dá sentido a enigmas como a vida e a morte, a culpa, a dor, que não raras vezes levam ao desespero e ao suicídio.

-Quanto ao remédio para o ateísmo, ele há-de vir da conveniente exposição da doutrina e da vida íntegra da Igreja e dos seus membros. Pois a Igreja deve tornar presente e como que visível a Deus Pai e a seu Filho encarnado, renovando-se e purificando-se continuamente sob a direcção do Espírito Santo. Isto há-de alcançar-se, antes de mais, com o testemunho duma fé viva e adulta, educada de modo a poder perceber claramente e superar as dificuldades. Magnífico testemunho desta fé deram e continuam a dar inúmeros mártires. Ela deve manifestar a sua fecundidade, penetrando toda a vida dos fiéis, mesmo a profana, levando-os à justiça e ao amor, sobretudo para com os necessitados. Finalmente, o que contribui mais que tudo para manifestar a presença de Deus é a caridade fraterna dos fiéis que unânimemente colaboram com a fé do Evangelho e se apresentam como sinal de unidade.- (GS, 21)

Entre os remédios para o ateísmo, o Concílio assinala:

– a exposição adequada da doutrina; pois, para que não haja ateus por desconhecimento da verdade sobre Deus, é necessário que os crentes conheçam e difundam a verdade;

– que os crentes levem uma vida íntegra; pois os homens, mais do que as teorias, são convencidos pelos fatos que as confirmam;

– o amor aos demais, referendado pelas obras, que será uma demonstração prática do amor a Deus.

Os mártires e os santos são um claro testemunho dessa fé consequente.

Autor: Pe. Dr. Enrique Cases

Fonte: Encuentra.com