Nome: Chamam-se a si mesmos “Igreja Universal do Reino de Deus”, “Oração Forte ao Espírito Santo” ou “Comunidade do Espírito Santo”.

Fundador: A seita foi fundada em 27 de julho de 1977 por Edir Macedo Bezerra (1945)

Sede mundial: Rio de Janeiro, Brasil. Desde 1986, Edir Macedo Bezerra dirige a igreja a partir de Brooklynn, N.Y.

Estatísticas: Afirmam ser 3 milhões ao redor do mundo. Em 1995 tinha, em nível mundial, 37 líderes maiores (bispos). Existem pouco mais de 9.000 “pastores” em 56 países. É um dos grupos de maior crescimento na América do Sul.

Características: Reúnem-se em antigos teatros, cinemas e galpões, alugados ou comprados. Seus líderes autonomeiam-se “pastores” e “bispos”. Caracterizam-se por fazer uma propaganda enganosa dizendo que nesta ou naquela próxima reunião estará presente “O BISPO PRIMAZ DE ……”, ou “O ARCEBISPO DE …..” ou “O BISPO DE …..”.

História: Antes de fundar sua seita, Macedo trabalhou como caixa para a Loteria Nacional. Iniciou-se como líder sectário quando 4 membros da igreja evangélica NOVA VIDA, entre os quais estava seu cunhado, insatisfeitos com as coisas, fundaram um novo ramo, que denominaram “Igreja da Graça”, na qual Edir Macedo foi contratado como tesoureiro.

Posteriormente tiveram um desentendimento por questões de dinheiro, já que Macedo exigia 50% dos ganhos da seita. Seu cunhado não aceitou e Edir Macedo abandonou a “Igreja da Graça”. Fundou duas novas seitas: a Cruzada do Caminho Eterno e a Igreja Universal do Reino de Deus.

Macedo foi encarcerado por 11 dias em 1992 por fraude e charlatanismo. Em janeiro de 1996 o governo brasileiro começou investigações sobre a maneira de arrecadar fundos, fraude em câmbio internacional de dinheiro, evasão do pagamento de impostos e vínculos com narcotraficantes.

Atualmente há investigações governamentais contra ele em oito países. Alguns pastores foram expulsos de diversos países por desobedecer às leis de migração.

Doutrinas e práticas

1) A pobreza é do diabo. Macedo promove o “Evangelho da prosperidade”, dizendo: “Eu não sigo um Deus pobre. Se o seu Deus é pobre, é porque seus pensamentos são pobres […] A pobreza é do diabo; não de Deus” (Universal News #7, p. 2).

Mario Justino, um ex-pastor, que escreveu um livro sobre o grupo (“In the Corridors of the Kingdom”), alega que muitos dos ministros são charlatães e vivem no luxo com 2 a 10% das coletas semanais.

Esta seita pede a seus fiéis muitíssimo dinheiro com a promessa de que serão abençoados por Deus nesta vida e salvos das chamas do inferno na outra (Time, 11 de março de 1996, p. 13).

Segundo os ensinamentos da Oração Forte, as pessoas podem ter duas classes de fé: fé natural ou fé sobrenatural.

Para eles, a fé natural consiste na confiança somente em Deus, mas duvida que Deus possa fazer milagres econômicos. A fé sobrenatural é a que confia que Deus pode multiplicar o dinheiro e os bens materiais, e afirmam que esta é a fé que agrada a Deus.

2) O diabo está presente em todos os males. Macedo afirma que todos os males de qualquer espécie são de origem demoníaca.

Os pastores têm o dom de expulsar o demônio daqueles que estão incapacitados para crer, e isso atua independentemente da fé do enfermo. A libertação completa só se consegue com a participação na vida de sua igreja.

Somente nas reuniões se recebem as principais bênçãos.

3) Usam objetos como “sacramentais”. A “Igreja Universal do Reino de Deus” constantemente oferece objetos para receber milagres: a “rosa abençoada”, o “óleo abençoado” com o qual se podem ungir fotografias de familiares enfermos, “pão bento” para assegurar a prosperidade do corpo, do espírito e do econômico.

Seus produtos são anunciados em grandes propagandas em jornais como: “Assista e coma o pão abençoado para curar as doenças!” (La Prensa, 28-fev-95). Nos cultos afirma-se que “as coisas” abençoadas nas reuniões, ao serem levadas para casa, transportam a presença de Deus para abençoar o que quer que seja.

No final dos programas de rádio (ou televisão) no Brasil, pediam às pessoas que colocassem um copo de água ou peças de roupa perto do rádio para que fossem abençoados; uma vez feito isso, os objetos teriam “poderes curativos”.

5) O culto. O culto se inicia com uma pequena explicação de algum versículo da Bíblia. Depois fazem um apelo para depositar sobre a Bíblia, em envelopes, quantias altas de dinheiro, com a promessa de que Deus as multiplicará. O apelo começa especificando quantias altas que devem ser ofertadas. Terminam com uma sessão de exorcismo em massa na qual os pastores impõem as mãos sobre as pessoas para expulsar os demônios.

Em dias especiais reúnem-se para vender os objetos abençoados ou para receber alguma bênção ou oração especial dos pastores e dos “bispos”. Por exemplo, a “Oração dos 70” (na qual 70 pastores oram para expulsar os demônios). As reuniões em que o bispo se faz presente e outras reuniões especiais para receber prosperidade, cura ou anular alguma bruxaria.

Os líderes sempre perguntam aos assistentes sobre os problemas que os levaram a acudir às sessões. Diferentemente dos pentecostais, que dão importância ao louvor e à música, aqui se assiste somente para receber e comprar os objetos sagrados.

Evangelizando: Por que alguns que assistem a estas sessões efetivamente se curam?

Primeiro é preciso saber se a cura tem sempre sua origem em Deus. Houve durante toda a história pessoas e lugares que curaram enfermos. Às vezes é o processo natural do corpo de curar-se com o tempo. Outras vezes, quando a enfermidade é psicossomática, o ambiente, a amizade, a fé e outros fatores psicológicos fazem com que os sintomas desapareçam.

Às vezes é Deus quem cura pela fé da pessoa, e não como prova da veracidade da religião. A Bíblia diz que Deus faz nascer o seu sol sobre bons e maus e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5,45).

Mas nem por isso vamos dizer que os maus têm razão em sua maneira de agir. É o mistério da grande generosidade de Deus conosco. Por isso não se deve sair da única Igreja fundada por Jesus Cristo para se curar.

Autores: Daniel Gagnon/Carlos Alberto Jardón