Esta é a primeira das Igrejas Apostólicas do Oriente, anterior às disputas que motivaram a celebração do Concílio de Éfeso.

Seguindo um pouco a história desta Igreja, sabemos que a região compreendida entre os dois grandes rios Tigre e Eufrates, também chamada Mesopotâmia, é o espaço geográfico no qual nasce e se desenvolve esta Igreja conhecida como Assíria. Mais tarde, ela se estabeleceu no Turquestão, na China e na Índia. Por sua grande atividade missionária, pode-se dizer da Igreja nestoriana que foi uma Igreja missionária e uma Igreja-mãe que gerou numerosos povos para a fé cristã.

Em sua época destacaram-se algumas cidades importantes, como Edessa, Nísibis e Selêucia-Ctesifonte, verdadeiros centros teológicos e culturais onde se formaram a maior parte dos líderes da sociedade e da Igreja.

Segundo o historiador Eusébio de Cesareia, a tradição atribui a evangelização desses territórios ao apóstolo São Tomé em seu caminho evangelizador rumo à Índia. Outra tradição apresenta Addai ou Tadeu, um dos setenta e dois discípulos do Senhor, e Mari como enviados pelo próprio São Tomé para evangelizar os territórios da Assíria, da Pérsia e da Média.

Chama-se nestoriana por seguir a doutrina de Nestório. Este foi um monge de Antioquia, onde aprendeu a ciência teológica, e foi elevado ao Patriarcado de Constantinopla no ano 428. Afirmava a existência de duas naturezas e duas pessoas em Cristo, doutrina condenada no Concílio de Éfeso (431).

Um fato decisivo e uma data-chave marcam esta Igreja: o Sínodo de Selêucia do ano 486, no qual adotaram formalmente como própria a doutrina nestoriana.

No fim do século VIII, começou a desenvolver uma grande atividade literária. Esta época constitui a idade de ouro da literatura da Igreja nestoriana. É também nessa época que ela alcança sua máxima expansão, entre os séculos VIII e XIII.

A Igreja Nestoriana teve, até o século XII, muitos fiéis e bispos. A partir desse século, sua influência foi perdendo intensidade, fenômeno que ocorreu especialmente no século XIV, devido às diversas perseguições que sofreram por parte de mongóis, curdos, turcos e persas.

Características da Igreja Nestoriana:

– Em sua eclesiologia admitem o primado do Pontífice Romano entre todos os patriarcas e que esse primado provém de Pedro. Não admitem, contudo, que esse primado seja de jurisdição universal sobre todos os fiéis. Aceitam explicitamente apenas o Concílio de Niceia; mas, conforme seus princípios, aceitam de modo implícito o Concílio de Constantinopla. O Concílio de Éfeso e os seguintes são rejeitados explicitamente.

– A autoridade máxima recebe o nome de Catholicos; ele leva sempre o nome de Simão e tem o título de Patriarca. Embora seja celibatário, o título e a hierarquia se transmitem hereditariamente entre seus familiares, fato que causou verdadeiros problemas dentro da própria Igreja Assíria. Sua dignidade simboliza a do Patriarca-chefe da nação nestoriana, e seus membros se chamam assírios.

Os membros desta Igreja hoje mal passam de cem mil e estão distribuídos principalmente pelo norte do Iraque, entre os malabares da Índia e na América. O Patriarca reside, desde meados deste século, em Chicago.

– A Teologia Nestoriana não possui propriamente uma teologia sacramental. O conceito que têm dos sacramentos é o seguinte:

O Batismo é conferido com uma longa cerimônia parecida com a Missa e é administrado com uma tríplice imersão. Junto com o batismo, o presbítero confere ao batizado o sacramento da Confirmação.

Quanto à Eucaristia, creem na presença real de Cristo e que ela se realiza pela epiclese, mas seguindo seu princípio errado de que há nele duas naturezas e duas pessoas. Dão a comunhão sob as duas espécies.

O sacramento da Penitência existe somente para os apóstatas, mas não lhes é exigida a confissão. No entanto, nos antigos livros de liturgia encontra-se uma fórmula de absolvição, com todos os requisitos para conferir este sacramento.

Não possuem o sacramento da Extrema-Unção, embora exista o costume de ungir os enfermos com óleo, junto com a oração do presbítero por eles.

Quanto à Ordem Sagrada, como todas as Igrejas orientais, têm cinco ordens: sacerdócio (episcopado), presbiterado, diaconado, subdiaconado e leitorado.

O clero secular, não os religiosos, pode ser casado, e o Matrimônio é considerado por eles um verdadeiro sacramento, mas admitem que seja dissolúvel em caso de adultério.

– Os nestorianos nada dizem da Imaculada Conceição nem do pecado original. Rejeitam o Purgatório, embora rezem pelos defuntos, crendo no adiamento da recompensa até o juízo final.

Igreja Caldeia:

Uma parte da histórica Igreja nestoriana aceitou a comunhão com Roma a partir do século XVI, embora as tentativas de aproximação venham de muitos séculos antes. Essa pequena porção uniata é conhecida pelo nome de Igreja Caldeia. É por isso que existem na Igreja fiéis de rito caldeu.

Em 1681, a Igreja Siro-Oriental foi elevada ao grau de Igreja Patriarcal. O patriarca reside atualmente na cidade de Bagdá.

O número de seus fiéis soma cerca de trezentos mil e eles estão estabelecidos em diferentes países: Irã, Iraque, Líbano e EUA.

Aproximações entre a Igreja Assíria e a Igreja Católica

Em novembro de 1994, Sua Santidade João Paulo II assinou uma Declaração Cristológica com o Patriarca Assírio do Oriente, Sua Santidade Mar Dinkha IV, na qual se proclama a mesma fé em Jesus Cristo.

Recentemente houve outro passo decisivo rumo à unidade, ao oferecer ambas as Igrejas a possibilidade de seus fiéis terem acesso, em certos casos, à Eucaristia. Estabelece-se que «em caso de necessidade, os fiéis assírios podem participar de uma celebração caldeia da Santa Eucaristia e receber a Santa Comunhão». Do mesmo modo, os fiéis caldeus (isto é, em plena comunhão com Roma) «para os quais seja física ou moralmente impossível ter acesso a um ministro católico, podem participar de uma celebração assíria» e receber a Eucaristia.

Estas orientações constituem um notável passo adiante nas relações ecumênicas. A medida, no entanto, como indica o comunicado divulgado ontem, «não é equiparável à plena comunhão eucarística», embora se trate de um verdadeiro avanço «rumo àquele dia bendito em que será possível celebrar em paz a Santa Eucaristia».

Fonte: El Teólogo Responde