Reportagem publicada no jornal italiano “Corriere della Sera”
VATICANO, 6 set. 01 (ACI).- Uma reveladora reportagem do diário italiano “Corriere della Sera” deu a conhecer arquivos da Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA) que confirmam aquilo que a Santa Sé tem vindo a assinalar contra as calúnias de grupos de interesse: o Papa Pio XII defendeu energicamente os judeus de Roma.
Segundo arquivos secretos da Segunda Guerra Mundial da OSS, que mais tarde se converteria na CIA, o Papa Pio XII envolveu-se ativamente no esforço para salvar judeus, bem como na resistência à invasão nazista na Itália.
Segundo o Corriere della Sera, o Pontífice convocou o então chanceler alemão para exigir que detivesse a deportação de judeus, assim que tomou conhecimento da política nazista. A partir daquele momento, o Vaticano opôs-se sistematicamente aos planos de Hitler para exterminar os judeus.
Os arquivos da CIA, recentemente postos à disposição dos pesquisadores, revelam que em sua mensagem de Natal de 1942, o Papa Pacelli pediu ajuda “para aquelas centenas de milhares de pessoas que — sem culpa alguma de sua parte, às vezes apenas por razão de sua nacionalidade ou raça — estão condenadas à morte ou a uma exterminação gradual”.
Os documentos norte-americanos revelam também que, em julho de 1942, o núncio papal na França reuniu-se com os líderes do governo fantoche de Vichy para expressar a rejeição da Santa Sé à decisão de firmar uma aliança com o regime nazista.
Os arquivos da OSS também revelam esforços sistemáticos alemães para silenciar os jesuítas do sul da Alemanha. Um provincial jesuíta, em um documento escrito pouco depois da libertação da Alemanha, revelou que o governo nazista havia exigido uma lista de todos os sacerdotes jesuítas, de tal maneira que pudessem ser capturados e enviados a campos de concentração. O provincial, que foi feito prisioneiro quando se recusou a obedecer, ajudou a proporcionar ao Vaticano uma descrição detalhada da situação dos campos de concentração. Isto levou o Papa Pio XII a tornar-se o primeiro líder mundial a tentar deter a perseguição contra os judeus.