Se alguém, ao morrer, permanece em descanso até a vinda do Senhor, todos permanecem em descanso, ou alguns sim e outros não? A pergunta é sobre os santos que morrem e passam a estar diretamente com o Senhor: os que não são santos ficam esperando a vinda do Senhor? Agradeço antecipadamente.
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Estimado José Oscar:
A doutrina da Igreja está claramente resumida na Constituição Benedictus Deus, de 29 de janeiro de 1336, do Papa Bento XII, 1334-1342, sobre a visão beatífica de Deus e os novíssimos; especialmente no parágrafo que diz:
“Por esta constituição, que deve permanecer para sempre, com autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição comum de Deus, as almas de todos os santos que partiram deste mundo antes da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, assim como as dos santos Apóstolos, mártires, confessores, virgens e dos outros fiéis mortos depois de terem recebido o batismo de Cristo, nos quais não havia nada a purificar ao sair deste mundo, nem haverá quando igualmente saírem no futuro, ou se então houve ou houver depois algo purificável neles, quando depois de sua morte tiverem sido purificados; e que as almas das crianças renascidas pelo mesmo batismo de Cristo ou das que deverão ser batizadas, quando tiverem sido batizadas, que morrem antes do uso do livre-arbítrio, imediatamente depois de sua morte, ou da referida purificação os que dela necessitarem, ainda antes da reassunção de seus corpos e do juízo universal, depois da ascensão ao céu de nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo, estiveram, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no paraíso celeste com Cristo, agregadas à companhia dos santos anjos, e, depois da morte e paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, viram e veem a essência divina com visão intuitiva e também face a face, sem mediação de criatura alguma que tenha razão de objeto visto, mas por se lhes mostrar a essência divina de modo imediato e desnudo, clara e patentemente; e que, vendo-a assim, gozam da mesma essência divina, e que, por tal visão e fruição, as almas dos que saíram deste mundo são verdadeiramente bem-aventuradas e têm vida e descanso eternos, e também as daqueles que depois sairão deste mundo verão a mesma essência divina e dela gozarão antes do juízo universal; e que esta visão da essência divina e sua fruição suprimem nelas os atos de fé e esperança, enquanto a fé e a esperança são propriamente virtudes teologais; e que, uma vez iniciada ou por iniciar essa visão intuitiva e face a face e a fruição nelas, a mesma visão e fruição é contínua, sem interrupção alguma dessa visão e fruição, e continuará até o juízo final e desde então por toda a eternidade.
Definimos, além disso, que, segundo a disposição comum de Deus, as almas dos que saem do mundo em pecado mortal atual, imediatamente depois de sua morte descem ao inferno, onde são atormentadas com penas infernais, e que, não obstante, no dia do juízo todos os homens comparecerão com seus corpos diante do tribunal de Cristo, para prestar contas de seus próprios atos, a fim de que cada um receba o que corresponde ao seu corpo, conforme se portou, bem ou mal [2 Cor 5,10]”.
Autor: P. Miguel Ángel Fuentes, I.V.E.
Fonte: El Teólogo Responde