No dia 25 de março recordamos o grande Mistério da Encarnação do Filho de Deus no seio puríssimo da Virgem Maria. É o dia maior e mais exaltante para a Virgem Maria de Nazaré, porque Deus irrompeu na sua vida com a sua presença e com a sua graça. O Verbo de Deus, o Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, fez-se Homem, assume a natureza humana, ficando unido para sempre à raça humana, com uma alma criada para Ele, como Deus faz para cada homem no momento da concepção. Manteve intacta a sua Divindade: Jesus, filho de Maria, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Desde aquele momento Deus começou a ter um adorador infinito e o mundo um Salvador e mediador omnipotente. Para a realização deste grande mistério foi escolhida somente Maria, que cooperou livre, consciente e generosamente com o grande plano de Deus para nos salvar.
Vêm espontaneamente à memória as palavras do Evangelho: Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho para nos salvar (Jo 3,16). E a Imaculada sempre Virgem Maria está estreita e indissoluvelmente unida à obra da nossa salvação, à intervenção da Santíssima Trindade para salvar toda a humanidade.
Ao longo do Antigo Testamento, Deus guardou com zelo o mistério da sua natureza trinitária (um só Deus em três pessoas divinas), para manifestá-lo como dom precioso, pela primeira vez, à criatura que devia ser sua Mãe: a Virgem Maria. O mais belo e precioso para a Mãe!
De fato, revelou a Maria que, pela onipotência de Deus Pai e por obra do Espírito Santo, o Filho de Deus se encarnaria em seu seio. Maria fica profundamente inundada pela luz de Deus, num êxtase de amor e de fé.
Bastaram poucas palavras no diálogo humilde com o Arcanjo Gabriel para abandonar-se completamente à Vontade de Deus e dar o seu consentimento pleno e total com o seu FIAT, SIM, FAÇA-SE. E… fomos salvos.
O Sim de Maria
Há 2.000 anos, o Arcanjo Gabriel — que significa Homem de Deus — foi enviado por Deus a Nazaré — que significa cidade branca — até uma donzela muito jovem, talvez de uns 15 anos, chamada Maria, nome que significa Mar, Estrela, flor, sublime, amada por Deus.
Disse-lhe o anjo: Alegra-te, cheia de Graça superabundante, o Senhor está contigo.
Gozo e alegria, porque é anunciada a Boa-Nova e o nome novo de Maria é Cheia de Graça, isto é, imaculada, sem pecado, branca, em harmonia com a brancura da sua cidade; puríssima, inocente.
Maria é o novo trono de Deus e das graças, a Mãe da Divina Graça.
Diante desta saudação divina, que é ao mesmo tempo uma missão, uma vocação e um compromisso com Deus, Maria sente um santo temor; é natural. Por isso o anjo lhe diz: Não temas, Maria, porque encontraste graça, o favor de Deus: conceberás e darás à luz um filho.
Ao ser chamada pelo seu nome, Maria tranquiliza-se um pouco.
Conceberás por obra divina, por ação direta do Espírito Santo, de uma maneira única e sobrenatural. É coisa de Deus; ninguém deve intervir, nem hoje nem no futuro. Ao filho porás o nome de JESUS, isto é, JAVÉ SALVA, ou seja, SALVADOR. O fato de Jesus receber o nome por meio de um anjo demonstra que tudo n’Ele vem do alto. O anjo passa de surpresa em surpresa, acrescentando: O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. É claro que não se trata do espírito profético, mas do Espírito Divino, potência criadora, que cria a vida deste Menino único, verdadeiro Deus e verdadeiro homem; trata-se do Espírito Santo.
Trata-se de uma Nova Criação, do Novo Adão, do servo de JAVÉ, daquele que salvará toda a humanidade. Só Deus será seu Pai e Maria, sua Mãe. Por isso todos os que têm Deus por Pai terão Maria por Mãe.
Seguiu-se às palavras do anjo um instante de silêncio no Céu e na Terra, o silêncio mais importante de toda a história. O próprio Deus fez silêncio, esperando com trepidação a resposta de uma adolescente, humilde e santa.
E Maria pronunciou o seu SIM, o seu Faça-se, com toda a sua alma, com todo o seu ser, e o fez em nome de todos nós, os salvos por seu Filho, o Salvador.
Naquele instante aconteceu algo maior do que a criação do sol, das estrelas, dos mares, das montanhas e dos próprios homens e anjos. O Filho de Deus, o Verbo eterno, a Palavra, o Salvador do mundo, fez-se Homem, fez-se Menino, começou a viver no seio da Virgem, alimentando-se do mesmo sangue, com o seu coração batendo em uníssono com o da mãe. Jesus está perfeitamente consciente de tudo o que acontece no seio de Maria, conhece todo o processo biológico, todos os movimentos de sua mãe, escuta perfeitamente as suas palavras e conhece seus afetos, inquietações e alegrias.
Inicia-se um divino mistério de Amor.
Amor puro, santo, total.
Autor: Padre Hilario María Contran O.F.M.
Pároco da Igreja de Santo Antônio de Pádua, Colônia América, San Salvador, El Salvador, C.A.