Nossos irmãos protestantes se escandalizam quando ouvem que nós, católicos, nos referimos a Maria como “Rainha do Universo”. E, para tentar fundamentar sua oposição a isso, citam referências bíblicas relativas ao culto proibido por Deus à “rainha do céu”:

“Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a massa, para fazer bolos à rainha do céu e para fazer libações a outros deuses, para me provocarem à ira” (Jeremias 7,18).

Segundo eles, isso argumentaria a seu favor, mostrando que Deus seria contra considerarmos Maria como “Rainha do Universo”. Mas, se dedicassem um pouco mais de tempo e analisassem a Palavra de Deus com cuidado e sem preconceitos anticatólicos, perceberiam que a condenação daquele culto se devia ao fato de ser dirigido a deusas pagãs: Astarte, Istar, Afrodite, entre outras denominações. Por outro lado, essas “deusas” eram adoradas — e, como sabemos e ensinamos na Igreja Católica, a adoração só é devida a Deus —, portanto era óbvio que o Senhor o proibisse. Além disso, o culto que nós prestamos a Maria, Mãe do Senhor e Rainha do Universo, é de veneração, isto é, apenas um respeito e amor especiais, mas nunca de adoração, como equivocadamente sustentam alguns irmãos protestantes mal informados. Convém recalcar que a veneração é diferente da adoração, como já demonstrei em um artigo anterior.

Vejamos agora que, se nós católicos consideramos Maria como “Rainha do Universo”, não é para tirar honra, glória e louvor de Nosso Senhor Jesus, “Rei do Universo”; ao contrário, é precisamente o fato de Jesus ser Rei que confere a Maria o título de Rainha, pois ela é sua Mãe. Sabemos que toda rainha está submetida ao rei, e o fato de ser rainha não retira nenhum poder nem domínio do rei. O título de Maria é um título que a honra por ser a Mãe do Rei, o Senhor Jesus.

Meus amigos protestantes talvez pensem que essa afirmação é uma invenção ou um capricho, que é apenas um argumento sem valor, sem fundamento bíblico. Justamente por eles e por meus irmãos católicos é que passo a citar referências bíblicas para fundamentar o título de Rainha que tem a Mãe de Jesus.

Quando o anjo Gabriel anuncia a Maria que ela conceberá Jesus, ao mesmo tempo lhe faz saber que Ele receberá o trono de Davi, seu pai, e que reinará sobre Jacó pelos séculos sem fim. “O anjo lhe disse: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus; conceberás no seio e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; reinará sobre a casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim” (Lucas 1,30-33).

Se Deus Pai deu a Jesus o Trono de Davi — a quem inclusive o anjo chama seu pai —, é óbvio que esse reinado conservará suas disposições habituais, manterá sua estrutura; por isso o anjo o chama de “Trono de Davi”, pois não diz simplesmente que o fará Rei, mas esclarece que esse reinado será no “Trono de Davi”. Recordemos, além disso, que o próprio Senhor havia prometido a Davi que seu reino permaneceria para sempre, que seu trono se manteria firme eternamente.

“Tua casa e teu reino permanecerão para sempre diante de mim; teu trono estará firme, eternamente” (2 Samuel 7,16).

Ora, se estamos de acordo em que o reino de Davi será eterno — pela promessa do próprio Deus — e que Jesus é agora o Rei desse reino de Davi, pois foi quem recebeu tal Trono, vejamos que, no reino de Davi, a mãe do rei vinha a ser a rainha. É por isso que, quando a Bíblia fala do início do reinado de cada um dos reis de Judá — da dinastia de Davi —, menciona automaticamente o nome de sua mãe, pois elas eram as rainhas, e não as esposas. Em outras palavras, o reino de Davi tinha por rainha a mãe do rei:

“Roboão, filho de Salomão, reinou em Judá. Roboão tinha quarenta e um anos quando começou a reinar… O nome de sua mãe era Naama, amonita” (1 Reis 14,21).

“No décimo oitavo ano do rei Jeroboão, filho de Nabat, Abiam começou a reinar sobre Judá. Reinou três anos em Jerusalém; e o nome de sua mãe era Maaca, filha de Abisalom” (1 Reis 15,1-2).

“Acazias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou um ano em Jerusalém. E o nome de sua mãe era Atalia, neta de Omri, rei de Israel” (2 Reis 8,26; 2 Crônicas 22,2).

“No sétimo ano de Jeú, Joás começou a reinar, e reinou quarenta anos em Jerusalém; e o nome de sua mãe era Sibia de Bersabeia (2 Reis 12,1; 2 Crônicas 24,1).

“No vigésimo sétimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Azarias, filho de Amasias, rei de Judá, começou a reinar… O nome de sua mãe era Jecolia, de Jerusalém” (2 Reis 15,1-2).

“No segundo ano de Facéia, filho de Romelias, rei de Israel, Joatão, filho de Ozias, rei de Judá, começou a reinar… e o nome de sua mãe era Jerusa, filha de Sadoc” (2 Reis 15,32-33; 2 Crônicas 27,1).

“No décimo oitavo ano do rei Jeroboão, Abias começou a reinar sobre Judá… e o nome de sua mãe era Micaías, filha de Uriel, de Guibeá (2 Crônicas 13,1-2).

“E Josafá reinou sobre Judá. Tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar… E o nome de sua mãe era Azuba, filha de Sili” (2 Crônicas 20,31).

“Amasias tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Joadã, de Jerusalém” (2 Crônicas 25,1).

“Ozias tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou cinquenta e dois anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jecolias, de Jerusalém” (2 Crônicas 26,3).

“Ezequias começou a reinar quando tinha vinte e cinco anos, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias” (2 Crônicas 29,1).

Talvez meus irmãos protestantes me digam que, nas citações referidas, não se fala especificamente de que as mães dos reis sejam as rainhas. Contudo, vale recordar que, quando Betsabé, mãe de Salomão — por sinal, que era rei no trono de Davi —, entrou para conversar com ele, imediatamente Salomão se prostrou diante de sua mãe em sinal de veneração e, além disso, depois de se sentar em seu trono, mandou colocar outro trono à sua direita, para que nesse trono se sentasse sua mãe. Não se perguntam: quem se senta em um trono? A resposta é óbvia: só um rei ou uma rainha; por isso é um trono; caso contrário, seria simplesmente um assento, nada mais. E, se o rei faz sua mãe sentar-se em um trono, é porque sua mãe é uma rainha:

“Betsabé entrou onde estava o rei Salomão, para lhe falar acerca de Adonias. O rei levantou-se, foi ao seu encontro e prostrou-se diante dela, e depois sentou-se em seu trono; puseram um trono para a mãe do rei, e ela se sentou à sua direita. Então ela disse: Faço-te um pequeno pedido; não mo negues. E o rei lhe disse: Pede, minha mãe, porque não to negarei (1 Reis 2,19-20).

Apesar do exposto, é possível que ainda alguém não queira aceitar que, no reino de Davi, a mãe do rei é a rainha, pois alguns querem a citação textual, sem perceber a incongruência de pedir uma citação bíblica para tudo o que creem. Pois bem, queridos irmãos, essa citação existe. No Primeiro Livro dos Reis e no Segundo Livro das Crônicas, podemos encontrar que o rei Asa retirou de sua mãe Maaca o título de rainha, porque ela praticou a idolatria. Notamos claramente que não diz que ele não lhe deu o título de rainha, mas que a depôs desse cargo, isto é, do título que lhe correspondia por ser mãe do rei.

“E ele também depôs Maaca, sua mãe, de ser rainha-mãe, porque ela havia feito uma horrível imagem de Aserá; e Asa derrubou a horrível imagem, despedaçou-a e a queimou junto à torrente do Cedron” (2 Crônicas 15,16; 1 Reis 15,13).

Como podemos notar, está claramente demonstrado que, no reino de Davi — que tem o Senhor Jesus como Rei —, a mãe do rei tinha por sua vez o título de rainha. Sendo assim, e não havendo nada que diga o contrário em relação a mudar essa prerrogativa que a mãe do rei possui, é natural que nós, católicos, consideremos Maria, mãe do Senhor, como Rainha do Universo, já que Jesus é o Rei do Universo.

De agora em diante, irmão protestante, eu te pediria que, antes de me solicitares uma citação bíblica na qual se diga que Maria é Rainha, antes me dês tu a citação bíblica na qual se afirme que Jesus tirou de sua Mãe o título de Rainha. Onde diz a Escritura que Jesus arrebatou de Maria essa prerrogativa? Se Jesus reina no trono de Davi, então, por consequência, sua mãe é Rainha.

Por fim, eu te pediria que reflitas, amigo protestante. A Sagrada Escritura nos ensina que os que pertencem a Cristo reinarão com Ele. Tu crês nisso, claro que sim, tenho certeza. Em outras palavras: não te escandalizas pensando e crendo que serás rei junto ao Senhor, pois sua Palavra o diz; e, no entanto, escandalizas-te porque nós, católicos, cremos que Maria, a mãe do Senhor, é Rainha. Isso não te parece incongruente?

“Com efeito, se pela falta de um só reinou a morte por um só homem, com muito mais razão os que recebem em abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por um só, Jesus Cristo!” (Romanos 5,17).

“Se perseveramos, também reinaremos com ele; se o negamos, também ele nos negará” (2 Timóteo 2,12).

Acaso Maria não se manteve firme junto a Jesus, aceitando ser sua mãe (Lucas 1,38), em sua fuga para o Egito (Mateus 2,13-14), procurando-o quando se perdeu em Jerusalém (Lucas 3,43-48), acompanhando-o durante sua vida pública (Marcos 3,32), ao pé da cruz (João 19,25), junto à primeira Igreja (Atos 1,14)? Acaso Maria não recebeu em abundância a graça de Deus, tanto que o anjo a chamou “cheia de graça” (Lucas 1,28)? E se, aos que perseveram firmes com o Senhor, Ele promete serem reis para reinar a seu lado, por que te escandalizas tanto, irmão protestante, se a Maria — que é quem melhor cumpre todas essas características — os católicos reconhecemos como Rainha?

Bendita seja a Mãe de Jesus, Maria, Rainha do Universo!

Autor: Jorge Arturo Rodríguez Reyna