Apresentando 300 evidências bíblicas que favorecem o Catolicismo

1. A Melhor: Estou convencido de que a Igreja Católica adere muito mais intimamente a toda a informação bíblica, oferece o único panorama coerente da história do Cristianismo (como a Tradição Cristã e Apostólica) e possui a mais profunda e sublime moralidade, espiritualidade, ética social e filosofia cristã.

2. Razão alternativa: Sou católico porque sinceramente creio que, em virtude de tanta evidência acumulativa, o Catolicismo é verdadeiro, e que a Igreja Católica é a Igreja visível que Jesus divinamente estabeleceu, contra a qual nem os poderes do inferno poderão prevalecer (Mt 16,18); portanto, possui uma autoridade à qual, como obrigação cristã, devo submeter-me.

3. Segunda alternativa: Abandonei o Protestantismo porque estava seriamente defeituoso em sua interpretação da Bíblia (como a “sola fide” e muitas outras doutrinas “católicas” –ver evidências mais abaixo), inconsistentemente seletivo em suas várias ideias sobre as Tradições católicas (como o Cânon da Bíblia); era inadequado em sua eclesiologia, faltava-lhe um panorama sensato da história cristã (como a “sola Scriptura”), por sua relatividade moral (como na contracepção e no divórcio), e era antibiblicamente cismático, anarquista e relativista. Não creio que o Protestantismo seja tão mau, mas estes são alguns dos defeitos principais que eventualmente vi como algo fatal à “teoria” do Protestantismo, em comparação com o Catolicismo. Todo católico deve considerar cristãos todos os protestantes batizados, nicenos e calcedonianos.

4. O Catolicismo não está formalmente dividido nem é sectário (Jo 17,20-23; Rm 16,17; 1Cor 1,10-13).

5. A unidade católica torna o Cristianismo e Jesus críveis para o mundo (Jo 17,23).

6. Por causa de sua visão completamente cristã e sobrenatural, o Catolicismo mitiga a secularização e o humanismo.

7. O Catolicismo evita o individualismo antibíblico que enfraquece a comunidade cristã (ver 1Cor 12,25-26).

8. O Catolicismo evita o relativismo teológico por meio da certeza dogmática e da centralidade do papado.

9. O Catolicismo evita a anarquia eclesiástica –uma pessoa simplesmente não pode saltar de uma denominação a outra quando se aplica alguma medida disciplinar ou censura.

10. O Catolicismo formalmente (embora, tristemente, nem sempre na prática) previne o relativismo teológico que conduz às incertezas dos leigos dentro do sistema protestante

11. O Catolicismo rejeita a “Igreja de Estado”, o que tem levado os governos a dominar o Cristianismo, em vez de ser o contrário.

12. As Igrejas de Estado protestantes influenciaram grandemente o início do nacionalismo, o que veio a mitigar a igualdade universal e o universalismo cristão (como o Catolicismo)

13. O Cristianismo católico unido (antes do século XVI) não havia sido invadido pelas trágicas guerras religiosas, as quais, por sua vez, conduziram ao “Iluminismo”, em que o homem rejeitava a hipocrisia das guerras travadas dentro do Cristianismo e decidiu ser indiferente à religião, em vez de permitir que ela guiasse sua vida.

14. O Catolicismo mantém os elementos de mistério (religioso), do sobrenatural e do sagrado que há no Cristianismo; portanto, opõe-se, assim, ao secularismo, no qual o campo do religioso na vida de todos é grandemente limitado.

15. O individualismo protestante levou o Cristianismo a tornar-se algo privado. Por causa disso, o Cristianismo é muito pouco respeitado tanto na vida social quanto na política, deixando o “campo público” vazio da influência cristã.

16. A falsa dicotomia secular “igreja contra o mundo” tem levado cristãos ortodoxos, em toda parte, a afastar-se do campo político, deixando um vazio que se enche de gente pagã, cínica, sem escrúpulos e sedenta de poder. O Catolicismo oferece um enquadramento para dirigir-se ao Estado com responsabilidade cívica.

17. O Protestantismo inclina-se demasiado a tradições de homens (cada denominação provém da visão de um fundador. Tão logo dois ou mais destes se contradizem entre si, o erro se faz necessariamente presente).

18. As igrejas protestantes, especialmente as evangélicas, são frequentemente culpadas de colocar seus pastores em posição demasiado elevada. Com efeito, cada pastor converte-se, em certo grau, em um “papa” (alguns são “superpapas”). Por causa disso, as congregações evangélicas experimentam muito frequentemente uma crise ou separação quando o pastor se afasta dali, o que prova que a filosofia deles está centrada no homem, em vez de estar centrada em Deus.

19. Devido à falta de verdadeira autoridade e de uma estrutura dogmática, o Protestantismo está tragicamente vulnerável ao espírito dos tempos e ao que está na moda em questões morais.

20. O Catolicismo retém a sucessão apostólica, que é necessária para conhecer qual é a verdadeira Tradição apostólica cristã. A sucessão apostólica era o critério para conhecer a verdade cristã usado pelos primeiros cristãos.

21. Muitos protestantes têm uma visão muito limitada da história cristã em geral, especialmente dos anos 313 (a conversão de Constantino) a 1517 (a chegada de Martinho Lutero). Essa ignorância e hostilidade para com a Tradição Católica conduz ao relativismo teológico, ao anticatolicismo e a um constante e desnecessário processo de “reinventar a história”.

22. Desde o seu nascimento, o Protestantismo era anticatólico e ainda o é hoje em dia (especialmente o evangelicalismo). Obviamente, isso não está certo, nem é bíblico, se o Catolicismo de fato é cristão (porque, se não o é –logicamente– tampouco o é o Protestantismo, que herdou do Catolicismo o volume de sua teologia). A Igreja Católica, por outro lado, não é antiprotestante.

23. A Igreja Católica aceita a autoridade dos grandes Concílios Ecumênicos (ver, por exemplo, Atos 15), que definiram e desenvolveram a doutrina cristã (muito da qual o Protestantismo também aceita).

24. A maioria dos protestantes não tem bispos, um ofício cristão que é bíblico (1Tm 3,1-2) e que existe desde o princípio da história e da Tradição cristã.

25. O Protestantismo não tem forma alguma de resolver questões doutrinais em caráter definitivo. O melhor que pode fazer o protestante individual é apenas contar quantos eruditos protestantes, comentaristas etc. adotam esta ou aquela postura em relação à doutrina X, Y ou Z. Entre eles não existe nenhuma tradição protestante unificada

26. O Protestantismo apareceu em 1517; na história do Cristianismo é algo tardio e, portanto, não pode ser nenhuma “restauração” do Cristianismo “puro” e “primitivo”, já que isso fica excluído pelo fato de ser absurdamente tardio em seu aparecimento. O Cristianismo deve ter uma continuidade histórica ou, do contrário, não é Cristianismo. O Protestantismo, histórica e doutrinalmente falando, é um “parasita” do Catolicismo.

27. A ideia protestante da “igreja invisível” é também uma novidade na história do Cristianismo e alheia à Bíblia (Mt 5,14; 16,18); portanto, essa ideia é falsa.

28. Quando os teólogos protestantes se referem ao Cristianismo primitivo (como quando refutam as “seitas”), eles dizem “a Igreja ensinou que…” (já que naquele então estava unificada), mas, quando se referem ao tempo presente, instintiva e inconsistentemente evitam tal terminologia, posto que a autoridade universal para ensinar a doutrina reside somente na Igreja Católica.

29. A norma protestante da interpretação privada criou um meio social no qual, em geral, “seitas” centradas no ser humano, como as Testemunhas de Jeová, os Mórmons e a Ciência Cristã têm aparecido. A própria ideia de que alguém pode “começar” uma igreja é, em sua essência, uma ideia protestante.

30. A carência de uma autoridade definitiva de ensino cristão (como o Magistério da Igreja Católica) no Protestantismo faz com que muitos protestantes individuais pensem que têm uma “linha de comunicação aberta” com Deus, sem se importarem com toda a Tradição e a história cristã da exegese bíblica (uma mentalidade de “a Bíblia, o Espírito Santo e eu”). Esse tipo de gente é, teologicamente, mal educada, incapaz de aprender; falta-lhe humildade e não tem motivo algum para fazer pretensas declarações “infalíveis” sobre a natureza do Cristianismo.

31. As “técnicas” de “evangelização” do evangelicalismo são frequentemente manobras e manipulações; verdadeiramente, essas “técnicas” não derivam da Bíblia. Algumas, até certo ponto, parecem lavagem cerebral.

32. O evangelho pregado por muitos evangélicos e ministros protestantes é um evangelho mutilado e abreviado; é individualista, agradável ao ouvido. É, com efeito, um simples “seguro contra o fogo”, mais do que o Evangelho bíblico proclamado pelos Apóstolos.

33. O evangelicalismo frequentemente separa o profundo e transformador arrependimento e o discipulado radical de sua mensagem do Evangelho.

34. A ausência, no Protestantismo, da ideia de submissão à autoridade espiritual tem-se infiltrado no campo cívico, onde as ideias de “liberdade”, “direitos” e “opções” pessoais agora predominam a tal ponto que a obrigação cívica, a vida comunitária e a disciplina têm sido desatendidas com uma trágica negligência, em dano de uma sociedade saudável.

35. O Catolicismo mantém o sentido do sagrado, do sublime, do santo e do belo na espiritualidade. Preservaram-se as ideias de altar e de “espaços sagrados”. Muitas igrejas protestantes não são mais que edifícios estruturados como “salas de reunião”, “ginásios” ou “celeiros”. A maioria dos lares protestantes está mais esteticamente cuidada do que suas próprias igrejas. Da mesma maneira, os protestantes são frequentemente “viciados na mediocridade” em sua valorização da arte, da música, da arquitetura, do drama, da imaginação etc.

36. O Protestantismo tem descuidado grandemente do lugar da liturgia no culto de adoração (com claras exceções no Anglicanismo e no Luteranismo). Esta é a forma pela qual os cristãos adoraram através dos séculos e que, portanto, não pode ser facilmente ignorada.

37. O Protestantismo tende a opor matéria e espírito, favorecendo este último: nisso, é de alguma forma gnóstico ou docético.

38. O Catolicismo mantém o princípio da Encarnação, em que Jesus assume a carne e eleva a carne e a matéria a novos horizontes espirituais.

39. O Protestantismo limita grandemente o sacramentalismo, ou não crê nele, o qual é, simplesmente, a extensão do princípio da Encarnação e a crença de que a matéria pode transmitir a graça. Algumas seitas (como os batistas e muitos pentecostais) rejeitam todos os sacramentos.

40. A excessiva desconfiança dos protestantes a respeito da carne (“carnalidade”) frequentemente conduz (no evangelicalismo ou nos fundamentalismos) a um absurdo legalismo (proibição de danças, bebidas, baralho, música “rock” etc.)

41. Muitos protestantes tendem a separar a vida em categorias: “espirituais” e “carnais”, como se Deus não fosse Senhor de tudo aquilo em que há vida. Eles se esquecem de que todos os esforços que não são pecaminosos são, no fim das contas, espirituais.

42. O Protestantismo removeu a Eucaristia do centro e do foco dos cultos de adoração cristãos. Alguns protestantes observam a Eucaristia a cada mês ou a cada três meses. Isso vai contra a Tradição da Igreja primitiva.

43. A maioria dos protestantes considera a Eucaristia um símbolo. Isso é contrário à Tradição cristã universal até o ano de 1517 e à Bíblia (Mt 26,26-28; Jo 6,47-63; 1Cor 10,14-22; 11,23-30), que ensinaram a Presença Real (este é outro exemplo da antipatia à matéria).

44. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo tacitamente deixou de considerar o matrimônio um sacramento (Mt 19,4-5; 1Cor 7,14.39; Ef 5,25-33).

45. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo aboliu o sacerdócio (Mt 18,18) e o sacramento da ordenação (At 6,6; 14,22; 1Tm 4,14; 2Tm 1,6).

46. O Catolicismo mantém o ensinamento paulino da eficácia espiritual de um clero celibatário (ver Mt 19,12; 1Cor 7,8.27.32-33).

47. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo rejeitou o sacramento da confirmação (At 8,18; Hb 6,2-4).

48. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, muitos protestantes têm negado o batismo de crianças e de meninos (At 2,38-39; 16,15.33; 18,8; compare com 11,14; 1Cor 1,16; Cl 2,11-12). O Protestantismo encontra-se dividido em cinco campos sobre a questão do Batismo.

49. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, a grande maioria dos protestantes nega a regeneração batismal (ver Mc 16,16; Jo 3,5; At 2,38; 22,16; Rm 6,3-4; 1Cor 6,11; Tt 3,5).

50. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, os protestantes rejeitaram o sacramento da unção dos enfermos (Extrema-Unção ou “últimos sacramentos”) (ver Mc 6,13; 1Cor 12,9.30; Tg 5,14-15).

51. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo nega a indissolubilidade do matrimônio sacramental e permite o divórcio (Gn 2,24; Ml 2,14-16; Mt 5,32; 19,6.9; Mc 10,11-12; Lc 16,18; Rm 7,2-3; 1Cor 7,10-14.39).

52. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo não crê que a propagação seja o propósito e o benefício principal do matrimônio (não faz parte dos votos protestantes, como o faz nos votos do matrimônio católico) (Gn 1,28; 28,3; Sl 107,38; 127,3-5).

53. O Protestantismo aprova a anticoncepção em desafio à Tradição cristã universal (católica, ortodoxa e protestante) até 1930 –quando os Anglicanos começaram a permiti-la– e, ao fazer isso, desafia também a Bíblia (Gn 38,8-10; 41,52; Ex 23,25-26; Lv 26,9; Dt 7,14; Rt 4,13; Lc 1,24-25). Hoje em dia, somente o Catolicismo mantém a antiga Tradição contra a mentalidade “anticonceptiva”.

54. Contrariamente à Tradição cristã universal até recentemente (em algum momento do ano de 1930) e contrariamente à Bíblia, o Protestantismo, principalmente os liberais, aceitou o aborto como uma opção moral. (Ver Ex 20,13; Jó 31,15; Sl 139,13-16; Is 44,2; 49,5; Jr 1,5; 2,34; Lc 1,15.41; Rm 13,9-10).

55. O Protestantismo (especialmente as denominações liberais) permite clero feminino (no Anglicanismo permitem-se mulheres bispos), o que é contrário à Tradição cristã (incluindo a teologia tradicional protestante) e contrário à Bíblia (Mt 10,1-4; 1Tm 2,11-15; 3,1-12; Tt 1,6).

56. Cada vez mais, o Protestantismo está formal e oficialmente comprometendo-se com o feminismo radical, que nega os lugares do homem e da mulher que a Bíblia lhes dá (Gn 2,18-23; 1Cor 11,3-10) e que a Tradição cristã manteve (com papéis diferentes, mas a mesma dignidade)

57. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo também está negando, com frequência cada vez maior, o senhorio do esposo no matrimônio, o qual está baseado na Trindade (ver 1Cor 11,3; Ef 5,22-33; Cl 3,18-19; 1Pd 3,1-2). Isso também está baseado numa relação de igualdade (1Cor 11,11-12; Gl 3,28; Ef 5,21).

58. O Protestantismo liberal (principalmente entre os Anglicanos) tem ordenado como pastores homossexuais ativos e abençoado seus “matrimônios”; tem ensinado que a homossexualidade é meramente um estilo de vida “alternativo” e involuntário. Isso é contrário à Tradição cristã universal, tal como ensina a Bíblia (Gn 19,4-25; Rm 1,18-27; 1Cor 6,9). O Catolicismo mantém uma firme moralidade tradicional.

59. O Protestantismo liberal e o evangelicalismo têm aceitado, cada vez mais, métodos da “alta crítica” na interpretação da Bíblia, o que tem corroído a tradicional reverência cristã pela Escritura e a rebaixa ao grau de um documento humano e falível, em dano à sua essência divina e infalível.

60. Muitos protestantes liberais têm descartado muitas doutrinas fundamentais do Cristianismo, como a Encarnação, a Ressurreição corporal de Cristo, a Trindade, o Pecado Original, o inferno, a existência do diabo, os milagres etc.

61. Antigamente, os fundadores do Protestantismo negaram (e hoje os calvinistas negam) a realidade do livre-arbítrio humano (o livro favorito de Lutero era seu próprio livro intitulado Bondage of the Will – A escravidão da vontade). Isso é contrário ao ensinamento constante da Bíblia, à Tradição cristã e ao senso comum.

62. O Protestantismo clássico tem uma visão deficiente a respeito da queda do homem (Pecado Original) crendo que o resultado foi uma “corrupção total”. De acordo com Lutero, Zuínglio e Calvino, o ser humano só podia fazer o mal e não tinha liberdade de vontade para fazer o bem; portanto, agora tem uma “natureza de pecado”. O Catolicismo, por outro lado, crê que, de uma forma misteriosa, o ser humano coopera com a graça de Deus, que é o que sempre precede toda boa ação. No Catolicismo, a natureza do homem ainda mantém muito de bom, embora esteja propensa a pecar (“concupiscência”).

63. O Protestantismo clássico, especialmente o Calvinismo, faz de Deus o autor do mal. De acordo com isso, Deus supostamente conduz o homem a fazer o mal e a violar seus preceitos sem que tenha liberdade para evitá-lo. Isso é blasfemo e converte Deus em um demônio.

64. Com o anterior (o homem não tem livre-arbítrio), no Protestantismo clássico e no ensinamento calvinista, Deus predestina o homem a condenar-se no inferno, sem que o homem nada possa fazer, seja bom ou seja mau.

65. O Protestantismo clássico e o Calvinismo ensinam falsamente que Jesus morreu somente pelos eleitos (os que irão ao céu).

66. Devido à sua falsa noção do Pecado Original, o Protestantismo clássico (especialmente Lutero) e o Calvinismo negam a eficácia e a capacidade da razão humana para, até certo ponto, conhecer a Deus (ambas as partes estão de acordo em que a revelação e a graça também são necessárias), e afirmam que a razão se opõe a Deus e à fé; isso é contrário à Tradição cristã e à Bíblia (Mc 12,28; Lc 10,27; Jo 20,24-29; At 1,3; 17,2.17.22-34; 19,8). Hoje em dia, os melhores apologistas protestantes simplesmente recorrem à herança católica de Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho e muitos outros grandes pensadores.

67. O Protestantismo pentecostal ou carismático põe grande ênfase na experiência religiosa sem equilibrá-la adequadamente com a razão, a Bíblia e a Tradição (incluindo a autoridade da Igreja para pronunciar-se sobre a validade das “revelações privadas”)

68. Outros protestantes (muitos batistas, por exemplo) negam que os dons espirituais estejam presentes hoje em dia (supostamente terminaram com os Apóstolos).

69. O Protestantismo tem ideias contraditórias sobre o que é o governo eclesial, ou eclesiologia (episcopal, presbiterial, congregacional ou nenhuma autoridade); portanto, são impossíveis a disciplina, a unidade e a ordem. Algumas seitas chegam a declarar que têm “apóstolos” ou “profetas” entre elas, com todos os abusos de autoridade que disso resultam.

70. O Protestantismo (esp. o evangelicalismo) tem uma desmedida fascinação pelo “fim do mundo”, e isso tem conduzido à criação de cronologias antibíblicas que predizem tal fim (Mt 24,30-44; 25,13; Lc 12,39-40), criando também muita tragédia humana entre aqueles que creem e aderem a tais falsas profecias.

71. A grande ênfase do evangelicalismo no “iminente” fim do mundo tem criado, com muita frequência, uma mentalidade de descuido, que tem resultado danosa para as sensibilidades sociais, políticas, éticas e econômicas aqui na terra.

72. O pensamento protestante tem a característica de ser “dicotômico”, isto é, separa as ideias em campos mais ou menos exclusivos e mutuamente hostis, quando, de fato, muitas das bifurcações são mais complementares do que contraditórias. O Protestantismo adota o “ou isto ou aquilo”, enquanto o Catolicismo “toma isto e aquilo”. Seguem vários exemplos:

73. O Protestantismo põe a Palavra (Bíblia, pregação) contra os sacramentos.

74. O Protestantismo aceita a devoção interior e está contra a Liturgia.

75. O Protestantismo opõe o culto espontâneo às orações formuladas.

76. O Protestantismo separa a Bíblia da Igreja.

77. O Protestantismo cria uma falsa dicotomia entre Bíblia e Tradição.

78. O Protestantismo põe a Tradição contra o Espírito Santo.

79. O Protestantismo considera contraditórias a autoridade eclesial e a liberdade de consciência.

80. O Protestantismo (esp. Lutero) coloca o Antigo Testamento contra o Novo Testamento embora o próprio Jesus nunca tenha feito isso (Mt 5,17-19; Mc 7,8-11; Lc 24,27.44; Jo 5,45-47).

81. Sobre estas mesmas bases, que não são bíblicas, o Protestantismo opõe a lei à graça.

82. O Protestantismo cria uma falsa separação entre o simbolismo e a realidade sacramental (por ex., Batismo, Eucaristia).

83. O Protestantismo separa o individual da comunidade cristã. (1Cor 12,14-27).

84. O Protestantismo confunde a veneração dos santos com a adoração de Deus. A teologia católica não permite a adoração aos santos de forma alguma, já que ela está dirigida somente a Deus. Honram-se os santos, mas não se os adora; só ao Deus Criador se deve adorar.

85. A perspectiva anti-histórica de muitos protestantes leva muitas pessoas a pensar que o Espírito Santo lhes está falando, mas, com efeito, Ele já havia falado às multidões de cristãos por 1500 anos antes de começar o Protestantismo.

86. Falhas nas ideologias originais protestantes conduziram, em reação, a erros ainda piores. Por exemplo, a justificação extrínseca, engendrada para assegurar a predominância da graça, chegou a proibir qualquer sinal exterior de sua presença (“fé contra obras”, “sola fide”). O Calvinismo, com seu deus cruel, desiludiu o homem a tal ponto que muitos se converteram em unitarianos. Muitos fundadores de seitas de origem recente começaram como calvinistas (Testemunhas de Jeová, Ciência Cristã etc.).

87. O evangelicalismo está, de modo não escriturístico, obcecado (tipicamente à moda norte-americana) por celebridades (televangelistas).

88. O evangelicalismo está obcecado pela falsa ideia de que grandes números numa congregação (ou um rápido crescimento) são sinal da presença de Deus de uma forma especial, como se fosse Sua bênção excepcional. Eles se esquecem de que o Mormonismo também está crescendo a passos largos. Deus nos chama à fidelidade mais do que ao “êxito”; à obediência, e não a estatísticas.

89. O evangelicalismo frequentemente enfatiza o crescimento numérico mais do que o crescimento individual da fé.

90. O evangelicalismo, no presente, está obcecado pela autossuficiência, pela autoajuda e, frequentemente, por um patente egoísmo, em lugar da tradicional pregação sobre o sacrifício, o sofrimento e o serviço cristãos.

91. O evangelicalismo tem uma visão truncada e insuficiente do lugar que o sofrimento ocupa na vida cristã. Em vez disso, estão florescendo movimentos como “saúde e riqueza” e “peça e tome” dentro do Protestantismo pentecostal, o que revela um panorama de posses que não está em harmonia nem com a Bíblia nem com a Tradição cristã.

92. O evangelicalismo adotou uma perspectiva mundana que é, de muitas formas, mais capitalista do que cristã. A riqueza e a realização pessoal são buscadas mais do que a santidade e são consideradas prova do favor de Deus, como entre os puritanos e no pensamento secularizado, que é posto acima dos ensinamentos da Bíblia e do Cristianismo.

93. O evangelicalismo está tolerando cada vez mais posturas esquerdistas extremas que não estão de acordo com a visão cristã, especialmente em seus seminários e escolas.

94. O evangelicalismo está tolerando cada vez mais a heterodoxia e o liberalismo teológicos, a tal ponto que muitos líderes evangélicos se alarmaram, e isso prediz um declínio das normas ortodoxas.

95. Grupos de “confissão positiva” no evangelicalismo pentecostal adotaram uma ideia de Deus como um “saco cósmico” que está à disposição dos caprichos frívolos e dos desejos do momento. Isso nega a absoluta soberania e a liberdade de Deus de não escutar orações impróprias (Tg 4,3; 1Jo 5,14).

96. As seitas acima mencionadas com frequência ensinam que qualquer pessoa, com suficiente “fé”, pode ser curada, mas isso é contrário à Tradição cristã e à Bíblia (como, por exemplo, o “espinho na carne” de São Paulo[1][1], que é considerado por muitos comentaristas protestantes uma enfermidade).

97. O evangelicalismo, segundo suas próprias autocríticas, está terrivelmente infectado pelo pragmatismo, a falsa ideia filosófica de que “qualquer coisa que funciona é verdadeira ou correta”. O Evangelho, especialmente na televisão, é vendido da mesma maneira que são vendidos os hambúrgueres do McDonald’s: rápido e no conforto do seu lar. A tecnologia, o marketing de massa e as habilidades de relações públicas substituíram grandemente o cuidado pessoal e pastoral para com os marginalizados, os irreligiosos e os que estão afastados da Igreja.

98. No evangelicalismo, o pecado é considerado, com muita frequência, uma falha psicológica ou uma carência de autoestima, em lugar de se considerar o que verdadeiramente é: uma rebelião voluntária contra Deus

99. O Protestantismo, em todos os elementos essenciais, simplesmente toma “emprestadas” doutrinas da Tradição Católica ou, do mesmo modo, as distorce. Todas as doutrinas em que tanto os católicos quanto os protestantes creem são claramente de origem católica (Trindade, Nascimento Virginal, Ressurreição, Segunda Vinda, Cânon da Bíblia, céu, inferno etc.) Aquelas em que o Protestantismo difere são usualmente distorções dos predecessores católicos; por exemplo, o Quacrismo é uma variação do pietismo católico. O Calvinismo é uma obsessão com a doutrina católica da soberania de Deus, mas levada além do que o Catolicismo ensinou (negação do livre-arbítrio, corrupção total, dupla predestinação etc.) As dicotomias protestantes, como a fé contra as obras, provêm do nominalismo, que era, ele mesmo, uma forma corrupta do Escolasticismo que nunca foi dogmaticamente aprovada pela Igreja Católica. Qualquer substância ou verdade presente em cada ideia protestante é sempre derivada do Catolicismo, o qual é o cumprimento das mais profundas e melhores aspirações dentro do Protestantismo.

100. Uma das bases fundamentais do Protestantismo é a sola Scriptura –somente a Escritura–, que não é bíblica (ver abaixo), nem histórica (pois não existia antes do século XVI), nem lógica.

101. A Bíblia não contém todo o ensinamento de Jesus, ou do Cristianismo, como muitos protestantes creem (Mc 4,33; 6,34; Lc 24,15-16.25-27; Jo 16,12; 20,30; 21,25; At 1,2-3).

102. A sola Scriptura é um abuso da Bíblia, já que é um uso da Bíblia contrário ao seu próprio testemunho, seja implícito ou explícito, e também é um abuso contra a Tradição. Uma leitura objetiva da Bíblia conduz a pessoa à Tradição e à Igreja Católica, e não o oposto. A Bíblia, de fato, é em si mesma uma inegável Tradição cristã.

103. O NT, a princípio, nem foi escrito nem foi recebido como a Bíblia; isso aconteceu gradualmente (os primeiros cristãos não poderiam ter crido na sola Scriptura como o faz o Protestantismo, a menos que se refiram somente ao AT).

104. A tradição não é uma má seção na Bíblia. A palavra grega paradosis refere-se a algo que é transmitido de uma pessoa a outra (seja bom ou mau). Da Tradição boa (cristã) fala-se em 1Cor 11,2; 2Ts 2,15; 3,6 e em Cl 2,8. Nesta última, ela é contrastada com as tradições dos homens.

105. A Tradição cristã, de acordo com a Bíblia, pode ser oral ou escrita (2Ts 2,15; 2Tm 1,13-14; 2,2). São Paulo não faz distinção qualitativa entre as duas formas.

106. As frases “Palavra de Deus” ou “Palavra do Senhor”, em Atos e nas epístolas, quase sempre se referem à pregação oral, não à própria Bíblia. Muito da Bíblia foi originalmente oral (por ex., todo o ensinamento de Cristo –pois Ele nada escreveu–, o sermão de São Pedro no dia de Pentecostes etc.)

107. Contrariamente a muitas declarações protestantes, Jesus não condenou todas as tradições, tampouco São Paulo o fez. É em Mt 15,3.6; Mt 7,8-9.13 que o Senhor condena unicamente a tradição corrupta dos fariseus.

108. A palavra grega paradidomi, ou “entregar” a Tradição Apostólica, ocorre em Lc 1,1-2; Rm 6,17; 1Cor 11,23; 15,3; 2Pd 2,21; Jd 3. Paralambano, ou “receber” a Tradição cristã, ocorre em 1Cor 15,1-2; Gl 1,9.12; 1Ts 2,13.

109. Os conceitos de “Tradição”, “Evangelho”, “Palavra de Deus”, “doutrina” e “a Fé” são essencialmente sinônimos, e todos são predominantemente orais. Por exemplo, nas epístolas aos Tessalonicenses, São Paulo usa três desses conceitos de modo intercambiável (2Ts 2,15; 3,6; 1Ts 2,9.13; cf. Gl 1,9; At 8,14). Se Tradição é uma má palavra, também o são “evangelho” e “palavra de Deus”!

110. Em 1Tm 3,15, São Paulo coloca a Igreja acima da Bíblia como fundamento da verdade, tal como se faz no Catolicismo.

111. O principal “texto-prova” do Protestantismo para a sola Scriptura, 2Tm 3,16, fracassa já que diz que a Bíblia é útil, mas não suficiente, para o aprendizado ou a justificação. O Catolicismo está de acordo em que a Bíblia é admirável para esses propósitos, mas não de uma forma exclusiva, como no Protestantismo. Além disso, quando São Paulo aqui fala da “Escritura”, o NT ainda não existia (não existiu por mais de 300 anos), de modo que ele só estava se referindo ao AT. Isso significaria que o NT não era necessário como única regra de fé, se é que a sola Scriptura é verdadeira e se supostamente foi aludida neste versículo!

112. Sendo verdadeiros os 11 fatores acima, o Catolicismo mantém que toda a sua Tradição é consistente com a Bíblia, mesmo onde a Bíblia é silenciosa ou onde um tema é meramente implícito. Para o Catolicismo, cada doutrina não tem de ser encontrada principalmente na Bíblia, pois esta é a postura protestante da sola Scriptura. Por outro lado, a maioria dos teólogos católicos declara que todas as doutrinas católicas podem ser encontradas, de alguma forma, na Bíblia, seja em forma de semente, seja por derivação.

113. Como assinalaram eruditos evangélicos, uma postura extrema da doutrina da sola Scriptura pode converter-se em “bibliolatria”: uma adoração da Bíblia em lugar de Deus, que é seu Autor. Essa mentalidade é parecida com a visão muçulmana da Revelação, onde nenhum elemento humano, de forma alguma, esteve envolvido. A sola Scriptura, corretamente entendida desde uma perspectiva protestante mais sofisticada, significa que a Bíblia é a autoridade final no Cristianismo, e não o registro de tudo o que Deus disse e fez, como muitos evangélicos creem.

114. O Cristianismo é inevitável e intrinsecamente histórico. Todos os eventos de Jesus (Encarnação, Crucifixão, Ressurreição, Ascensão etc.) são históricos, igualmente com a pregação dos Apóstolos; a Tradição, então, é inevitável, contrariamente às numerosas reclamações protestantes que dizem que a sola Scriptura aniquila a Tradição. Isso é certo para grandes assuntos (eclesiologia, trinitarismo, justificação) e pequenos assuntos (como os fundos eclesiásticos, o tipo de música na Liturgia, a duração dos sermões etc.) Cada negação de uma tradição em particular inclui um desvio (seja oculto ou aberto) para a própria tradição alternativa de cada um (por exemplo, se toda autoridade eclesial é desprezada, ainda a autonomia ou “tradição” individualista tem de ser defendida, de alguma forma, como uma perspectiva cristã).

115. A sola Scriptura, literalmente, não pode ser verdadeira, já que, falando na prática, a maioria dos cristãos ao longo da história não podia ter uma cópia da Bíblia, pois a imprensa não existiu senão a partir do século XV. A pregação e a Tradição oral, junto com outras coisas, como práticas devocionais, dias de guarda, arquitetura e arte sacra, foram os principais transmissores do Evangelho por 1400 anos. Em todos esses séculos, a sola Scriptura teria sido considerada um absurdo abstrato e uma impossibilidade.

116. O Protestantismo diz que a Igreja Católica “acrescentou à Bíblia”. A Igreja Católica responde que ela somente extraiu as implicações da Bíblia (desenvolvimento da doutrina) e que seguiu o entendimento da Igreja primitiva, e diz que o Protestantismo “suprimiu” largas porções da Bíblia que sugerem posturas católicas. Cada lado pensa que o outro não é bíblico, mas de formas diferentes.

117. A sola Scriptura é o “calcanhar de Aquiles” do Protestantismo. Enquanto existirem múltiplas interpretações, a sola Scriptura não soluciona o problema da autoridade e da certeza. Se a Bíblia fosse tão clara e explícita a ponto de todos os protestantes estarem de acordo por sua leitura, com disposição para aceitar e seguir seus ensinamentos, isso seria uma coisa; mas, posto que este não é o caso (a multiplicidade de denominações o demonstra), a sola Scriptura é só um sonho. Aquilo em que os protestantes estão de acordo é em que o Catolicismo é errôneo! De todas as doutrinas protestantes, a “clareza” da Bíblia é seguramente a mais absurda e demonstravelmente falsa pelo registro histórico.

118. Visto o anterior de outra forma, ter uma Bíblia não faz com que a interpretação de alguém seja infalível. A interpretação é tão inevitável quanto a tradição. A Igreja Católica, portanto, é absolutamente necessária para poder falar com autoridade e prevenir confusão, erro e divisão.

119. O Catolicismo não considera a Bíblia obscura, misteriosa e inacessível, mas está vigilante para protegê-la de toda exegese arbitrária e aberrante (2Pd 1,20; 3,16). As melhores tradições protestantes buscam o mesmo, mas são inadequadas e ineficientes, já que se encontram fragmentadas entre si.

120. O Protestantismo tem um grande problema com o Cânon do NT. O processo para determinar os livros exatos que constituem o NT durou até o ano 397 de nossa era, quando o Concílio de Cartago pronunciou infalivelmente que a Bíblia não se “autentica por si mesma”, como crê o Protestantismo. Alguns cristãos sinceros, devotos e com estudos duvidaram da canonicidade de alguns livros que hoje temos na Bíblia; outras pessoas consideravam outros livros como Escritura, mas não foram incluídos no Cânon. Santo Atanásio, no ano 367, foi o primeiro a enumerar todos os 27 livros do NT como Escritura.

121. O Concílio de Cartago, ao decidir o Cânon de toda a Bíblia no ano 397, incluiu os chamados livros “apócrifos”, que os protestantes tiraram da Bíblia. Antes do século XVI, os cristãos consideravam esses livros como Escritura, e eles nem sequer estavam separados dos outros livros, como hoje o estão em algumas Bíblias protestantes que os incluem. O Protestantismo aceita a autoridade desse Concílio para o NT, mas não a aceita para o AT. É a mesma forma pela qual arbitrária ou seletivamente aceita ou nega outros decretos conciliares.

122. Contrariamente ao mito protestante e anticatólico, a Igreja Católica sempre teve a Bíblia em alta estima e nada suprimiu dela (protestou contra algumas traduções protestantes, mas os protestantes, em ocasiões, fizeram o mesmo com versões católicas). Isso é provado pelo laborioso cuidado dos monges que protegiam e copiavam os manuscritos e, também, pelas constantes versões traduzidas em línguas vernáculas (em oposição às falsidades de que só havia Bíblias em latim), entre outras evidências indisputáveis e históricas. A Bíblia é um Livro católico, e não importa o quanto os protestantes a estudem e a proclamem peculiarmente como deles: eles têm de reconhecer que é à Igreja Católica que deveriam agradecer por haver decidido o Cânon e por haver preservado intacta a Bíblia por 1400 anos. Como pode a Igreja Católica estar “contra a Bíblia”, como dizem muitos anticatólicos, e ao mesmo tempo tê-la preservado e honrado por tantos anos? O simples pensamento é absurdo, além de refutar-se a si mesmo. Se o Catolicismo é realmente tão malvado como os anticatólicos querem que creiamos, o Protestantismo deveria formar sua própria bíblia, em lugar de usar a que a Igreja Católica entregou.

123. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo nega o Sacrifício da Missa (Gn 14,18; Sl 110,4; Is 66,18.21; Ml 1,11; Hb 7,24-25; 13,10; Ap 5,1-10; cf. 8,3; 13,8). O Catolicismo, é preciso ressaltar, não crê que Jesus seja sacrificado novamente em cada Missa; antes, cada Missa é uma representação do único Sacrifício no Calvário, que transcende o tempo e o espaço, como em Ap 13,8.

124. O Protestantismo não crê no desenvolvimento da doutrina, o que é contrário à Tradição cristã e a muitas indicações implícitas na Bíblia. Sempre que a Bíblia se refere ao conhecimento que aumenta e à maturidade dos indivíduos cristãos, uma ideia semelhante ao desenvolvimento está ali presente. Mais ainda: muitas doutrinas se desenvolvem na Bíblia diante de nossos próprios olhos (“revelação progressiva”). Alguns exemplos são a vida futura, a Trindade, a aceitação dos gentios etc. Doutrinas que o Protestantismo aceita completamente do Catolicismo, como a Trindade e o Cânon da Bíblia, desenvolveram-se no transcurso da história dos primeiros três séculos do Cristianismo. É ingênuo tentar negar isso. A Igreja é o “Corpo” de Cristo; é um organismo vivo que cresce e se desenvolve como todo corpo com vida. A Igreja não é uma estátua que de vez em quando tem de ser limpa, como muitos protestantes parecem pensar.

125. O Protestantismo separa a justificação da santificação, o que é contrário à Tradição cristã e à Bíblia (Mt 5,20; 7,20-24; Rm 2,7-13; 1Cor 6,11; 1Pd 1,2).

126. O Protestantismo opõe a fé às obras (sola fide), mas isto é uma rejeição da Tradição cristã e do ensinamento explícito da Bíblia (Mt 25,31-46; Lc 18,18-25; Jo 6,27-29; Gl 5,6; Ef 2,8-10; Fl 2,12-13; 3,10-14; 1Ts 1,3; 2Ts 1,11; Hb 5,9; Tg 1,21-27; 2,14-16). Esses textos também indicam que a salvação é um processo, e não, como no Protestantismo, um evento instantâneo.

127. O Protestantismo rejeita a Tradição cristã e o ensinamento bíblico do mérito, ou recompensa, de nossas boas obras realizadas pela fé (Mt 16,27; Rm 2,6; 1Cor 3,8-9; 1Pd 1,17; Ap 22,12).

128. A doutrina protestante da justificação extrínseca, atribuída ou exterior contradiz a Tradição cristã e a doutrina bíblica da justificação infusa, atual, interior e transformadora (que inclui a santificação): Sl 51,2-10; 103,12; Jo 1,29; Rm 5,19; 2Cor 5,17; Hb 1,3; 1Jo 1,7-9.

129. Muitos protestantes (especialmente presbiterianos, calvinistas e batistas) creem na segurança da salvação, ou perseverança dos santos (a crença de que ninguém pode perder sua “salvação”, supostamente obtida num tempo determinado). Isso é contrário à Tradição cristã e à Bíblia: 1Cor 9,27; Gl 4,9; 5,1.4; Cl 1,22-23; 1Tm 1,19-20; 4,1; 5,15; Hb 3,12-14; 6,4-6; 10,26.29.39; 12,14-15; 2Pd 2,15.20-21; Ap 2,4-5.

130. Contrariamente ao mito protestante e anticatólico, a Igreja Católica não ensina que alguém se salva pelas obras à parte da graça precedente; ensina, sim, que as obras são inseparáveis, como em Tiago, capítulos 1 e 2. Essa heresia, da qual a Igreja Católica é frequentemente acusada, foi condenada no Segundo Concílio de Orange, no ano 529 d.C. A heresia é conhecida como pelagianismo, que ensina que o homem pode salvar-se a si mesmo por meio de seus esforços naturais, sem a necessária graça sobrenatural de Deus. Uma doutrina mais moderada é o semipelagianismo, que também foi condenado. Continuar acusando a Igreja Católica dessa heresia é um sinal de parcialidade e uma manifesta ignorância de teologia, assim como ignorância do claro ensinamento do Concílio de Trento (1545-63), que está ao alcance de todos para ser estudado. No entanto, o mito ainda segue estranhamente persistindo.

131. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo quase eliminou a prática da confissão a um sacerdote (ou ao menos a um ministro ou pastor) – ver Mt 16,19; 18,18; Jo 20,23.

132. O Protestantismo não crê na penitência, ou castigo temporal pelo pecado já perdoado, e isso é contrário à Tradição cristã e à Bíblia (ver, por exemplo, Nm 14,19-23; 2Sm 12,13-14; 1Cor 11,27-32; Hb 12,6-8).

133. O Protestantismo tem um conceito muito limitado da mortificação da carne, ou de sofrer com Cristo: Mt 10,38; 16,24; Rm 8,13.17; 1Cor 12,24-26; Fl 3,10; 1Pd 4,1.13.

134. Da mesma maneira, o Protestantismo perdeu a doutrina do sofrimento redentor dos cristãos com Cristo para o bem de todos: Ex 32,30-32; Nm 16,43-48; 25,6-13; 2Cor 4,10; Cl 1,24; 2Tm 4,6.

135. O Protestantismo rejeitou a doutrina do purgatório como consequência de sua falsa perspectiva da justificação e da penitência, e o faz apesar da muita evidência que se encontra na Escritura: Is 4,4; 6,5-7; Mq 7,8-9; Ml 3,1-4; 2Mc 12,39-45; Mt 5,25-26; 12,32; Lc 16,19-31 (cf. Ef 4,8-10; 1Pd 3,19-20); 1Cor 3,11-15; 2Cor 5,10; Ap 21,27.

136. O Protestantismo rejeitou (principalmente por causa de mal-entendidos) a doutrina católica das indulgências, que é, simplesmente, a remissão que a Igreja oferece (apoiada em Mt 16,19; 18,18 e Jo 20,23) das penas temporais do pecado (penitência). Isso não é diferente do que São Paulo fez com referência a um irmão que havia errado na Igreja de Corinto. São Paulo primeiro impôs uma penitência sobre ele (1Cor 5,3-5); depois, remitiu parte dessa penitência (uma indulgência) em 2Cor 2,6-11. Só porque certos abusos ocorreram antes da Rebelião Protestante (admitidos e corrigidos pela Igreja Católica) não é motivo para desfazer-se de uma doutrina que é bíblica. Mas é típico do Protestantismo “queimar a casa em lugar de limpá-la”, “jogar fora a criança junto com a água do banho”.

137. Em oposição à Tradição cristã e à Bíblia, o Protestantismo nega as orações pelos defuntos (ver Tb 12,12; 2Mc 12,39-45; 1Cor 15,29; 2Tm 1,16-18; estes são versículos que também têm a ver com o purgatório, já que essas orações são pelos santos que ali estão).

138. O Protestantismo, sem base bíblica, rejeita a intercessão que por nós fazem os santos que estão no céu e a correspondente invocação dos santos por suas eficazes orações (Tg 5,16). A Tradição cristã e a Bíblia, por outro lado, mantiveram esta prática: os santos no céu estão conscientes dos assuntos aqui na terra (Mt 22,30, e compare com Lc 15,10 e 1Cor 15,29; Hb 12,1), aparecem na terra e interagem com o homem (1Sm 28,12-15; Mt 17,1-3; 27,50-53; Ap 11,3) e, portanto, podem interceder por nós, e nós podemos pedir-lhes suas orações da mesma maneira que o fazemos com os cristãos aqui na terra (2Mc 15,14; Ap 5,8; 6,9-10).

139. Alguns protestantes, apesar da Tradição cristã e da Bíblia, não creem nos Anjos da Guarda (Sl 34,7; 91,11; Mt 18,10; At 12,15; Hb 1,14).

140. Contrariamente à Tradição cristã e à Bíblia, muitos protestantes negam que os anjos possam interceder por nós (Ap 1,4; 5,8; 8,3-4).

141. Apesar da desenvolvida Tradição cristã e das indicações na Bíblia, o Protestantismo rejeita a Imaculada Conceição de Maria; veja Gn 3,15; Lc 1,28 (as palavras “cheia de graça” são interpretadas pelos católicos, em bases linguísticas, como “sem pecado”; a Arca da Aliança é vista como uma prefiguração, ou tipo, de Maria (ver Lc 1,35 e comparar com Ex 40,34-38; Lc 1,44 com 2Sm 6,14-16; Lc 1,43 comparar com 2Sm 6,9: a presença de Deus requer uma extraordinária santidade).

142. Apesar da desenvolvida Tradição cristã e das indicações na Bíblia, o Protestantismo rejeita a Assunção de Maria: se Maria, com efeito, estava sem pecado, ela não teria de passar pela putrefação da morte (Sl 16,10; Gn 3,19). Eventos semelhantes na Bíblia não tornam a Assunção improvável nem “antibíblica” (como, por exemplo, com Enoc: ver Gn 5,24, comparar com Hb 11,5; com Elias: 2Rs 2,11; com Paulo: 2Cor 12,2-4; comparar com a doutrina protestante do “Arrebatamento”, 1Ts 4,15-17, e os santos ressuscitados: Mt 27,52-53).

143. Muitos (quase todos?) protestantes negam a virgindade perpétua de Maria, apesar da Tradição cristã (incluindo a unânime aceitação dos fundadores protestantes, como Lutero, Calvino, Zuínglio etc.). Algumas evidências bíblicas apoiam esta doutrina, e alguns protestantes a aceitam, mas isso é muito profundo para tratar aqui de forma breve.

144. O Protestantismo nega a Maternidade Espiritual de Maria para com os cristãos, o que é contrário à Tradição cristã e à Bíblia (Jo 19,26-27: “Eis aí tua mãe”; em Ap 12,1.5.17 os cristãos são descritos como a “descendência” dela). Os católicos creem que Maria está incomparavelmente mais viva do que nós e, portanto, as orações dela por nós são muito eficazes (Tg 5,16; Ap 5,8; 6,9-10). Mas, em nossa condição de criaturas criadas pelo Criador, Maria é nossa irmã. Ela nunca opera à parte das graças necessárias da parte de seu Filho, e nunca glorifica a si mesma, mas a seu Filho, tal como o ressalta a teologia católica.

145. O Protestantismo rejeita o papado, apesar da profunda Tradição cristã e da forte evidência que a Bíblia apresenta sobre a preeminência de Pedro e a comissão de Jesus como a Rocha de sua Igreja. Ninguém nega que Pedro foi, de alguma maneira, um líder entre os Apóstolos. O papado, tal como o conhecemos, é derivado dessa primazia: os seguintes textos, Mt 16,18-19; Lc 22,31-32; Jo 21,15-17, são os textos “papais” mais diretos. O nome de Pedro aparece no princípio em todas as listas dos apóstolos; até um anjo dá a entender que ele é o líder dos Apóstolos (Mc 16,7), e ele é aceito como tal (At 2,37-38.41). Pedro opera o primeiro milagre do tempo da Igreja (At 3,6-8), pronuncia o primeiro anátema (At 5,2-11), ressuscita mortos (At 9,40), é o primeiro a receber os gentios (At 10,9-48), e seu nome é mencionado mais do que o de todos os outros discípulos juntos (191 vezes). Na Bíblia, muita evidência semelhante pode ser encontrada.

146. Desde o princípio, a Igreja de Roma e os Papas foram cruciais para o governo, a direção teológica e a ortodoxia da Igreja cristã. Isso é inegável. Todos os grupos históricos hoje considerados heréticos, tanto por protestantes quanto por católicos, foram originalmente julgados como tais por Papas e/ou Concílios Ecumênicos presididos e ratificados pelos Papas.

147. Em seu desespero por construir algum tipo de continuidade histórica à parte da Igreja Católica, o Protestantismo em ocasiões se esforça em reivindicar uma linhagem das seitas medievais, como os valdenses, cátaros e albigenses (e algumas vezes de grupos anteriores, como os montanistas ou donatistas). No entanto, esse esforço está condenado a falhar quando se estuda profundamente o que essas seitas criam. Elas mantinham muito ensinamento católico, anátema para os protestantes, ou mantinham ideias heréticas antitéticas a todo o Cristianismo (católico, protestante ou ortodoxo), ou ambos, tornando essa teoria protestante bem duvidosa.

148. A Igreja Católica tem a mais sofisticada e cuidadosa filosofia socioeconômica e política cristã: uma mistura de elementos “progressistas” e “conservadores”, distinta da comum retórica política e maquiavélica que tipicamente domina o campo político. O Catolicismo tem a melhor visão da Igreja com relação ao Estado, assim como com relação à cultura.

149. O Catolicismo tem a melhor filosofia cristã e perspectiva do mundo, formada através de séculos de reflexão e experiência. Assim como sua reflexão e desenvolvimento teológico, a Igreja Católica é inefavelmente sábia e profunda e, até certo ponto, verdadeiramente maravilhosa e indicativa do seguro selo divino. Pouco antes de me converter ao Catolicismo, costumava maravilhar-me de como a Igreja Católica podia estar tão correta em tantas coisas. Eu estava acostumado a pensar, como bom evangélico, que a verdade sempre é uma mescla (por mim selecionada) de ideias procedentes de muitas denominações protestantes, assim como do Catolicismo e da Ortodoxia, mas que, ao mesmo tempo, nenhuma tinha a verdade completa. Mas… surpresa! A Igreja Católica, afinal de contas, tem essa Verdade completa.

150. Por último, mas não menos importante, o Catolicismo tem a mais sublime espiritualidade e vigor devocional, manifestado em milhares de formas diferentes: desde o ideal monástico ao heroico celibato do clero e de religiosos e religiosas; os hospitais católicos; a nítida santidade de um Tomás de Kempis ou de um Santo Inácio, com seus grandes livros devocionais; a infinidade de santos –tanto canonizados como desconhecidos–; uma Madre Teresa, um João Paulo II ou um Papa João XXIII; os primeiros mártires; um São Francisco de Assis; os eventos de Lourdes e Fátima; o vivo intelecto e a sabedoria do Arcebispo Fulton Sheen, São João da Cruz; o santo valor de um Chesterton ou de um Muggeridge; anciãs e anciãos, jovens, adultos fazendo a Via-Sacra ou rezando o Rosário, participando da Hora Santa, e… –a lista pode seguir e seguir. Esse ânimo devocional é inimitável em seu alcance e profundidade, apesar de muito boas contrapartes na espiritualidade protestante e ortodoxa.

Autor: Dave Armstrong

Traduzido de Morelos, Coahuila, México (2002)

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