Minha história começa em 1986. Naquele tempo, eu tinha pouco conhecimento bíblico. No início, os publicadores me visitavam e, como eu perguntava muito, me encaminharam ao servo ministerial e, por último, ao ancião. O ancião me agradou, pois, para cada pergunta que eu lhe fazia, ele me dava uma resposta; embora em várias ocasiões eu não tenha concordado. Além disso, tinha o costume de me deixar um texto bíblico ao se retirar. O primeiro que me deu, e que me impressionou, foi o de Números 6,24, que é uma bênção. Bom, com esse texto bíblico ele ganhou minha confiança. Mas eu me dava conta da minha ignorância religiosa, e como defender algo que desconheço? Por isso, animei-me a investigar.

Fui até minha madrinha de primeira comunhão, que é catequista, e ela me emprestou um livro. Esse livro falava de várias denominações religiosas, entre elas, a seita das testemunhas de Jeová. Mas o livro só tinha um resumo de sua história e de sua doutrina. Foi ali que fiquei sabendo que eles não creem na divindade de Jesus Cristo, na cruz, na alma etc. Com esses dados, tomei a decisão de dispensá-los. O domingo de manhã era o dia da visita, pois só esse dia eu tinha livre. Quando se apresentaram, eu disse ao ancião: “Vocês não creem que Jesus Cristo seja Deus”. O ancião me respondeu: “Nós cremos que Jesus Cristo é um deus”. Isso me confundiu, pois eu tinha lido o contrário no livro; o que eu não tinha notado era a forma como ele me disse. Claro que creem que Jesus Cristo é um ser divino! Mas não creem que ele seja o verdadeiro Deus. Com o tempo entendi isso e pensei que o livro estava errado.

Revisando-o de novo, eu disse ao ancião no domingo seguinte: “vocês não creem na alma”. Respondeu-me: “Nós cremos, sim, na alma” e até me deu um exemplo: –Se vejo que você tem sapatos e digo que você não tem sapatos, estou mentindo. Claro que cremos na alma! Novamente fiquei confuso; ainda não tinha notado a intenção do ancião. Ele queria me mostrar a doutrina das testemunhas parecida com a dos católicos. Claro que creem na alma! Pois creem que a pessoa é uma alma, mas não creem que a alma seja imortal. Mas como descobrir a diferença? Comecei a acreditar que testemunhas e católicos tinham algumas crenças parecidas, e isso me deu confiança para aceitar seu insistente convite ao Salão do Reino.

Mas no domingo seguinte, quando o ancião chegou, eu lhe disse: “Para mim, Jesus Cristo é minha única esperança”. Respondeu: “É a sua única esperança? Olha, estamos nos retirando, pois outra pessoa nos espera, mas quero que você leia 1Coríntios 15,19”. No momento em que começam a se retirar, encontro o texto. A surpresa foi muito grande; senti que minha fé católica começava a desmoronar, pois eu acabava de dizer ao ancião que Jesus Cristo é minha única esperança, e a Palavra de Deus me dizia o contrário. Li o versículo várias vezes e não podia acreditar. Foi só quando li todo o capítulo 15 de Coríntios que me dei conta do erro: ele tinha torcido o texto para mim. Há um ditado que diz: “texto sem contexto é puro pretexto”. Paulo fala da ressurreição dos mortos, pois alguns coríntios não acreditavam nela (1Cor 15,12). São Paulo faz um jogo de palavras: “Se Cristo não ressuscitou, como creem alguns, então: se é somente para esta vida que temos posto a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima!” (Bíblia Ave Maria). O versículo 20 me deu mais luz: “Mas não, Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram” (Ave Maria). Esse “mas não!” me fez ler todo o capítulo 15.

Assim me dei conta de que as testemunhas não têm a verdade, pois a verdade não se defende à base de mentiras. Com o tempo, lendo a Bíblia, encontrei 1Timóteo 1,1: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança”(Ave Maria). O próprio Paulo se inclui dizendo “nossa” esperança. A Bíblia não se contradiz. Depois disso, o ancião não voltou à minha casa. Contudo, quando o vi de novo depois de vários anos, perguntei-lhe sobre o texto e ele me disse que não se lembrava. A última coisa que soube dele é que já não era ancião. Bom, aos dois que me visitavam eu disse que já não queria continuar estudando, mas que, antes de dispensá-los, queria fazer-lhes algumas perguntas, uma das quais incluía que Jesus Cristo era minha única esperança. E voltaram a me dar o mesmo texto. Decepcionado, disse-lhes que se retirassem e que desejava estudar a Bíblia por mim mesmo, sem a influência deles. Mas começaram a me meter medo, dizendo que o Armagedom estava logo ali na esquina e que a qualquer momento poderia me surpreender “investigando”. Eu lhes disse que aceitava as consequências, mas que, por enquanto, já não queria que continuassem me visitando.

O que eu vivi, não quero que aconteça com outras pessoas. É horrível sentir que a sua fé desmorona, mas revolta que queiram roubá-la de você à base de mentiras.

Fonte: Apologetica.org