Dr. Jorge Arturo Rodríguez Reyna
Em certas ocasiões tive a oportunidade de dialogar com irmãos e amigos evangélicos sobre diversos temas. Um desses temas, como certamente se poderá supor, é o tema de Maria e dos santos; e, como também é conhecido, eles sempre basearam seu ataque em desqualificar a explicação que nós lhes damos a respeito.
Quando eles me disseram que nós “adoramos” Maria e os santos, de mil e uma formas tentei fazê-los compreender que aquilo que lhes prestamos é “veneração”, mas não “adoração”. Explico-lhes que venerar é um grau máximo de respeito que se presta a alguém por aquilo que foi, por seus atos, por suas ideias, por sua conduta em geral. E precisamente isso é o que nos leva a venerar nossa Mãe e os santos do Senhor, pois são pessoas exemplares que nos servem de modelo a seguir em nossa vida cristã. Por isso é que os veneramos, ou, dizendo de outra forma: respeitamo-los em grau sumo.
E para que não nos restem dúvidas a respeito, e confirmemos de uma vez que estamos no caminho correto, recorramos ao Dicionário da Real Academia da Língua Espanhola, que define os termos referidos da seguinte maneira:
Veneração. (Do lat. veneratĭo, -ōnis). f. Ação e efeito de venerar.
Venerar. (Do lat. venerāri). tr. Respeitar em sumo grau alguém por sua santidade, dignidade ou grandes virtudes, ou algo pelo que representa ou recorda.
Assim, com toda clareza se desprende do anterior que o fato de “venerar” alguém não tem relação com a “adoração”, como os amigos evangélicos querem nos forçar a aceitar, os quais parecem não querer dar-se ao trabalho de consultar o dicionário cada vez que tentei explicar-lhes isto dessa maneira.
Por outro lado, eles poderiam argumentar que estas definições “não estão na Bíblia” — alguém poderá dizer inclusive que o Dicionário da Língua Espanhola é dirigido pelo Vaticano, ou sustentar outra teoria conspiratória ingênua ao estilo Dan Brown —, chavão que repetem até a saciedade quando querem defender suas posições. Pois bem, revisemos o que nos diz a Palavra de Deus a respeito da veneração. Vejamos se a veneração a pessoas diferentes de Deus é má, pois, obviamente, se fosse má, a Bíblia a condenaria.
E mais ainda: para que nossos amigos evangélicos não questionem a versão bíblica, porque poderiam sustentar que a Bíblia Católica está “alterada” — como alguns deles pensam equivocadamente —, empregaremos a versão protestante Reina-Valera de 1960.
Analisemos então:
“Se desviares o teu pé do dia de repouso, de fazer a tua vontade no meu dia santo, e o chamares deleitoso, santo, glorioso de Jeová; e o venerares, não andando nos teus próprios caminhos, nem buscando a tua vontade, nem falando as tuas próprias palavras” (Isaías 58,13).
Esta citação nos diz que a “veneração” de certo dia da semana, o dia de repouso, é algo bom diante do Senhor.
“O ancião e venerável de rosto é a cabeça; o profeta que ensina mentira é a cauda” (Isaías 9,15).
Este versículo chama “veneráveis” os anciãos de Israel, segundo Isaías.
“Então, levantando-se no conselho um fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um momento levassem os apóstolos para fora” (Atos 5,34).
Lucas nos relata como Gamaliel, doutor da lei, era “venerado” por todo o povo, sem insinuar em nenhum momento que era “adorado”.
“Além disso, tivemos nossos pais terrenos que nos disciplinavam, e nós os venerávamos. Por que não obedeceremos muito melhor ao Pai dos espíritos, e viveremos?” Hebreus 12,9.
Paulo nos fala de quão bom é “venerar” nossos próprios pais e nos convida, com maior razão, a obedecer a Deus, nosso Pai Celestial.
Por tudo o que foi dito, podemos afirmar que, biblicamente, a “veneração” é permitida; mais ainda, ela é aconselhada em certas situações. Obviamente estou falando da “veneração” dedicada a pessoas diferentes de Deus, pois naturalmente Deus merece uma veneração acima de toda medida. Os santos e Maria recebem veneração — ou respeito em grau sumo — como diz claramente o dicionário, pelo que significam para os cristãos: exemplos de vida, modelos de vida santa dedicada ao Senhor.
Por isso é que os irmãos protestantes não têm nenhum fundamento quando dizem que a “veneração” é igual à “adoração”, pois, se continuassem sustentando isso, estariam afirmando — equivocadamente — que a Bíblia diz que devemos “adorar” nossos pais terrenos, quando nos diz que os veneremos (Hb 12,9).
Tampouco têm sustentação para afirmar que a veneração é má ou é pecado, como acabamos de comprovar com a própria Palavra de Deus. E, mais ainda, não têm por que criticar ou condenar os católicos quando lhes dizemos que veneramos a Virgem Maria e os santos. Já vimos que a Bíblia nos permite fazê-lo.
Mas certamente haverá alguns amigos evangélicos que, apesar de tudo o anterior, que é mais claro que a água mais cristalina, continuarão insistindo de alguma forma que aquilo que nós católicos fazemos ao “venerar” os santos é igual a “adorar”, e continuarão igualmente a criticar-nos e atacar-nos.
É a eles em particular que se dedica a parte final deste artigo.
Primeiro, vejamos algumas imagens e revisemos alguns textos que podemos comprovar sem dificuldade entrando nos links da internet que se citam a seguir. Neles encontramos que muitos dos dirigentes ou líderes das comunidades evangélicas utilizam o título de Reverendo, outros o de Pastor Reverendo e outros o de Reverendo Pastor.
Passemos a verificá-lo com alguns exemplos:
Comecemos pela página web do Movimento Missionário Mundial do Peru:
“O reverendo Gustavo Martínez, presidente internacional da obra; Rev. José Soto, vice-presidente, e o Rev. Rodolfo González, tesoureiro de nossa denominação…”
(http://www.mmmperu.org/pe/?p=944)
http://www.mmmperu.org/pe/?page_id=6
http://www.mmmperu.org/editorial/?p=34
Continuemos com os Reverendos de outros grupos evangélicos:
Pastor Geral Rev. Dr. César Orlando Ayala (Igreja Batista de Westchester)
http://iglesiabautistawestchester.com/staff.html
Pastor Reverendo Julio Negri Gutiérrez. Primeira Igreja Bíblica Batista. Urb. Chorrillos. Huancayo. Peru.
http://www.iglesiasbautistas.org/iglesias/peru/index.shtml
Rev. Jorge Bravo, Bispo da Igreja Metodista do Peru
http://www.angelfire.com/pe/jorgebravo/pastor.htm
Reverendo Pastor Ismael Rueda Galindo. Hidalgo. México.
http://www.redsocialcristiana.com/index.php/component/option,com_community/Itemid,82/userid,539/view,profile/
Pastor Reverendo Tomás Rodríguez. Igreja de Deus Pentecostal MI Bo. Aceitunas. Moca. Porto Rico.
http://www.aceitunasadora.org/liderato.html
Reverendo José E. Morales. Igreja Cristã Emanuel, INC. New Jersey.
http://www.icemanuel.com/main/?page_id=8
Há muitos outros exemplos sobre o uso do título de “Reverendo” que se podem comprovar facilmente visitando páginas protestantes ou lendo os artigos ou revistas que publicam.
A seguir, recorramos uma vez mais ao Dicionário da Real Academia da Língua Espanhola e estudemos o significado de “reverendo” e outros termos:
Reverendo, da. (Do lat. reverendus). adj. Digno de reverência. ||
Reverência. (Do lat. reverentĭa). f. Respeito ou veneração que alguém tem por outra pessoa
Do anterior se desprende que, se os evangélicos insistem em sustentar que “venerar = adorar”, portanto, eles devem reconhecer que seus pastores, ao se fazerem chamar “Reverendo”, estão afirmando que são dignos de receber reverência; e, como claramente vimos, reverência é igual a respeito ou veneração. Em outras palavras, nossos amigos, os pastores evangélicos, dizem, ao empregar o título “Reverendo”, que são dignos de veneração. E como todos os evangélicos dizem que “veneração = adoração”, por razões óbvias seus pastores estariam dizendo que eles são dignos de adoração. E o rebanho evangélico, ao saudar seus pastores e chamá-los “Reverendo”, estaria reconhecendo a validade desse título e, portanto, estaria “adorando-os”.
Não é meu intuito incomodar os amigos evangélicos com este artigo, mas antes fazê-los ver o erro em que incorrem cada vez que nos acusam os católicos de “adorar” Maria e os santos, quando nós lhes explicamos que o que fazemos é venerá-los. Sua postura equivocada não suporta a análise lógica mais simples, como a que acabo de fazer; tanto assim que, se empregarmos o sentido que eles querem dar à palavra “venerar”, isso acaba voltando-se contra eles mesmos, como no caso de seus “reverendos”.
Não tenho, por certo, nenhuma oposição a que seus líderes se chamem Reverendos e, portanto, sejam dignos de reverência e veneração. Ao contrário, têm todo o direito de empregar o título que melhor considerem. Merecem-me o maior respeito pelo trabalho que fazem — embora talvez na outra calçada — e creio, portanto, que são dignos de receber todo o respeito e veneração de sua comunidade.
Mas assim como creio o anterior, creio também que nós católicos temos todo o direito de venerar Maria, a mãe de nosso Senhor, e os santos, nossos irmãos, que nos antecederam no encontro com Jesus. Temos todo o direito de lhes prestar o maior respeito e veneração, pelo que viveram e pregaram, por seu martírio em muitos casos, por sua vida santa. Biblicamente ficou demonstrado que podemos venerá-los, e também que veneração não é igual a adoração. Os católicos única e exclusivamente adoramos a Deus, somente a Ele. A Maria e aos santos, nós os veneramos, coisa muito diferente da adoração.
– Ad maiorem Dei gloriam –