A seguir, como complemento, uma compilação de textos bíblicos, patrísticos e magisteriais, reunida por nosso amigo Adrián «Un Católico Ferreira», criador do site UnCatolico.com. Não pretende ser uma lista exaustiva, mas recolher algumas das contribuições que muitos leitores enviaram por meio da seção de comentários do blog.

Sagradas Escrituras

Antigo Testamento

“O meu olho não te poupará, serei inclemente; farei recair sobre ti a punição de tua conduta e tuas abominações estarão no meio de ti; e saberão que sou eu, o SENHOR, quem castiga.” (Ezequiel 7,9)

“SENHOR, na angústia te procuraram; derramaram oração sussurrando quando tua disciplina se abateu sobre eles.” (Isaías 26,16)

“Tu corriges o homem castigando-o por sua falta.” (Salmos 39,12)

“Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, não te enfades com sua repreensão.” (Provérbios 3,11)

“Se puniste com tanto cuidado e indulgência os inimigos de teus filhos, que mereciam a morte, dando-lhes tempo e lugar para se livrarem da maldade, com que consideração não julgarás teus filhos, cujos pais agraciaste com juramentos e pactos plenos de boas promessas? Assim, enquanto nos instruis a nós, castigas com moderação nossos adversários, para que, ao julgar, pensemos em tua bondade, e, sendo julgados, esperemos em tua misericórdia.” (Sabedoria 12,20-22)

“Assim exercerei meus julgamentos sobre o Egito, e saberão que eu sou o SENHOR.” (Ezequiel 30,19)

“Também os mercenários em seu meio eram como novilhos de engorde; também eles voltaram as costas, fugiram juntos, não resistiram, pois sobre eles veio o dia de sua calamidade, o tempo de sua punição.” (Jeremias 46,21)

“Não digas: Pequei, que mal me aconteceu? Pois o SENHOR é paciente. Não te mostres confiante demais no perdão, acumulando pecado sobre pecado. Não digas: Sua misericórdia é grande, ele me perdoará a multidão de meus pecados. Porque nele há misericórdia, mas também há ira, e sobre os pecadores repousa seu furor. Não demores a retornar ao SENHOR, não adie de um dia para outro, pois de repente irrompe a ira do SENHOR, e no tempo do castigo serás destruído.” (Sirácide 5,4-7)

“Reconhece, pois, em teu coração que o SENHOR, teu Deus, te corrigia como um pai corrige seu filho, e guarda os mandamentos do SENHOR, teu Deus, caminhando em seus caminhos e temendo-o.” (Deuteronômio 8,5-6)

“Corrige teu filho enquanto há esperança; não se ponha tua alma a destruí-lo.” (Provérbios 19,18)

“Reconhece, pois, em teu coração que o SENHOR, teu Deus, te corrigia como um pai corrige seu filho.” (Deuteronômio 8,5)

“Não pronunciarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não deixará impune aquele que pronunciar seu nome em vão.” (Êxodo 20,7)

Novo Testamento

Epístolas

“Caríssimos, não façais vós a vossa vingança; dai lugar à ira, pois está escrito: A mim a vingança; sou eu que retribuo, diz o Senhor.” (Romanos 12,19)

“Pois conhecemos aquele que disse: A mim a vingança, eu retribuirei. E ainda: O Senhor julgará o seu povo.” (Hebreus 10,30)

“pois quem come e bebe sem discernir o Corpo come e bebe o seu próprio juízo. Por isso há entre vós muitos doentes e fracos, e muitos adormeceram.” (1 Coríntios 11,29-30)

“Pois conhecemos aquele que disse: A mim a vingança, eu retribuirei. E ainda: O Senhor julgará o seu povo.” (Hebreus 10,30)

“a vós, que sofreis, dará o repouso juntamente conosco, quando o Senhor Jesus se revelar do céu com os anjos de seu poder, em chama de fogo, para punir os que não reconhecem a Deus e os que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão como castigo a ruína eterna, afastados da face do Senhor e da glória de seu poder.” (2 Tessalonicenses 1,7-9)

“pois o Senhor corrige aquele que ama, e castiga todo filho que recebe. Para vossa correção é que suportais as provações. Deus vos trata como a filhos; pois que filho há a quem o pai não corrija? Mas se sois sem correção — coisa de que todos participaram — sois bastardos, não filhos. Além disso, tínhamos nossos pais segundo a carne como educadores, e os respeitávamos. Não deveremos muito mais submeter-nos ao Pai dos espíritos para vivermos? Aqueles, de fato, nos corrigiam por alguns dias segundo seu critério; este, porém, para o que nos é proveitoso, para nos fazer participantes de sua santidade. Toda disciplina parece, no momento, motivo de tristeza, não de alegria; mas depois produz um fruto pacífico de justiça para os que por ela foram exercitados.” (Hebreus 12,6-11)

“Essas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos o mal como eles o cobiçaram. Não vos torneis idólatras como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou para comer e beber e se levantou para folgar. Não pratiquemos a imoralidade como alguns deles a praticaram, e caíram num único dia vinte e três mil. Não tentemos a Cristo como alguns deles o tentaram, e foram destruídos pelas serpentes. Não murmurei como alguns deles murmuraram, e foram destruídos pelo exterminador. Tudo isso lhes acontecia como figura, e foi escrito para aviso nosso, para quem chegamos ao fim dos tempos.” (1 Coríntios 10,6-11)

“Porque todos nós devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba o que merece, segundo o que tiver feito no corpo, seja o bem, seja o mal.” (2 Coríntios 5,10)

“Os magistrados não são temidos por quem pratica o bem, mas por quem pratica o mal. Queres não ter que temer a autoridade? Pratica o bem e terás seu louvor, pois ela é serva de Deus para o teu bem. Mas, se praticas o mal, teme, que não em vão ela traz a espada. É serva de Deus para exercer a vingança punitiva sobre quem pratica o mal.” (Romanos 13,3-4)

“Com tua dureza e teu coração impenitente, vais acumulando um tesouro de ira para o dia da ira e da revelação do justo julgamento de Deus, que retribuirá a cada um segundo suas obras: a vida eterna aos que, pela perseverança nas boas obras, buscam a glória, a honra e a incorruptibilidade; a ira e a indignação aos que, por espírito de discórdia, são rebeldes à verdade e obedientes à injustiça.” (Romanos 2,5-8)

“Cuidai de não recusar ouvir Aquele que fala. Pois, se aqueles que recusaram ouvir o que falava na terra não escaparam, muito menos escaparemos nós, se nos voltarmos contra Aquele que fala do alto dos céus.” (Hebreus 12,25)

Evangelho segundo São Lucas e Atos dos Apóstolos

“Pedro lhe perguntou: «Dize-me, foi por isso que vendestes o campo?» Ela respondeu: «Sim, por isso.» Pedro lhe disse: «Por que combinastes os dois em tentar o Espírito do Senhor? Eis que os pés dos que sepultaram teu marido estão à porta, e te levarão também a ti.» Ela caiu imediatamente a seus pés e expirou. Os jovens, entrando, encontraram-na morta e a levaram a sepultar junto a seu marido.” (Atos 5,1-10)

“O anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus; fui enviado para falar-te e anunciar-te esta boa nova. Pois bem, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam, porque não acreditaste nas minhas palavras, as quais se cumprirão a seu tempo.»” (Lucas 1,19-20)

“O servo que conhecia a vontade de seu senhor e não se preparou nem agiu conforme a sua vontade, receberá muitos golpes. Mas aquele que, sem a conhecer, fez coisas dignas de castigo receberá poucos golpes. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, mais ainda será pedido. Vim trazer fogo à terra; e que quero eu senão que já esteja aceso!” (Lucas 12,47-49)

“Naquele mesmo momento chegaram alguns que lhe contaram o caso dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com o de seus sacrifícios. Respondendo, Jesus lhes disse: «Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido isso? Não, eu vos digo; e, se não vos converterdes, todos perecereis da mesma forma. Ou aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, pensais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; e, se não vos converterdes, todos perecereis da mesma forma.»” (Lucas 13,1-5)

São Mateus

“Cristo virá «em sua glória, acompanhado de todos os seus anjos […] Serão reunidas diante dele todas as nações e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Porá as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda […] E estes irão para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna.»” (Mateus 25,31.32.46)

“Perguntaram-lhe: «Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?» Mas o curado não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado, havia muita gente naquele lugar. Mais tarde Jesus o encontrou no Templo e lhe disse: «Vês que estás curado; não peques mais, para que não te aconteça algo pior.»” (João 5,12-14)

“Então dirá também aos da esquerda: «Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos.»” (Mateus 25,41)

“Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela; mas quão estreita é a porta e quão apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que o encontram. Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós com roupagem de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” (Mateus 7,13-15)

Magistério e Tradição da Igreja

Concílio de Trento

“É tão grande a liberalidade da divina beneficência que não só podemos satisfazer a Deus Pai, mediante a graça de Jesus Cristo, com as penitências que voluntariamente empreendemos para satisfazer pelo pecado, ou com as que o sacerdote nos impõe a seu arbítrio, proporcionalmente ao delito; mas também, e isto é grandíssima prova de seu amor, com os castigos temporais que Deus nos envia, e que suportamos com resignação.”

(Concílio Dogmático de Trento, Cap. IX. Das obras satisfatórias)

Pontífices

Cardeal Jorge Bergoglio (depois Papa Francisco)

“Aqui há meios que não justificam o fim, e o outro texto que eu também lhes recomendo muito e que leiam completo é o profeta Amós — o profeta Amós que diz: tu, por isso, por isso e por isso, vou castigar, diz Deus por meio do profeta — e vai enumerando todos os meios iníquos pelos quais te aproveitaste do irmão, ou o que não se pode fazer; assim que a mesma Bíblia nos vai marcando que um meio mau não se pode usar para um fim bom, que Deus castiga quem usa os meios maus para um fim bom, que Deus castiga a armadilha, que Deus castiga a fraude, que Deus castiga a exploração; penso nas oficinas clandestinas, por exemplo, de agora, desta cidade, não digo que esteja cheia, mas há muitas oficinas clandestinas e o profeta Amós é muito claro nisso: estás explorando teu irmão. Deus castiga quem se enriquece ou toma posse de algo, ou quem se consolida, ou quem alcança um fim qualquer por meio de um meio mau. Essa é a tradição bíblica; portanto, o fim não justifica os meios.”

(Card. Bergoglio), Participação no programa televisivo «Bíblia, diálogo vigente», transmitido em janeiro de 2013, Canal 21

Bento XVI

“De modo especial, interpela os povos que receberam o anúncio do Evangelho. Se contemplamos a história, somos obrigados a constatar com frequência a frialdade e a rebelião de cristãos incoerentes. Como consequência disso, Deus, sem jamais falhar à sua promessa de salvação, teve de recorrer frequentemente ao castigo.”

(Bento XVI, Inauguração da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 5 de outubro de 2008)

“Hoje temos de aprender de novo que o amor ao pecador e à vítima se encontra em seu justo equilíbrio mediante um castigo ao pecador aplicado de forma possível e adequada. Nesse sentido houve no passado uma transformação da consciência através da qual se produziu um obscurecimento do direito e da necessidade de castigo, em última análise também um estreitamento do conceito de amor, que não é precisamente só simpatia e amabilidade, mas se encontra na verdade, e da verdade faz parte também o ter de castigar aquele que pecou contra o verdadeiro amor.”

(Bento XVI, A Luz do Mundo)

São João Paulo II

“Ao mal moral do pecado corresponde o castigo, que garante a ordem moral no mesmo sentido transcendente em que esta ordem é estabelecida pela vontade do Criador e Supremo Legislador. Daí deriva também uma das verdades fundamentais da fé religiosa, baseada igualmente na Revelação: ou seja, que Deus é um juiz justo, que recompensa o bem e castiga o mal […] Se é verdade que o sofrimento tem um sentido como castigo quando está unido à culpa, não é verdade, ao contrário, que todo sofrimento seja consequência da culpa e tenha caráter de castigo.”

(São João Paulo II – Encíclica Salvifici Doloris)

“Mas Deus, sempre misericordioso mesmo quando castiga, «pôs um sinal em Caim, para que ninguém que o encontrasse o ferisse» (Gn 4,15). Dá-lhe, portanto, um sinal de reconhecimento, que tem como objetivo não condená-lo à execração dos outros homens, mas protegê-lo e defendê-lo contra quem quisesse matá-lo para vingar assim a morte de Abel. Nem mesmo o homicida perde a sua dignidade pessoal, e o próprio Deus se faz garante dela. É justamente aqui que se manifesta o paradoxo misterioso da justiça misericordiosa de Deus, como escreveu Santo Ambrósio: «Porque se cometera um fratricídio, ou seja, o maior dos crimes, no momento mesmo em que se introduziu o pecado, teve de desdobrar-se a lei da misericórdia divina; porque, se o castigo tivesse golpeado imediatamente o culpado, não aconteceria que os homens, ao castigar, usassem uma certa tolerância ou suavidade, mas entregariam imediatamente ao castigo os culpados. (…) Deus expulsou Caim de sua presença e, repudiado pelos pais, relegou-o para o exílio de uma habitação separada, visto que havia passado da benignidade humana à ferocidade bestial. Todavia, Deus não quis punir o homicida com o homicídio, porque queria o arrependimento do pecador e não a sua morte.»”

(São João Paulo II – Encíclica Evangelium Vitae)

João Paulo I

“Um grande bispo francês, Dupanloup, costumava dizer aos reitores dos seminários: Com os futuros sacerdotes sede pai, sede mãe. Isso agrada. Em contrapartida, diante de outras verdades, sentimos dificuldade. Deus deve castigar-me se me obstino; ele me segue, me suplica que me converta, e eu lhe digo: não!; e assim quase o obrigo eu mesmo a castigar-me. ISSO NÃO AGRADA, MAS É VERDADE DE FÉ.”

(João Paulo I, Audiência de 13 de setembro de 1978)

Paulo VI

“Segundo nos ensina a Divina Revelação, as penas são consequência dos pecados, infligidas pela santidade e justiça divinas, e devem ser purgadas seja neste mundo, com as dores, misérias e tristezas desta vida e especialmente com a morte, seja por meio do fogo, dos tormentos e das penas catarterias da vida futura. Por isso os fiéis sempre estiveram persuadidos de que o caminho mau tinha muitas dificuldades e que era áspero, espinhoso e nocivo para os que andavam por ele.”

(Paulo VI, Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina)

Pio XII

“Às vezes pode Deus permitir que, nesta terra e durante algum tempo, triunfem o ateísmo e a impiedade, lamentáveis obscurecimentos do senso de justiça, infrações do direito, torturas de homens inocentes, pacíficos, indefesos e sem apoio… É assim que, num dado momento, Deus deixa cair sobre os indivíduos e sobre os povos provas cujo instrumento é a malícia dos homens, por um desígnio de sua justiça ordenado a castigar os pecados, a purificar as pessoas e os povos com as expiações da vida presente, para fazê-los voltar a Si por tal caminho; mas é crer ao mesmo tempo que esta justiça continua sendo sempre, mesmo na terra, uma justiça de Pai, inspirada e dominada pelo amor.”

(Pio XII, Radiomensagem para a festividade dos santos apóstolos Pedro e Paulo, 29 de junho de 1941)

“O próprio Jesus, ao responder aos judeus que o acusavam de ter violado o sábado com a maravilhosa cura do paralítico, afirma que o Pai lhe dera o poder judicial, porque o Pai não julga ninguém, mas deu todo o poder de julgar ao Filho. No que se compreende também o seu direito de premiar e castigar os homens, mesmo durante a vida mortal, porque isso não pode separar-se de uma forma de julgamento. Além disso, deve atribuir-se a Jesus Cristo o poder chamado executivo, posto que é necessário que todos obedeçam a seu mandato, poder que inflige castigos aos rebeldes, dos quais ninguém pode esquivar-se.”

(Pio XI, Encíclica Quas Primas)

Bento XV

“Sua Santidade o Papa Bento XV, aflito ante o turbilhão da guerra que ceifa vidas juvenis, mergulha na desolação famílias e cidades e transtorna as nações mais florescentes; considerando que o Senhor, qui castigando sanat et ignoscendo conservat, se comove o Papa Bento XV com as orações dos corações contrito e humilhados; desejando que mais forte que o fragor das armas seja a voz da fé, da esperança e da caridade, que são as únicas que têm virtude divina para unir os homens em um só coração e em uma só alma; ao mesmo tempo que convida e exorta o povo e o clero a fazer alguma obra de mortificação expiatória pelos pecados que provocam o justo castigo de Deus, dispôs que em todo o mundo católico sejam dirigidas ao Senhor humildes preces para alcançar de sua Misericórdia a tão ansiada paz.”

(Acta Apostolicae Sedis – Commentarium Officiale – Annus VII Volumen VII – A Santa Sé)

Doutores da Igreja

Santo Tomás de Aquino

“Deus quer com vontade antecedente salvar todo homem; com vontade consequente, e por sua justiça, quer castigar alguns.” (Santo Tomás, Suma Teológica, L.1, Q.19, a.7) [tradução própria]

“Pode-se considerar a pena de dois modos. Primeiro, como castigo, e neste sentido somente o pecado a merece, porque por ela se restabelece a igualdade da justiça, na medida em que aquele que, ao pecar, se excedeu em seguir sua própria vontade, padece contra a sua vontade algum dano. Por isso, como todo pecado é voluntário, inclusive o original, conforme foi dito (1-2 q.81 a.1), segue-se que ninguém é castigado desta forma senão por pecado voluntário.

“De outro ângulo, pode ser considerada a pena como medicina, que não só é sanativa do pecado passado, mas tem também virtude para preservar do pecado futuro e para impulsionar-nos a fazer algo bom. Segundo isso, alguém é castigado às vezes sem culpa, embora nunca sem causa. Contudo, há que ter em conta que nunca a medicina priva de um bem maior para procurar um bem menor — por exemplo, deixar alguém sem visão para curar-lhe o calcanhar —, mas às vezes causa um dano no menor para prestar ajuda no mais importante. E como os bens espirituais são os de maior valor e os temporais os de menor, é por isso que às vezes se castiga alguém nestes últimos sem culpa própria, por exemplo, com muitas penalidades desta vida presente, que Deus lhe inflige para que lhe sirvam de humilhação ou de prova. Em contrapartida, não se castiga ninguém nos bens espirituais sem culpa própria, nem nesta nem na outra vida, já que na vida futura as penas não são medicina, mas consequência da condenação espiritual.” [tradução própria]

(Santo Tomás, Suma Teológica, L.2, Q.108, a.4) [tradução própria]

“Assinala a causa da correção; porque, assim como diz o Filósofo que a palavra castigo indistintamente se usa falando das crianças e da concupiscência, já que chamamos casto àquele cuja concupiscência foi castigada; assim também uma criança bem ed쫚 é chamada de castigada — pois necessita de freio o que por si tende ao desregramento —; da mesma condição, por sua tendência natural, crianças e concupiscência necessitam de correção e de bons tratos com rédea, por seguirem seus arrebatamentos. De sorte que quem castiga, se castiga, o faz para que a pessoa não vá ao mal; e ‘atento a que os sentidos e os pensamentos do coração humano — como diz o Gênesis — estão inclinados ao mal desde a mocidade’, por isso o Senhor nos castiga, para nos apartar do mal. E nisso consiste o castigo: nos açoites que nos dá, não certamente para nos condenar, mas para nos salvar; donde diz: ‘castiga a todo o que recebe por filho’. Por conseguinte, aqueles que não são açoitados frequentemente não podem ser contados no número dos filhos (Sl 72); donde é como um sinal de eterna reprovação (Ez 16). Mas não há que surpreender-se se a todo filho adotivo maltrata com açoites, quando ao próprio e natural assim o tratou, tão duramente (Lc 24).” [tradução própria]

Sancti Thomae Aquinatis Doctoris Angelici super Epistolam Sancti Pauli Apostoli ad Hebraeos expositio (Lição 2, Comentário a Hebreus 12,5-11) [tradução própria]

“A ninguém se castiga jamais com pena espiritual por pecado alheio; porque a pena espiritual afeta a alma, e todo homem, quanto à alma, é livre. Em contrapartida, alguém é castigado às vezes com penas temporais por pecado alheio por três razões: Primeira, porque alguém, no temporal, pode pertencer a outro, e assim, em castigo deste, se castiga também aquele: como os filhos quanto ao corpo pertencem aos pais e os escravos aos seus senhores. Segunda, em quanto que influencia o pecado de um em outro: por imitação, como no caso dos filhos que imitam os pecados de seus pais; no dos servos que imitam os de seus senhores para pecar com maior ousadia; ou a modo de mérito, como os pecados dos súditos merecem ter a um pecador por prelado, segundo aquelas palavras de Jó 34,30: Que faz reinar o hipócrita por causa dos pecados do povo; e assim mesmo, pelo pecado de Davi ao fazer o recenseamento do povo, o povo de Israel foi castigado, como lemos em 2 Sm, último capítulo; ou também por um certo consentimento ou dissimulo, como são castigados também temporalmente os bons juntamente com os maus, porque não rebateram os pecados dos maus, como diz Santo Agostinho em I De Civ. Dei. Terceira, para tornar mais recomendável a unidade da sociedade humana, pela qual um deve interessar-se em que o outro não peque; e para tornar mais detestável o pecado, ao ver que o castigo de um redunda em dano de todos como se todos fossem um só corpo, conforme diz Santo Agostinho sobre o pecado de Acã.

“Quanto às palavras do Senhor: Que castiga nos filhos os pecados dos pais até a terceira e quarta geração, segundo parece, têm mais que ver com a misericórdia do que com a severidade, ao não vingar-se do mal imediatamente, mas esperar que passe o tempo para ver se seus descendentes, pelo menos, se corrigem; ainda que, se vai aumentando a malícia destes, chega a fazer-se necessário, por assim dizer, o exercer a vingança.” [tradução própria]

(Santo Tomás, Suma Teológica, L.2, Q.108, a.4) [tradução própria]

Santa Catarina de Sena

“A nenhuma criatura se priva de minha providência, porque todas as coisas estão por ela penetradas. Parecerá às vezes ao homem que é crueldade que eu mande granizo ou tempestades, ou raios sobre minhas criaturas, julgando que não velei pela sua saúde. E o fiz para livrá-lo da morte eterna, embora lhe pareça tudo o contrário. Os mundanos em tudo querem condenar minhas obras e entendê-las conforme o seu baixo entendimento… Por isso aborrecem o que deveriam reverenciar. Como soberbos se atrevem a julgar meus ocultos juízos, que são todos retos.” [tradução própria]

Santa Catarina de Sena. Doutoras da Igreja. Páginas 126 e seguintes. António Royo Marín, BAC

Santo Agostinho de Hipona

“Nem é outra a forma como castigamos a nossos filhos, isto é, irados e indignados; mas não os castigaríamos se não os amássemos.” (Santo Agostinho, Sermão LXXXII, 2) [tradução própria]

“Mas eu, miserável, posposto Tu, tornei-me um viveiro de fermentação, seguindo o ímpeto da minha paixão, e transgredi todos os teus preceitos, sem contudo escapar aos teus castigos; e quem o logrou entre os mortais? Porque Tu estavas sempre a meu lado, misericordiosamente severo para comigo, e aspergiundo com amarguíssimos dissabores todos os meus gozos ilícitos, para que eu buscasse o gozo sem pesar e, quando o encontrasse, em modo algum fosse fora de Ti, Senhor; fora de Ti, que finges dor em mandar, e feres para curar, e nos dás a morte para que não morramos longe de Ti.”

(Santo Agostinho, As Confissões, livro II, 4) [tradução própria]

Santo Afonso Maria de Ligório

“Pecaste, confiando temerariamente na divina misericórdia; verás logo o castigo, sem acertar de onde vem.” [tradução própria]

(Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões Abreviados para todas as domínicas do ano. Sermão XV para a primeira domínica da Quaresma – ‘Do número dos pecados’) [tradução própria]

“Se Deus castigasse imediatamente no momento em que o homem o ofende, não seria tão desprezado como se vê. E porque não o faz assim, movido de sua misericórdia nos espera e retarda o castigo; os pecadores enchem-se de orgulho e continuam ofendendo-o. Os filhos dos homens, diz o Eclesiastes, vendo que não se pronuncia logo a sentença dos maus, cometem a maldade sem temor algum. Devemos, porém, persuadir-nos de que Deus espera e sofre; mas não espera e sofre sempre. Seguindo Sansão a tratar com Dalila, esperava livrar-se das armadilhas dos filisteus, como o fizera outras vezes; mas desta vez foi preso por eles e lhe tiraram a vida. Não digas — adverte o Senhor — ‘pequei’, e que mal me adveio disso? Porque o Altíssimo, embora paciente e sofrido, dá o pago merecido. Ne dixeris, peccavi, et quid accidit mihi triste? Altissimus enim est patiens redditor (Ecl 5,4). Deus tem paciência até certo ponto; passado esse ponto, castiga os maiores pecados e os últimos; e quanto maior tiver sido a paciência de Deus, tanto maior será o seu castigo.” [tradução própria]

(Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões Abreviados para todas as domínicas do ano. Sermão XV para a primeira domínica da Quaresma – ‘Do número dos pecados’) [tradução própria]

“Por isso diz Crisóstomo que mais devemos temer a Deus quando tolera do que quando castiga imediatamente. E por quê? Porque, como diz São Gregório, aqueles com quem Deus usa de mais misericórdia são castigados com muito maior rigor se dela abusam. […] Ouve o que diz São Gregório: «Aquele que prometeu perdão ao penitente não prometeu o dia de amanhã ao pecador.» (Homil. 12, in Evang.) Deus prometeu o perdão a quem se arrepende; mas não prometeu esperar até amanhã a quem o ofende. Quiçá o Senhor vos concederá tempo de penitência, e quiçá vo-lo negará. Mas se vo-lo nega, qual será a sorte de vossa alma? Entretanto vos pondes em perigo de perdê-la por um vil prazer, e de condenar-vos para sempre.” [tradução própria]

(Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões Abreviados para todas as domínicas do ano. Sermão XV para a primeira domínica da Quaresma – ‘Do número dos pecados’) [tradução própria]

“2. Missit me Domine, ut mederer contritis corde. Deus está pronto a sanar os que têm vontade de emendar a vida; mas não pode compadecer-se dos que vivem obstinados no pecado. Perdoa os pecados, mas não pode perdoar o propósito de pecar. Não podemos reconvir a Deus porque perdoa cem pecados a um e tira a vida e condena ao inferno a outro ao terceiro ou quarto pecado que comete. Acerca disso é necessário adorar os juízos divinos e exclamar com o Apóstolo: «Ó profundidade dos tesouros da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os teus juízos!» (Rm 11,33). O que é perdoado — diz Santo Agostinho — o é pela sola misericórdia de Deus; e o que é castigado, o é pela justiça. A quantas almas enviou Deus ao inferno pelo primeiro pecado que cometeram!” (Santo Afonso Maria de Ligório, Sermões Abreviados para todas as domínicas do ano. Sermão XV para a primeira domínica da Quaresma – ‘Do número dos pecados’) [tradução própria]

“Deus diz: Do pecado perdoado não queiras estar sem temor; nem acrescentes pecados a pecados: De propitiato peccato noli esse sine metu, neque adjicias peccatum super peccatum (Ecl 5,5). Não digas, pois, pecador, que assim como Deus me perdoou os outros pecados, assim também me perdoará este se o cometo. Não o digas; porque se acrescentas um pecado novo ao pecado que já te foi perdoado, deves temer que este se una ao primeiro e que, deste modo, se complete o número e sejas abandonado por Deus. Ouve como o explica mais claramente a Escritura em outro lugar: Dominus patienter expectat, ut eas cum judicii dies advenerit, in plenitudine peccatorum puniat: «O Senhor sofre agora com paciência para castigar as nações no dia do juízo, preenchida que seja a medida de seus pecados.»” [tradução própria]

(Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a morte, Consideração XVIII) [tradução própria]

“Dizes que o Senhor é Deus de misericórdia. Aqui se oculta o terceiro engano, comuníssimo entre os pecadores, e pelo qual não poucos se condenam. Escreve um sábio autor que mais almas envia ao inferno a misericórdia do que a justiça de Deus, porque os pecadores, confiando temerariamente naquela, não deixam de pecar e se perdem. O Senhor é Deus de misericórdia, quem o nega? E, no entanto, a quantas almas manda Deus cada dia às penas eternas! É, em verdade, misericordioso, mas também é justo; e por isso se vê obrigado a castigar quem o ofende. Usa de misericórdia com os que o temem (Sl 102,11-13). Mas nos que o desprezam e abusam da clemência divina para mais ofendê-lo, tem de responder somente a justiça de Deus. E com grave motivo, porque o Senhor perdoa o pecado, mas não pode perdoar a vontade de pecar. O que peca — diz Santo Agostinho — pensando que se arrependerá depois de haver pecado, não é penitente, mas faz zombaria e menosprezo de Deus. Além disso, o Apóstolo nos adverte (Gl 6,7) que de Deus ninguém se ri; e que irrisão maior haveria do que ofendê-lo como e quando quiséssemos, e logo aspirar à glória? «Mas assim como Deus foi tão misericordioso comigo na minha vida passada, espero que o seja também no porvir.» Este é o quarto engano. De modo que porque o Senhor se compadeceu de ti até agora, há de ser sempre clemente e nunca te castigará?… Antes, quanto maior tiver sido a sua clemência, tanto mais deves temer que não volte a perdoar-te e que te castigue com rigor logo que o ofendas de novo. «Não digais — exclama o Eclesiástico (5,4) — pequei, e não recebi castigo, porque o Altíssimo, embora seja paciente, nos dá o que merecemos.» Quando a sua misericórdia chega ao limite que para cada pecador tem determinado, então o castiga por todas as culpas que o ingrato cometeu. E a pena será tanto mais dura quanto mais longo tiver sido o tempo em que Deus esperou o culpado, diz São Gregório. Se vires, pois, irmão meu, que, apesar de tuas frequentes ofensas a Deus, ainda não foste castigado, deves dizer: «Senhor, grande é minha gratidão, porque me livrastes do inferno, que tantas vezes mereci.» Considera que muitos pecadores, por culpas bem menos graves do que as tuas, se condenaram irremissivelmente, e trata além disso de satisfazer por teus pecados com o exercício da paciência e de outras boas obras. A benevolência com que Deus te tratou deve animarte não só a deixar de ofendê-lo, mas a servi-lo e amá-lo sempre, já que contigo mostrou imensa misericórdia, a muitos outros negada.” [tradução própria]

(Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a morte, Consideração XXIII, ponto II) [tradução própria]

Santa Teresa de Jesus

“Ó, valha-me Deus!, quanto faz ter adormecida a fé para pedir e receber, pois não acabamos de entender que o castigo é certo e o prêmio também.” (Santa Teresa de Jesus, Caminho de Perfeição 30,3) [tradução própria]

“Bom castigo ganharam com as suas próprias mãos e bem o mereceram pelos seus deleites, o fogo eterno. Lá se vejam com isso!” [tradução própria]

(Santa Teresa de Jesus, Caminho de Perfeição 1,4) [tradução própria]

“Era mais penoso para meu caráter receber mercês quando havia caído em grandes culpas do que receber castigos; porque uma mercê sozinha me parece, certamente, que me desfazia e confundia mais e me fatigava do que muitas doenças com outros muitos trabalhos juntos; porque isso via eu que o merecia e me parecia que com isso pagava algo de meus pecados, embora tudo fosse pouco, pois eram muitos; mas ver-me receber de novo mercês pagando tão mal as recebidas, é um tormento para mim terrível, e creio que para todos os que tiverem algum conhecimento ou amor de Deus, e isso podemos deduzi-lo do que sente uma pessoa sensível, virtuosa e delicada.” [tradução própria]

(Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 7,19) [tradução própria]

«Pode-se conversar e falar Convosco de tudo, quando quisermos, depois de termos perdido o primeiro espanto e o temor de ver Vossa Majestade, ficando maior temor de ofender-Vos; mas, não por medo do castigo, Senhor meu, porque este não se tem em nada em comparação de perder-Vos a Vós.» (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 37,6) [tradução própria]

São João Crisóstomo

“Porque há homens que só pagam por seus pecados nesta vida, como aqueles de quem fala São Paulo numa primeira carta aos coríntios (1 Cor 11), que profanam os mistérios cristãos; mas há outros que são castigados no outro mundo, como o rico condenado de que fala São Lucas (Lc 16); e há outros, enfim, como os judeus, que levam uma vida intolerável neste mundo desde a tomada de Jerusalém, e a quem estão reservados no outro mundo outros castigos mais severos.” [tradução própria]

(São João Crisóstomo, Homiliae in Matthaeum, hom. 41,3) [tradução própria]

“Deus castiga a certos pecadores, destruindo a sua malícia e decretando pena mais leve para eles; os separa dos outros e corrige os que vivem no mal com a condenação de alguns. Além disso, aqui não castiga outros, com o fim de que, se fizerem penitência, evitem os castigos presentes e a pena eterna; mas se perseverarem em sua malícia, haverão de sofrer maior tormento.” (São João Crisóstomo, hom. 5 De Lázaro) [tradução própria]

Santa Teresinha de Lisieux

“Pensava nas almas que se oferecem como vítimas à justiça de Deus para desviar e atrair sobre si mesmas os castigos reservados aos culpados […] Se a tua justiça, que só se estende à terra, gosta de descarregar-se, quanto mais o teu amor misericordioso desejará abrasar as almas, pois a tua misericórdia se eleva até o céu […] Ó Jesus meu!, que eu seja essa vítima feliz. Consome o teu holocausto com o fogo do teu amor divino! […] A mim deu-me a sua misericórdia infinita, e através dela contemplo e adoro as demais perfeições divinas! Então, todas se me apresentam radiantes de amor; inclusive a justiça (e talvez mais do que todas as demais) me parece revestida de amor.” [tradução própria]

(Santa Teresinha de Lisieux – História de uma Alma) [tradução própria]

São Isidoro de Sevilha

“Compreenda o justo que a adversidade o prova, não o abate. Então se fixa mais nos justos o olhar de Deus, quando em sua excelsa Providência permite que sejam afligidos… Porque então se lhes prepara o gozo eterno quando são postos à prova pelas tribulações presentes. Quem reflete atentamente nos prêmios da vida futura suporta com equanimidade todos os males da vida presente, porque com a doçura daquela suaviza a amargura desta, e pela eternidade daquela, a curta duração desta. Serve de proveito aos que suportam os males desta vida o verem-se abatidos por diversas desgraças temporais, porque, quando sentem o peso da dor, não ambicionam os males da cobiça, nem da luxúria, nem dos demais vícios.” (São Isidoro de Sevilha, Do Livro das Sentenças) [tradução própria]

São João de Ávila

“Jesus Cristo quer salvar sua alma de verdade… E querendo salvá-la a solicita por muitos meios esta salvação, muitos dos quais serão a V.S. conhecidos, pois sabe das inspirações, das ocasiões que para seu bem Deus lhe proporcionou; e outras não entenderá, por serem encobertadas ou por não olhar nelas… Tenha V.S. por certo que isso que lhe envia (a doença) é mensagem de amor e de paz; embora pareça cruel guerra e açoite, e como a peixe grande, leva-o rio abaixo e rio acima até cansá-lo, não para cansá-lo, que é seu pai, e não se deleita em vê-lo padecer, mas para que, vendo-se cansado, se vá a Jesus Cristo a descansar.” [tradução própria]

(São João de Ávila, Da Carta 14. «A um senhor destes reinos») [tradução própria]

São Francisco de Sales

“Quando não temos cuidado de recolher as suavidades e as delícias do amor de Deus no seu devido tempo, afasta-as de nós, em castigo da nossa preguiça.” [tradução própria]

(São Francisco de Sales, Introdução à Vida Devota, Capítulo XVI) [tradução própria]

“Um dos piores defeitos que pode ter uma pessoa é ser zombeteira: Deus aborrece em grande medida este vício e, às vezes, o castiga de maneira extraordinária.” [tradução própria]

(São Francisco de Sales, Introdução à Vida Devota, Capítulo XXVII) [tradução própria]

Padres Apostólicos e Padres da Igreja

São Clemente de Roma

“Aceitemos a correção e disciplina, pela qual ninguém deve sentir-se perturbado, amados. A admoestação que nos fazemos uns aos outros é boa e sumamente útil; porque nos une à vontade de Deus. Porque assim diz a santa palavra: Certamente o Senhor me castigou, mas não me entregou à morte. Porque o Senhor repreende aquele que ama, e açoita todo filho que recebe. Porque o justo, diz-se, me castigará na misericórdia e me repreenderá, mas que o óleo dos pecadores não unja minha cabeça. E ainda diz: Bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige, e não despreza a correção do Todo-Poderoso. Porque é ele quem faz a ferida e ele a vendará; ele fere e suas mãos curam. Em seis tribulações te livrará da aflição; e na sétima não te tocará o mal. Na fome te salvará da morte, e na guerra te livrará do braço da espada. Do açoite da língua te guardará, e não terás medo dos males que se aproximam. Dos maus e dos injustos te ririás, e das feras não terás temor. Pois as feras estarão em paz contigo. Então saberás que haverá paz em tua casa; e a habitação de tua tenda não irá mal, e saberás que tua descendência é numerosa, e tua prole como a erva do campo. E chegarás ao sepulcro maduro como uma gavinha segada a seu tempo, ou como o montão na eira, recolhido em seu devido tempo. Como podeis ver, amados, grande é a proteção dos que foram disciplinados pelo Senhor; porque sendo um bom pai, nos castiga com vistas a que possamos obter misericórdia por meio do seu justo castigo.” [tradução própria]

(Clemente Romano, Epístola aos Coríntios, LVI) [tradução própria]

São Barnabé

“Mas o caminho do «Negro» é tortuoso e cheio de maldição, pois é caminho de morte eterna com castigo, em que estão as coisas que perdem a alma dos que o seguem: idolatria, temeridade, altivez de poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, assassinato, roubo, soberbia, transgressão, engano, maldade, arrogância, feitiçaria, magia, avareza, falta de temor de Deus.” [tradução própria]

(Epístola de Barnabé, XX,1) [tradução própria]

São Policarpo de Esmirna

“E prestando atenção à graça de Cristo, desprezavam as torturas do mundo, comprando ao custo de uma hora o ser libertos de um castigo eterno.” [tradução própria]

(Martírio de Policarpo, III) [tradução própria]

São Ireneu de Lyon

“Outro erro consistiu em arrancar ao Pai o julgamento e o castigo, pensando que esse poder é impróprio de Deus. Por isso imaginaram ter encontrado um Deus «bom e sem ira», assim como outro Deus «cujo ofício é julgar» e «outro para salvar». Esses pobres não se deram conta de que a um e a outro privam da sabedoria e da justiça. Pois, se o juiz não fosse ao mesmo tempo bom, como daria prêmio a quem o merece e repreenderia a quem necessita? Um juiz desse tipo não seria nem sábio nem justo. E se fosse um Deus bom e unicamente bom, mas sem julgamento para julgar quem merece essa bondade, tal Deus não seria nem justo nem bom, pois sua bondade seria impotente; nem poderia ser salvador universal se carece de discernimento.

“Marcião, por sua parte, ao dividir a Deus em dois, aos quais chamou ao primeiro «bom» e ao segundo «justo», acabou matando a Deus pelos dois lados. Porque se o Deus «justo» não é ao mesmo tempo «bom», tampouco pode ser Deus aquele a quem falta a bondade; e por outra parte, se é «bom» mas não «justo», do mesmo modo sofreria que lhe arrebatassem o ser Deus.” [tradução própria]

(São Ireneu de Lyon, Contra todas as heresias, Livro III, 25, 2-3) [tradução própria]

“Mas, Hermas, não guardes mais rancor contra teus filhos, nem permitas que tua irmã faça o que quiser, para que possam ser purificados de seus pecados anteriores. Porque eles serão castigados com castigo justo, a menos que tu mesmo guardes rancor contra eles.” [tradução própria]

(O Pastor de Hermas, Segunda Visão, Sexta Parábola, III (7)) [tradução própria]

“Porque um homem é atormentado durante tantos anos quantos dias viveu na autoindulgência. Vês, pois», disse-me ele, «que o tempo da autoindulgência e do engano é muito curto, mas o tempo do castigo e do tormento é longo.” [tradução própria]

(O Pastor de Hermas, Quinta Visão, Sexta Parábola, IV (64)) [tradução própria]

Aparições Marianas aprovadas pela Igreja

Nossa Senhora de Fátima

“Viram o inferno, aonde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no pontificado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida (isso ocorreu em 28 de janeiro de 1938), sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e das perseguições à Igreja e ao Santo Padre.”

(Virgem de Fátima, Aparição de 13 de julho de 1917)

Nossa Senhora de Akita

“Como te disse, se os homens não se arrependem e se melhoram, o Pai infligirá um terrível castigo a toda a humanidade. Será um castigo maior do que o dilúvio, tal como nunca se viu antes. Fogo cairá do céu e eliminará grande parte da humanidade, tanto os bons como os maus, sem fazer exceção de sacerdotes nem de fiéis. Os sobreviventes se encontrarão tão desolados que invejará os mortos. As únicas armas que lhes restarão serão o rosário e o sinal deixado pelo meu Filho. Cada dia recitai as orações do rosário. Com o rosário, rezai pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes.”

(Virgem de Akita, Aparição de 13 de outubro de 1973)

Jesus da Divina Misericórdia

“Um dia Jesus me disse que ia castigar uma cidade, que é a mais bela de nossa pátria. O castigo seria igual àquele com que Deus castigou Sodoma e Gomorra. Vi a grande ira de Deus e um calafrio me perpas­sou o coração. Roguei em silêncio. Um momento depois Jesus me disse: Minha filha, durante o sacrifício, une-te estreitamente a Mim e oferece ao Pai Celestial o Meu Sangue e as Minhas Chagas como propiciação pelos pecados desta cidade. Repete isso ininterruptamente durante toda a Santa Missa.” Santa Maria Faustina Kowalska, Diário ‘A Divina Misericórdia na minha alma’, 39″

“Ó minha alma, adora o Senhor por tudo e glorifica a sua misericórdia, porque a sua bondade não tem limites. Tudo passará, mas a sua misericórdia não tem limites nem fim; se bem que a maldade chegue a encher a sua medida, na misericórdia não há medida. Ó meu Deus, mesmo nos castigos com que feres a terra vejo o abismo de Tua misericórdia, porque castigando-nos aqui na terra, nos livras do castigo eterno. Alegrem-se todas as criaturas, porque estão mais perto de Deus em sua infinita misericórdia do que o recém-nascido do coração de sua mãe. Ó Deus, que és a própria Piedade para os maiores pecadores sinceramente arrependidos; quanto maior é o pecador, tanto maior é o direito que tem à Divina Misericórdia.” Santa Maria Faustina Kowalska, Diário ‘A Divina Misericórdia na minha alma’, 423″

“Quando assim rezava, vi a impotência do anjo que não podia cumprir o justo castigo que correspondia pelos pecados. Nunca antes havia rogado com tal potência interior como então. As palavras com as quais suplicava a Deus são as seguintes: Pai Eterno, ofereço-Te o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade do Teu Amadíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, pelos nossos pecados e pelos do mundo inteiro. Por sua dolorosa Paixão, tem misericórdia de nós.” Santa Maria Faustina Kowalska, Diário ‘A Divina Misericórdia na minha alma’, 475″

“Ao final do Via Crucis que eu estava fazendo, o Senhor Jesus começou a queixar-se das almas dos religiosos e dos sacerdotes, da falta de amor nas almas escolhidas. Permitirei destruir os conventos e as igrejas. Respondi: Jesus, mas são tão numerosas as almas que Te louvam nos conventos. O Senhor respondeu: Este louvor fere o Meu Coração, porque o amor foi expulso dos conventos. Almas sem amor e sem devoção, almas plenas de egoísmo e de amor próprio, almas soberbas e arrogantes, almas plenas de enganos e hipocrisia, almas tépidas que mal têm o calor suficiente para manterem-se vivas. O Meu Coração não pode suportá-lo. Todas as graças que derramo sobre elas cada dia escorregam como sobre uma rocha. Não posso suportá-las, porque não são nem boas nem más. Institui conventos para santificar o mundo por meio deles. Deles há de brotar uma potente chama de amor e de sacrifício. E se não se converterem e não se inflamarem de seu amor inicial, entregá-las-ei ao extermínio deste mundo… Como poderão sentar-se no trono prometido, a julgar o mundo, se suas culpas pesam mais do que as do mundo? Nem penitência nem reparação… Ó coração que Me recebeste pela manhã e ao meio-dia ardes de ódio contra Mim sob as formas mais variadas. Ó coração, terei sido escolhido especialmente por Mim para fazer-Me sofrer mais? Os grandes pecados do mundo ferem o Meu Coração algo superficialmente, mas os pecados de uma alma escolhida transpassam o Meu Coração por completo…”

“Quando tratei de interceder a favor delas não pude encontrar nada para justificá-las e, sem poder imaginar nada em defesa delas naquele momento, partiuse-me o coração de dor e chorei amargamente. Então o Senhor olhou-me bondosamente e consolou-me com estas palavras: Não chores, ainda há um grande número de almas que Me amam muito; mas o Meu Coração deseja ser amado por todos e, porque o Meu amor é grande, ameaço-os e castigo-os.» Santa Maria Faustina Kowalska, Diário ‘A Divina Misericórdia na minha alma’, 1702-1703”