“A Jesus por Maria”

É evidente que, quando o mundo islâmico, tão resistente à conversão, finalmente aceitar o Evangelho e reconhecer a divindade de Jesus Cristo, a devoção a Maria florescerá nele sem dificuldade. Pois Maria já é venerada dentro do Islã, não como Mãe de Deus, mas como Mãe do mais santo dos profetas.

O Corão nos fala dela: “Ó Mariam, Deus te escolheu, te purificou e te escolheu acima de todas as mulheres de todos os mundos.”

Um “hadith”, isto é, um texto da tradição, também proclama que Maria é Imaculada: “Todo filho de Adão, logo ao nascer, é tocado por Satanás, com exceção do Filho de Maria e de sua Mãe.”

A primazia de Maria sobre todas as mulheres não admitia exceção para Maomé; a mulher preferida, Aisha, sentia-se no cume, mas não superior a Maria; de fato, ela diria:

“Eu supero todas as mulheres, exceto naquilo que foi concedido a Mariam.”

E o próprio fundador do Islã teria dito à sua filha Fátima: “Tu serás a primeira das mulheres no Paraíso, depois de Mariam.”

O lugar de Maria no Islã é, portanto, muito elevado, e o Pe. Perbal, citando os textos acima, observava a esse propósito: “Enquanto os judeus caluniavam a mulher de sua nação, a filha de seus reis, o Islã a defendia e a defende, glorifica-a sempre. Para eles, Mariam é a Mãe virgem e Imaculada do profeta sublime, Jesus, o mais santo dos profetas; para eles ela é uma ‘oualiya’, isto é, uma santa elevada pelo Senhor à mais alta santidade, de modo que é favorecida com a ‘isma’, isto é, com a plenitude da perfeição, e assim está como superior a todas as mulheres.”

And. V. Seumois, S.M.I., Enciclopédia Mariana “Theotokos” — Ed. Studium — pp. 221-222

Maria e os muçulmanos, Arcebispo Fulton J. Sheen, escrito em 1952 e reimpresso em outubro de 2001 por Mindszenty Report.

Traduzido para o espanhol por Corazones.org

O maometismo é a única grande religião pós-cristã do mundo. Como teve início com Maomé no século VII, pôde reunir certos elementos do cristianismo e do judaísmo, junto com outros costumes da Arábia. O Islã adota a doutrina da unidade de Deus, sua majestade e seu poder criador, e a utiliza para repudiar Cristo, o Filho de Deus.

O Poder do Islã

Interpretando mal a noção da Trindade, Maomé fez de Cristo um profeta que o anunciava a ele (Maomé), assim como nós, cristãos, temos Isaías e João Batista como profetas que anunciavam Cristo.

O Ocidente europeu cristão quase não escapou da destruição nas mãos dos muçulmanos. Uma vez eles foram detidos perto de Tours e, outra vez, mais tarde, às portas de Viena. A Igreja de todo o norte da África foi praticamente destruída pelo poder muçulmano. Atualmente, os muçulmanos começam a erguer-se de novo.

Se o Islã é uma heresia, como crê Hilaire Belloc, então seria a única heresia que nunca diminuiu. Outras tiveram seu momento de vigor, para depois entrar em decadência doutrinal com a morte de seu líder e, finalmente, evaporar-se num vago movimento social. O maometismo, ao contrário, só experimentou sua primeira fase. Nunca houve um tempo em que diminuísse, nem em número nem na devoção de seus fiéis.

Os esforços missionários da Igreja para com esse grupo foram, ao menos na superfície, um fracasso, pois os muçulmanos são, até agora, quase inconvertíveis. A razão é que, para um seguidor de Maomé, converter-se ao cristianismo seria como para um cristão converter-se ao judaísmo. Os muçulmanos creem que possuem a revelação final e definitiva de Deus para o mundo, e que Cristo foi apenas um profeta que anunciava Maomé, o último dos verdadeiros profetas de Deus.

Em nossos tempos, o ódio dos países muçulmanos ao Ocidente está se convertendo em ódio contra o próprio cristianismo. Embora os estadistas ainda não tenham levado isso em conta, ainda existe um grave perigo de que o poder temporal do Islã retorne e, com ele, a ameaça de abalar duramente um Ocidente que deixou de ser cristão. Escritores muçulmanos dizem: “Quando as pragas de gafanhotos escurecem os países, levam em suas asas estas palavras em árabe: ‘Somos os mensageiros de Deus e cada um de nós tem 99 ovos; se tivéssemos 100, devastaríamos o mundo e tudo o que nele existe.’”

O problema é como impedir a incubação do ovo número 100. É nossa firme convicção que os temores que alguns nutrem a respeito dos muçulmanos não se realizarão; pelo contrário, o maometismo acabará por converter-se ao cristianismo, e de uma forma que nem muitos de nossos próprios missionários suspeitam. Cremos que isso acontecerá não pelo ensino direto do cristianismo, mas por meio de um chamado aos muçulmanos para venerarem a Mãe de Deus. Esta é a linha de argumentação:

Maria, Mãe de Deus

O Corão, que é a Bíblia dos muçulmanos, contém muitas passagens referentes à Santíssima Virgem. Primeiro, o Corão crê em sua Imaculada Conceição e também em seu parto virginal. O terceiro capítulo do Corão coloca a história da família de Maria numa genealogia que remonta a Abraão, Noé e Adão. Quando se comparam os relatos do Corão e do evangelho apócrifo sobre o nascimento de Maria, somos tentados a crer que Maomé dependia muito deste último. Os dois livros descrevem a idade avançada e a esterilidade da mãe de Maria. Quando, apesar de tudo, ela concebe, a mãe de Maria proclama, segundo o Corão: “Ó Senhor, eu te ofereço e consagro a ti o que já está em mim. Aceita-o de mim.”

Quando Maria nasce, sua mãe exclama: “E eu a consagro, com toda a sua descendência, sob tua proteção, ó Deus, contra Satanás!”

O Corão passa por alto José na vida de Maria, mas a tradição muçulmana conhece seu nome e tem alguma familiaridade com ele. Nessa tradição, José fala com Maria, que é virgem. Ao perguntar-lhe como ela concebeu Jesus sem pai, Maria responde: “Não sabes que Deus, quando criou o trigo, não precisou de semente, e que Deus, por seu poder, fez crescer as árvores sem ajuda da chuva? Tudo o que Deus fez foi dizer: ‘Faça-se’, e fez-se.”

O Corão também contém versos sobre a Anunciação, a Visitação e o Nascimento. Contém imagens de anjos acompanhando a Santa Mãe e dizendo: “Ó Maria, Deus te escolheu e purificou, e te escolheu acima de todas as mulheres da terra.”

No décimo nono capítulo do Corão há 41 versos sobre Jesus e Maria. Há aqui tamanha defesa da virgindade de Maria que o Corão, em seu quarto livro, atribui a condenação dos judeus à monstruosa calúnia deles contra a Virgem Maria.

O Significado de Fátima

Maria, portanto, é para os muçulmanos a verdadeira Sayyida, ou Senhora. A única rival séria possível em seu credo seria a filha do próprio Maomé, cujo nome é Fátima. Mas, depois da morte de Fátima, Maomé escreveu: “Tu serás a mais bendita entre todas as mulheres do paraíso, depois de Maria.” Numa variante do texto, Fátima diz: “Supero toda mulher, exceto Maria.”

Isso nos leva ao nosso segundo ponto: por que a Santa Mãe, no século XX, revelou-se na pequena aldeia de Fátima, para que todas as futuras gerações a conhecessem como “Nossa Senhora de Fátima”? Como nada acontece desde o céu sem a maior fineza de detalhe, creio que a Santíssima Virgem escolheu ser conhecida como “Nossa Senhora de Fátima” como promessa e sinal de esperança para o povo muçulmano, e como garantia de que eles, que lhe manifestam tanto respeito, um dia aceitarão também seu Filho divino.

A evidência que apoia essas opiniões encontra-se no fato histórico de que os muçulmanos ocuparam Portugal durante séculos. Quando finalmente foram expulsos, o último chefe muçulmano tinha uma bela filha chamada Fátima. Um jovem católico apaixonou-se por ela e, por ele, ela não apenas ficou quando os muçulmanos se retiraram, mas também abraçou a Fé. O jovem esposo estava tão apaixonado por ela que mudou para Fátima o nome do povoado onde vivia. Portanto, o lugar onde a Virgem apareceu em 1917 tem uma conexão histórica com Fátima, a filha de Maomé (e com a conversão dos muçulmanos).

A última prova da relação entre Fátima e os muçulmanos é a recepção entusiástica que os muçulmanos na África, na Índia e em outros lugares deram à imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Muçulmanos assistiram a serviços da Igreja em honra de Nossa Senhora, permitiram procissões religiosas e até orações diante de suas mesquitas. Em Moçambique, muçulmanos que não se haviam convertido começaram a tornar-se cristãos depois que a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi erigida.

Missão Estratégica

Os missionários do futuro verão, cada vez mais, que seu apostolado entre os muçulmanos será bem-sucedido na medida em que proclamarem Nossa Senhora de Fátima; Maria é o advento de Cristo, que leva Cristo ao povo antes que Cristo nasça. No trabalho apologético, é sempre melhor começar pelo que as pessoas já aceitam. Como os muçulmanos têm devoção à Virgem, nossos missionários deverão contentar-se em aumentar e desenvolver essa devoção, com plena consciência de que Nossa Senhora conduzirá os muçulmanos pelo restante do caminho até seu divino Filho. Assim como aqueles que perdem a devoção à Virgem perdem a fé na divindade de Cristo, aqueles que intensificam a devoção a ela adquirem gradualmente a fé na divindade de Cristo.

Muitos de nossos grandes missionários na África conseguiram quebrar o ódio amargo e os preconceitos dos muçulmanos contra os cristãos por meio de seus atos de caridade, escolas e hospitais. Agora resta-nos tomar outro caminho: tomar o capítulo 41 do Corão e mostrar-lhes que foi tirado do Evangelho de Lucas, que Maria não poderia ser, mesmo para eles, “a mais bendita entre todas as mulheres do céu”, se não tivesse também dado à luz o Salvador do mundo. Se Judite e Ester, do Antigo Testamento, prefiguravam Maria, então pode ser que Fátima fosse uma figura posterior de Maria. Os muçulmanos deverão estar preparados para reconhecer que, se Fátima cede em honra à Santíssima Mãe, é porque ela é diferente de todas as mães do mundo, e que sem Cristo ela nada seria.