Pergunta de uma leitora:
Senhores Missionários da Palavra: eu só quero saber o seguinte: é verdade que a Bíblia diz que Maria teve mais filhos e que não foi virgem? Tenho muitos amigos e familiares protestantes que me dizem isso constantemente.
Como posso responder-lhes?
Resposta:
Saudações, Rosário, e obrigado por nos ligar. Eis a resposta à sua pergunta sobre “a Virgem Maria”.
Estudemos atentamente a Bíblia sobre este tema e vamos dando respostas desde o mais simples até o mais profundo.
1. Na Bíblia não existem as palavras “filhos de Maria”.
É incrível que muita gente diga isso com tanta facilidade, quando nenhuma Bíblia, em nenhum idioma e em nenhuma versão, usa o plural “filhos de Maria”. Sempre, em todas as Bíblias do mundo, fala-se no singular: “o Filho de Maria”. Afirmar que a Bíblia diz “filhos de Maria” é um erro tremendo, fruto do desconhecimento da Sagrada Escritura ou de querer tirar da Palavra de Deus coisas que ela não ensina. Há muitos “irmãos” que leem muito a Bíblia, mas a conhecem muito pouco.
Muitas vezes, quando alguém nos escreve, nos telefona ou fala conosco pelo rádio, perguntamos se pode nos dar uma única citação onde diga “filhos de Maria”, e nunca conseguem responder. Nem conseguirão, porque isso não existe. Se alguém não pensa assim, respeitamos sua crença, mas a Bíblia é clara neste aspecto. Então, se a Palavra de Deus não diz isso, de onde alguns tiram que ela teve mais filhos? Expliquemos no ponto seguinte.
2. A palavra “irmão” podia significar tio, primo, esposa, noiva, conterrâneo, sobrinho, etc.
Na realidade, o erro vem do fato de que os protestantes, quando leem que a Bíblia fala dos “irmãos de Jesus” (Mc 6,1ss), interpretam isso literalmente e pensam: ah… se Jesus teve irmãos, então a Virgem Maria teve mais filhos.
Esta é uma má interpretação, porque a própria Bíblia nos ensina que, naquele tempo e naquelas línguas, a palavra “irmão” = ah, ou “irmã” = ahot em hebraico, e adelphos em grego, não significava somente irmão de sangue. Era uma palavra muito comum e também usada para chamar:
+ o tio e o sobrinho (Gn 12,5 e Gn 13,8)
+ a esposa e a noiva (Ct 4,9)
+ o conterrâneo (At 7,1-2)
+ o correligionário (1Cr 15,4-5), etc.
A raiz da interpretação inadequada é que muitos protestantes começam a ler a Bíblia e pensam que as palavras escritas há 2.000 ou 3.000 anos, em outros idiomas e em outras culturas, sempre significam exatamente a mesma coisa que significam hoje. Isso pode levar a muita confusão.
Ao fazer um estudo com a Bíblia em CD-ROM para computador, comprovamos o seguinte: em questão de segundos podemos saber quantas vezes aparecem na Bíblia as palavras tio, sobrinho, sogra, primo, esposa, avô… você se surpreenderá e confirmará que a maioria delas aparece 40, 70 ou 90 vezes; em contrapartida, a palavra irmão aparece pelo menos 1.187 vezes.
Lembre-se disso. Eles usavam essas palavras para o parentesco, mas o mais comum era chamar todos eles de “irmãos”.
Por isso, na Sagrada Escritura há ocasiões em que dizem a Jesus que seus “irmãos” o procuram, quando na realidade se tratava apenas de parentes.
Mas… há algo mais que possamos explicar sobre isso? Claro que sim.
3. O pai do suposto “irmão de Jesus” não era José, mas Alfeu ou Zebedeu.
Se Tiago fosse irmão carnal ou de sangue de Jesus, como entendem os protestantes (Mc 6,1-3), então seu pai deveria ser José. Pois bem, ao ler a Palavra de Deus encontramos que Tiago, “o irmão do Senhor”, era apóstolo (Gl 1,19); e, ao ver a lista dos doze apóstolos, ela não diz que o pai dele era José, mas outra pessoa. Leiamos diretamente da Bíblia:
“Tiago, filho de Zebedeu… Tiago, filho de Alfeu” Mt 10,2-3
Assim, nenhum dos dois Tiagos era filho de José; e, se não são filhos de José, também não são filhos de Maria. E se não são filhos de Maria, por que andam dizendo algo que não está na Bíblia? Como vê, irmã Rosário, e como mencionamos anteriormente, trata-se antes de parentes de Jesus.
4. José não pode ser filho de José.
Ao ler o Evangelho de São Marcos encontramos que o segundo suposto irmão, depois de Tiago, é José.
O protestante rapidamente dirá que é assim, mas isso é completamente falso pela seguinte razão. Desde aqueles tempos, e ainda hoje, nesses países de cultura semítica (Israel, Arábia, Egito, etc.), eles fazem o contrário de nós. Em nosso tempo é comum que, se o pai se chama João, ponha o mesmo nome em um de seus filhos; ou, se se chama Pedro, ponha Pedro em um deles. É o que fazemos hoje.
Os judeus faziam e fazem exatamente o contrário: nunca dão ao filho o mesmo nome idêntico. Mudam alguma coisa — qualquer letra, vírgula ou apóstrofo — mas nunca exatamente o mesmo nome. Em palavras mais simples, na Bíblia não há “júniores”. Por isso José não pode ser filho de José.
Nem sequer ao filho de Zacarias deram o mesmo nome, embora tenham tentado quando viram algo milagroso acontecer ao seu redor. Acabaram dando-lhe o nome de João.
Às vezes, quando somos convidados a programas de rádio, dizemos aos nossos irmãos protestantes que nos telefonem e nos digam o nome de um só judeu, na Bíblia, que tenha dado ao filho exatamente o mesmo nome, e eles nunca nos telefonam. Nem telefonarão, porque isso não existe.
5. Na cruz, como não havia irmãos, Jesus teve de deixar sua mãe Maria com um discípulo.
Quando chegou o momento de morrer na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo sabia que tinha de deixar sua mãe Maria com alguém, pois José já havia morrido e também era malvisto que uma mulher ficasse sozinha. Então, como não havia nenhum irmão, teve de entregá-la a um de seus discípulos, João:
“… Disse ao discípulo: eis aí tua mãe; e depois à sua mãe: eis aí teu filho” Jo 19,26
Será que muitos irmãos protestantes que afirmam que ele teve irmãos não leram isto? Se Jesus teve de fazer isso, foi precisamente porque eles não existiam.
6. A palavra “primogênito” tem um significado cultual, não matemático.
Este é outro dos “cavalos de batalha” de algumas seitas, pois dizem que, se Jesus foi o primogênito, então houve um segundo. Dão um significado matemático atual a uma palavra que tinha antes um sentido de relação com o culto. Podemos comprovar isso na Palavra de Deus:
“Fizeram assim porque na Lei do Senhor está escrito: todo varão primogênito será consagrado ao Senhor” Lc 2,22
Quando a Bíblia diz que Jesus é o primogênito, não está afirmando que houve um segundo e um terceiro. Isso é ter imaginação demais. Antes, está dizendo que, segundo as leis religiosas dos judeus, ele tinha de ser consagrado. Aos judeus não importava saber se teriam outro filho ou não.
O que lhes importava era cumprir a lei do culto que estabelecia que todo varão primogênito seria consagrado a Deus.
Há algum tempo eu conversava com um irmão evangélico e ele comentou que não sabia como responder aos pontos anteriores, que precisava consultar seu pastor. Certamente terá muito que consultar…
Por isso agora há muitos que dizem: “Bom, está bem, ela não teve mais filhos; mas como Maria e José viveram como esposos, então ela já não foi virgem, e isso sim a Bíblia diz”. Respondamos a isso na seção seguinte.
7. A palavra “até” não significa que algo tenha acontecido depois.
Pois não. Acontece que em nenhuma parte a Sagrada Escritura diz que Maria e José tenham vivido conjugalmente. A passagem bíblica mais próxima, e a única que usam para pretender afirmar isso, é quando se diz que José não a “conheceu até que Jesus nasceu” (Mt 1,25). E como a palavra “conhecer” também era usada para falar das relações matrimoniais, então os protestantes dizem: “Está vendo? Ou seja, antes não, mas depois houve algo, porque diz que não a conheceu ‘até’ que Jesus nasceu”.
Conhecendo um pouco a Bíblia, é fácil responder a isso. Em primeiro lugar, é verdade que a palavra “conhecer” tinha esse significado; mas o erro está em pensar que a palavra “até” quer dizer que depois aconteceu algo — nem no espanhol de nosso tempo, nem nas línguas bíblicas.
Por exemplo, se alguém me pergunta se ocorreram terremotos na minha cidade natal, posso responder: “até quando eu vivi lá, não aconteceu nada”. Com isso não estou afirmando que depois que fui embora aconteceu algo, embora tenha usado a palavra “até”.
Igualmente a Bíblia diz:
“Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte” 2Sm 6,23
Acaso teve filhos depois de morta? Claro que não, e foi usada a palavra “até”. Sem dúvida, muitos irmãos separados têm imaginação demais.
8. A prova da História.
A Igreja sempre ensinou a virgindade perpétua de Maria. Esta é mais uma prova para os irmãos protestantes que muito tempo depois inventaram a história dos supostos filhos:
a) Santo Inácio de Antioquia já dá testemunho disso:
“O príncipe deste mundo ignorou a virgindade de Maria e seu parto, assim como a morte do Senhor: três mistérios retumbantes realizados no silêncio de Deus”. Por volta do ano 110.
c) Desde os primeiros séculos, a liturgia da Igreja celebra Maria como Aeiparthenos, a “sempre-virgem Maria”.
d) Maria “foi Virgem ao conceber seu Filho, Virgem durante a gravidez, Virgem no parto, Virgem depois do parto, Virgem sempre” — Santo Agostinho, por volta do ano 450.
e) Isto foi reafirmado muitas vezes pelo Magistério da Igreja, que proclamou a virgindade perpétua de Maria (IV Concílio de Latrão, em 1215), e modernamente pelo Concílio Vaticano II. Por isso, e por dois mil anos de história, sempre acreditamos, proclamamos e amamos a sempre Virgem Maria.
9. Um detalhe lógico da História.
Se Maria tivesse tido mais filhos, seria lógico que eles se casassem e tivessem filhos. Estes últimos teriam sido netos de Maria. Pelo ano 60 já deveria haver alguns deles.
Pois acontece que, naquele tempo, nem aos hereges mais ousados ocorreu dizer isso. Claro que NUNCA se atreveram a dizer tamanha barbaridade, porque rapidamente teriam saído a perguntar-lhes: “E você, de onde saiu?” Eles se conheciam e rapidamente os teriam desmentido.
Como não houve outros filhos, também não houve netos. A menos que os tivessem clonado… mas a clonagem não existia.
Por isso, em dois mil anos de história e com a Bíblia na mão, sempre acreditamos e proclamamos a sempre Virgem Maria.
P.S. Até Martinho Lutero, já protestante, a chamava assim em seu catecismo: a Sempre Virgem Maria.
Autor: Martin Zavala M.P.D.
Fonte: Defiendetufe.org