Comumente são chamados de mórmons os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Apesar de sua referência explícita a Jesus Cristo, sua doutrina politeísta e sua concepção de um processo evolutivo entre Deus e o homem diferem essencialmente das crenças das igrejas cristãs.

Desenvolvimento histórico

A Igreja dos Santos dos Últimos Dias foi fundada no estado de Nova York por Joseph Smith Jr., em 1830. Segundo seu próprio testemunho, Smith, guiado por uma revelação do anjo Morôni, encontrou e traduziu em 1827 o Livro de Mórmon, que constitui o principal texto sagrado da seita. Esse livro narrava como as tribos de Israel emigraram para a América séculos antes do nascimento de Cristo e viveram experiências semelhantes às relatadas na Bíblia.

Tendo emigrado para Kirtland, Ohio, onde se uniu a ele o pregador Sidney Rigdon, Smith fundou uma sociedade de tipo coletivista que também se estendeu ao Missouri. A instalação dos mórmons, com suas peculiaridades e seu acantonamento grupal, provocou a hostilidade de seus vizinhos, que cobriram o profeta de piche e penas e destruíram as propriedades da comunidade. Contudo, apesar da rejeição exterior, das rivalidades internas, do descumprimento de algumas profecias e de alguns fracassos econômicos, os mórmons se desenvolveram rapidamente. Expulsos do Missouri, onde Smith havia considerado a cidade de Independence como a nova Sião, fundaram em Illinois uma nova cidade, Nauvoo, cujo governo foi assumido pelo próprio Smith. Novamente, as rivalidades internas e as hostilidades externas provocaram uma intervenção militar que terminou com o linchamento de Smith em junho de 1844.

Com a morte de Smith, ocorreu a divisão entre seus seguidores. A maioria seguiu Brigham Young, que fundou Salt Lake City, em Utah, em 1846. Young promoveu a expansão missionária, principalmente no Reino Unido e na Escandinávia, e estabeleceu a poligamia em 1852. Suas pretensões de organizar uma autonomia teocrática o levaram a um confronto com o governo do presidente James Buchanan; a guerra de Utah, em 1857, significou o fim do domínio mórmon na região. Em 1890, a igreja renunciou à poligamia.

Uma minoria havia permanecido em Iowa e em Illinois após a morte de Smith, juntamente com sua primeira esposa e seu filho Joseph Smith III. Esse grupo fundou em Independence a Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em 1852. Outros grupos igualmente se dispersaram sob a presidência de algum dos primeiros discípulos de Smith.

Escrituras sagradas e doutrina

O Livro de Mórmon, apresentado por Smith em 1830, é a principal obra sagrada. Os mórmons aceitam a Bíblia, mas na versão de seu fundador, que incorporou suas próprias profecias. O livro de Doutrina e Convênios (1835) é uma seleção das revelações a Smith, às quais foram acrescentadas as revelações a Young e o decreto de abolição da poligamia. O Livro de Abraão e o Livro de Moisés, divulgados por Smith, foram reconhecidos pelos especialistas como traduções de textos funerários egípcios.

A divergência essencial entre a doutrina dos mórmons e as crenças cristãs consiste, como foi dito, em seu politeísmo, na concepção de Deus como evolução do homem e na crença na possibilidade de os homens chegarem a ser deuses. Cristo teria vindo à Terra para a salvação dos homens, mas o futuro destes depende das obras de cada um. A salvação se realiza mediante a fé e a obediência à igreja. A volta de Cristo inauguraria a primeira ressurreição e o milênio de seu reinado na terra, no qual empreenderia a “obra do templo” e se realizaria o batismo em nome dos mortos; depois ocorreria uma segunda ressurreição.

Em suas normas de conduta, os mórmons praticam certo rigorismo (proibição do álcool, do tabaco, do chá e do café) e uma ética de trabalho e atividade mercantil, cívica e assistencial, mas ao mesmo tempo incentivam valores culturais como a educação, o esporte, a dança e outras diversões. O culto se realiza em parte de modo público, mas também de forma secreta, com rituais que Smith tomou da maçonaria.

A estrutura eclesial também combina o igualitarismo com uma estrita hierarquia: um presidente com dois conselheiros, o conselho dos doze apóstolos, o conselho dos setenta discípulos (para as missões), bispos e patriarcas, mas também uma conferência geral que permanece aberta a todos os mórmons.

As perseguições, as décadas de poligamia e o batismo em nome dos antepassados consolidaram a identidade dos mórmons. Sua organização religiosa e civil, sua disciplina e sua laboriosidade facilitaram a difusão e a prosperidade das comunidades mórmons.

Fonte: Enciclopédia Hispânica