A Soberba é o principal dos pecados capitais, e dela decorre a “presunção”, que consiste em confiar demais em si mesmo, nas próprias luzes.
À pergunta “Pode você ter certeza de sua salvação?”, uma página evangélica responde:
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Você pode ter certeza! Você tem certeza de que vai para o céu? Se você é como a maioria das pessoas, hesitará em dizer “sim”. Pensando que isso é presunção. Mas, na realidade, alguém pode ter certeza? Pois bem, a Bíblia tem boas notícias para você. Sim, você pode ter certeza. A verdade é que Deus quer que você tenha certeza. E não é tão complicado quanto você pensa. http://www.faithalone.org/seguro.html |
Além disso, Rick Jones diz em seu livro “Conheça o Catolicismo Romano” que a Igreja Católica “mais uma vez se opõe à Palavra de Deus” quando assinala no Catecismo que a presunção da onipotência ou da misericórdia divina é um pecado contra a Esperança:
| Ao assumir essa posição, a Igreja Católica mais uma vez se opõe à Palavra de Deus:
“Escrevi-vos estas coisas para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” |
Eis o que o Catecismo da Igreja Católica ensina sobre a Esperança:
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A esperança 2090 Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino pelas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de retribuir-lhe o amor e de agir em conformidade com os mandamentos da caridade. A esperança é a espera confiante da bênção divina e da visão beatífica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o seu castigo. 2091 O primeiro mandamento diz respeito também aos pecados contra a esperança, que são o desespero e a presunção: Pelo desespero , o homem deixa de esperar de Deus a sua salvação pessoal, o auxílio para alcançá-la ou o perdão dos seus pecados. Opõe-se à Bondade de Deus, à sua Justiça —pois o Senhor é fiel às suas promessas— e à sua Misericórdia. 2092 Há duas espécies de presunção . Ou o homem presume das suas capacidades (esperando poder salvar-se sem o auxílio do alto), ou presume da onipotência ou da misericórdia divinas (esperando obter o seu perdão sem conversão e a glória sem mérito). |
A Esperança é uma das virtudes teologais, junto com a Fé e a Caridade mencionadas por São Paulo (1 Cor 13,13). Se a “só fé” basta para salvar-se e a pessoa já está “salva, sempre salva”, por que é necessária a Esperança? Por que a Bíblia a menciona?
É verdade que a Bíblia diz que somos “salvos, sempre salvos”?
Pois, pelas palavras de São Paulo, não parece que ele dissesse tal coisa:
“Mas castigo o meu corpo e o subjugo, para que, tendo pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.” 1 Coríntios 9,27
“Pois, embora em nada me acuse a consciência, nem por isso estou justificado. Quem me julga é o Senhor.”
1 Coríntios 4,4
“Operai a vossa salvação com temor e tremor.” Filipenses 2,12
E, sobretudo, a carta aos Filipenses é muito importante para ver se Paulo “presumia” ser “uma vez salvo, sempre salvo”:
“Mas o que eu tinha por lucro reputo agora, por causa de Cristo, como perda; e tudo tenho por perda por causa do sublime conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cujo amor de tudo me privei, tendo tudo por esterco, a fim de ganhar a Cristo e ser achado nele, não com a minha justiça, a que vem da Lei, mas com a justiça que procede de Deus, a que se funda na fé e nos vem pela fé de Cristo; para conhecê-lo, a ele e ao poder da sua ressurreição, e a participação nos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte, e por ver se de algum modo alcanço a ressurreição dos mortos .” Filipenses 3,7-15
Façamos aqui uma primeira reflexão. São Paulo diz “por ver se de algum modo alcanço a ressurreição dos mortos”. Por ver se alcanço? Ou seja, Paulo NÃO “presume” que alcançará a ressurreição dos mortos.
São Paulo prossegue, dizendo:
“Não que eu já a tenha alcançado , isto é, que eu já tenha atingido a perfeição , mas prossigo, para ver se de algum modo a apreendo , porquanto eu mesmo fui apreendido por Cristo Jesus.”
Um momento! Outra parada. Não que ele já a tenha alcançado? Não que ele já tenha atingido a perfeição? Vemos novamente que Paulo não “presume” ter alcançado a meta, que é Cristo.
“Irmãos, eu não penso tê-la ainda alcançado ; mas, esquecendo o que fica para trás, lanço-me para aquilo que está adiante, (olhando) para a meta, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Vejam! A coisa vai ficando cada vez mais difícil para os irmãos protestantes. Novamente ele diz “eu não penso tê-la ainda alcançado”. Agora, que não nos venham com a “interpretação” de que São Paulo fala aqui de corridas de quatrocentos metros rasos… A meta é Jesus, e Paulo diz que não pensa tê-la alcançado.
E como arremate final ele diz:
“E todos nós, que somos perfeitos, tenhamos este mesmo sentimento.”
Ou seja, os “perfeitos” devem agir como ele e não “presumir” ter alcançado a meta, que é Cristo Jesus.
Ora, depois de ler tudo isto, alguém pode dizer que a Igreja Católica “mais uma vez se opõe à palavra de Deus”?
Na página evangélica http://www.faithalone.org, a respeito deste tema de ter certeza de ser salvo, sempre salvo, eles assinalam:
| Muita gente crê que, para permanecer salvo, tem de fazer a vontade de Deus. Mas Jesus Cristo disse que é realmente uma questão de Ele fazer a vontade do Pai na cruz. Jesus prometeu que aquele que cresse nele nunca teria fome nem sede. Ele prometeu que jamais lançaria fora quem viesse a ele e que não perderia uma só pessoa que nele cresse. Se alguém que tem fé em Jesus perdesse a sua salvação, então Jesus teria falhado em cumprir a sua promessa e teria falhado em fazer a vontade do Pai. O dom eterno de Cristo jamais pode falhar, por nenhuma razão; Ele o garante. |
Esta afirmação é totalmente contrária à palavra de Cristo:
Assim, poderíamos ir mais longe: não somente “muita gente”, mas também Jesus:
“Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai celeste.” Mateus 7,21
Mais claro, impossível: quem quiser entrar no Reino dos Céus tem de fazer a vontade de Deus. Mas Cristo acrescenta ainda:
“Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor! Não foi em teu nome que profetizamos, e em teu nome que expulsamos os demônios, e em teu nome que fizemos muitos milagres?’ Então eu lhes direi: Jamais vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
Não basta ir a uma igreja evangélica e dizer “Senhor Jesus”, “Aleluia”, “Louvado seja o Senhor”, “Glória a ti, Senhor”. É preciso fazer a vontade de Deus.
E qual é a vontade de Deus?
Que todos os homens se salvem; mas, para entrar na vida eterna, Jesus nos diz que devemos guardar os Mandamentos:
“Se, porém, queres entrar na vida, guarda os Mandamentos.” “Quais?”, replicou-lhe ele. Jesus lhe disse: ‘Não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não darás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e: amarás o teu próximo como a ti mesmo.’” Mateus 19,17-19
Quão diferentes soam as palavras de Cristo comparadas com os ensinamentos do fundador do Protestantismo, Martinho Lutero:
“Sê pecador e peca impudentemente, mas crê e alegra-te em Cristo com mais ousadia… Nenhum pecado nos separará do Cordeiro, ainda que fornicássemos e matássemos mil vezes ao dia.” Martinho Lutero, carta a Melâncton, 1º de agosto de 1521
O pecado é a morte da alma. Cristo não nos dá licença para “assassinar” a nossa alma mil vezes ao dia. Isto é tentar a Deus e é contrário às Escrituras.
Se vocês gostam de investigar os ensinamentos dos Padres da Igreja, verifiquem se algum Padre da Igreja ensinou este credo falso de “salvo, sempre salvo”.
Vão perder o seu tempo, porque não o encontrarão. O “Salvo, sempre salvo” é mais um “acréscimo protestante” à sã doutrina ensinada na Igreja.
Por fim, li numa página evangélica que se fala da “angústia da salvação católica”, e foi por causa deste título que me animei a escrever este artigo. Gostaria de esclarecer que nós, católicos, não sentimos angústia acerca de nossa salvação.
Nós, católicos, temos FÉ em Cristo Jesus, ESPERANÇA que se apoia nas promessas divinas realizadas em Jesus, nas quais estão implicadas a misericórdia, a fidelidade e o auxílio de Deus, e a CARIDADE que, segundo São João da Cruz, “nos obriga a amar a Deus sobre todas as coisas”.
Ter ESPERANÇA não é o mesmo que PRESUMIR. Nós, católicos, não “presumimos” ser “salvos, sempre salvos”. A presunção é um pecado contra a Esperança (1 Cor 13,13). Nós, católicos, temos ESPERANÇA humilde nas promessas de Nosso Senhor, que nos ensinou a orar no Pai-Nosso: “Venha a nós o vosso Reino” e “livrai-nos de todo o mal”.
A ESPERANÇA é humilde; a PRESUNÇÃO é soberba. Deus abomina a soberba:
Pr 8,13: “Temer a Deus é odiar o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho, a boca perversa , eu os detesto ”
Ao contrário, Ele enaltece os humildes:
Ele manifestou o poder do seu braço, dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e enalteceu os humildes. (Lc 1,39-56)
Autora: Beatriz Aparicio