Pergunta:

Gostaria de saber se vocês podem me dar alguma informação sobre as implicações que a música rock pode ter em um jovem. Refiro-me à música de rock pesado. Muito obrigado. Luis A. P.

Resposta:

Prezado:

Sobre a sua consulta, o senhor pode ler com proveito o documentado livro de Jean-Paul Règimbal, “Le Rock’n’roll” (Les Editions Saint Raphael, Québec, Canadá), traduzido para vários idiomas. O seu estudo é muito importante porque não se trata apenas de um religioso (é trinitário), mas além disso é criminólogo, especializado em psiquiatria criminal.

O quanto ele diz pode resumir-se na frase com que começa o seu trabalho: “Ninguém pode dizer que a influência do rock seja sadia e positiva.”

I. Desenvolvimento histórico do rock

Règimbal distingue quatro fases históricas no rock’n’roll. A primeira é o seu nascimento (por volta de 1951–1952); Alan Freed inventa o nome “rock’n’roll,” expressão que “descreve os movimentos do corpo humano durante as brincadeiras sexuais. Foi tomada da gíria popular dos guetos americanos.” A segunda etapa é a evolução rumo ao hard e ao acid rock, com a integração do rock no mundo das drogas; tiveram muito a ver com isto os Beatles, os Rolling Stones e o grupo The Who. A terceira etapa é o rock satânico; esta fase é inaugurada pelos Beatles em 1968 com o aparecimento do “Devil’s White Album,” contendo as duas peças seguintes: Revolution Number One e Revolution Number Nine. Pela primeira vez na indústria do disco, serão introduzidas mensagens subliminares para transmitir “o evangelho de Satanás.” A fórmula tem êxito e, daí em diante, a música rock tomará o vasto caminho da perversão diabólica; é preciso mencionar neste campo os Rolling Stones, The Who, Black Sabbath, Led Zeppelin e Styx. A quarta fase, nos anos 80, é o punk rock, cujo fim e filosofia são levar os ouvintes diretamente ao suicídio, à violência coletiva e aos crimes sistemáticos. Entre os grupos mais notórios, mencionamos Kiss, Ted Nugent e os mutantes, Aphrodite’s Child (album 666), Rob Zombie, cujo Mestre foi Alice Cooper, e sobretudo Marilyn Manson.

II. Aspectos subversivos do rock’n’roll

Nestas diversas manifestações pseudomusicais podem assinalar-se os seguintes aspectos pervertidos:

1. As mensagens subliminares

Trata-se da transmissão de uma mensagem destinada a alcançar o ouvinte “logo abaixo do limiar da sua consciência”; semelhante mensagem escapa ao ouvido, aos olhos e aos sentidos externos, e penetra no subconsciente profundo do ouvinte, o qual está completamente sem defesa contra esta forma de agressão. O autor da mensagem subliminar está perfeitamente consciente do objetivo que quer alcançar: uma revolução em profundidade, capaz de todas as subversões. Por outro lado, o ouvinte ignora por completo que sofre esta invasão da sua consciência e do seu subconsciente profundo. Como a sua inteligência consciente e a sua vontade não estão em estado de alerta nem em condições de exercer qualquer discernimento, é o subconsciente que capta a mensagem, a decodifica e a reconstrói. No rock’n’roll, as mensagens transmitidas de maneira subliminar têm um conteúdo muito variado:

a) a perversão sexual em todas as suas formas;

b) o impulso à rebelião contra a ordem estabelecida;

c) a iniciação ao suicídio;

d) a iniciação na violência e no homicídio;

e) a consagração a Satanás.

2. As mensagens satânicas diretas

Depois da primeira onda de mensagens subliminares, os autores de rock começaram a expressar abertamente as suas inspirações satânicas. Por exemplo, a canção The God of Thunder, do grupo Kiss: “Fui educado por um demônio, preparado para reinar como ‘aquele que é.’ Sou o Senhor do deserto. Um homem de ferro dos tempos modernos. Chamo as trevas para me agradarem e ordeno-te que te ajoelhes diante do deus do trovão, deus do Rock’n roll.” Ou esta letra de The Dead Kennedys: “Deus me disse que te esfole vivo. Eu mato as crianças. Gosto de vê-las morrer. Mato as crianças. Faço as suas mães chorarem. Esmago-as com o meu carro. Quero ouvi-las gritar; dar-lhes bombons envenenados e arruinar o seu halloween.”

3. A consagração a Satanás

Mais de dez provas estabelecem claramente que as grandes estrelas do rock’n’roll se consagraram a Satanás livremente e por vontade própria. Règimbal menciona três casos irrefutáveis: o de Alice Cooper, cujo verdadeiro nome é Vincent Fournier (o seu testemunho é mais que eloquente: “Há alguns anos fui a uma sessão de espiritismo onde Norman Buekley suplicou que o espírito se fizesse ouvir. O espírito finalmente se manifestou e me falou. Prometeu a mim e ao meu grupo de música a glória, a dominação do mundo com a música rock e a riqueza em abundância. A única coisa que me pediu em troca era entregar-lhe o meu corpo para que esse espírito tomasse posse de mim. Em troca da posse do meu corpo, tornei-me célebre através do mundo inteiro. Para fazer isto, tomei o nome com o qual ‘ele’ se havia identificado na sessão. Assim, pois, sou reconhecido mundialmente. Vocês já conhecem esse nome: Alice Cooper”). O segundo caso é o de Mick Jagger, dos Rolling Stones, que se consagrou a Satanás sob a influência de duas bruxas: Marianne Faithfull e Anita Pallenberg. O terceiro caso é o de Ozzy Osbourne, do grupo Black Sabbath, que confessou que nunca compôs uma canção sem estar em estado de transe.

Tendo isto em conta, não é assombroso que se deixe sentir uma influência demoníaca entre o auditório sob as formas que seguem:

– A irritabilidade

– O espírito de rebelião

– Uma linguagem obscena

– Propostas blasfemas

– Tendências suicidas

III. Danos do rock

1. Danos físicos

Numerosos estudos foram empreendidos para avaliar os diversos efeitos da música rock, além de graves traumatismos dos ouvidos, da visão, da coluna vertebral, do sistema endócrino e do sistema nervoso dos ouvintes assíduos a este tipo de música. Bob Larson e uma equipe médica de Cleveland revelaram vários sintomas convincentes em mais de 200 pacientes.

Esta música pode ter efeitos e consequências físicas assombrosas: alterações no pulso e na respiração, secreção aumentada das glândulas endócrinas, em particular da glândula pituitária, que regula os processos vitais no organismo. Quando a música aumenta, a laringe se contrai; quando baixa, se distende.

O metabolismo de base e a porcentagem de açúcar no sangue se modificam ao longo da audição. Pode-se então pensar em “brincar” com o organismo humano como se toca um instrumento musical e, de fato, certos compositores de música se propuseram a manipular o cérebro, provocando um curto-circuito nas faculdades conscientes, tal como faz a droga. O rito predominante do rock e do pop condiciona primeiro o corpo e depois estimula certas funções hormonais do sistema endócrino.

Estes efeitos aumentam com a intensidade da música. Além de 80 decibéis o efeito é desagradável; acima de 90 torna-se prejudicial.

Ora, nos concertos de rock mediram-se de 106 a 108 decibéis no centro do salão e 120 perto da orquestra; os especialistas também descobrem nos jovens problemas de audição próprios dos adultos de mais de 50 anos, assim como um inquietante aumento de doenças cardiovasculares ou problemas de equilíbrio.

Quanto à visão, a necessidade de iluminação especial e a utilização de raios laser produziram danos irreversíveis nos olhos de alguns participantes. O professor Paul Zenier, da universidade de Purdue, explica: “certas discotecas estão equipadas com efeitos laser. Se o raio penetra no olho, pode produzir uma queimadura na retina, com a formação de uma mancha cega e permanente. Além disso, os raios de luz animada que aparecem ao ritmo da música produzem vertigem, náuseas e fenômenos alucinantes.”

No plano sexual, a equipe médica de Bob Larson afirma categoricamente: “As vibrações de baixa frequência, devidas à amplificação da guitarra baixa, às quais se acrescenta o efeito repetitivo do beat, produzem um efeito considerável sobre o líquido cerebroespinhal. Por sua vez, este líquido afeta diretamente a glândula pituitária, que regula a secreção de hormônios. O resultado global é um desequilíbrio dos hormônios sexuais e suprarrenais, assim como uma mudança radical da taxa de insulina no sangue, de maneira que as diversas funções de controle das inibições morais caem abaixo do tolerável ou estão completamente neutralizadas.”

2. Danos psicológicos

Se tão graves são os efeitos fisiológicos, mais ainda os efeitos psicológicos. Não há quem se submeta impunemente, durante um tempo prolongado, à influência despersonalizadora do rock sem que sofra traumatismos psicológicos afetivos profundos. Basta-nos enumerar dez que se repetem quase sempre nas análises médicas e psiquiátricas dos doutores Mc Raferty, Gramby Bline, Barnard Saibel, Walter Woight, assim como Frank Garlock, Tom Allen e diversos outros trabalhos:

1º Modificação das reações emotivas, que vão da frustração à violência incontrolável.

2º Perda do controle, tanto consciente quanto reflexo, das capacidades de concentração.

3º Diminuição considerável do controle da vontade sobre os impulsos subconscientes.

4º Superexcitação neurossensorial que produz euforia, sugestionabilidade, histeria e até alucinação.

5º Sérios transtornos da memória, das funções cerebrais e da coordenação neuromuscular.

6º Estado hipnótico ou cataléptico que converte a pessoa numa espécie de zumbi ou de robô.

7º Estado depressivo que vai desde a neurose até a psicose, sobretudo quando se combinam música e droga.

8º Tendências suicidas e homicidas acrescidas pela audição cotidiana e prolongada da música rock.

9º Automutilação, autoimolação e autocastigo, sobretudo nas grandes concentrações.

10º Impulsos irresistíveis de destruição, de vandalismo e de agitação dos descontentes, depois de concertos e de festivais de rock.

3. Danos morais do rock

As consequências da audição da música Rock centram-se em cinco temas capitais: o sexo, a droga, a rebelião, a falsa religião e a influência diabólica. A inteligência, a vontade e a consciência moral sofrem tal ataque por todos os sentidos que as suas capacidades de discernimento e de resistência diminuem em grande medida, e às vezes até se neutralizam. Neste estado de confusão moral e mental, a via fica completamente aberta à liberação mais violenta dos impulsos contidos, tais como o ódio, a ira, a inveja, a vingança e a sexualidade.

Além disso, as vedetes do rock convertem-se não só em modelos a imitar, mas também em ídolos a adorar. Este fascínio de caráter idólatra teve consequências macabras, tais como o fenômeno das groupies (as jovens que se entregam totalmente aos seus ídolos para satisfazer todos os seus caprichos sexuais). Houve suicídios provocados pela morte de uma vedete preferida e alguns assassinatos, dos quais o mais famoso é o de John Lennon por seu admirador Mark David Chapman.

A isto se deveria acrescentar os danos sociais e outros que o rock produz. Todos podem ser vistos longamente expostos na obra de Règimbal.

Autor: Pe. Miguel Ángel Fuentes, I.V.E.