Segundo uma antiga tradição proveniente da Igreja nascente, o apóstolo Pedro conservou o manto com que foi envolvido o corpo de Jesus, depois de ter sido descido da cruz, e que ele mesmo encontrou no sepulcro vazio no domingo da ressurreição. (Lucas 24,12).
Conheçamos esta bendita relíquia que tem maravilhado o mundo.
I. RELATO HISTÓRICO
São Cirilo de Jerusalém e São Gregório Nazianzeno, do século III; João, patriarca de Constantinopla, e São Germano, bispo de Paris, do século IV; São Leandro de Sevilha, do século VI; ou Beda, do século VIII, relatavam que o “lençol de Cristo” existia.
A primeira cidade onde foi exposto foi Edessa (hoje Urfa), edificada entre a Anatólia e a Pérsia.Em um manuscrito do século VI conta-se que o rei Ukhamm (9-46 d.C.), ao saber que em Jerusalém um grande profeta havia sido crucificado, conseguiu obter a “efígie” do santo, milagrosamente estampada sobre um lençol de linho.
Edessa foi, além disso, o primeiro estado do mundo a adotar o cristianismo.Em seguida, a relíquia foi levada a Constantinopla (hoje Istambul), na Turquia, capital do novo império romano, no ano de 994; e foi exibida na basílica de Santa Maria do Farol. Ali permaneceu até a quarta cruzada, quando a cidade foi saqueada pelos franceses, no ano de 1203.
Na Europa, o lençol esteve primeiro em poder dos templários, até 1307; depois passou às mãos do duque Geoffroy de Charny, que o expôs na igreja de Lirey. Depois foi levado a Turim em 1578, à casa de Saboia; desde então tem permanecido sob a custódia da arquidiocese de Turim, na capela real da catedral de São João Batista.
II. O SANTO SUDÁRIO E A CIÊNCIA MODERNA
No ano de 1898, o advogado turinês Secondo Pia revelou uma série de placas fotográficas do lençol, em cujos negativos se reflete a imagem de um homem coberto de feridas e com a mesma fisionomia que se atribui ao Filho de Deus. Em diferentes períodos do século XX foram feitos estudos sobre o Santo Sudário; no total, foram tiradas mais de 32.000 fotografias e realizados mais de 1.000 exames científicos.
Em julho de 2002, o linho foi submetido a uma rigorosa limpeza para retirar-lhe o pó acumulado por séculos; o sudário foi costurado a um novo tecido esterilizado, os restos retirados foram classificados e guardados; além disso, foram feitas imagens por meio de um scanner e elaborou-se um mapa digital completo da relíquia.
Em 1988, as universidades de Arizona, Oxford e Zurique submeteram o linho à prova do radiocarbono 14 para determinar sua antiguidade, que foi situada entre os séculos XIII e XIV de nossa era. Acreditou-se que a peça era uma falsificação da Idade Média; contudo, em 1992 o sábio russo Dimitri Kouznetsov demonstrou que o Sudário de Turim é muito mais antigo. Argumentou que o incêndio de 1532 provocou uma espécie de rejuvenescimento, pelas altas temperaturas que o linho sofreu enquanto se encontrava guardado em um relicário de prata, na catedral francesa de Chambéry.
Os danos do tecido foram remendados pelas monjas clarissas deste templo em 1534. Inclusive os resultados obtidos pelos raios X demonstraram que este manto retangular, de quatro metros de comprimento por um de largura, corresponde a um tecido feito à mão do tipo “espinha de peixe”, utilizado no Egito e na Palestina desde o século III a.C. Seu material era de fio de algodão do tipo “herbaceum”, cultivado apenas no Oriente Próximo. Outra prova para demonstrar sua autenticidade está nas inscrições em letras maiúsculas que, a olho nu, não se podem ver, encontradas em várias partes do lençol. As palavras estavam escritas em grego, latim e hebraico; uma delas diz IN NECEM, que poderia significar “vais morrer”; outros textos são: IHEOY, “Jesus” em grego, e NAZAPHNO, termo que pode traduzir-se como “Nazareno”.
Por computador, obteve-se uma imagem do homem em três dimensões; caso o lençol tivesse sido uma simples pintura, teria produzido uma impressão plana, distorcida e sem estética. No lençol distinguem-se apenas duas cores: um suave sépia na forma do corpo e um marrom escuro proveniente das manchas de sangue.
A figura que aparece em ambos os lados do linho é uma combinação de sombras escuras e claras. Algumas penetram levemente na peça, enquanto outras nem sequer foram tocadas. Foram tiradas amostras de 37 lugares distintos do tecido, mas não se pôde extrair nenhum tipo de corante artificial; em contrapartida, as manchas de sangue são fluorescentes, assim como os remendos das queimaduras. Recolheram-se, além disso, fragmentos de pó, fungos, esporos e pólen de 28 espécies distintas, algumas correspondendo a 20 classes de plantas muito antigas, das 59 encontradas em sua totalidade. Umas provinham de pinheiros silvestres que só floresciam nas planícies da Síria e da Palestina, outras eram da região do Mar Negro e algumas mais recentes da França e da Itália.
Do pó encontrado no sudário, fizeram-se amostras comparativas com as achadas no museu arqueológico de Turim, e extraíram-se amostras de partículas de pó de múmia e tecido funerário do Vale dos Reis, que datam do ano 1100 a.C. Comprovou-se que ambos os tecidos continham uma importante quantidade de sal refinado e de excelente qualidade, proveniente do delta do Nilo.
III. AS MARCAS DA CRUCIFICAÇÃO
O Santo Sudário tem sido chamado de “quinto evangelho”, devido à grande informação que contém sobre a paixão do Senhor. Os cientistas deduziram que o homem do lençol deveria medir 1,80 metro de altura e pesar 80 quilogramas; seus cabelos são longos e recolhidos em uma trança. O rosto reflete uma fisionomia serena e cheia de dignidade, apesar de mostrar visíveis sinais de tortura. Tem os olhos fechados, o nariz fraturado, a maçã do rosto direita e o lábio superior inchados por fortes golpes ocasionados com uma vara.
Na fronte e ao redor da cabeça há 30 feridas; estas foram feitas por uma coroa de espinhos longos e afiados, provenientes de arbustos que florescem no Mediterrâneo. No corpo ficaram sinais de umas 120 marcas produzidas por um açoite romano de duas correias com pontas de chumbo, das quais brotaram sangue e soro.
Também se fizeram estudos comparativos por meio de fotografias infravermelhas com o “manto Sagrado”, ou veste branca que se conserva na igreja francesa de Argenteuil, que se crê ter sido a que Jesus levou até a cruz; descobriram-se manchas de sangue nos mesmos lugares das feridas do supliciado do sudário. Outras feridas na omoplata esquerda e no ombro direito, produzidas por um grande peso.
Encontraram-se manchas de sangue feitas por um prego que lhe atravessou o pulso esquerdo, e uma lesão no joelho esquerdo em consequência de várias quedas. Marcas de uma corda que lhe prendia as pernas, e no centro do pé direito uma ferida do prego que foi empregado para fixar ambos os pés. Há uma similitude de acordo com a trajetória que produziriam os pregos da crucificação, trazidos a Roma no ano de 325 pela imperatriz Santa Helena, e que estão na basílica da Santa Cruz. A ferida do lado direito foi provocada por uma lança de lâmina afiada, que penetrou entre a quinta e a sexta costela e fez manar sangue e líquido do pericárdio. O “espectro” identificou que o sangue humano do linho era muito antigo e pertencia ao tipo AB.
IV. COMPARAÇÃO COM OUTRAS RELÍQUIAS
Do rosto do lençol conseguiram-se vários descobrimentos, pois foi comparado com o véu da Verônica — que é o pano com o qual foi enxugada a face do Messias a caminho do calvário, e que se conserva na basílica de São Pedro no Vaticano —, e ambos são iguais. Da mesma forma, encontraram-se 130 marcas de sangue idênticas às do sudário que se conserva em Oviedo (Espanha), que é um pequeno pano que cobriu o rosto do Senhor e que foi também achado por São Pedro no túmulo vazio (João 20,7).
O manto encontra-se na catedral de Oviedo desde o século XII e, segundo as crônicas, foi retirado de Jerusalém no ano de 614, quando a Cidade Santa foi arrasada pelos persas.Nas fotografias tiradas em grande escala sobre os olhos da vítima, encontraram-se as marcas de duas moedas sobre as pálpebras, o que concorda com o antigo costume hebreu. A moeda do lado direito pertence ao procurador Pôncio Pilatos, cunhada entre os anos 22 e 32 d.C. A do lado esquerdo é do imperador Tibério César, do ano 29 d.C.
V. ASSOMBROSO DESCOBRIMENTO
Os médicos forenses explicaram que a morte daquele condenado deve ter chegado após uma terrível agonia de várias horas. O cadáver foi coberto com uma grande quantidade de mirra e aloés, substâncias utilizadas no rito fúnebre judaico; estes componentes foram identificados em todo o lençol.Os especialistas concluíram que a imagem pôde ter-se formado por um forte resplendor de energia, produto do calor do corpo de Cristo no momento da ressurreição.
Autor: Guido Rojas
Fonte: Defiendetufe.com