Exegese dos textos bíblicos.
Sétimo capítulo do livro Bíblia e Testemunhas de Jeová.
Dizem as Testemunhas de Jeová:
Desde o tempo do antigo Egito e da antiga Babilônia, o uso de imagens, capelas e quadros religiosos no lar tem sido popular. Essas coisas têm sido estimadas por pessoas que acreditaram que elas trariam segurança e bênção aos seus lares. Mas agrada a Jeová essa prática? Aprova ele os que recorrem a objetos materiais de devoção em vez de pôr plena confiança nele, o Deus vivo e verdadeiro?
Como demonstração de que não lhe agrada o uso de imagens religiosas como auxílios para a devoção, Deus deu sua lei aos israelitas proibindo que as usassem. Além disso, advertiu-os contra desejar o ouro e a prata das imagens que encontrassem entre os povos pagãos (Ex 20,4-5; Dt 7,25).
Mudou a atitude de Deus ao introduzir-se o cristianismo? Não, porque a Bíblia mostra que também os cristãos evitaram o uso de imagens (Atos 17,29); seguindo o conselho do apóstolo São João de “guardar-se dos ídolos”, caminhavam “pela fé, não pela vista”. Depositavam sua confiança completa no Deus invisível.
(A verdade que conduz à vida eterna, 143-144).
Diz a Bíblia:
a. Deus proíbe adorar imagens:
No Antigo Testamento estava severamente proibido o culto a todo tipo de imagens, representação plástica da divindade ou do sagrado. Já o primeiro mandamento do Decálogo o diz com palavras contundentes: Ex 20,4-5. Fica proibido todo tipo de imagens que se apresentem como divindade.
Apesar dessa proibição tão clara, a primeira da Lei, imediatamente depois de ter prometido cumpri-la, o povo fabrica um bezerro de ouro e o adora como Deus:
Este é o teu Deus, Israel, que te tirou do Egito.
Esse pecado de idolatria faz com que Deus decida destruir o povo. Só a intercessão de Moisés conseguiu que Deus tivesse piedade e o perdoasse (Ex 32,1-14).
O povo de Israel, povo muito sensível e carnal, cercado de povos idólatras, é muito propenso a esse pecado de idolatria. Moisés o adverte repetidamente (Dt 4,9-28). Os profetas comparam a idolatria com o adultério. É como abandonar Yahweh, o Esposo legítimo, para ir atrás de outros amantes.
A verdadeira razão dessa proibição é que Deus é o Deus único. Ele não se resigna a ser o primeiro entre os deuses, mas o Deus único. Consequentemente, os demais deuses não são nada. Isaías ridiculariza os ídolos e os que os adoram (Is 44,9-20).
Naturalmente, essa proibição permanece de pé no Novo Testamento. São Paulo diz em seu discurso de Atenas (Atos 17,29):
Se somos da linhagem de Deus, não podemos pensar que a divindade se pareça com imagens de ouro, prata ou pedra, esculpidas pela habilidade e imaginação do homem.
b. Deus manda fazer imagens:
Deus não é material, mas espiritual. Por isso o povo também não pode adorar representações materiais do verdadeiro Deus, porque corre o perigo de confundir o verdadeiro Deus com a imagem que o representa, chegando a crer que se trata de um deus material.
No entanto, é preciso notar que a proibição se refere diretamente à adoração de imagens, não ao simples fato de fazê-las, desde que estas nos sirvam de sinal da presença de Deus, mas não se identifiquem com o próprio Deus.
Nesse sentido, Deus manda fazer imagens:
Ex 25,10-22: Farás uma arca de madeira de acácia… farás um propiciatório de ouro puro… farás também dois querubins de ouro.
Ali me encontrarei contigo; de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins colocados sobre a arca do testemunho, comunicar-te-ei tudo o que tiver de ordenar aos filhos de Israel.
A Arca de Deus, os querubins, o propiciatório, não merecem honras divinas; não se lhes pode prestar culto como se se tratasse de Deus. Mas o povo também necessita desses sinais sensíveis. Deus mandou construir isso como sinal da presença do próprio Deus no meio do povo.
Recorre-se à Arca de Deus para fazer oração porque ela é sinal da presença de Deus: Js 7,6.
Da mesma maneira, Salomão colocou querubins e outros ornamentos no templo de Jerusalém: 1 Rs 6,23-30.
Mais notável ainda é a construção da serpente de bronze que Deus ordena a Moisés:
Nm 21,6-9: Faze uma serpente de bronze e coloca-a sobre uma haste. Todo aquele que for mordido e a olhar viverá.
Naturalmente, não se trata de que essa serpente de bronze tivesse alguma virtude especial que a pudesse elevar ao grau de divindade. Recorrer a ela era um ato de fé e de confiança na Palavra de Deus, que lhes havia falado dessa maneira. Quando, mais tarde, o povo, desviando-se dessa intenção, lhe presta culto, Ezequias mandou destruí-la: 2 Rs 18,4.
Jesus Cristo considera essa serpente de bronze como símbolo de si mesmo. Em sua conversa com Nicodemos, diz:
Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna (Jo 3,14-15).
No Novo Testamento, a permissão de imagens que representem a divindade toma um caráter novo, pelo fato da Encarnação do Filho de Deus. Deus continua sendo puramente espiritual, mas ficou intimamente unido a uma natureza humana, que é material. Por essa razão, a representação de imagens de Cristo é completamente lícita, já que é a representação de alguém que é realmente Deus. Não a materialidade da imagem, mas a Pessoa nela representada. Da mesma maneira, por sua relação com Cristo, será lícito representar imagens da Virgem e dos santos.
Em qualquer dos casos, o cristão deve saber que a imagem, ainda que seja de Cristo, não é a divindade. É algo puramente material, e não se pode prestar culto a essa materialidade. Mas, ao mesmo tempo, representa o Filho de Deus, ou outras pessoas intimamente relacionadas com ele. É a essas pessoas — Cristo, Maria, os santos — que se presta culto, que somente para Cristo é de adoração. A imagem é simplesmente uma representação e uma lembrança daquelas pessoas.
Fonte: Apologetica.org
