Histórica é a rejeição, por parte do protestantismo, do episcopado monárquico, que não é senão a constituição hierárquica da Igreja em bispos, presbíteros e diáconos. Esta organização tem sua origem nos Apóstolos, que receberam de Jesus Cristo a ordem de edificar e governar a Igreja. Esta hierarquia tripartida é, portanto, de Instituição Divina.

Razões do protestantismo para rejeitar o episcopado monárquico

Não tem sido cômodo para o protestantismo enfrentar o fato de não contar com uma legítima sucessão de bispos proveniente dos Apóstolos, como tampouco a própria existência do papado como instituição divina à qual submeter-se. É por isso que muitos pensam que, atacando o episcopado monárquico, encontram uma justificação para esses problemas.

Segundo a posição protestante, no começo as igrejas eram governadas por um independente e democrático colégio de presbíteros (ou anciãos), todos com igual autoridade de governo. Foi só em meados do século II (ano 150) que a hierarquia se “organiza” tal como a conhecemos hoje, impondo-se o governo de um bispo ao qual o colégio de presbíteros fica subordinado. Desta maneira, sustentam, as primitivas listas de bispos (incluídas as dos Papas) não são fidedignas, mas foram “fabricadas”, “falsificadas” ou “inventadas” por cada igreja e pelos Santos Padres (Hegésipo, Santo Ireneu de Lyon, etc.) para justificar sua origem apostólica frente aos hereges gnósticos da época. Sob esta hipótese, teríamos Papas que não foram realmente Papas e, portanto, outros que foram sucessores de Papas que não existiram.

Um exemplo disso está em uma conversa que tive com um grupo de protestantes em um fórum católico:

“Muitos estudiosos católicos reconhecem que não existia o monoepiscopado em Roma antes de 140-150 d.C. E sem existir um episcopado monárquico em Roma e com listas de bispos inventadas no século II, os católicos têm um problema claro para o papado, ou se preferir com a primazia petrina com sucessores na Igreja romana.”[1]

Outro participante fez o seguinte comentário:

“Querer ver uma primazia numa época tão remota como a da primeira epístola de Clemente é algo que já está superado pela erudição católica contemporânea. Em outras palavras, somente os católicos que permaneceram com uma visão pré-científica (ou seja, de há um século ou mais) da história do cristianismo primitivo insistiriam em ver em Clemente Romano um Papa com as mesmas características essenciais dos Papas de hoje ou de tempos medievais. Penso fornecer evidências tomadas da erudição católica contemporânea para provar a minha afirmação.”

Neste contexto, os nossos amigos protestantes começaram a mencionar e/ou citar efusivamente alguns teólogos católicos escolhidos seletivamente (Raymond Brown, Eamon Duffy, Klaus Schatz, Paul Johnson, Hans Küng e outros) que, segundo eles, “compartilhavam” a sua posição. Em suas próprias palavras, nutriam um nobre propósito:

“Meu propósito é mostrar da maneira mais clara possível algo que costuma faltar nestes intercâmbios de ideias em nosso contexto hispano-católico. Refiro-me à descoberta desse outro grande setor do catolicismo romano que é o da academia, e que tão ignorado e às vezes até denegrido chega a ser em nosso contexto.”

O argumento protestante… é a falácia de autoridade

A falácia de autoridade é aquela que sustenta que algo é certo porque assim o afirma uma autoridade na matéria. No caso que nos ocupa, os católicos reconhecemos como autoridade o Magistério vivo da Igreja acima do que algum teólogo católico possa opinar. É triste dizê-lo, mas hoje se podem encontrar teólogos católicos afirmando quase qualquer coisa: negar a divindade de Cristo, a realidade histórica de seus milagres e de sua ressurreição, defender o aborto, a eutanásia, a homossexualidade e muito mais[2].

Assim, o que sustente algum teólogo ou historiador católico não pode ser considerado per se como certo só pelo fato de que a opinião venha de alguém com credenciais acadêmicas. Se o que se sustenta não vem acompanhado da correspondente evidência probatória, não passará de uma opinião que pode ser perfeitamente questionada, debatida e refutada. Isto em nenhum momento pretende desqualificar a erudição católica contemporânea, mas pôr em relevo que o recurso aqui utilizado pelo amigo protestante é basicamente falacioso, e vem acompanhado de uma atitude moralmente questionável de tomar seletivamente aquelas opiniões que crê lhe favorecerem para depois descartar o restante.

É claro que o súbito interesse de nossos amigos protestantes pela opinião de alguns teólogos católicos não era casual, pois o mesmo sucede quando, em algum tema, percebem que essas opiniões podem ser usadas para levar água ao seu próprio moinho. Assim, se o que afirmam pode servir-lhes para justificar algum postulado protestante, trata-se nada menos que da opinião da academia, o ápice do conhecimento que há de ser levado em conta, pois é um “grande” e “importante” setor do catolicismo “tão ignorado e às vezes denegrido” (quando lia isto, uma lágrima rolava pela minha face). Mas espere que lhe sejam adversas para que suas opiniões passem repentinamente a não valer um tostão furado, a ser divagações meramente humanas, pois a única coisa que afinal importa é somente a Bíblia — isso sim, interpretada à sua maneira.

Mas, embora seja certo que um número crescente de teólogos foi abraçando estas hipóteses, é absurdo sustentar que o consenso da erudição católica contemporânea concorda neste ponto com o protestantismo. A situação, antes, é que existe uma pluralidade de posições que podem resumir-se em:

Posição 1: O episcopado monárquico foi instituído pelos Apóstolos.

Sustentam que o episcopado monárquico foi instituído pelos Apóstolos desde o começo, e que em cada igreja existia um bispo ao qual estava subordinado um colégio de presbíteros. Ao longo do século I, e inclusive algum tempo depois, a terminologia era ambígua e as palavras bispo e presbítero eram sinônimas. Isso faz com que em alguns textos patrísticos primitivos não se faça a distinção entre ambos os ofícios, embora cada igreja conte com um presbítero-chefe à frente, como Tiago em Jerusalém, Tito em Creta ou Timóteo em Éfeso.

A este respeito comenta Daniel Ruiz Bueno:

“A primitiva e inegável confusão dos termos, intercambiáveis, de presbíteros e epíscopos, que alcança um documento tão importante neste sentido como a I Clementis e ainda se prolongará por muito tempo, desaparece de modo absoluto em Santo Inácio. Mas a confusão de termos não implica confusão de funções, e toda a tradição interpreta unanimemente os fatos no sentido que revelam as cartas inacianas. A Igreja de Jerusalém, a de Antioquia, a de Roma aparecem, desde que sobre elas há uma tradição histórica, governadas por um só bispo assistido de seu presbyterium e diaconado. O caso de Roma é exemplar.”[3]

Uma variação desta posição é aquela que admite que havia comunidades locais que não contavam com um bispo, seja por serem muito pequenas, por estarem sob supervisão direta dos Apóstolos enquanto estes viviam, ou por qualquer outra razão. Ao desaparecerem os Apóstolos, todas as comunidades cristãs começam a adotar a hierarquia tripartida, e já em meados do século II estava absolutamente generalizada. A este respeito comenta José Orlandis:

“Muitas igrejas do século I foram fundadas pelos Apóstolos e, enquanto estes viveram, permaneceram sob sua autoridade superior, dirigidas por um colégio de presbíteros que ordenava sua vida litúrgica e disciplinar. Este regime pode atestar-se especialmente nas Igrejas paulinas, fundadas pelo Apóstolo das Gentes. Mas, à medida que os Apóstolos desapareceram, generalizou-se em todas as partes o episcopado monárquico, que já se havia introduzido desde um primeiro momento em outras igrejas particulares. O bispo era o chefe da Igreja, pastor dos fiéis e, enquanto sucessor dos Apóstolos, possuía a plenitude do sacerdócio e o poder necessário para o governo da comunidade.”[4]

Posição 2: O episcopado monárquico é o resultado de uma evolução que ocorre em meados do século II, e não foi iniciativa dos Apóstolos.

Eles argumentam que antes desta data as igrejas não tinham bispos monárquicos, mas apenas um colégio de anciãos ou presbíteros, que mais tarde evoluiu para um episcopado monárquico.

Muitos teólogos católicos que sustentam esta hipótese diferenciam-se dos protestantes porque a veem como um desenvolvimento completamente normal da doutrina cristã, que não põe em causa nem o episcopado nem o papado como instituição divina[5]. Outros vão um pouco (ou às vezes muito) mais além e debatem-se na linha tênue que separa a ortodoxia da heterodoxia.

Dessas duas teorias, a primeira (com suas variações incluídas) é perfeitamente viável e resume a posição que sempre teve a cristandade ortodoxa. A segunda tem sérios problemas ao ser analisada à luz da evidência histórica, como se verá a seguir.

Fontes primárias

O testemunho de Inácio de Antioquia (? – 107 d.C.)

O testemunho de Santo Inácio[6] é importantíssimo por ser uma testemunha privilegiada de como estava organizada a Igreja nos tempos dos Apóstolos. Conservam-se dele sete cartas que escreveu aproximadamente no ano 107, depois de ser preso e conduzido por um pelotão de soldados romanos a Roma para ser martirizado.

Um estudo destas epístolas revela que já para esta data (princípios do século II) todas as igrejas destinatárias contavam com um bispo que as governava, um colégio de presbíteros subordinado a ele, e os diáconos. Reconhecidos apologistas protestantes, como James White[7], têm sustentado que Santo Inácio, quando utiliza a palavra bispo, se refere apenas a simples presbíteros[8], mas toda a evidência aponta para o contrário.

Carta aos Efésios

“Recebi, pois, toda a vossa grande comunidade em nome de Deus na pessoa de Onésimo, dotado de indizível caridade e vosso bispo segundo a carne. Peço-vos que o ameis em Jesus Cristo e que a Ele todos vos assemelheis. Bendito Aquele que vos fez a graça, já que vos mostrastes dignos de possuirdes tal bispo.”[9]

“Mas como a caridade não me permite ficar calado a respeito de vocês, é por isso que tenho a intenção de exortá-los a que corram todos juntos com o pensamento e sentimento de Deus, pois Jesus Cristo, que é a nossa vida e de quem nada poderá nos separar, é o pensamento do Pai, da mesma forma que os bispos, estabelecidos nas extremidades da terra, estão no pensamento e sentimento de Jesus Cristo.”[10]

“Segue-se daí que vos convém correr a uma só com o sentir de vosso bispo, que é justamente o que já fazeis. De fato, vosso colégio de anciãos, digno do nome que leva e digno, além disso, de Deus, está harmoniosamente concertado com seu bispo como as cordas de uma lira.”[11]

Carta aos Magnésios

“Assim, pois, tive a sorte de ver-vos a todos na pessoa de Damas, bispo vosso digno de Deus, e de vossos dignos presbíteros Basso e Apolônio, assim como do diácono Sotion, conservo meu, de quem oxalá me fosse dado gozar, pois se submete a seu bispo como à graça de Deus e ao colégio de anciãos como à lei de Jesus Cristo.

Mas também a vós convém não abusar da pouca idade de vosso bispo, mas, mirando nele a virtude de Deus Pai, tributar-lhe toda reverência. Assim soube que vossos santos anciãos não tratam de zombar de sua juvenil condição, que salta aos olhos, mas, como prudentes em Deus, lhe são obedientes.”[12]

“Como quer, pois, que nas pessoas acima mencionadas contemplei na fé toda a vossa multidão e a todos vos tomei afeição, eu vos exorto a que vos empenheis por fazer tudo na concórdia de Deus, presidindo o bispo, que ocupa o lugar de Deus, e os anciãos, que representam o colégio dos Apóstolos, e tendo os diáconos, para mim dulcíssimos, encomendado o ministério de Jesus Cristo, o qual antes dos séculos estava junto ao Pai e se manifestou no fim dos tempos.”[13]

“…unidos a vosso bispo digníssimo e à espiritual coroa, digna de ser cingida, de vosso colégio de anciãos e a vossos diáconos segundo Deus.”[14]

“Por conseguinte, da mesma maneira que o Senhor nada fez sem contar com seu Pai, feito como estava uma só coisa com Ele — nada, digo, nem por si mesmo nem por seus Apóstolos —, assim também vós nada façais sem contar com vosso bispo e os anciãos; nem tenteis fazer passar por louvável nada que façais por vossa conta, mas, reunidos em comum, haja uma só oração, uma só esperança na caridade, na alegria sem mácula, que é Jesus Cristo, melhor que o qual nada existe.”[15]

“Saúdam-vos os efésios desde Esmirna, de onde também vos escrevo; eles estão aqui presentes para a glória de Deus e em tudo me têm aliviado, juntamente com Policarpo, bispo dos esmirniotas.”[16]

Carta aos Tralianos

“Soube como tendes uma mente irrepreensível e inabalável na paciência, e isso não à força de exercício, mas por vossa natural condição, segundo me manifestou Políbio, bispo vosso.”[17]

“Agora, de vossa parte, todos haveis também de respeitar os diáconos como a Jesus Cristo. O mesmo digo do bispo, que é figura do Pai, e dos anciãos, que representam o senado de Deus e a aliança ou colégio dos Apóstolos. Tirados estes, não há nome de Igreja.”[18]

“Minhas cadeias, que levo por toda parte por amor de Jesus Cristo, suplicando alcançar a Deus, dirigem-vos esta exortação: permanecei na mútua concórdia e na oração de uns pelos outros. Porque é conveniente que os particulares, e especialmente os anciãos, tratem de aliviar o bispo para honra do Pai, de Jesus Cristo e dos Apóstolos.”[19]

Carta aos Filadelfienses

“Minha saudação no sangue de Jesus Cristo. Igreja que é regozijo eterno e permanente, mormente quando são uma só coisa com seu bispo, com os anciãos que o rodeiam e com os diáconos que foram constituídos segundo o sentir de Jesus Cristo, e aos quais ele, conforme sua própria vontade, firmou em firmeza por seu Santo Espírito.

Eu me dei muito bem conta de que ele, vosso bispo, não exerce o ministério que diz respeito ao comum da Igreja porque ele, de si e ante si, o tenha arrogado, nem porque lhe venha de mão de homem, nem por ambição de glória vã, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.”[20]

“E é que, quantos são de Deus e de Jesus Cristo, esses são os que estão ao lado do bispo. Agora, quantos arrependidos, retornaram à unidade da Igreja, também eles serão de Deus, a fim de que vivam conforme a Jesus Cristo. Não se deixem enganar, irmãos meus. Se alguém segue um cismático, não herda o reino de Deus. Aquele que caminha com sentimento alheio à Igreja, esse não pode ter parte na paixão do Senhor.”[21]

Carta a São Policarpo

“Inácio, por sobrenome Portador de Deus: a Policarpo, bispo da Igreja de Esmirna — ou, melhor, ele mesmo posto sob a vigilância ou episcopado de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo —, minha mais cordial saudação.”[22]

“Atendei ao bispo, a fim de que Deus vos atenda. Eu me ofereço como resgate por aqueles que se submetem ao bispo, aos anciãos e aos diáconos.”[23]

Carta aos Esmirniotas

“Segui todos o bispo, como Jesus Cristo ao Pai, e o colégio de anciãos como aos Apóstolos; quanto aos diáconos, reverenciai-os como ao mandamento de Deus.

Que ninguém, sem contar com o bispo, faça nada do que diz respeito à Igreja. Só aquela Eucaristia há de ter-se por válida que se celebre pelo bispo ou por quem dele tenha autorização. Onde quer que apareça o bispo, ali esteja a multidão, do mesmo modo que onde quer que estiver Jesus Cristo, ali está a Igreja universal.”[24]

“Saúdo vosso bispo, digno de Deus; o divino colégio de anciãos e os diáconos, conservos meus, e a todos os do povo em geral, em nome de Jesus Cristo…”[25]

A razão pela qual James White não reconhece que Santo Inácio fazia referência aos bispos exercendo um episcopado monárquico deve-se a que estaria reconhecendo que para o século I já existia uma hierarquia tripartida perfeitamente definida. Suas tentativas de separar o episcopado monárquico da era apostólica e atribuí-lo a uma evolução posterior alheia aos mesmos seriam ainda menos convincentes. A este respeito comenta Daniel Ruiz Bueno:

“Este tem sido por longo tempo outro dos tropeços da crítica para admitir a autenticidade das cartas de Santo Inácio, pois com elas havia de engolir um episcopado monárquico e uma hierarquia perfeitamente definida em fins do século I, com o que caíam por terra muitas caras teorias. Mas as teorias são as teorias e os textos são os textos. Ora, os textos das cartas inacianas nos atestam com absoluta diafaneidade e com insistente repetição que cada Igreja — Antioquia, Esmirna, Éfeso, Trales, Filadélfia — tem à sua frente um ἐπίσκοπος, “intendente, inspetor”, autoridade suprema na comunidade, ao qual se agrega, como dependente e subordinado seu, um πρεσβυτέριον, colégio de “anciãos” que o assiste como uma espécie de “senado”, e um terceiro corpo de diáconos ou ministros.”[26]

É também notório que nos textos das cartas não se vê tentativa alguma de impor o episcopado monárquico a nenhuma Igreja. Sua exortação não pretende motivá-las a que se organizem dessa maneira, mas — reconhecendo a já existente constituição de suas igrejas — exorta-as a reforçar seus laços com o bispo para apartar-se das heresias gnósticas que representavam um perigo para a fé cristã. A este respeito comenta novamente Daniel Ruiz Bueno[27]:

“Não há em suas cartas rastro de que o regime de episcopado monárquico se tenha imposto por uma espécie de revolução que haja de acatar-se sequer pelo bem da Igreja. Tampouco se percebe intento apologético de uma instituição discutida, cujas origens divinas, como fez o bispo de Roma aos sediciosos coríntios, haja que recordar a quem as desconhece ou esquece. Trata-se de um fato que se justifica por si mesmo, por formar parte da consciência cristã; mas um fato é o bispo, como um fato é o colégio de “anciãos” ou presbíteros, um fato os diáconos e um fato a subordinação, tão belamente expressa pelas mais claras imagens, destas três ordens da hierarquia da Igreja. Este fato não o discute ninguém, e não se trata de assegurar uma ordem nova e escorá-la apologeticamente.”[28]

O fato de Santo Inácio reconhecer, já para começos do século II, um episcopado monárquico em todas as igrejas a que escreve não torna muito plausível supor que seja algo que se acaba de impor. A este respeito comenta Jesús Álvarez Gómez[29]:

“Posto que Santo Inácio de Antioquia não pretende introduzir nenhuma inovação, haverá que concluir que essa tripla hierarquia estava admitida algumas décadas antes, pelo menos nas comunidades da Síria.”[30]

Mas, se este é o caso, cabe perguntar: quem colocou em seus cargos todos esses bispos? Sabemos que muitas dessas igrejas, como Filadélfia, Éfeso ou inclusive Esmirna, estiveram sob a supervisão do Apóstolo São João, que nomeou pessoalmente São Policarpo, um dos bispos destinatários. Santo Inácio também foi nomeado por Apóstolos (São Pedro e São Paulo). Não parece muito plausível a hipótese de que tenha ocorrido uma “evolução” tão repentina diante dos próprios Apóstolos sem que eles tivessem parte nisso.

Tampouco parece muito plausível que o episcopado monárquico seja algo adotado exclusivamente nas igrejas destinatárias; pelo contrário, Santo Inácio expressa o convencimento de que essa é a situação de todas as igrejas do orbe quando faz referência a “os bispos, estabelecidos nas extremidades da terra[31]. E vimos como, para ele, a palavra bispo tem um indiscutível sentido monárquico.

Além disso, não é possível encontrar vestígios de que essa instituição tenha sido contestada de alguma forma. A este respeito, explica o historiador Alphonse Van Hove:

“A melhor evidência para a existência, nesta data recuada, do episcopado monárquico é o fato de que em fins do século II não se acha nenhum rastro de alguma mudança de organização. Tal mudança teria tirado do colégio de presbíteros-bispos sua autoridade soberana, e é quase impossível compreender como este corpo teria permitido ser privado de sua autoridade em todas as partes sem deixar nos documentos contemporâneos a menor evidência de um protesto contra uma mudança tão importante. Se o episcopado monárquico começou só em meados do século II, é impossível compreender como, em fins do século II, eram geralmente conhecidas e aceitas as listas episcopais de muitas dioceses importantes, que remontavam a sucessão de bispos até o século I. Tal, por exemplo, foi o caso de Roma.”[32]

Santo Inácio e a Igreja de Roma

Em todas as suas epístolas, Santo Inácio nomeia quase todos os bispos pelo nome (Onésimo em Éfeso, Policarpo em Esmirna, Damas em Magnésia, Políbio em Trales); no entanto, em sua carta à Igreja Romana não nomeia nenhum bispo. Os protestantes costumam ver essa omissão como uma evidência de que em Roma não havia um episcopado monárquico. O certo é que tampouco nomeia um colégio de presbíteros, nem sequer dirige sua carta a alguém que ostente algum posto de autoridade na Igreja de Roma. Para encontrar a razão, há que estudar o contexto da situação: o Império Romano aprisionou uma das cabeças da cristandade, o célebre Inácio, o bispo da primeira Sé de São Pedro, diante do qual todos os bispos destinatários — à diferença do bispo de Roma — seriam considerados peixes pequenos. Não teria sido prudente identificar pelo nome, em uma carta, precisamente o bispo de Roma, a principal igreja da cristandade, situada na cidade à qual era conduzido para ser martirizado.

Tampouco se pode passar por alto que o tom que Santo Inácio usa para dirigir-se à Igreja romana é substancialmente distinto do das outras. Para ele, Roma é “a Igreja que alcançou misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho; a que é amada e está iluminada pela vontade dAquele que quis todas as coisas que existem, segundo a fé e a caridade de Jesus Cristo, nosso Deus; Igreja, ademais, que preside na capital do território dos romanos; digna ela de Deus, digna de todo decoro, digna de toda bem-aventurança, digna de louvor, digna de alcançar quanto deseje, digna de toda santidade; e posta à cabeça da caridade.”[33]

Assim, enquanto solicita a todas as igrejas às quais escreve que orem por sua igreja de Antioquia, ele nunca a encarrega ao cuidado de outra igreja, senão somente a Roma, a qual, segundo suas próprias palavras, “preside na caridade”.

O testemunho de Ireneu de Lyon (c. 130 – 202 d.C.)

Não é pouco relevante o testemunho do teólogo mais importante de seu século[34], sobretudo porque seu contato com a era apostólica o teve por ter sido discípulo de São Policarpo, que por sua vez foi discípulo direto do próprio São João. Assegura que todas as Igrejas apostólicas podem enumerar suas sucessões de bispos, mas, para não estender-se, limita-se a recolher a sucessão da Igreja de Roma:

“Todos os que desejam discernir a verdade podem contemplar em todas as igrejas a tradição apostólica que se manifesta no mundo inteiro. Podemos enumerar aqueles que os Apóstolos instituíram como bispos nas igrejas e seus sucessores até nossos dias, os quais não ensinaram nada nem conheceram nada que se pareça com o delírio dessas pessoas (isto é, os gnósticos).”[35]

“Mas, como seria muito longo, em um volume como este, enumerar as sucessões de todas as igrejas, nos limitaremos à maior Igreja, a mais antiga e a mais conhecida de todos, fundada e estabelecida em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo, demonstrando que a tradição que recebeu dos Apóstolos e a fé que anunciou aos seres humanos chegaram até nós por sucessões de bispos. Isso servirá para confundir todos os que, de uma forma ou de outra, seja por satisfação própria ou por vanglória, seja por cegueira ou por equívoco, celebram reuniões não autorizadas.

Porque, por causa de sua liderança eficaz, é preciso que concordem com esta Igreja todas as igrejas, isto é, os fiéis que estão em toda parte, já que nela sempre se conservou a tradição apostólica pelos (fiéis) que são de toda parte.”[36]

Tertuliano (160 – 220 d.C.)

Da mesma forma que os Padres, Tertuliano[37] encontra na sucessão dos bispos a garantia segura para encontrar a doutrina ortodoxa, pois estes transmitem integralmente o ensinamento que receberam dos Apóstolos.

“De resto, se algumas [heresias] se atrevem a inserir-se na idade apostólica para parecerem transmitidas pelos Apóstolos, por terem existido no tempo dos Apóstolos, nós podemos dizer: publiquem, então, as origens de suas igrejas, desdobrem a lista de seus bispos, de modo que, através da sucessão que discorre desde o princípio, aquele primeiro bispo tenha tido como garante e antecessor algum dos Apóstolos ou algum dos varões apostólicos, mas que tenha perseverado com os Apóstolos.

Com efeito, é dessa maneira que as igrejas apostólicas dão a conhecer suas origens: como a igreja dos esmirniotas conta que Policarpo foi posto por João, como a dos romanos que Clemente foi ordenado por Pedro. 3. De igual modo, certamente, também as outras igrejas mostram que rebentos de semente apostólica possuem, destinados ao episcopado pelos Apóstolos. 4. Inventem algo semelhante os hereges. Pois, depois de tanta blasfêmia, o que lhes é ilícito?”[38]

Eusébio de Cesareia e o testemunho de Hegésipo

Considerado o pai da história da Igreja, em sua obra História Eclesiástica recolhe as sucessões de bispos dos quatro grandes centros da Igreja primitiva: Jerusalém, Antioquia, Alexandria e Roma. Graças a ele devemos também que se tenham conservado extratos de escritos primitivos já perdidos, que de outra maneira teriam desaparecido. Entre as fontes compiladas por Eusébio estão extratos dos escritos de Hegésipo, que não só dá testemunho de episcopados monárquicos dos tempos apostólicos, mencionando Tiago (Jacó) como líder da Igreja de Jerusalém, mas também compila a sucessão dos bispos de Roma.

“Hegésipo, que pertence à geração posterior à dos Apóstolos. Escreve ele, no livro 5 de suas Memórias: ‘A Igreja passou a Tiago, o irmão do Senhor, juntamente com os Apóstolos’.”[39]

Depois de chegar a Roma, compilei a sucessão até Aniceto, cujo diácono era Eleutério. Aniceto foi sucedido por Sotero, e ele, por sua vez, por Eleutério.”[40]

Que Hegésipo, numa época tão remota, se refira à sucessão de bispos no singular não deve causar estranheza, pois isso está plenamente de acordo com o que sustentam Santo Inácio, Santo Ireneu e toda a Tradição. Assim como não há qualquer vestígio de que alguém tenha contestado a instituição do episcopado monárquico, também não há quem tenha posto em dúvida que os bispos de Roma fossem verdadeiramente bispos — e muito menos, sucessores de Pedro.

O Episcopado monárquico na Bíblia

Já se disse que tanto no Novo Testamento como em alguns textos patrísticos primitivos as palavras bispo e presbítero eram usadas como sinônimas, e foi a partir de Inácio de Antioquia que a palavra bispo foi sendo aplicada àquele presbítero encarregado da comunidade. Ainda assim, na Escritura há evidência suficiente para encontrar a instituição do episcopado monárquico por parte dos Apóstolos.

Uma explicação didática, temos através do historiador George Hayward Joyce:

“Resta considerar se o assim chamado episcopado “monárquico” foi instituído pelos Apóstolos. Além de estabelecer um colégio de presbíteros-bispos, colocaram eles um homem em posição de supremacia, confiando-lhe o governo da Igreja e dotando-o de autoridade apostólica sobre a comunidade cristã? Mesmo se levarmos em conta apenas a evidência das Escrituras, há base suficiente para responder afirmativamente a esta pergunta. Desde o tempo da dispersão dos Apóstolos, Tiago aparece em uma relação episcopal com a Igreja de Jerusalém (At 12,17; 15,13; Gl 2,12). Nas demais comunidades cristãs, a instituição de bispos “monárquicos” foi um desenvolvimento algo posterior. No princípio, os próprios Apóstolos exerceram, ao que parece, todas as tarefas de vigilância suprema. Estabeleceram o cargo quando o demandaram as crescentes necessidades da Igreja. As Epístolas Pastorais não deixam espaço para duvidar de que Timóteo e Tito foram enviados como bispos a Éfeso e a Creta, respectivamente. A Timóteo concederam-se plenos poderes apostólicos. Não obstante sua juventude, tem autoridade tanto sobre clérigos como sobre leigos. A ele se confia a tarefa de guardar a pureza da fé da Igreja, de ordenar sacerdotes, de exercer jurisdição. Ademais, a exortação que lhe faz São Paulo de que “conserve o mandamento sem mácula nem culpa, até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo” mostra que não é uma missão transitória. Um encargo tão expresso inclui em seu alcance não apenas Timóteo, mas seus sucessores em um cargo que há de durar até a Segunda Vinda. A tradição local o reconheceu indubitavelmente entre os ocupantes da sé episcopal. No Concílio de Calcedônia, a Igreja de Éfeso contava com uma sucessão de vinte e sete bispos começando com Timóteo (Mansi, VII, 293; cf. Eusébio, Hist. Eccl., III, iv, v).

Estas não são as únicas evidências que o Novo Testamento proporciona do episcopado monárquico. No Apocalipse, os “anjos” a quem se dirigem as cartas das sete Igrejas são quase seguramente os bispos das respectivas comunidades. Alguns comentaristas, na realidade, sustentaram que eram personificações das próprias comunidades. Mas esta explicação dificilmente pode manter-se. São João, em todas as partes, refere-se ao anjo como responsável pela comunidade precisamente como se referiria a seu governante. Ademais, no simbolismo do capítulo 1, os dois estão representados sob diferentes imagens: os anjos são as estrelas na mão direita do Filho do Homem; os sete candelabros são a imagem que representa as comunidades. O próprio termo anjo, deve-se observar, é praticamente sinônimo de Apóstolo, e por isso é acertadamente escolhido para designar o cargo episcopal. De novo, as mensagens a Arquipo (Cl 4,17; Fm 2) implicam que tinha uma posição de especial dignidade, superior à de outros presbíteros. Sua menção em uma carta inteiramente dedicada a um assunto privado, como é a de Filemom, é dificilmente explicável, salvo se fosse o chefe oficial da Igreja colossense. Temos, portanto, quatro indicações importantes da existência de um cargo nas Igrejas locais, ocupado por uma única pessoa e trazendo consigo autoridade apostólica. Nenhuma dificuldade pode ocasionar o fato de que até agora nenhum título especial distinga estes sucessores dos Apóstolos dos presbíteros ordinários. Está na natureza das coisas que o cargo existisse antes que se lhe atribuísse um título. O nome de Apóstolo, como vimos, não se limitou aos Doze. São Pedro (1Pd 5,1) e São João (2Jo 1; 3Jo 1) falam de si mesmos ambos como “presbíteros”. São Paulo fala do Apostolado como uma diakonia. Um caso paralelo na história eclesiástica posterior é fornecido pela palavra Papa. Este título não foi atribuído ao uso exclusivo da Santa Sé até o século XI, embora ninguém sustente que o pontificado supremo do bispo de Roma não fosse reconhecido até então. Não pode surpreender que uma terminologia precisa, que distinga os bispos, em sentido próprio, dos presbíteros-bispos, não se encontre no Novo Testamento.”[41]

Conclusões

Diante de tudo isto, o argumento protestante não parece muito forte, porque se baseia na suposição de que os primeiros cristãos — entre os quais estão ilustres Padres da Igreja e discípulos diretos dos Apóstolos — eram mentirosos que não tinham reparo em falsificar e inventar listas de bispos. É claro que não faltará quem queira envernizar estas hipóteses com opiniões de teólogos e historiadores escolhidas de forma seletiva, mas isso não deve impedir-nos de ir às fontes primárias e tirar nossas próprias conclusões.

Notas

  1. Aqui, eu parafraseei um trecho de um comentário do protestante em questão para tornar a redação mais legível.
  2. Hans Küng, por exemplo, defende o aborto como um direito da mulher e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Raymond Brown sustenta que muitos pontos do Evangelho de Lucas não são históricos.
  3. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 422.
  4. José Orlandis, Breve Historia del Cristianismo (Breve História do Cristianismo), Ediciones RIALP, Sexta edição, Madrid 1999, p. 25-26.
  5. É certo que uma coisa é o desenvolvimento paulatino de uma doutrina e outra a sua origem.
  6. Santo Inácio é um dos Padres Apostólicos devido ao seu contato direto com a era apostólica. Nasceu aproximadamente entre os anos 30 e 35 d.C. e foi discípulo direto dos santos Apóstolos Pedro e Paulo.
  7. James White é um pastor batista reformado e diretor da Alpha and Omega Ministries, uma organização dedicada à apologética protestante. É autor de mais de vinte livros.
  8. James White, Exegetica: Roman Catholic Apologists Practice Eisegesis in Scripture and Patristics.
  9. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios I, 3. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 448.
  10. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios III, 2. Ibid., p. 449.
  11. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios IV, 1. Ibid., p. 449-450.
  12. Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios II; III, 1. Ibid., p. 460-461.
  13. Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios VI, 1. Ibid., p. 462.
  14. Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios XIII, 1. Ibid., p. 466.
  15. Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios VII, 1. Ibid., p. 463.
  16. Inácio de Antioquia, Carta aos Magnésios XV, 1. Ibid., p. 466-467.
  17. Inácio de Antioquia, Carta aos Tralianos I, 1. Ibid., p. 467.
  18. Inácio de Antioquia, Carta aos Tralianos III, 1. Ibid., p. 468-469.
  19. Inácio de Antioquia, Carta aos Tralianos XII, 2. Ibid., p. 472-473.
  20. Inácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses, Assinatura e Saudação e I, 1. Ibid., p. 481.
  21. Inácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses III, 2. Ibid., p. 483.
  22. Inácio de Antioquia, Carta a Policarpo, Assinatura e Saudação. Ibid., p. 496.
  23. Inácio de Antioquia, Carta a Policarpo VI, 1. Ibid., p. 500.
  24. Inácio de Antioquia, Carta aos Esmirniotas VIII, 1-2. Ibid., p. 493.
  25. Inácio de Antioquia, Carta aos Esmirniotas XII, 2. Ibid., p. 495.
  26. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 421-422.
  27. Sacerdote, teólogo e historiador, bem conhecido pelas suas traduções e trabalhos patrísticos e filosóficos, foi proclamado por uma conhecida autoridade “como uma das pessoas mais capacitadas para verter os textos gregos para um castelhano elegante e fluido” (M. F. Galiano, Emerita XVI [1948], p. 334).
  28. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 422-423.
  29. Missionário Claretiano, Doutor em História da Igreja pela Universidade Gregoriana (Roma) e professor de Arqueologia Cristã na Faculdade de Teologia “San Dámaso” de Madrid.
  30. Jesús Álvarez Gómez, Historia de la Iglesia (História da Igreja), Tomo I: Edad Antigua, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid 2001, p. 121.
  31. Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios III, 2. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 449.
  32. Van Hove, Alphonse, “Bishop”, The Catholic Encyclopedia, Vol. 2. New York: Robert Appleton Company, 1907.
  33. Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, Assinatura e Saudação.
  34. Segundo Quasten, que acrescenta que provavelmente nasceu entre os anos 140 e 160.
  35. Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 1. Johannes Quasten, Patrologia I, Biblioteca de Autores Cristianos 206, Quinta Edição, Madrid 1995, p. 301-302.
  36. Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 2. Ibid., p. 303.
  37. No seu período ortodoxo, já que posteriormente abraçou a heresia do montanismo.
  38. Tertuliano, Prescrições contra todas as heresias XXXII, 1-2. Salvador Vicastillo, Fontes Patrísticas Tomo 14 Tertuliano, Editorial Ciudad Nueva, Madrid 2001, p. 253-255.
  39. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica II, 23. Paul L. Maier, Eusebio, Historia de la Iglesia (Eusébio, História da Igreja), Editorial Portavoz, Michigan 1999, p. 81.
  40. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica IV, 22. Ibid., p. 157.
  41. G. H. Joyce, “Church”, The Catholic Encyclopedia, Vol. 3. New York: Robert Appleton Company, 1908.