Segundo as seitas em geral, o batismo administrado na Igreja Católica não tem validade, porque as crianças não têm fé nem têm pecado; além disso, não é feito por imersão. Segundo alguns grupos, a própria fórmula trinitária está errada.

Naturalmente, estes são pretextos e nada mais, como nos outros aspectos da fé. O que se pretende é deixar os católicos despreparados inseguros para atraí-los para os seus grupos.

Para nós a resposta é muito simples. Uma vez esclarecido que a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Cristo e que chegará ao fim do mundo, é impossível que esta Igreja tenha errado desde o início num assunto de tamanha importância. Poderia Deus ter escondido a verdade de sua Igreja durante tantos séculos, para depois revelá-la a grupos separados? Claro que não.

Enfim, vamos ver tudo com calma.

Adultos e crianças

Aqui estão alguns textos fundamentais:

Vá por todo o mundo e pregue a Boa Nova a toda a criação. Quem crer e for batizado será salvo. Quem não acredita será condenado (Mc 16,15-16)

Vá e faça de todas as pessoas meus discípulos. Batize-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensine-os a cumprir tudo o que lhes confiei. (Mt 28,19-20).

Quem não renasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne. E o que nasce do Espírito é Espírito (Jo 3,5-6).

Nestes textos vemos uma diferença entre São Marcos, São Mateus e São João. São Marcos diz que primeiro é preciso crer e depois receber o batismo. São Mateus e São João falam de maneira mais geral. São Mateus diz que devemos batizar e depois ensinar. São João diz que é necessário nascer duas vezes para entrar no Reino de Deus: a primeira pela carne e a segunda pelo Espírito.

Por que essa diferença? Porque o Evangelho de São Marcos apresenta a primeira etapa do Cristianismo, quando ele estava apenas começando e naturalmente era necessário pregar primeiro e depois batizar os que cressem. O problema dos filhos de cristãos não existia, porque ainda não havia cristãos. Este Evangelho é o reflexo da primeira pregação, que encontramos no Livro dos Atos dos Apóstolos:

Convertam-se e batizem cada um de vocês em nome de Jesus Cristo, para que seus pecados sejam perdoados. (Atos 2:38).

Tendo a obrigação de pregar, os apóstolos tiveram que começar pelos adultos. Na verdade, você não pode pregar para crianças. Mas, uma vez convertidos os pais, bastava apenas serem batizados, deixando os filhos sem batismo? Não. Todos tiveram que ser batizados. No mesmo livro dos Atos dos Apóstolos, que apresenta a sua obra evangelizadora durante a primeira etapa do cristianismo, encontramos algo que nos ajuda a compreender este problema.

Eles lhe responderam: “Tenha fé no Senhor Jesus e você e sua família serão salvos”. E anunciaram a Palavra do Senhor a ele e a todos os que estavam em sua casa. Então o carcereiro, levando-o consigo, lavou as feridas e imediatamente fez com que ele e toda a sua família fossem batizados. (Atos 16:31-33).

Ela e sua família receberam o batismo (Atos 16:15).

Aqui não se diz que apenas adultos foram batizados. Todos os membros da família foram batizados, sem exceção. É preciso lembrar que família significava pais, filhos, servos e escravos, com seus respectivos filhos. Por isso vemos que em São Mateus e São João não se diz que se deve primeiro ouvir a pregação e depois receber o batismo. Em São Mateus vemos que devemos batizar e instruir, em São João que é preciso nascer duas vezes: pela carne e pelo Espírito, sem fazer distinção entre crianças e adultos.

Pecado original

Quando Adão e Eva, nossos primeiros pais, pecaram, perderam a amizade de Deus, que deveriam comunicar aos seus descendentes. Este pecado é denominado “original” e é transmitido a todos como herança.

Minha mãe me concebeu em pecado (Sl 51,5 ou 51,7).

Um homem desobedeceu e todos se tornaram pecadores (Romanos 5:19).

Bem, através do batismo esta mancha do pecado é apagada. Se alguém for adulto, todos os pecados serão apagados: originais e atuais; Se alguém for criança, apenas o pecado original será apagado.

Espírito Santo

Além de remover o pecado original, o batismo dá o Espírito Santo. Caso contrário, Jesus não teria recebido o batismo, pois não tinha pecado. Portanto, o batismo também serve às crianças porque lhes dá o Espírito Santo.

Bem, eu te batizei com água, mas ele te batizará com o Espírito Santo. (Mc 1,8).

Quando ele saiu da água, os céus se rasgaram por ele e ele viu o Espírito Santo descer sobre ele como uma pomba. (Mc 1,10).

Entrada na Igreja

Além disso, o batismo também serve como porta de entrada na Igreja, o novo povo de Deus. Caso contrário, por que São Pedro ordenou que Cornélio e sua família fossem batizados, se ele já havia recebido o Espírito Santo e, portanto, seus pecados já haviam sido perdoados? Através do batismo, eles se tornaram parte da Igreja.

Então Pedro falou e disse: “Quem poderia negar a água do batismo àqueles que receberam o Espírito Santo, assim como nós?” E ele ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. (Atos 10:47-48).

Outro ponto importante: se a Igreja for o Novo Povo de Deus, terá tudo: grandes e pequenos. Não importa se eles entendem ou não. É por isso que as crianças são batizadas, para que também elas possam fazer parte da Igreja, o Novo Povo de Deus.

A mesma coisa aconteceu no Antigo Testamento. Como um indivíduo se tornou parte do Antigo Povo de Israel? Através da circuncisão. E isso foi feito oito dias depois de nascer (Gn 17:2), como fizeram com o próprio Jesus (Lucas 2:21).

Portanto, não faz sentido o que dizem os membros de algumas seitas: “O batismo de crianças não vale nada, porque as crianças não entendem”. Tudo o que é feito com as crianças é válido. Vale o remédio que lhes é dado, a linguagem que lhes é ensinada e a vida de Deus que lhes é comunicada através do batismo.

Batismo no rio?

O verdadeiro batismo é no Espírito Santo.

Eu te batizo com água, mas ele te batizará no Espírito Santo (Mc 1, 8).

O próprio Jesus foi batizado no Espírito Santo, fora da água.

Ao sair da água, Jesus teve esta visão: os céus se rasgaram e o Espírito Santo desceu sobre ele como uma pomba. (Mc 1,10).

A pomba, a água ou o fogo são símbolos do Espírito Santo. Os próprios apóstolos foram batizados no dia de Pentecostes no Cenáculo, sem a presença de água. O Espírito Santo foi simbolizado pelo fogo (Atos 2:1-4).

Portanto, aqueles que dizem que o batismo deve ser administrado num rio estão errados. Na verdade, no dia de Pentecostes, 3.000 pessoas foram batizadas em Jerusalém, e sabemos que não há rio em Jerusalém (Atos 2:41). Também podemos lembrar o batismo do eunuco da rainha da Etiópia, que aconteceu num lugar onde não havia rio, mas algo parecido com uma poça ou poço (Atos 8:36-38). O mesmo acontece com Cornélio (At 10,47-48) e o carcereiro (At 16,33).

O importante é batizar. A forma prática de realizar o batismo depende da hora e do local. A própria Bíblia apresenta diferentes formas de batizar e o Direito Canônico as confirma: “O batismo deve ser administrado por imersão ou infusão, segundo as normas da Conferência Episcopal” (c. 854).

Fórmula de batismo

Em primeiro lugar, é importante compreender o que significa batizar alguém “em nome de”. Significa fazê-lo renascer para uma nova vida, “enxertando-o” em Cristo. Bem, no início queriam enfatizar o papel central de Cristo na obra da salvação. Por isso se batizava em seu nome. Mas, aos poucos, foi-se descobrindo o papel mais amplo de toda a Trindade em relação a esta obra. E a “fórmula trinitária” foi alcançada:

Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19).

Na realidade, as expressões que encontramos antes não são verdadeiras “fórmulas batismais”, pois variam entre si. Aqui estão:

  • Atos 2, 38: Em nome de Jesus Cristo. • Atos 8, 16: Em nome de Jesus. • Atos 10, 48: Em nome do Senhor Jesus. • Atos 19:5: Em nome do Senhor Jesus.

Possivelmente, no princípio se batizava sem pronunciar palavra alguma. Os próprios apóstolos, no dia de Pentecostes, foram batizados com o símbolo do fogo e sem que nenhuma palavra fosse dita. O mesmo provavelmente aconteceu com as três mil pessoas que foram batizadas pelos apóstolos no mesmo dia (Atos 2:41) e com o eunuco batizado por Filipe (Atos 8:38).

Aos poucos, algumas palavras foram acrescentadas ao rito externo, até chegar à fórmula definitiva, que encontramos em Mt 28,19. E tudo isto sob a orientação do Espírito Santo, sempre presente e atuante na Igreja. Bem, o que há de repreensível em tudo isso? É o desenvolvimento normal de qualquer organização ou ser vivo.

Alguns grupos cristãos, desde o início do século passado, passaram a batizar “em nome de Jesus Cristo”, citando como motivo o fato de ser uma fórmula mais antiga. Não me parece um argumento válido. O que aconteceria se alguém na sua congregação não aceitasse um padrão atual porque obedeceu a um padrão mais antigo? E em relação ao nosso desenvolvimento pessoal, o que aconteceria conosco se quiséssemos pensar e agir como quando éramos crianças? Então, a vida ideal seria a vida intrauterina.

O mesmo acontece em relação à fórmula do batismo e a muitos outros aspectos da vida da Igreja. O que é importante saber é que Cristo fundou uma Igreja com a missão de realizar a sua obra. Esta Igreja, assistida pelo Espírito Santo, como podemos ver no livro dos Atos dos Apóstolos, foi-se estruturando e organizando aos poucos para cumprir a sua missão.

Além disso, no caso específico do batismo, é um processo aprovado e sancionado por um texto claro, presente em um livro canônico. O que mais eles querem? Ou sentem-se superiores à Igreja fundada por Cristo, que durante quase vinte séculos utilizou a fórmula trinitária, ou ao próprio São Mateus, que a viu bem e a relatou no seu Evangelho? Por que não usam o mesmo princípio em relação à Bíblia, querendo viver como nos tempos mais antigos, quando ainda não estava escrita?

Por outro lado, alguns grupos, que rejeitam a fórmula Trinitária, nem sequer acreditam na Trindade. Neste caso, por que discutir tanto? Seriam palavras puras e nada mais, pois para eles o Pai, o Filho e o Espírito Santo constituem a mesma pessoa com nomes diferentes. Sobre esta nota, veja “Somente Jesus”.

Padrinhos

No desejo de procurar sempre mais pretextos para atacar a Igreja, há quem diga: “Onde é que a Bíblia fala de “padrinhos”?

Aqui está uma breve resposta sobre isso. Padrinho significa “Segundo Pai”. Os padrinhos assumem o compromisso de ajudar os pais na educação cristã dos seus afilhados. Na falta dos pais, os padrinhos intervêm. Bem, o que há de repreensível em tudo isso? Devemos fazer tudo e apenas o que está escrito na Bíblia?

Mais uma vez: Jesus ordenou o batismo. Dependendo dos locais e horários, são estabelecidas as modalidades específicas para a realização do batismo: no rio, na piscina, derramando um pouco de água na cabeça, com padrinhos, pastores ou professores, etc.

Testemunho da Tradição

A respeito do batismo de crianças, assim escreveu Santo Irineu (140-205):

«Jesus Cristo veio para salvar todos aqueles que através dele nascem de novo para Deus: bebês, crianças, adolescentes, jovens e idosos» (Contra Hereges, livro 2, capítulo 22).

Orígenes (180-255) afirmou que o batismo de crianças foi instituído pelos apóstolos (Carta aos Romanos, livro 5, Cap. 9). O Concílio de Cartago em 253 ordenou que os recém-nascidos fossem batizados o mais rápido possível.

A respeito da forma de administrar o batismo, a Didache ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, que foi escrita contemporaneamente com o Novo Testamento (70-100 anos depois de Jesus Cristo), diz:

«Batizem em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, em água viva. Se não tiver água viva, batize com outra água. Se não conseguir fazer com água fria, faça com água morna. Derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (capítulo 7).

Autor: Pe. Flaviano Amatulli Valente MAPA

Fonte: Evangeliza.com

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