Pergunta de um leitor:
Olá. Há alguns meses ouvi o diácono dizendo que Maria foi concebida sem pecado original e depois disse que ela nasceu sem pecado. Eu sempre pensei que, quando se falava da Virgem concebida sem pecado, isso se referia à concepção de Jesus por obra do Espírito Santo e, portanto, que Ele era aquele que nasceu sem pecado.
Que razões podemos apresentar para explicar isto a católicos e não católicos?
Resposta:
É um fato que Deus nos criou com diferentes maneiras de ser, a cada um de nós, e também nos chama a um ministério ou serviço diferente a Ele e ao nosso próximo. Neste caso, a Santíssima Virgem Maria foi criada expressamente (e somente ela) para ser a mãe do Filho de Deus, com todas as consequências que isso traria.
Uma das consequências maravilhosas e principais é a que veremos neste tema, e ela te ajudará a dar razões daquilo em que cremos.
A Imaculada Conceição de Maria
Quando usamos este título, o que queremos dizer é que a Virgem Maria foi concebida sem o pecado original. Os motivos pelos quais estamos seguros desta grande verdade são os seguintes:
1.- Razão principal.
Jesus Cristo, o Salvador prometido (Gn 2,15; Is 11,2), por necessidade teria de vir a nós mediante um ato puríssimo, livre de todo defeito ou pecado (Fl 2,6-7). Para que isso fosse assim, teria de nascer de uma mulher totalmente pura do ponto de vista sobrenatural e moral.
Digamos então que Deus, como mostra de sua honra e poder, nos trouxe a Virgem Maria gerada e nascida totalmente livre de defeito, isto é, livre do menor vestígio do pecado original, que é a única coisa que poderia manchá-la. Isto foi possível pelos méritos de Jesus Cristo.
Usemos um exemplo para explicá-lo de modo mais simples: quando uma pessoa é levada à prisão, o advogado pode ir depois e, pagando uma fiança ou quantia em dinheiro, conseguir tirá-la de lá. A pessoa esteve dentro e talvez tenha feito algo mau para merecer isso; contudo, graças à fiança conseguiu sair.
Mas também pode ocorrer o caso de outra pessoa estar para ser levada à prisão e o advogado apresentar antes uma proteção legal, conseguindo que essa pessoa NÃO entre e nunca pise a prisão.
Algo semelhante a este segundo caso aconteceu com a Santíssima Virgem Maria: normalmente, como todos os seres humanos, ela mereceria nascer com o pecado original; mas, pelos méritos de Jesus Cristo, por ter sido escolhida para ser sua mãe e por tê-lo aceitado, graças aos méritos de Jesus — como essa proteção prévia — ela foi libertada por Deus, para que o Filho de Deus, que é perfeito e santo, nascesse de uma mulher que tivesse sido concebida sem a mancha do Pecado Original.
2.- Razão bíblica.
O que foi dito acima nos ajuda a aprofundar o texto bíblico de Lc 1,28. A palavra grega empregada pelo códice é Kecharitomene = Agraciadíssima. Por sua vez, esta palavra vem de uma palavra hebraica como “Kedesh” = piedoso, ou “santo” em um de seus superlativos ou grau máximo, e “Gratia plena” (do texto latino).
O anjo aproximou-se dela e disse:
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo.”
Lc 1,28
Traduzido literalmente, diz “Plenitude de graça”, ou, na Ave-Maria em português: “Cheia de graça” (perfeição sobrenatural em grau tal que nenhum ser humano pode tê-la, exceto Jesus Cristo, que é Homem-Deus).
O que a Bíblia e seus autores quiseram nos dizer com essa palavra é algo tremendo. Ela é: “A Santíssima Virgem Maria”. Portanto, se ela era a “Santíssima”, tinha de ter nascido sem nenhuma mancha de pecado.
Outro exemplo está em Juízes 6,12, que diz: “O anjo de Iahweh apareceu-lhe e disse: ‘Shalóm lac, gibor hehayil’”
(Texto hebraico que significa: “super-valentíssimo”. E ao personagem mencionado, chamado Gedeão, o anjo (enviado por Deus [v.11]) chama de “valente em grau máximo”.
Assim, do mesmo modo, em Lc 1,28 o anjo enviado por Deus chamou Maria assim: “possuidora de graças em grau máximo”, tanto em quantidade como em qualidade; e uma delas seria nascer imaculada.
Isto ilumina Gn 3,15, onde a inimizade entre a serpente e a mulher significa uma luta, isto é: o Maligno, que é “suma de maldade”, lutando contra a “suma de santidade”, que é Maria, mãe do Salvador.
É isso que a Bíblia quis nos dizer. Por isso Maria teria de nascer sem a mancha do Pecado Original.
3.- Razão eclesial.
Nossa fé não está baseada somente no que está escrito na Bíblia, mas também na Igreja, que é o pilar e a coluna da Verdade (1Tm 3,15). Por isso Jesus não mandou escrever, nem Ele escreveu nada.
Na ordem do tempo, a Igreja vem antes da Bíblia. Por este motivo, vejamos aqui a voz da autoridade da Igreja Católica sobre este tema:
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu como dogma a “Imaculada Conceição de Maria” em sua bula “Ineffabilis Deus”.
Agradeçamos a Deus o maravilhoso dom de enviar-nos seu Filho Jesus Cristo por meio da Imaculada Conceição de Maria.
Autor: Martin Zavala M.P.D.
Fonte: Defiendetufe.org