Análise da figura do pescador da Galileia segundo as Escrituras.

Das obscuras aldeias pesqueiras de Cafarnaum, às margens da Galileia, Simão, filho de João, sobe ao lugar de maior importância na Igreja nascente. Quando Simão foi escolhido como discípulo, Jesus lhe informa que seu nome será mudado para Cefas (que quer dizer rocha) < Jo 1,42 >. A vida de Simão Pedro, que começa como a de um simples pescador, termina num glorioso martírio na cidade imperial de Roma.

No Novo Testamento, os nomes Simão, Pedro ou Cefas aparecem quase 200 vezes. Os nomes dos outros discípulos somados entre si aparecem aproximadamente em 130 ocasiões. Na lista dos apóstolos do Novo Testamento, Pedro é o primeiro da lista. Mateus usa a palavra primeiro (Mt 10,2) “para assinalá-lo como o mais proeminente dos Doze”. Ele foi o porta-voz e a voz autorizada dos Apóstolos, como lemos nos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos. Paulo passa quinze dias em particular com Pedro antes de iniciar seu apostolado (Gl 1,18).

Jesus concede prerrogativas especiais a Pedro, cujo relato é feito por Mateus (Mt 16,13-20). Pedro recebe um novo nome, que nas Escrituras simboliza uma mudança de estado ou de posição (ex.: Gn 17,4-5). Jesus fala aramaico e dá a Simão o nome aramaico de Cefas (Rocha), que é “Petra” em grego, “Peter” em inglês e “Pedro” em espanhol. Na língua grega “Petra” é feminino, de modo que se adotou o masculino “petros”. Não há distinção entre Cefas, o homem, e Cefas, a rocha sobre a qual Jesus edificaria a sua Igreja (cf. CIC n.º 552). Os protestantes afirmam que Cristo é o único fundamento (1Cor 3,11), tentando com isso destituir Pedro. Contudo, eles misturam erroneamente as metáforas. Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo é o construtor e Cristo o fundamento; em Mateus, Jesus é o construtor e Pedro é a rocha fundamental. Outra metáfora do Novo Testamento que ilustra a Igreja diz: “Estais edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus” (Ef 2,20).

Cristo escolhe Cesareia de Filipe como cenário do encontro com Pedro. Ali Herodes havia construído um templo a César Augusto, no alto de uma grande rocha, centro de culto pagão e origem do rio Jordão. Como rocha de base havia uma caverna aberta à qual os pagãos se referiam como “as Portas do Inferno”. Estando diante do “templo” erigido em honra do “divino César”, Jesus revela o plano de Deus: construir um novo “Templo”, a Igreja, ao Deus verdadeiro, tendo Pedro como rocha sólida.

Depois de estabelecer Pedro como a rocha, Jesus promete entregar-lhe as “chaves do Reino dos Céus”. Uma referência ao administrador das chaves é dada em Isaías 22,15ss. O trono de Davi estava vacante desde o cativeiro da Babilônia (586 a.C.). O arcanjo Gabriel anuncia a Maria que a seu filho Jesus será entregue “o trono de Davi, seu pai”. Como Jesus é o novo Rei de Israel, restabelecendo o trono de Davi, ele designa Pedro como administrador real, para legislar “sobre a casa” do rei (cf. CIC n.º 553). As chaves representam um poder exclusivo, e esta autoridade é concedida somente a Pedro. O cargo de administrador real é hereditário em Israel. Familiarizados com sua história, os judeus entendem que o cargo de Pedro deve ser ocupado por sucessores, como acontecia com o cargo de administrador real na Judeia. O administrador pode morrer, mas o ofício permanece.

Jesus con pedroComo guardião do Reino de Cristo, a Pedro é dada a autoridade de “ligar e desligar”. Isto é um vínculo maior do que “abrir as portas do céu aos que creem no Evangelho”. O erudito protestante M. Vincent explica: “nenhum outro termo é de uso tão constante no cânon da lei rabínica quanto o de ‘ligar e desligar’”. Esses termos representam o poder legislativo e judicial do administrador rabínico. Esses poderes Cristo os transfere agora, em sua realidade, aos apóstolos; o primeiro, neste caso, a Pedro. E o erudito aramaico George Lamsa escreve: “ele tem a chave” significa que ele pode declarar certas coisas lícitas e outras ilícitas; isto é ligar ou desligar, proibir ou permitir, ou perdoar. Outros trechos expressam o primado de Pedro. Jesus manifesta a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22,31-32). Pedro representa os apóstolos diante de Deus, e Jesus reza exclusivamente por ele para que, em sua oportunidade, ele (Pedro) possa ser a fortaleza dos apóstolos. Isto nos mostra um exemplo da primazia do Papa e de sua ligação com os outros bispos. Jesus também designa Pedro como pastor de seu rebanho, tendo em vista a Igreja universal (Jo 21,15-17). Os judeus entenderiam o uso contemporâneo das palavras “alimentar” e “apascentar” como significando ensinar, governar e legislar. Santo Agostinho manifesta: “a sucessão dos sacerdotes me mantém (na Igreja Católica), começando pela cátedra do apóstolo Pedro, a quem o Senhor, depois de sua ressurreição, confiou apascentar suas ovelhas, até o episcopado presente”. São João escreve extensamente depois da morte de Pedro, recordando aos cristãos a posição singular de Pedro.

A infalibilidade do Papa é frequentemente contestada tomando como base a repreensão pública que Paulo faz a Pedro, episódio narrado em Gálatas 2,11-14. Entretanto, podemos observar que Paulo não se opõe aos ensinamentos de Pedro, mas ao modo de vida deste, que não estava de acordo com os ensinamentos. Pedro era exemplo a seguir, por isso sua conduta pessoal era crucial.

A infalibilidade do Papa não garante uma conduta impecável; garante apenas um magistério infalível sob circunstâncias estritas (CIC n.º 891). Paulo reconhece a administração de Pedro como a “Rocha”, referindo-se a ele como “Cefas” em oito ocasiões, o título que o próprio Cristo escolheu para ele. Tertuliano (c. 160-c. 225) escreve: “Se Pedro foi repreendido (por Paulo) … a falha foi de conduta, não de doutrina” (em Prescrições contra os hereges). Se analisamos o capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos, onde se descreve o Concílio de Jerusalém, em nenhuma parte se menciona que a primazia de Pedro tenha sido anulada. Pelo contrário, Pedro emite um pronunciamento em que liga e define doutrina. Só depois que Pedro se dirige aos presentes a assembleia em discussão “ficou em silêncio” (At 15,12). Depois Paulo narra os milagres e prodígios que Deus realizou. Tiago fala como bispo de Jerusalém, para resumir, citando as Sagradas Escrituras. Em sua primeira carta, Pedro se refere a si mesmo como “um ancião” (1Pd 5,1). Esta saudação simples não diminui o mandato de Pedro. Se a compararmos com uma saudação presidencial — “meus queridos concidadãos” —, ela não lhe tira a autoridade; ou quando o Papa saúda seus “queridos bispos”, sua autoridade não é negada.

No primeiro século, os cristãos e os judeus se referiam a Roma com o pseudônimo de Babilônia — perseguidora do povo de Deus. Pedro escreve sua primeira carta desde Babilônia (1Pd 5,13), onde depois foi martirizado. Jesus profetizou que os braços de Pedro na velhice seriam estendidos, e João interpreta as palavras de Jesus como a profecia da morte de Pedro (Jo 21,18-19). Depois de décadas de difundir o Evangelho e de legislar como bispo de Roma, o nobre apóstolo Pedro encerra seu apostolado crucificado. Mas o mandato de Pedro continua. A história dos inícios da Igreja afirma que a crucifixão e sepultura de Pedro ocorreram por volta do ano 67 d.C. Desde o século I até nossos dias, a cátedra de Pedro em Roma tem sido venerada entre os Padres da Igreja.

 

muerte de pedro

 

 

Autor: Steve Ray

Fonte: Apologetica.org

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Bibliografia

Greek definition of the word “first”: Greek-English Lexicon of the New Testament and other Early Christian Literature (William F. Arndt and F. Wilbur Gingrich [Chicago, IL: Univ. Chicago, 1957], 733).
Tertullian’s quote: William Jurgens, The Faith of the Early Fathers, Liturgical Press, 1:121.
Vincent’s quote: M. Vincent, Word Studies in the New Testament, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1887, 1980), 1:96.
Lamsa’s Quote: George M. Lamsa, Old Testament Light [New York, NY: Harper & Row, 1964], 657.
Augustine’s Quote: Against the Epistle of Manich¾us in The Nicene and Post-Nicene Fathers, first series, ed. by Philip Schaff [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1983], 4:130).
Tertullian’s Quote: William Jurgens, The Faith of the Early Fathers 1:121.
Referencing Rome as Babylon: (Orac. Sybil. 5, 159 f.; 4 Esdras. 3:1; Apoc. Baruch, vis. ii; Rev. 14:8; 16:19; 17:5; 18:2, 10, 21).

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Leituras recomendadas:
Upon this Rock: St. Peter and the Primacy of Rome in the Scriptures and the Early Church, Steve Ray, Ignatius Press, 1999.
Peter in the New Testament, Raymond Brown, ed., Augsburg Publ. and Paulist Press, 1973.
And on this Rock: The Witness of One Land and Two Covenants, Stanley L. Jaki, Christendom Press, 1997.
The Keys of the Kingdom Stanley Jaki, Franciscan Herald Press, 1986.
Peter: Disciple, Apostle, Martyr, Oscar Cullmann, Westminster Press, 1953.
The Shepherd and the Rock: Origins, Development, and Mission of the Papacy, J. Michael Miller, Our Sunday Visitor, 1995.
Jesus, Peter, and the Keys, Scott Butler, Norman Dahlgren, David Hess, Queenship Publ., 1996.