Chama-se assim às Igrejas locais que contestaram as fórmulas dogmáticas dos Concílios de Éfeso e de Calcedônia.

Diferenças teológicas e linguísticas levaram os nestorianos a rejeitar as verdades definidas no Concílio de Éfeso. Com efeito, eles afirmavam a tese da dupla pessoa, humana e divina, de Cristo, unidas por um vínculo moral. E, por isso mesmo, rejeitavam o título de “Mãe de Deus” dado à Virgem. Ambas as doutrinas foram condenadas no Concílio de Éfeso. As igrejas que rejeitaram esse concílio são as chamadas Igrejas Assírias.

Por sua vez, como doutrina antinestoriana, surgiu a tese monofisita, que rejeitava a dupla natureza de Cristo, divina e humana, em sua única Pessoa. Como essa verdade foi definida no Concílio de Calcedônia, os monofisitas o rejeitaram. Nesse grupo encontram-se a Igreja Apostólica Armênia, a Igreja Copta do Egito, a Igreja Etíope e a Igreja Siro-Jacobita.

Como, em seu momento, fiéis dessas igrejas permaneceram fiéis a Roma ou posteriormente voltaram a unir-se a ela, cada uma delas tem sua correspondente católica. Assim temos católicos assírios (caldeus), católicos armênios, coptas, etíopes e sírios (chamados assim não meramente por pertencerem a esses lugares, mas também por terem conservado o próprio rito).

Com todas essas igrejas separadas, a Igreja Católica retomou, embora com modalidades distintas, as relações fraternas. Todas essas igrejas enviaram observadores delegados ao Concílio Vaticano II, seus patriarcas trocaram visitas com o Papa, e — na expressão de João Paulo II — “com eles, o Bispo de Roma pôde falar como com irmãos que, depois de muito tempo, felizes se reencontram”.

Diz o Papa na Encíclica Ut Unum Sint:

“O restabelecimento das relações fraternas com as antigas Igrejas do Oriente, testemunhas da fé cristã muitas vezes em situações hostis e trágicas, é um sinal concreto de quanto Cristo nos una, não obstante as barreiras históricas, políticas, sociais e culturais. E precisamente a propósito do tema cristológico, pudemos, juntamente com os Patriarcas de algumas destas Igrejas, declarar a nossa fé comum em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

E destaca:

1- A declaração que Paulo VI assinou com Shenouda III, Papa de Alexandria e Patriarca Copta Ortodoxo, em 1973.

2- A declaração comum assinada por Paulo VI com o Patriarca Siro-Ortodoxo de Antioquia, Sua Santidade Jacoub III, em 1971.

3- A ratificação desses acordos, com consequências para o desenvolvimento do diálogo com o Papa Shenouda e para a colaboração pastoral com o Patriarca Siro de Antioquia, Mar Ignatius Zakka I Iwas, em 1979 e 1984, respectivamente.

4- A visita do Patriarca da Igreja da Etiópia, Abuna Paulos, a Roma, em 11 de junho de 1993: “partilhamos a fé transmitida pelos Apóstolos, bem como os mesmos sacramentos e o mesmo ministério, que remontam à sucessão apostólica […]. Hoje, além disso, podemos afirmar que professamos a mesma fé em Cristo, apesar de que durante muito tempo isso foi causa de divisão entre nós”.

5- A Declaração Cristológica com o Patriarca Assírio do Oriente, Sua Santidade Mar Dinkha IV, em novembro de 1994.

Recentemente, merece destaque a Declaração Comum de Sua Santidade João Paulo II e Sua Santidade Karekin II, Catholicos de Todos os Armênios, em 27 de setembro de 2001. E também a decisão de permitir, em alguns casos, a recepção mútua dos sacramentos entre os fiéis da Igreja Assíria e da Igreja Católica.

As diferenças teológicas que produziram o cisma eram diferenças cristológicas e, como se pode ver, algumas delas desapareceram totalmente, pois se tratava de diferenças de expressão mais do que de conceito. Isso nos anima a pensar que a plena união dessas igrejas com Roma não está num futuro muito distante.

Fonte: El Teólogo responde