O “et-et” católico frente ao “aut-aut” protestante

Quero fazer uma breve análise do que considero uma diferença fundamental que existe entre o catolicismo e o protestantismo no que se refere à maneira de compreender a Revelação.

O princípio fundamental no catolicismo, resumido em latim, é o “et-et” (isto e aquilo), ao qual se opõe constantemente o “aut-aut” protestante (isto ou aquilo). Neste último há uma teimosia cega em ver como excludentes conceitos que são complementares. Em lógica, esse tipo de erros de raciocínio definem-se como falácia da falsa disjunção ou falácia do falso dilema.[1][2]

Basta fazer um breve apanhado dos gritos de guerra da Reforma Protestante e suas Cinco Solas para perceber:

— Sola Scriptura (Somente a Bíblia): Quando os reformadores protestantes consideraram que a compreensão que até então os cristãos tinham das verdades fundamentais de fé estava equivocada, por ser diferente da própria, optaram por proclamar que só se devia ficar com a Bíblia, mas com base na interpretação individual de cada crente. Disso resultou que descartaram 1.500 anos de desenvolvimento da doutrina cristã, incluindo todos os Concílios e a Tradição.

O resultado foi que entre eles ressurgiram todas as heresias dos primeiros séculos e muitas mais. A partir daí começaram a dividir-se em denominações em que cada uma criou, de maneira inconsciente, suas próprias “tradições” interpretativas da Escritura. Já não seria mais para eles “Bíblia e Tradição” (et-et), mas “Bíblia ou Tradição” (aut-aut).

— Sola Fide (Somente pela Fé): Quando Lutero leu na Epístola aos Romanos que nos salvamos pela fé, entendeu que nos salvamos somente pela fé, mas não pela fé que age pela caridade, e sim pela fé fiducial, ou a só confiança de que pelos méritos de Cristo recebemos o perdão dos pecados. Para a fé católica não é excludente dizer que nos salvamos pela fé, mas que também devemos viver de acordo com a vontade de Deus e obedecer os mandamentos para nos salvarmos, pois é a graça de Deus quem nos dá a fé e a capacidade de agir de acordo com ela (Fl 2,13). O “Somente a Fé” levou Lutero a ensinar que poderia fornicar mil vezes por dia sem que isso afetasse sua salvação. Já não seria mais para eles “Fé e Obras” (et-et), mas “Fé ou Obras” (aut-aut).

— Sola Gratia (Somente pela Graça): Lutero entendeu que se a salvação era um dom gratuito de Deus, isso devia excluir qualquer tipo de cooperação com a liberdade humana. O erro consiste em suprimir em vez de subordinar, ficando com uma imagem em que a boa ação provém unicamente de Deus e não de Deus por meio do homem. Já não seria para eles “Graça e Liberdade” (et-et), mas “Graça ou Liberdade” (aut-aut).

— Solus Christus (Somente Cristo): Sob o aut-aut protestante, se só Cristo salva, a Igreja não é necessária para a salvação. Tampouco é necessário nem o Papa nem uma hierarquia de bispos e presbíteros. Na perspectiva católica, estar unido a Cristo implica estar unido à Igreja, que é seu corpo, e portanto sujeitar-se às autoridades por Ele instituídas.

— Soli Deo gloria (Somente glória a Deus): Se a partir do protestantismo se considerou um excesso idolátrico a veneração a qualquer criatura que não fosse Deus, incluindo a Virgem ou os santos, a solução foi mais uma vez suprimir e não subordinar. Para os protestantes trata-se de dar glória a Deus ou aos santos; para os católicos, ao contrário, trata-se de dar glória a Deus pelo que fez em seus santos (Rm 8,17). Mais uma vez o problema está no aut-aut versus o et-et.

Essa mesma forma de compreender a Revelação, que impulsiona constantemente a mutilar em vez de harmonizar, a supor em vez de subordinar, foi o que fez com que Lutero eliminasse das Bíblias protestantes os sete livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, deixando apenas 66 livros, e tentasse sem êxito retirar também do Novo Testamento as epístolas aos Hebreus, de Tiago, de Judas e o Apocalipse.

Com isso não se pretende dizer que na doutrina católica tudo tenha cabimento, pois evidentemente há ensinamentos e doutrinas que são mutuamente excludentes: o problema está em distinguir corretamente em cada caso quando algo é de fato excludente e quando não o é.

Voltemos a um dos exemplos anteriores para ilustrá-lo com maior profundidade: para o protestantismo toda a glória deve ser dada somente a Deus, assim, ao ler uma passagem bíblica como a seguinte, se reafirmará em sua posição de excluir qualquer tipo de veneração e honra à Virgem Maria e aos santos:

«Eu, Iahweh, este é meu nome, minha glória não cedo a outro, meu louvor não dou aos ídolos.» (Is 42,8)

Ao ler o mesmo texto a partir da compreensão católica, entende-se que se refere ao fato de não se dever dar a ninguém mais a glória que só Deus, por ser Deus, merece (por exemplo: um ídolo que também é considerado divindade), mas isso não impede aceitar que de maneira subordinada Deus também é glorificado quando se glorifica a obra de suas mãos. Por essa razão a mesma Escritura diz dos cristãos: «Se somos filhos, também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, uma vez que sofremos com ele, para sermos também com ele glorificados» (Rm 8,17), e o próprio Jesus ao orar exclama: «Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um como nós somos um» (Jo 17,22).

Daí que na doutrina católica se distinga entre a adoração (o maior amor possível a Deus como ser supremo e criador do universo) e a veneração (amor subordinado em que se honra a criatura por sua relação com Deus). Quando um protestante tenta convencer um católico de que só deve adorar a Deus e não deve venerar nem a Virgem Maria nem os santos, o que tenta é fazê-lo entender o primeiro mandamento «Amarás a Deus sobre todas as coisas» como se realmente dissesse «Amarás somente a Deus e não as demais coisas».

Uma vez compreendida em linhas gerais a distinção fundamental quanto à compreensão que católicos e protestantes têm da Revelação, passemos agora a ver pontualmente de que maneira isso levou os protestantes a uma compreensão distorcida do novo nascimento.

Martinho Lutero: Depravação total e concupiscência

Como já insinuamos, tudo começou com Martinho Lutero, um monge católico que vivia atormentado porque, apesar de todas as boas obras que tentava realizar, não conseguia alcançar a paz interior por se sentir constantemente em pecado mortal. Seu tormento originava-se em uma má compreensão da concupiscência, pois acreditava que o impulso pecaminoso era pecado já em si mesmo, formal e imputável.

Tão convicto estava que, já afastado da fé católica, reprova os católicos em seus Artigos de Esmalcalda *(em português: Artigos de Esmalcalde; edição brasileira: Editora Sinodal)* por “só fazerem penitência pelos pecados atuais, como os maus pensamentos consentidos, as más palavras, as más obras que poderiam ter evitado pela liberdade de seu arbítrio, e por não considerarem pecados os movimentos perniciosos, a concupiscência, as más incitações”.[3]

Não é difícil imaginar o estado psicológico de frustração e fracasso ao qual pode estar submetido alguém que sente cometer pecado grave quando o mais mínimo pensamento pecaminoso lhe passa pela cabeça, ainda que não o consinta e o expulse imediatamente. Dito de outro modo: quando Lutero sofria as tentações, já se sentia tendo pecado, independentemente de sair vitorioso pela graça de Deus.

Lutero conclui que, se ele não pode viver sem pecar gravemente, então os demais tampouco deveriam poder, e entende que, em razão do pecado original, o livre-arbítrio ficou morto a ponto de ser já “um nada”, e portanto todas as obras do homem antes da justificação, embora de aparência bela, eram, não obstante, e com probabilidade, pecados mortais.[4]

Em pleno tormento, Lutero encontra consolo ao ler a Epístola aos Romanos, onde lê que o homem é justificado pela fé. Portanto, se o homem não é livre, aqueles que se salvam — deduz Lutero — o fazem porque Deus lhes outorga a salvação de uma forma absolutamente passiva e extrínseca. O homem não coopera em nada para a sua salvação, mas tudo se resolve pela certeza subjetiva de ter sido justificado pela fé graças à imputação dos méritos de Cristo. Basta aceitar a Cristo como Salvador e confiar em estar salvo para assegurar a bem-aventurança eterna, independentemente de se viver descumprindo os mandamentos, como o próprio Lutero sentia que fazia.

Nessa perspectiva, o homem continua sendo pecador mas é declarado justo, de forma semelhante a se tomarmos um homem andrajoso e esfarrapado e o cobrirmos, sem limpá-lo, com uma túnica esplendidamente branca. Ao olhá-lo, o juiz observa a túnica branca e resplandecente (que representa a Jesus Cristo, que morreu por seus pecados) em vez do esfarrapado que se encontra por baixo.[5]

Para a fé católica isso é um erro, e cremos pelo contrário que podemos cooperar com a nossa justificação, não com nossas próprias forças, mas porque a graça nos inspira e nos capacita para fazê-lo. Cremos ainda que Deus não apenas nos declara justos, mas também nos faz justos; que nos santifica e renova, de modo que, por meio da graça, somos realmente nascidos de novo como uma nova criatura. Consequentemente, devemos viver como filhos de Deus. A fé deve tornar-se eficaz no amor, no cumprimento dos mandamentos e nas obras de caridade.

Somente a fé: “Somente” é somente

Apesar de tudo, Lutero não chegou tão longe a ponto de levar sua “Sola Fide” a Somente fé “sem nenhum sacramento”, mas inaugurou o princípio e a forma de raciocinar sobre os quais inevitavelmente outros o fariam.

Ocorreu da mesma forma, por exemplo, com o sacramento da Eucaristia. O capítulo 6 do evangelho de João recolhe um longo discurso de Jesus em preparação para a instituição do Sacramento. Jesus diz nele:

««Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que vive me enviou e eu vivo pelo Pai, assim também quem me comer viverá por mim. Este é o pão descido do céu, não como o que comeram vossos pais, que morreram: quem comer este pão viverá para sempre.»» (Jo 6,53-58)

A compreensão tradicional no protestantismo posterior a Lutero acabou por ensinar que comer a carne e beber o sangue de Jesus só pode simbolizar uma coisa… adivinham? …a sola fide. Mais uma vez, essa interpretação está forçada pelos preconceitos da “Sola Fide” de Lutero, que termina compreendendo tudo em torno somente dela.

Uma análise objetiva do texto permite ver que tal compreensão não é coerente. Ali Jesus utiliza um recurso semelhante ao recurso pedagógico que utilizou com Nicodemos, pelo qual, por meio de uma metáfora, compara um elemento simbólico com um elemento literal para deixar um ensinamento baseado em uma semelhança. Diz assim: «Eu sou o pão da vida» (v. 48), onde claramente se vê que o pão é um elemento simbólico que se compara com o elemento real (Jesus). Imediatamente Jesus continua explicando:

«O pão que eu vou dar é a minha carne, dada pela vida do mundo.» (Jo 6,51)

Detenhamo-nos um momento nesse versículo e reflitamos: qual é aqui o elemento simbólico e qual o real? O pão ou a carne de Jesus? O pão simboliza a carne de Jesus ou a carne de Jesus simboliza o pão?

Se o elemento simbólico é o pão, então Jesus identifica sua carne como elemento real. Aqui ganha sentido a compreensão católica do Sacramento da Eucaristia, em que Jesus estava explicando de modo antecipado que realmente lhes daria sua “carne” e seu “sangue” quando na Última Ceia tomasse o pão e o vinho e lhes dissesse “Este é o meu corpo” e “Este é o meu sangue”, e não apenas símbolos, como entenderia tardiamente o protestantismo não luterano.[6]

Na perspectiva protestante, as palavras de Jesus só teriam sentido se o símbolo se explica mediante outro símbolo, em que o pão simboliza a carne, que por sua vez simboliza a fé. Mas não é assim que Jesus ensina, explicando um enigma por meio de outro enigma para deixar sua audiência na mesma obscuridade, mas esclarecendo seu significado, da mesma maneira que quando explica a Nicodemos que para “nascer de novo” é preciso nascer “da água e do Espírito”, o significado está compreendido ali mesmo — ou seja, que deve receber por meio da água batismal sua nova vida como filho de Deus, o perdão de seus pecados e o Espírito Santo.

O problema origina-se, portanto, na compreensão protestante que, ao permanecer escravizada ao pensamento de Lutero, acaba relacionando todo elemento vinculado à salvação somente com a fé, e na prática, quando não pode fazê-lo com algumas passagens — como as que falam da necessidade do cumprimento dos mandamentos para a salvação (Mt 7,21; 19,17) e o julgamento dos crentes por meio de suas obras (Mt 16,27; 2Cor 5,10; Ap 20,12; Mt 25,21-46; Jo 15,2.6) — simplesmente as coloca debaixo do tapete.

A deformação clara da compreensão protestante sobre alguns textos referentes ao batismo torna-se evidente. Por exemplo, quando Jesus diz:

«Quem crer e for batizado será salvo.» (Mc 16,16)

Se compreendermos o texto à maneira protestante (aut-aut), cairemos em uma falsa disjunção: Se é somente quem crer que se salvará, então ali não deveria aparecer um “e”; contudo não é esse o caso, pois diz “quem crer (et) E se batizar (et) será salvo”, e não diz simplesmente que quem somente crer será salvo, nem tampouco “quem crer (aut) OU se batizar (aut)”.[7]

Calvinismo extremo: Depravação total

Voltemos agora a tratar com mais profundidade o calvinismo extremo do qual falamos no início desta obra. Um dos erros que compartilha com a compreensão luterana do livre-arbítrio é a doutrina da depravação total, que ensina que o homem, em razão do pecado original, ficou totalmente morto espiritualmente. A natureza do homem caído é incapaz, por suas próprias forças, de chegar ao conhecimento da verdade religiosa e de realizar uma ação moralmente boa. A vontade do homem carece de liberdade e, por si mesma, não pode fazer outra coisa senão pecar. Daí que alguns calvinistas chegaram a entender que somente se Deus opera nos eleitos primeiro o novo nascimento e a regeneração é possível que possam ter fé. A fé seria uma consequência do novo nascimento; portanto, o fato de uma pessoa ter fé seria evidência de que nasceu de novo.

Mas antes de explicar por que essa compreensão é equivocada, é necessário fazer uma breve revisão da doutrina católica a esse respeito.

Em primeiro lugar, a doutrina católica ensina que em razão do pecado original o livre-arbítrio ficou enfraquecido, mas não extinto. Embora creiamos que é absolutamente necessária a graça de Deus para que o homem realize qualquer ato que o conduza à salvação (ato salutar), o homem, mesmo no estado de natureza caída, pode conhecer com seu entendimento natural verdades religiosas e morais e pode realizar obras moralmente boas.[8][9]

Na Escritura encontramos numerosas passagens que permitem demonstrar que já antes da justificação, e do que os calvinistas entendem como novo nascimento, o homem pode realizar obras moralmente boas sem que sejam pecado. Do contrário, não se explicaria como se exorta os pecadores a converter-se e afastar-se de seus pecados por meio de obras de penitência. Seria ademais incompreensível a conduta da Igreja com os pecadores e catecúmenos se todas as obras realizadas sem a justificação fossem pecado.

«Mas tu dirás a estes seus filhos: Assim diz o Senhor dos exércitos: Convertei-vos a mim, diz o Senhor dos exércitos, e eu me voltarei a vós.» (Zc 1,3)

«Eu vos julgarei, diz o Senhor Deus, ó casa de Israel, a cada um segundo as suas obras. Convertei-vos e afastai-vos de todas as vossas transgressões; assim não serão para vós causa de ruína.» (Ez 18,30)

O que o homem no estado de natureza caída não pode, sem revelação sobrenatural, é conhecer com firme certeza e sem mistura de erro todas as verdades religiosas e morais da ordem natural e cumprir por longo tempo toda a lei moral resistindo a todas as tentações graves, se não o ajudar a graça sanante. Na perspectiva católica, portanto, o que precede tanto a fé como as obras como o “novo nascimento” é a graça de Deus.[10][11][12]

É a graça interna e sobrenatural divina que Ele infunde no homem em seu estado de natureza caída, iluminando seu entendimento e impulsionando-o a crer e depois a agir, não sem ele, mas com ele. Desta maneira a graça precede a fé, e a fé precede o batismo, que é o meio ordinário pelo qual Deus opera em nós o novo nascimento. Isso se entenderia a partir do calvinismo, se não fosse porque em sua concepção deficiente da graça a considera incapaz de infundir a fé no homem mesmo em estado de natureza caída.

“Está morto e não pode crer” alegariam, mas se devemos levar ao extremo essa analogia interpretando-a de forma absolutamente literal, teríamos de concluir que o homem em estado de natureza caída também não pode pecar. Afinal, o pecado é a violação voluntária e livre da lei de Deus, e se o homem não é livre, não pode pecar da mesma maneira que não pode fazê-lo uma pedra, uma árvore, ou mesmo um animal ao obedecer seus instintos naturais dos quais é prisioneiro.

Voltemos brevemente ao discurso de Pedro aos primeiros convertidos para ilustrar esse ponto. Depois de São Pedro pregar-lhes, a graça de Deus move os ouvintes antes a crer (a fé):

«Ao ouvirem isso, ficaram compungidos no coração, e disseram a Pedro e aos demais apóstolos: Irmãos, que devemos fazer?» (At 2,37)

Ao que São Pedro responde:

«Pedro lhes respondeu: «Arrependei-vos e cada um de vós se faça batizar em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo; pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar.»» (At 2,38-39)

Sob a perspectiva calvinista, no entanto, à pergunta sobre o que devem fazer para se salvar, teriam de dar uma resposta como esta: «Não tens que fazer nada! Estás absolutamente morto e és incapaz de responder a Deus até que sejas regenerado e nascido de novo!»

No entanto, não é isso que ocorre, pois a graça de Deus já infundiu neles a fé, e por sua vez a mesma graça é o que os impulsionará a batizarem-se para nascer de novo.

  1.  Produz-se uma falácia por falsa disjunção quando os termos em disjuntiva não são exaustivos ou não são excludentes. Isso torna falaciosos os argumentos disjuntivos formados a partir dela.
  2.  A falácia lógica do falso dilema envolve uma situação em que se apresentam dois pontos de vista como as únicas opções possíveis, quando na realidade existem uma ou mais alternativas que não foram consideradas.
  3.  Martinho Lutero, Artigos de Esmalcalde, Sobre a falsa penitência dos papistas.
  4.  Começa Lutero sua obra De servo arbitrio proclamando «Das der freie wille nichts sey» («Que o livre-arbítrio é um nada»), onde desenvolve sua compreensão do livre-arbítrio.
  5.  Segundo o pensamento de Lutero, a graça não pode sanar a natureza humana totalmente corrompida pelo pecado original, nem é capaz de renová-la ou santificá-la internamente. A justificação não realiza mais que um encobrimento externo dessa pecaminosidade persistente. Diante da graça, a vontade permanece passiva e incapaz de cooperar livremente.
  6.  É importante esclarecer que não se trata de entender as palavras como as entenderam os fariseus. Desde a fé católica distingue-se entre o corpo natural de Cristo e seu corpo sacramental. Cristo está presente realmente na Eucaristia, mas não em seu modo natural de ser, no qual viveu nesta terra.
  7.  Alguém dirá que o texto também diz que é «o que não crer quem se condenará», ao que haveria que responder que aquele que não crê, evidentemente, não se batizará. O fato de que Jesus não acrescente na segunda parte de sua frase que o que não crer «e não se batizar» se condenará deve-se ao fato de que ele pressupõe que a fé precede o batismo.
  8.  Esta possibilidade funda-se em que as forças naturais do homem não se perderam pelo pecado original («naturalia permanserunt integra»), embora tenham sofrido um enfraquecimento pela perda dos dons preternaturais; cf. Dz 788, 793, 815. O Papa Clemente XI reprovou a proposição jansenista que negava isso.
  9.  Nem todas as obras que se fazem sem a graça atual são pecado. O Papa Pio V condenou a seguinte proposição de Bayo: «Liberum arbitrium, sine gratiae Dei adiutorio, nonnisi ad peccandum valet»; Dz 1027; cf. 1037, 1389. (Ibid., p. 362).
  10.  Dz 1786
  11.  Dz 806, 832
  12.  Deixando claro que a graça, por ser graça, não pode ser merecida de condigno nem de congruo pelas obras naturais.