A Organização das Nações Unidas (ONU), que supostamente é uma organização para ajudar na solução dos tremendos conflitos que as nações constantemente têm, é a principal promotora do que chamam de “planejamento familiar” ou “saúde reprodutiva”, e exige de todas as Nações, especialmente das chamadas “em vias de desenvolvimento”, que freiem a explosão demográfica que ameaça “acabar com o planeta” (o que é um mito), com todo tipo de meios para evitar a concepção, desde a pílula abortiva RU486 até conseguir que a prática do aborto seja legal, livre e gratuita.
Aqui no México, no ano de 1998, o Presidente Zedillo afirmou numa reunião por ocasião do “Dia Internacional da Mulher” que “Nenhum fanatismo de qualquer natureza, nenhuma pressão de qualquer tipo, política ou não, inibirá o esforço do Governo nesse campo”. Disse que o compromisso do Governo de prestar serviços de planejamento familiar às mulheres é responsabilidade inescusável do Estado, e instou a que se atualizem as legislações dos Estados relativas ao tema das mulheres; alertou sobre o dramático aumento no México das gravidezes entre adolescentes e disse que falta muito por fazer para reduzir este problema, e o da mortalidade materno-infantil.
Em nenhum momento o presidente considera a possibilidade e a urgência de educar a juventude na castidade, infundindo-lhes os valores morais necessários para poder controlar-se e ser donos de seus instintos.
Para ele, nós mexicanos somos eternos menores de idade, incapazes de tomar nossas próprias decisões, e por isso obriga-se a Previdência Social a implantar dispositivos intrauterinos ou ligar as trompas de Falópio das mulheres, mesmo sem o seu consentimento.
O CAIRO E PEQUIM.
Assunto prioritário na agenda das reuniões feministas no Cairo e em Pequim, nos anos de 1994 e 1995, foi o que chamaram de “saúde reprodutiva”.
A mulher reivindica o direito à “livre disposição de seu corpo”. Mesmo supondo que tenha este direito, de modo algum o tem sobre um corpo alheio, pois concebeu um ser humano completo; não é um germe de vida, nem uma promessa, mas uma vida plena, da mesma maneira que uma criança não é uma simples promessa de vida por não ser ainda um adulto.
Todo direito implica uma responsabilidade, uma obrigação, e ninguém tem o “direito” de atentar contra si mesmo, sendo vítima de um vício, como pode ser o álcool, as drogas ou o sexo, pois, além do grande dano que causa a si mesmo, sempre há outras pessoas gravemente afetadas por essas condutas.
Cremos que nenhuma mulher quer abortar; só chegam a essa decisão extrema quando pensam que todas as portas se lhes fecharam e tentam sair por uma falsa. Não somos capazes, como sociedade, de oferecer a essas mulheres alguma alternativa melhor do que a extrema violência contra si mesmas e contra o filho que trazem em suas entranhas?
Há quem afirme que deve haver Liberdade para o direito de optar pelo aborto, mas a liberdade não consiste em fazer o que se quer, e sim em poder fazer o que se deve fazer. Ninguém pode ter o “direito de assassinar um bebê”.
É indispensável, para levar a cabo qualquer decisão, estar devidamente informado das consequências das ações que se pensa realizar; de outra maneira, decide-se às “cegas”.
Em geral, a mulher não está bem informada das consequências físicas e psicológicas que um aborto pode ocasionar-lhe, já que a linguagem empregada pelos abortistas é por demais enganosa; vejamos algumas de suas premissas:
1. “Não é um ser humano, é apenas um amontoado de células.”
Se assim fosse, não se preocupe, você não está grávida. Mas os exames dizem o contrário, pois a vida humana começa desde o momento da concepção.
2. “Uma mulher é dona de seu corpo.”
Precisamente por isso, deve cuidá-lo, respeitá-lo, não o dar, emprestar, nem danificá-lo, aceitando a pior agressão que pode sofrer no recinto sagrado de suas entranhas.
A mulher que concebeu leva em si um corpo distinto do seu, novo, com vida própria e diferente da vida de quem o concebeu; é uma pessoa, com todos os direitos que a Constituição Mexicana lhe reconhece.
3. “Não é justo trazer ao mundo crianças não desejadas.”
Assim, pois, depois de tê-las gerado num ato que é de si mesmo fecundo, é melhor matá-las. Uma “gravidez não desejada” é sinal de que a sexualidade foi corrompida de antemão. Aquele coito já não foi como Deus o quer, o sinal do dom e da aceitação total da outra pessoa: foi um ato de paixão, de prazer desvinculado da realidade e de suas consequências.
Cedo ou tarde a criança fará a pergunta a seus pais: O que é um aborto? Como explicar-lhes que pode haver crianças não desejadas? Como explicar-lhes que pode ser legal matar um bebê no ventre de sua mãe? Como evitar que se façam a si mesmas a pergunta: minha mãe teria me abortado? De que depende que uma criança nasça ou morra — de circunstâncias econômicas, de que sua mãe tenha uma carreira bem-sucedida, de uma viagem, de que seus pais estejam à beira de um divórcio? etc., etc.
4. “O aborto é mais seguro do que um nascimento”.

Para quem? Para o bebê assassinado? E tem, além disso, graves consequências para a mãe.
Consequências Médicas:
Contrações, sangramento, inflamação, dor no ventre, febres, infecções que podem ser mortais, hemorragias abundantes, extração do útero e dos ovários, queimaduras internas por ingestão de permanganato de potássio, perfuração da vagina e do reto, e esterilidade.
Psicológicas:
Angústia, culpa, depressão, vergonha, ressentimento contra si mesma, rejeição ao parceiro, um inexplicável mau trato aos outros filhos e às crianças em geral, desconfiança, medo de outro relacionamento, solidão; sente-se indefesa, com uma imagem desvalorizada de si mesma; se é católica, um terrível remorso por ter cometido um pecado mortal que merece a excomunhão.
5. “Em casos difíceis, como estupro, deformidade do bebê, etc., etc.”
Há opções para esses dolorosos casos, e o assassinato não é uma delas — o assassinato em sua pior forma, do mais indefeso dos seres humanos: um bebê.
Os estupros:
Quantas vezes podem ser provocados pela imprudência de condutas equivocadas? Os casos de gravidez decorrentes de estupro são raríssimos, e pela própria situação em que se dá a agressão, não se dá a fecundação. O Dr. Jesús Ares, médico legista numa delegacia do México, D.F., constatou que de 500 denúncias de estupro não resultou uma única gravidez.
E ainda existe a alternativa de levar a gravidez a termo e ceder a criança para adoção por meio das instituições da Igreja, particulares e governamentais, que facilitam os trâmites necessários; e também há mães que aceitam o seu bebê, o amam, e ele chega a ser para elas motivo de grande consolo e alegria.
Em casos de malformações:
A terrível pergunta é: deve esta criança morrer? Não são poucos os casos em que, de acordo com os estudos feitos nos fluidos do ventre da mãe, se declara que a criança vem anormal e, quando nasce, resulta que é normal.
“Há 54 anos minha mãe procurou o médico; encontrava-se no segundo mês de gravidez; seu marido era alcoólatra e tinha uma afecção sifilítica; um de seus filhos era deficiente mental, e além disso havia vários surdos na família. O médico decretou a ‘interrupção da gravidez’, mas minha mãe recusou. Sete meses depois nasci eu; hoje, em 1824, no Kárnerton de Viena, estreio minha nona sinfonia, meu canto pessoal à alegria de viver” … Beethoven.
Algumas tribos selvagens na África, consideram as crianças deformadas hipopótamos e as deixam afogar-se no rio; nós, os civilizados, consideramo-las “vegetais” descartáveis.
As deficiências de uma criança não são o nosso problema; nós somos o problema dela; é a nossa falta de moral emocional e espiritual que criou a diferença entre os que são “produtivos” e “normais” e aqueles que, em algum sentido, são fracos e incompletos. Deus nos convida a cuidar dos aleijados, dos estropiados, dos coxos, dos cegos, e “serás abençoado”, porque eles não podem te pagar, mas Ele tem surpresas escondidas naqueles que não são como nós.
6. “Não me imponha a sua religião.”
Isto não é questão religiosa nem filosófica, é biológica; trata-se da vida humana, e diante da vida devem ceder todas as ideologias.
7. “Já somos muitos.”
É um dos argumentos sensacionalistas mais recorridos. Desde as predições de Malthus insiste-se em que os alimentos não serão suficientes e que a pobreza irá aumentando.
Omite-se que a produção agrícola nos últimos anos aumentou de maneira notável, tanto na África como na Índia e nos Estados Unidos, país onde trabalha na agricultura apenas 3% da população, e pode alimentar o mundo inteiro.
O problema da fome e da pobreza em certas partes do planeta não se deve tanto ao aumento da população, mas sim à má administração dos recursos, à ausência de infraestruturas adequadas — em resumo, a governos ineptos e corruptos. E no México, certamente sabemos disso.
8. É preciso libertar a mulher escravizada e maltratada.
Sustentam que não se pode obrigar as mulheres a levar a gravidez a termo em condições tão adversas, mas é um fato que essas mulheres continuam tão pobres e maltratadas como antes e carregarão, ainda por cima, o trauma de ter assassinado o seu filho. Metade das gestações são meninas, que resultam sem dúvida as mais maltratadas; quem defende os seus direitos?
9. “Poucos filhos para dar-lhes muito.”
Quem diz que “dar muito” aos filhos é a melhor maneira de educá-los? Pouco observou quem não descobriu que a abundância de bens não é o melhor caminho para a formação do caráter, e que a melhor escola da vida é a família.
Nos Estados Unidos o aborto foi legalizado em 1973, pois foi uma das soluções cogitadas para remediar tantos males; 25 anos depois, somam 36,000,000 de bebês sacrificados, no maior e mais silencioso holocausto da história.
Tanto nos Estados Unidos como na Europa e no Japão apresenta-se-lhes um problema muito maior: tendo assassinado milhões de crianças, agora têm de sustentar milhões de anciãos improdutivos, pois nas últimas décadas manifestou-se uma clara tendência ao prolongamento da vida, daí a necessidade de aceitar mão de obra estrangeira, com todos os problemas étnicos e sociais que isso significa.
Na Alemanha vivem 4 milhões de turcos islâmicos; Paris e Londres são materialmente invadidas por africanos ou indianos. Os Estados Unidos, com milhões de latino-americanos documentados ou não — o custo social está sendo pavoroso!
Não basta a informação.
Na segunda metade do Século XX rompeu-se o tabu do sexo, e agora dá-se toda a informação possível e imaginável, desde os estudos na escola primária. Os meios de comunicação contribuíram amplamente, apresentando os fatos genitais da sexualidade com toda a crueza, mas, pelo visto, tanta informação não foi suficiente para solucionar o problema das “gravidezes não desejadas”, pois as estatísticas demonstram que agora, no mundo inteiro, há mais adolescentes grávidas do que no tempo dos “tabus sexuais”.
Assim, pois, não basta a simples informação; falta, sobretudo, formação — ou seja, todo um processo de educação nos valores humanos e no manejo adequado do instinto sexual. Distribuir a torto e a direito preservativos aos adolescentes é um terrível erro cujas consequências estamos sofrendo: nem se impediram gestações, nem se venceu a AIDS.
A formação das consciências, da vontade, da responsabilidade, do respeito à própria pessoa e às demais deve ser uma prioridade em todas as instâncias educativas: Igreja, família, escola, meios de comunicação, leis, etc.
Formar as crianças e os jovens na castidade não é questão de dar-lhes conhecimentos biológicos, mas de toda uma dinâmica de valorização do sexo no ser humano como um dom divino maravilhoso, querido por Deus para a nossa felicidade, realização plena e colaboração com Ele para chamar à vida novos seres destinados à Vida Eterna.
Vozes perdidas.
Insiste-se indevidamente em que a decisão de abortar cabe à mulher, “porque ela é a dona de seu corpo”. Mas não se deve esquecer que essa criança tem também um pai, corresponsável pela gravidez, ainda que tenha sido “não desejada”.
Em algumas legislações já se está contemplando o direito e a necessidade de contar com a opinião do pai, que poderia opor-se se soubesse a decisão que a mulher tomou de assassinar o seu filho.
O crime do aborto não pode ser decisão apenas da mulher, nem do homem, nem da família, nem do médico, nem da Previdência Social ou da Câmara dos Senadores. Simplesmente ninguém tem o direito de decidir tal coisa.
Entre todas essas vozes, existe uma vozinha perdida que gostaria de ser ouvida: a do bebê. Voz exposta ao mundo inteiro pelo Dr. Nathanson, ex-abortista convertido ao Catolicismo, em seu vídeo “O grito silencioso”, no qual se pode observar com o ultrassom como a criança se defende desesperadamente, com a boquinha aberta tentando gritar, da curetagem (raspagem) que a destroça sem misericórdia, dentro do próprio ventre de sua mãe. Escutemos essa voz perdida!
A voz da Igreja.
Também devemos escutar, e muito atentamente, a Voz da Igreja Católica, “perita em humanidade”, que na Encíclica “O Evangelho da vida” (Evangelium Vitae) condena o aborto pela enésima vez, assim como a eutanásia e o suicídio assistido.
“Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja.” Simplesmente não se pode viver como se Deus não existisse.
Afirma-se com frequência que a anticoncepção segura e acessível a todos é o remédio mais eficaz contra o aborto, e acusa-se a Igreja Católica de favorecer de fato o aborto, ao continuar obstinadamente ensinando a ilicitude moral da anticoncepção.
A acusação é verdadeiramente falaz, pois, com efeito, pode ser que muitos recorram aos anticoncepcionais, inclusive para evitar depois a tentação do aborto, mas os contravalores inerentes à “mentalidade anticoncepcional” — bem diversa do exercício responsável da paternidade e da maternidade quanto ao significado pleno do ato conjugal — são tais que tornam precisamente mais forte essa tentação, diante da eventual concepção de uma vida não desejada. De fato, a cultura abortista está particularmente desenvolvida justamente nos ambientes que rejeitam o ensinamento da Igreja sobre a anticoncepção.
Lamentavelmente, a estreita conexão que, como mentalidade, existe entre a prática da anticoncepção e o aborto manifesta-se cada vez mais, e demonstra-o de modo alarmante também a preparação de produtos químicos, dispositivos intrauterinos e “vacinas” que, distribuídos com a mesma facilidade que os anticoncepcionais, atuam na realidade como abortivos nas primeiríssimas fases do desenvolvimento da vida do novo ser humano.
“Na sociedade atual observamos uma quantidade de tendências perturbadoras e um grande laxismo no que respeita à visão cristã da sexualidade, tudo isso com algo em comum: recorrer ao conceito de liberdade para justificar todo tipo de conduta que já não está em consonância com a verdadeira ordem moral e com o ensinamento da Igreja.”
João Paulo II
TRÊS AMEAÇAS DO NORTE.
O chamado aborto parcial, a Eutanásia e o Suicídio Assistido.
Não podemos deixar de mencionar o ponto de vista de alguns Protestantes:
Como em tudo, há grande diversidade de critérios entre as diferentes igrejas protestantes ou evangélicas, e há algumas decididamente contrárias ao aborto que fazem um extraordinário trabalho em atividades Pro-Life, como a grande variedade de publicações do “Life Cycle Books” de Lewiston, NY, ou o jornal “National Right to Life” de Washington, DC, onde encontramos abundante informação para este folheto, e em cujas publicações colaboram muitos católicos.
Mas o ramo norte-americano do Conselho Ecumênico das Igrejas (CMI) publicou um livro abertamente favorável ao controle compulsório da população e à legalização do aborto, acrescentando assim uma nova pedra no caminho da relação com a Igreja Católica.
A obra intitula-se “Os perigos populacionais e a resposta das Igrejas”, e o autor é o norte-americano James Martin Schramm, um professor da Universidade Luterana de Decorah Iowa, que participou ativamente na cúpula mundial sobre população no Cairo, em 1994.
O autor sustenta que é urgente e necessário “melhorar o status e as condições da mulher” e “proporcionar-lhes os meios adequados” para o seu desenvolvimento. Não se trata de elevar a sua dignidade por meio de uma educação integral e da melhoria de suas condições de vida, mas tão somente de conscientizar as mulheres nas técnicas de controle de natalidade artificial, distribuindo-lhes massivamente os instrumentos químicos ou mecânicos para pôr em prática essas técnicas, pois, quando as mulheres recebem essa “educação”, a taxa de fertilidade tende a diminuir.
Aborto parcial.
Além do que foi dito acima sobre o aborto, agora “inventaram” nos Estados Unidos o que chamam de “aborto parcial”, que consiste em tirar o bebê do ventre de sua mãe pelos pés e, quando já só falta a cabeça, inserem um cateter na base do crânio e sugam os miolos. Dificilmente pode haver algo mais horrendo e sanguinário. Nos Estados Unidos praticam-se cerca de 5.000 abortos parciais por ano.
Um testemunho:
Sou uma enfermeira formada com 13 anos de experiência. Em setembro de 1993, comecei a trabalhar numa clínica abortista em Dayton porque naquela época eu era a favor do movimento abortista “Pro-choice.”
Trabalhei como enfermeira auxiliar por três dias, e chegou uma mulher que estava com 6 meses de gravidez, e durante 2 dias colocou-se-lhe o dilatador e … chorou o tempo todo. No terceiro dia voltou para que se realizasse o aborto parcial.
O médico trouxe o ultrassom e o colocou para poder ver o bebê. Na tela podia-se ver o coração bater; eu lhe perguntei para confirmar, e ele me disse: sim, esse é o coração batendo. O médico olhava através da tela do ultrassom e introduziu o fórceps e prendeu as perninhas do bebê, puxando-as para baixo pelo canal do parto. Em seguida fez nascer o corpo e os braços até topar com o pescoço; nesse momento, só a cabeça do bebê permanecia dentro; o corpo se movia, seus pequenos dedos se sobrepunham uns aos outros, seus pés davam pontapés.
O médico pegou uma tesoura e a inseriu na base da cabeça do bebê, abriu-a e enfiou um tubo de sucção de alta potência na perfuração e aspirou a massa encefálica. Por pouco não vomitei enquanto observava essas coisas.
O médico recebeu a cabeça, cortou o cordão umbilical, fez nascer a placenta e atirou o bebê numa bacia, junto com a placenta e os instrumentos que havia empregado. Vi o bebê mover-se e, quando perguntei a outra enfermeira, ela me disse: são “reflexos”. A mãe chorou o tempo todo dizendo: “por favor, perdoe-me”
As explicações que os médicos dão sobre esse surpreendente e verdadeiramente demoníaco método são muito confusas e evasivas, pois tentam contornar certas dificuldades técnicas e legais.
“EU faço morrer e faço viver” (Dt 32,39)
“Quando os doentes, os anciãos e os moribundos forem deixados sozinhos, nós reagiremos proclamando que são dignos de amor, de solicitude e de respeito.”
João Paulo II
A Eutanásia.
Define-se a eutanásia como uma acção ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objectivo de eliminar o sofrimento (EV 65)
Há circunstâncias na vida em que a doença ou a extrema velhice tornam desejável a morte, tanto por parte do próprio paciente como dos familiares que dele cuidam; e, no entanto, é preciso lembrar que não somos donos nem da vida nem da morte.
É preciso evitar dois extremos: a eutanásia e a “obstinação terapêutica” que consiste em tudo o contrário, ou seja, em certas intervenções médicas já não adequadas à situação real do doente, por serem desproporcionadas aos resultados que se poderiam esperar, ou então por serem demasiado onerosas para ele ou para a sua família.
Quando a morte é iminente e inevitável, pode-se em consciência renunciar a tratamentos que apenas prolongariam já não a vida, mas uma dolorosa agonia. Pode-se deixar que a natureza siga o seu processo natural, procurando ao doente, isso sim, os cuidados normais. Isto exprime a aceitação da condição humana diante da morte (EV 65)
Na medicina moderna, vão ganhando destaque os chamados “cuidados paliativos”, destinados a tornar mais suportável o sofrimento na fase final da doença e, ao mesmo tempo, assegurar ao paciente um acompanhamento humano adequado.
Nós, católicos, temos nos Sacramentos também o acompanhamento divino, e os familiares devem providenciar a tempo a visita do sacerdote com o Sacramento da unção dos enfermos e o Santo Viático, que, pela ação do Espírito Santo, proporciona ao doente a Graça Santificante, paz espiritual, fortaleza cristã, alegria no Senhor e, se Deus quiser, algumas vezes, a saúde.
Não é prudente chamar o sacerdote apenas quando o doente está inconsciente “para que não se assuste”, sendo uma realidade que os Sacramentos ajudam enormemente nesses momentos tão difíceis. Não é lícito privar o moribundo da própria consciência sem grave motivo, pois, diante da morte, os homens devem estar em condições de cumprir suas obrigações morais e familiares e, sobretudo, preparar-se com plena consciência para o encontro definitivo com Deus.
Suicídio assistido.
O Dr. Kevorkian (“Dr. Morte”), nos Estados Unidos, dedicou-se a “ajudar a morrer pela própria mão as pessoas que desejam suicidar-se”. Adaptou uma ambulância para injetar intravenosamente em soro, mas com a possibilidade de que, abrindo uma válvula, o suicida permita entrar também um poderoso veneno. O médico retira-se “prudentemente” e deixa a fatal decisão e o letal movimento ao suicida.
Obviamente, suas ações despertaram uma grande polêmica nos Tribunais, e ele esteve encarcerado em várias ocasiões, mas insiste em que continuará seu proceder e luta pela legalização do “suicídio assistido”.
A Evangelium Vitae diz, com relação ao suicídio:
– O suicídio é sempre moralmente inaceitável, tal como o homicídio. A tradição da Igreja sempre o recusou, como opção gravemente má.
– Compartilhar a intenção suicida de outro e ajudá-lo a realizá-la mediante o chamado “suicídio assistido” significa fazer-se colaborador, e algumas vezes autor, de uma injustiça que nunca tem justificação, nem sequer quando é solicitada.
– Uma das características próprias dos atentados atuais contra a vida humana consiste em exigir a sua legitimação jurídica, como se fossem direitos que o Estado, ao menos em certas condições, deve reconhecer aos cidadãos.
– A raiz comum de todas essas tendências é o “relativismo ético” que caracteriza muitos aspectos da cultura contemporânea.
No entanto, é precisamente a problemática do respeito pela vida que mostra os equívocos e as contradições, com seus terríveis resultados práticos, que se encobrem nesta postura.
– O Evangelho da vida não é exclusivamente para os crentes: é para todos. O tema da vida e da sua defesa e promoção não é prerrogativa dos cristãos. Embora receba da fé luz e força extraordinárias, pertence a toda consciência humana que aspira à verdade e está atenta e preocupada com a sorte da humanidade.
Na vida há seguramente um valor sagrado e religioso, mas de modo algum interpela somente os crentes: com efeito, trata-se de um valor que cada ser humano pode compreender também à luz da razão e que, portanto, afeta necessariamente a todos.
Quando a Igreja Católica declara que o respeito incondicional pelo direito à vida de toda pessoa inocente, desde a concepção até a sua morte natural, é um dos pilares sobre os quais se baseia toda sociedade civil, “quer simplesmente promover um Estado humano. Um Estado que reconheça como seu dever primário a defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente da mais débil.”
Riscos na prática da eutanásia e do “suicídio assistido”.
1. Diagnóstico errado, por não levar em conta o estado mental do doente, incluindo os que sofrem de doenças terminais, os quais é possível que contemplem a possibilidade de um suicídio assistido, por não serem devidamente atendidos nos transtornos mentais e depressões que sofrem durante os seus padecimentos. Assim, pois, se chegarem a ser legalizados a eutanásia ou o suicídio assistido, podem realizar-se sem terem sido escolhidos pelo doente, por este não estar no pleno uso de suas faculdades e por ser especialmente vulnerável.
2. Mau manejo dos sintomas físicos: os médicos podem optar pelo suicídio assistido, em vez de buscar os tratamentos adequados para cada doente.
3. Atenção insuficiente aos sofrimentos e temores dos pacientes terminais, que podem ser ajudados com uma devida atenção psicológica e, sobretudo, com o Sacramento da Unção dos Enfermos, que ajudariam o doente a morrer em paz na Esperança cristã de ir ao Céu.
4. Vulnerabilidade dos grupos marginalizados. Esta prática põe em grave risco os pobres, os anciãos isolados, os membros de grupos minoritários, que se encontram completamente indefesos diante das decisões de outras pessoas.
5. Desvalorização das vidas dos chamados “deficientes” porque não são “produtivos”.
6. Sentido da obrigação. Muitos pacientes se sentiriam pressionados a tomar esta decisão, para não serem um fardo para os seus familiares.
7. Recomendações do médico. Muitos pacientes seguem cegamente as recomendações do médico, e assim, quando ele diz que a eutanásia é “medicamente apropriada”, os pacientes sentem que é a única alternativa.
8. A questão financeira. A eutanásia é muito mais barata do que os tratamentos para os anciãos ou doentes terminais, e já não se buscam paliativos nem outras soluções.
9. Arbitrariedade nos limites. Numa sociedade que aceita o suicídio medicamente assistido, seria difícil, se não impossível, conter esta opção em grupos limitados, pois qualquer um, ainda que não seja doente terminal, poderia solicitar a assistência médica para o seu suicídio.
10. Impossibilidade de regulamentação, pois seria difícil, dada a natureza desta decisão, prevenir abusos e erros, que ocorrem frequentemente na conduta de alguns médicos.
11. Os transplantes. A possibilidade da intervenção para dispor de órgãos para transplantes, o que é um “grande negócio”.
“A Eutanásia é imoral e antissocial”
É um documento do Episcopado Espanhol, que pode ser encontrado na Internet, no qual se fazem apontamentos muito importantes; citamos alguns:
– Há quem pense que tirar a vida de uma pessoa para evitar-lhe sofrimentos é algo bom, no pressuposto de que seja a própria pessoa quem o peça; e analisam as consequências da descriminalização da eutanásia, que abriria o caminho para que, junto com a eutanásia voluntária, viesse também a executada, e já ninguém teria garantia de “morrer naturalmente e em paz”.
O Arcebispo de Barcelona, Espanha, Cardeal Ricardo María Carles, denunciou que muitos anciãos doentes nos países da Europa em que a eutanásia é legal viajam à Espanha para tratar-se de suas enfermidades, pois literalmente fogem de seus países de origem porque não confiam em seus médicos nem nos hospitais.
Quantas formas de ataque à Vida vamos continuar “inventando”? Bem diz o Santo Padre João Paulo II que vivemos uma cultura de morte e de verdadeiro extermínio.
“Cristo crucificado é uma prova da solidariedade de Deus com o homem que sofre”
João Paulo II
NIHIL OBSTAT 7 de setembro de 1998 Pe. Dr. José Luis G. Guerrero Rosado
Censor
IMPRIMATUR 22 de setembro de 1998 Pe. Lic. Guillermo Moreno Bravo Vigário Geral
Autor: Alicia Herrasti