Pergunta um leitor:

Gostaria de saber se alguém desta organização pode me ajudar. Preciso de informação atual sobre a ética médica na clonagem de órgãos humanos, que se obtêm de células fetais em etapa totipotente. Já percorri todo o Medline e a internet e não encontro nada; por favor, podem me ajudar? Desde já, obrigado; somos um grupo de estudantes de medicina da Universidade Nacional Autônoma do México.

Resposta:

Lembro-lhe o que diz o documento do Centro de bioética da universidade católica do Sagrado Coração (Roma) “A clonagem humana ‘terapêutica’”[1]. Depois de dar o seu parecer negativo sobre a clonagem a partir de embriões, afirma: “Não se trata [o caso tratado] de reproduzir células idênticas entre si partindo de uma única célula progenitora, como acontece atualmente no campo das culturas celulares; nem se trata simplesmente de produzir, com a técnica de proliferação celular in vitro, tecidos destinados à implantação (por exemplo, tecido cutâneo, ósseo e cartilaginoso), segundo os procedimentos da ‘engenharia de tecidos’. Com esta técnica tomam-se do corpo humano ou animal células capazes de proliferar e gerar tecidos em laboratório, com o fim de substituir tecidos danificados do corpo de um paciente, por exemplo, devido a uma queimadura grave. Com efeito, se se tratasse da reprodução de células ou de intervenções de engenharia de tecidos, não haveria propriamente falando nenhuma dificuldade ética para admitir a licitude destas técnicas…”

E mais adiante, falando das células multipotenciais: “No que se refere às células estaminais multipotenciais, já se sabe que podem encontrar-se também em outros tecidos, e não só no embrião precoce. Com efeito, encontram-se, entre outros lugares, tanto no saco vitelino, no fígado e na medula óssea do feto, como no sangue do cordão umbilical no momento do parto. Quando se recolham células estaminais de embriões ou fetos abortados espontaneamente, ou do cordão umbilical, no momento do parto, não existem particulares problemas éticos…”

Não ocorre o mesmo com o embrião, o qual é inviolável nos seus direitos à vida e à integridade física como qualquer outra pessoa.

Autor: P. Miguel Ángel Fuentes

Fonte: O teólogo responde

Nota:

[1] Cf. L’Osservatore Romano, 5 de março de 1999, p. 8–9.