Pergunta:
Tem a Igreja Romana argumentos válidos que justifiquem o uso do símbolo [da cruz invertida]?
Resposta:
Não só a “Igreja Romana”, mas várias não romanas
I. Breve apresentação do tema.
O Papa João Paulo II, em sua visita à Terra Santa no ano jubilar de 2000, celebrou uma Missa na Galileia, no lugar onde a tradição situa o Monte das Bem-Aventuranças. A cadeira que o Papa ocupava naquela oportunidade trazia um simples desenho de uma cruz invertida, como se pode ver na fotografia deste parágrafo. O desenho, como explica o artista que o realizou, representa a morte de Pedro de cabeça para baixo, um dado que se conserva na Tradição da Igreja desde época muito antiga. Aquela celebração, além de ter sido presidida por quem hoje ocupa o lugar de Pedro — segundo a doutrina católica —, foi celebrada a poucos quilômetros de Betsaida, povoado natal do Apóstolo Pedro, e de Cafarnaum, onde o Apóstolo residia habitualmente. Mais tarde, o desenho da cruz invertida naquela cadeira litúrgica foi interpretado por algumas pessoas de clara inspiração anticatólica não como um sinal petrino, mas como um sinal satânico, dado que a cruz invertida é um elemento frequentemente relacionado com o culto satânico. No presente artigo, é minha intenção oferecer ao leitor alguns elementos de juízo que lhe permitam avaliar o sinal em seu contexto natural, isto é, a antiga tradição sobre a morte do Apóstolo, a história da arte relacionada com esse evento, o uso do símbolo em ambientes de culto, a informação que nos fornecem fontes imparciais etc. Os sites da Internet que apresentam a versão “satânica” da cadeira papal não fornecem nenhum desses elementos e apresentam as fotografias daquela celebração em um contexto totalmente satânico: cruzes invertidas em rituais satânicos, música de suspense, mensagens que sugerem o começo do fim etc.; como se a cruz daquela celebração na Terra Santa não tivesse sido exposta em uma Missa, mas em um sabá de bruxas. Se o leitor dispõe de tempo e de uma boa conexão à Internet, veja as fotografias em seu tamanho natural: a beleza de muitas dessas obras bem vale a pena. |
Estatísticas deste artigo (Inclui os dados do apêndice)Ø Testemunhos literários da crucifixão em Roma (sem especificar a posição invertida) dos séculos II-VI: 9Ø Testemunhos literários da crucifixão de cabeça para baixo em Roma, dos séculos II-VI: 7Ø Testemunhos literários importantes da crucifixão em Roma (sem especificar a posição invertida) dos séculos VII-XX: 10Ø Outros testemunhos literários importantes da crucifixão de cabeça para baixo dos séculos VII-XX (católicos e não católicos): 22Ø Testemunhos artísticos da crucifixão de cabeça para baixo dos séculos VIII-XX: 128 Ø Testemunhos em igrejas católicas da cruz invertida, sem Pedro, como símbolo do Apóstolo: 17+ |
| Ø Testemunhos em igrejas não católicas da cruz invertida, sem Pedro, como símbolo do Apóstolo: 47+, e em detalhe:
Ortodoxa: 3 |
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| Ø Igrejas católicas ou luteranas na Alemanha com a cruz invertida na torre: 20
Ø Obras de referência (dicionários, enciclopédias etc.) que definem a cruz invertida como “Cruz de Pedro”: 28 Ø Vários: 7 |
II. Testemunhos literários dos primeiros seis séculos de cristianismo sobre a tradição da morte de Pedro de cabeça para baixo e outros testemunhos notáveis posteriores.
III. Representações artísticas dessa tradição ao longo de mil anos de história.
| Obra artística | Data de composição | Descrição |
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ano 1050 circa | No mosteiro de Conques (França) há uma série de capitéis, entre os quais este é um dos mais antigos, com a imagem ainda visível de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
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finais do século XI | A igreja românica de St. Genest de Lavardin (França) conserva numerosas e esplêndidas pinturas. Entre elas, um São Pedro crucificado de cabeça para baixo. |
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século XI | Capitel do claustro do Mosteiro de Moissac (França). Cena do martírio de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. Na foto pequena, uma ideia do belíssimo claustro. A Revolução Francesa, que parece ter tido o hobby de ser iconoclasta, passou quebrando imagens por toda a França. Quando chegou a esta, martelou os pés de Pedro, pensando provavelmente que se tratava da cabeça da imagem. |
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ano 1119 | Igreja da cidade de Petersberg (Alemanha). Na foto superior, uma tomada de conjunto da igreja. Na foto seguinte, o afresco do altar principal, onde já se aprecia a figura da cruz invertida no nível médio, à esquerda. O detalhe com a crucifixão de Pedro de cabeça para baixo na última fotografia. |
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ano 1122 | Igreja de St-Pierre-de-la-Tour, em Aulnay-de-Saintonge (França). No tímpano do portal norte vê-se a cena da crucifixão do apóstolo São Pedro. |
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ano 1169 | Portal do Mosteiro de Santa Maria de Ripoll (Espanha). Na fotografia maior aprecia-se a parte superior do impressionante portal, com 73 representações em pedra sobre motivos bíblicos, alegóricos e costumbristas; no centro do portal, a cena que nos interessa: Pedro, crucificado de cabeça para baixo (foto pequena). |
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ano 1186 circa | Na Igreja Catedral de Monreale, Sicília (Itália), encontram-se alguns dos mosaicos mais apreciados e extraordinários do mundo, magníficas expressões da arte normanda. Entre tantos mosaicos conservados até os dias de hoje encontra-se a crucifixão de Pedro, de cabeça para baixo. |
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finais do século XII | Este relevo da crucifixão de Pedro de cabeça para baixo, deteriorado mas ainda bem visível, está no famoso Château Comtal, em Carcassonne (França). |
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primeiro quarto do século XIII | No portal sul desta impressionante igreja catedral de Chartres (França) há uma espécie de história da Igreja em pedra, desde Cristo em sua primeira vinda até sua manifestação gloriosa no final dos tempos. Rodeando o Cristo estão os Apóstolos, o primeiro dos quais é Pedro, levando em suas mãos uma chave e um lenho, que representa sua crucifixão. |
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primeira metade do século XIII | Na Chiesa Rossa do município de Castel San Pietro (Suíça) podem-se apreciar várias pinturas murais de autor desconhecido, entre as quais há uma sucessão de imagens da vida de Pedro; entre estas, o momento da crucifixão de cabeça para baixo. |
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ano 1250 circa | No museu episcopal de Limoges (França) encontra-se este Cofre de São Pedro, em cuja parte frontal se vê um trabalho de ourivesaria com a imagem de São Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
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anos 1277-1280 | A crucifixão de São Pedro, Capela do Sancta Sanctorum, Palazzo Laterano, Roma (Itália). O autor é conhecido como o Mestre do Sancta Sanctorum. |
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ano 1280 | Frontal de São Pedro, escola sienesa. Pinacoteca Nacional de Siena (Itália). A parte central do frontal é presidida por São Pedro sentado e com as chaves, o atributo que o caracteriza. Nas laterais aparecem cenas da vida de Cristo e de São Pedro, como a negação do Santo e sua crucifixão de cabeça para baixo. |
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século XIII | Vitrais na Catedral de Poitiers (França). Este espetacular vitral representa Cristo Crucificado na parte superior e Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na parte inferior (segunda fotografia), como se fosse um reflexo do Crucificado… |
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século XIII | O Martírio de São Pedro e São Paulo, miniatura no Berthold Missal (Morgan MS 110, fol. 967), manuscrito do mosteiro de Weingarten (Alemanha). A fotografia foi tomada de The Catholic Encyclopedia, edição 1966, junto ao verbete correspondente a São Pedro Apóstolo. |
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ano 1300 circa | Afrescos na igreja de São Pedro Apóstolo, em San Piero a Grado, Pisa (Itália). A fotografia mostra o detalhe da crucifixão do apóstolo de cabeça para baixo. A obra é atribuída a Deodato Orlandi. |
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ano 1325 circa | Giotto, Polittico Stefaneschi, Pinacoteca Vaticana. Obra sobre madeira. À esquerda do tríptico, a representação de São Pedro crucificado de cabeça para baixo. |
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ano 1345 | Capela de São Marcial, no palácio dos Papas de Avignon (França). Uma das numerosas pinturas recorda Pedro, crucificado de cabeça para baixo. As pinturas são de Matteo Giovannetti. |
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ano 1375 | A catedral de Colônia (Alemanha) é um dos monumentos mais belos do cristianismo. O tímpano do portal sul da catedral (primeira fotografia) é dedicado a São Pedro. No centro (segunda fotografia), várias cenas das paixões de Pedro e Paulo diante de Nero em Roma; à esquerda do nível inferior (terceira fotografia), o detalhe da crucifixão de Pedro, de cabeça para baixo. Ao centro, a decapitação de Paulo. É muito comum, como vimos e veremos, representar ambos os apóstolos dando a vida por Cristo em Roma, Pedro por uma cruz invertida, Paulo pela espada, ambos dados de uma tradição que não tem opositores. |
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finais do século XIV | O Martírio de São Pedro no Breviário de Martinho de Aragão. Na Biblioteca Nacional da França, ROTH 2529, fol. 341v. |
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século XIV | Pinturas murais na Igreja românica de Saint Medard, na localidade de Saint Mars de Locquenay (França). |
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1400 circa | Lorenzo Zaragoza, Retábulo de São Pedro, com dezenove cenas da vida do Apóstolo. No Cincinnati Art Museum. No extremo inferior direito, a crucifixão de cabeça para baixo. |
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ano 1426 | Masaccio, A Crucifixão de São Pedro. A Decapitação de São João Batista. Detalhe do Altar de Pisa. Têmpera sobre painel. A obra encontra-se no Staatliche Museen zu Berlin, Gemaldegalerie, Berlim (Alemanha). |
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entre os anos 1433-1435 | Antonio Averulino, O Martírio de São Pedro. Portão central da Basílica de São Pedro, em bronze (Vaticano). A obra foi encomendada pelo Papa Eugênio IV. A fotografia superior mostra uma panorâmica com o ingresso no templo; a seta assinala a posição do quadro com a crucifixão de Pedro. Na foto de baixo, o detalhe da cena que nos interessa. Quantos milhões de peregrinos viram esta obra nos quase seiscentos anos em que está ali? |
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ano 1490 circa | Filippino Lippi, A Crucifixão de Pedro. Afresco na Capela Brancacci, Florença (Itália) |
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entre os anos 1471 e 1484 | Particular de um tabernáculo mandado construir pelo Papa Sisto IV — quem deu o nome à Capela Sistina — e que se pode ver nas grutas Vaticanas. |
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finais do século XV | Esta outra colorida miniatura encontra-se em um antigo Livro das Horas na França. No momento conto apenas com estes dados de catálogo: Add. MS. 11865, f. 87. Quanto ao nosso tema, a miniatura mostra dois momentos da firme tradição sobre a morte de Paulo, decapitado, e de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
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ano 1502 | Bramante, Capela do lugar da Crucifixão, igreja de São Pedro in Montorio, Roma (Itália). O famoso artista realizou uma escultura para honrar o lugar onde se acreditava ter ocorrido o martírio de Pedro. Na foto grande, uma panorâmica da escultura; no detalhe, a cena de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
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entre os anos 1546-1550 | Michelangelo Buonarroti: Afresco A Crucifixão de São Pedro, da Capela de Paulo III, Museu Vaticano. |
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finais do século XVI | Na igreja paroquial de São Pedro de Gata (Espanha) encontra-se este esplêndido retábulo com esculturas e pinturas. No nível central, à direita, observa-se a cena da crucifixão de Pedro de cabeça para baixo (foto inferior). |
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ano 1600 ou 1601 | Caravaggio, A Crucifixão de São Pedro. Óleo sobre tela. A obra está em Santa Maria del Popolo, Roma (Itália). Cópias desta esplêndida obra e de várias das obras que aqui apresento encontram-se em muitas igrejas do mundo. |
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ano 1604 ou 1605 | Guido Reni, Martírio de São Pedro, Pinacoteca Vaticana. |
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ano 1605 | Paolo Piazza, Crucifixão de São Pedro, em um altar lateral da Frauenkirche, que é a igreja catedral de Munique (Alemanha). |
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ano 1614 | A crucifixão de São Pedro, de Palma, o Jovem. Galeria da Academia, Veneza (Itália). |
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ano 1616 | Na catedral de Toledo (Espanha), a sacristia maior exibe um bom número de quadros. Um deles é Pedro, crucificado de cabeça para baixo, do pintor Eugenio Caxes. |
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ano 1618 ou 1619 | Guercino, A Crucifixão de São Pedro, óleo sobre tela. Galeria Estense, Módena (Itália). Note-se a interpretação do autor: um anjo é enviado por Deus (sua mão esquerda aponta para o céu) para sugerir a Pedro que se faça crucificar de cabeça para baixo (a mão direita do anjo apontando para a própria cabeça). |
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ano 1629 | Francisco de Zurbarán, A Aparição do Apóstolo São Pedro a São Pedro Nolasco, óleo sobre tela, Museu do Prado (Madri). |
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ano 1629 | Francisco de Zurbarán, São Pedro, óleo sobre tela, igreja de Santo Estêvão de Sevilha (Espanha). O site especializado em arte onde obtive esta pintura explica: “[Pedro] está representado com seus atributos tradicionais: as chaves do Céu e o lenho que alude à cruz invertida onde morreu martirizado.” |
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ano 1640 | Pedro Paulo Rubens, A Crucifixão de Pedro, Igreja de São Pedro, Colônia (Alemanha). Óleo sobre tela. |
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entre os anos 1630-1647 | Mattia Preti, A Crucifixão de Pedro, no Museu de Grenoble (França). A foto que obtive é pequena, mas o quadro real tem 3,36 metros de altura por 2,42 de largura. |
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primeira metade do século XVII |
Francisco Collantes, Paisagem com a crucifixão de São Pedro. Óleo sobre tela. A obra está no Museu do Prado, Madri (Espanha). |
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ano 1658 | Artus Quellinus, o Velho, Igreja de Santo André, Antuérpia (Bélgica). Mármore. Pedro, expresso como homem de dores mas enérgico, abraça-se a uma cruz invertida, o símbolo de sua paixão. Mais abaixo comentaremos algo mais sobre esta imagem. |
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finais do século XVII | Luca Giordano: A Crucifixão de São Pedro. A obra está na Academia de Veneza (Itália). |
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século XVI | Na catedral da Cidade do México, na capela de São Pedro, encontra-se uma pintura que representa a cena da crucifixão de Pedro de cabeça para baixo. Assim a viram milhões de fiéis mexicanos durante quatro séculos. Na foto superior, uma vista do retábulo; na outra fotografia, o quadro da crucifixão. Possivelmente trata-se de uma pintura de Echave Orio do século XVII, segundo escreve Manuel Toussaint, e o autor é de origem flamenga. (Foto: Luis Moreno) |
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primeira metade do século XVIII | Pierre Subleyras, A Crucifixão de Pedro, Museu do Louvre (Paris). Óleo sobre tela. |
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primeira metade do século XVIII | Na Basílica Vaticana, na abóbada do fundo, junto à esplêndida obra de Bernini no altar da Cátedra, há uma crucifixão de Pedro de cabeça para baixo, em estuque, em uma espécie de nicho redondo de uns três metros de diâmetro. A obra é parte da ornamentação que realizou Giovan Battista Maini, perfeitamente visível como mostra a fotografia. |
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ano 1850 circa | Ícone da Igreja Ortodoxa Russa, representando a Igreja de Cristo. Na parte superior, junto à cabeça de Cristo, representa-se o martírio de Paulo por decapitação (direita) e Pedro crucificado de cabeça para baixo (esquerda). Há outros mártires representados da mesma maneira em cenas inferiores. |
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meados do século XVIII | Igreja de São Pedro em Gottolengo (Itália). Sobre uma de suas abóbadas encontra-se esta belíssima pintura do pintor Franzoni, celebrando o testemunho de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
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ano 1864 | Martírio de São Pedro de cabeça para baixo, Catedral de Salta (Argentina). Segundo o Patrimônio Artístico Nacional da Província de Salta, é atribuído a Francisco Ortega. |
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ano 1869 | Na igreja de Santa Joana d’Arc em Rouen (França) encontra-se um vitral dedicado a São Pedro. Na parte superior vê-se a cena de sua morte por crucifixão de cabeça para baixo. |
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ano 1889 | Igreja Cornusson em Garonne (França). No vitral central dos três vitrais, no centro superior, vemos a crucifixão de São Pedro de cabeça para baixo, braços estendidos. |
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ano 1919 | Santuário Nacional de São Francisco de Assis, São Francisco, Califórnia (USA). Nos vitrais da parte oriental do templo encontra-se, entre muitos outros, esta imagem dedicada a preservar a memória do martírio de Pedro, crucificado de cabeça para baixo, e o de Paulo, por decapitação. |
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primeira metade do século XX | Basílica de São Paulo extramuros, na cidade de Roma (Itália). A igreja custodia os restos do Apóstolo dos Gentios, morto por decapitação — segundo a tradição — na capital imperial. O portão central da basílica (foto superior) contém cenas da vida e morte de Pedro e Paulo. Entre as cenas vê-se também a crucifixão de Pedro de cabeça para baixo. |
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meados do século XX | Na abóbada da nave principal da igreja de São Pedro em Munique (Alemanha) encontra-se este enorme afresco que recorda o martírio de Pedro de cabeça para baixo. A igreja, destruída pelos bombardeios aliados da segunda guerra mundial, foi totalmente reconstruída. |
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ano 2001 | Stefano Billi, A Crucifixão de São Pedro. Óleo e verniz poliuretânico sobre madeira. Uma mostra da tradição acerca da morte de Pedro de cabeça para baixo na arte moderna italiana. |
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Sob o altar-mor da Basílica de São Pedro (Vaticano) há muitas criptas com altares para a celebração da Santa Missa. Também vários Papas descansam nessas capelas. Diante do lugar que contém os ossos do Apóstolo Pedro, há um altar de mármore com relevos, onde se pode celebrar a Eucaristia (foto superior). Em um dos lados do altar vê-se a cena de Pedro, crucificado de cabeça para baixo. |
IV. Exemplos do uso petrino — não satânico — do símbolo da cruz invertida referido à morte do Apóstolo, em igrejas católicas e em igrejas pertencentes a várias denominações cristãs não católicas.
| Símbolo | Referências | Comentário |
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Igreja Ortodoxa, ícone do “Abraço dos irmãos Pedro e André” (em vários lugares, por exemplo neste site) | Este ícone foi pintado por um monge ortodoxo do monte Athos, na Grécia. O Patriarca ortodoxo de Constantinopla Atenágoras o presenteou ao Papa Paulo VI, em recordação do histórico encontro entre ambos que teve lugar em Jerusalém (janeiro de 1964), onde levantaram mutuamente as antigas excomunhões. Na parte correspondente a Pedro, uma cruz invertida. Que este símbolo seja tradicional nas igrejas ortodoxas, demonstram-no tanto o pintor como quem fez o presente. |
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Igreja Episcopaliana de São Pedro em Charlotte, Carolina do Norte, USA. (site) | Há um desenho nesse site onde duas chaves — tomadas da cena em que Jesus confia a Pedro as chaves do Reino — se cruzam formando uma cruz invertida. Encontrou-se aqui o desenho completo. Por outro lado, o site da Survey & Research Reports Charlotte-Mecklenburg Historic Landmarks Commission (aqui o site) apresenta um detalhado relatório sobre a história e a arquitetura do edifício de culto dessa igreja. Ali se lê: “A própria entrada da igreja tem pesadas portas duplas de madeira, nas quais se vê gravado um escudo, na parte superior, com chaves enlaçadas e uma cruz invertida: mais símbolos de Pedro.” As portas, assim como o edifício, são de 1893. Os fiéis episcopalianos viram esse escudo durante mais de cem anos ao ingressar no templo para a oração. |
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Igreja Episcopaliana de São Pedro em Charleston, Carolina do Sul, USA (o site estava hospedado aqui: www.stpeterscharleston.org). | A paróquia divulga seu boletim paroquial. O nome do boletim é… “A Cruz Invertida” (The inverted cross). Também ali há um desenho com as chaves e a cruz invertida. |
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Igreja Episcopaliana de São Pedro em Bettendorf, IA, USA (o site estava hospedado aqui: http://home.earthlink.net/~saintpeters/tour.htm) | Nesse site podem-se ver algumas fotografias do edifício de culto. Para o nosso objetivo, veja o leitor a fotografia que aqui exponho e que corresponde à fachada do templo episcopaliano, onde, junto a uma grande cruz — de Cristo — encontra-se uma cruz invertida. O que quis representar com esse sinal essa comunidade episcopaliana “de São Pedro”? |
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Igreja Episcopaliana de São Pedro e São Paulo, Marietta, GA, USA (site) | Nessa página faz-se uma breve explicação do emblema que representa essa paróquia. O emblema traz uma cruz invertida, uma espada e uma chave, símbolos dos dois grandes apóstolos. O desenho aparece na página principal e em várias páginas internas. |
| Igreja Episcopaliana de São Pedro, Richmond, Virgínia, USA (site) | Em uma de suas páginas lê-se o seguinte relato de um de seus membros: “A comunidade da igreja Episcopal à qual pertenço chama-se ‘São Pedro’. Nosso estandarte [banner] está coberto de símbolos que nos recordam a vida desta ‘pedra’, sobre a qual Jesus fundou sua igreja. Na parte superior, um colorido galo, cujo canto fez Pedro reconhecer sua negação; no centro está a cruz invertida, que indica o modo da crucifixão que um humilde Pedro, segundo nos conta a tradição, escolheu; e flanqueando a cruz há duas grandes e antigas chaves… etc.” | |
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Igreja Episcopaliana Trindade, Covington, Kentucky, USA (site) | A igreja apresenta informações sobre suas atividades e culto. Explica vários vitrais que enriquecem o templo, entre os quais um da “Anunciação”. Diz que tem símbolos secundários além dos centrais, e entre eles “os veneráveis encargos de Pedro, as chaves cruzadas sobre uma cruz invertida: ele não se sentiu digno…” etc. Esclarece-se que esses símbolos secundários do vitral “foram selecionados cuidadosamente para dar realce ao motivo central” (a Anunciação). Na foto do vitral que o site apresenta não se chega a distinguir o motivo petrino. |
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Igreja Episcopaliana Emmanuel, Athens, Geórgia, USA (site) | Nessa igreja há um belo vitral com imagens evangélicas e, ao pé de cada janela, alguns símbolos apostólicos. No vitral da Transfiguração, como explica o responsável pelo site, há uma cruz invertida, sinal de Pedro (extremo inferior esquerdo da fotografia). |
| Igreja Episcopaliana de São Paulo, Chestnut Hill, Philadelphia, PA, USA (site) | O site descreve os variados vitrais da igreja. Um deles representa Pedro, com as chaves nas mãos, e ao seu lado uma cruz invertida. A fotografia que o site propõe não é de boa qualidade, e os símbolos de Pedro não são visíveis. | |
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Catedral Episcopaliana Christ Church, Louisville, KY, USA (site) | Para a nova dedicação da igreja Catedral (maio de 2002), os fiéis dessa comunidade apresentaram mais de trinta estandartes, nos quais se representam vários motivos da fé cristã. Um deles, “desenhado pelo Padre Joe Smith e por Donna Bartman”, leva uma grande cruz invertida vermelha sobre fundo branco, mais uma flor-de-lis que representa a cidade de Louisville. Tanto esse estandarte como os demais estão constantemente expostos em uma sala do complexo catedralício. |
| Primeira Igreja Metodista Unida, Midland, Texas, USA (site) | Há um breve tour com a explicação da arquitetura do templo e alguns de seus elementos simbólicos. Diz-se ali que há doze genuflexórios e que cada um representa um dos Apóstolos. O que corresponde a Pedro leva “suas chaves, sua cruz invertida e seu famoso galo”. Esclarece-se que os genuflexórios foram trabalhados à mão por mulheres da comunidade. | |
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Primeira Igreja Metodista Unida, Temple, Texas, USA (site) | Na igreja há alguns vitrais, entre os quais um dedicado a Pedro. Nele se veem “os símbolos de Pedro”, como esclarece o site: um galo, duas chaves, um peixe, uma rocha e uma cruz invertida |
| Igreja Metodista Unida Carter Memorial, Needham, MA, USA (o site já não está on-line) | Há desenhos dos apóstolos nas portas, e Pedro está representado pela cruz invertida e pelas chaves. A Rev. Caroline B. Edge explica à assembleia, em um sermão de junho de 2002, o sentido missionário desses símbolos apostólicos, e diz que “o símbolo de Pedro” são a cruz invertida e as chaves, e dá os motivos que já conhecemos. | |
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Igreja Luterana Cristo, Las Vegas, USA (anteriormente hospedado em www.christlutheranlasvegas.org) | Apresenta uma página com os vitrais de sua igreja. Entre muitos outros, há um que representa Pedro, com as chaves, o galo e uma cruz invertida, ao mesmo tempo em que se oferece a explicação desta, que o leitor já pode imaginar. Diz-se também que os vitrais foram desenhados e realizados por Robert and Patricia Metcalf, of Metcalf Studio in Lake Havasu, AZ. |
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Igreja Luterana Grace, USA (site) | No site, essa comunidade é apresentada como a “igreja mãe do Sínodo do Grand Canyon das Igrejas Evangélicas Luteranas da América”. Contém uma notável série de vitrais, representando cenas bíblicas e uma grande quantidade de símbolos cristãos (até um “selo de Lutero”). No vitral dedicado à Ressurreição de Cristo, há um galo e uma cruz invertida, símbolos — diz o site — “da negação de Pedro e de seu martírio”. |
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Igreja Luterana de São Lucas de Saint Paul, Minnesota, USA (anteriormente hospedado em http://www.stluke-church.com/raredosdescription.htm) | A igreja oferece em seu site, entre outras coisas, uma explicação de um vitral do templo. Nele estão representados os apóstolos mediante distintas cruzes. Para Pedro, uma cruz invertida. |
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Igreja Luterana de São João em La Porte, Indiana, USA (site) | Apresenta as fotografias dos vitrais do templo, instalados em 1954. Entre eles há um dedicado a Pedro, que é simbolizado mediante uma cruz invertida. |
| Igreja Luterana Holy Trinity de Lynchburg, Virgínia, USA (anteriormente hospedado em http://www.elca.org/syn/cong/va/24503/history.html ) | Apresenta em seu site uma história da comunidade paroquial e do templo. Falando das janelas da nave central, diz que representam muitos personagens bíblicos e da história da Igreja, desde Moisés até H.M. Muhlenberg, “patriarca do luteranismo na América”, passando por S. Francisco de Assis e Lutero. Cada personagem está pintado de corpo inteiro, mais um símbolo que o caracteriza. Para uma das janelas diz o site: “São Pedro, representativo dos discípulos, é apresentado tendo em suas mãos as chaves do Reino, e está simbolizado por uma cruz invertida. A tradição sustenta que foi crucificado de cabeça para baixo”. | |
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Igreja Luterana de São Pedro, Battle Creek, MI, USA (site) | Traz o símbolo de Pedro com a cruz invertida e as chaves. E explica: “O símbolo cristão para São Pedro é a cruz invertida e as chaves cruzadas”. A igreja é afiliada à “Evangelical Lutheran Church in America”. |
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Igreja Luterana do Bom Pastor, Liverpool, PA, USA (site atualmente fora do ar) | Traz os emblemas dos doze Apóstolos que se veem no tapete que está sob o altar principal do templo. A explicação correspondente a Pedro diz que “seu símbolo são as chaves”. Mas no escudo está também a cruz invertida, como se pode ver na foto. |
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Primeira Igreja Luterana de Kennewick, Washington, USA (anteriormente hospedado em www.kennewickfirstlutheran.org) | Há uns vitrais alusivos a alguns apóstolos, entre eles um muito belo referente a Pedro. Ele é representado no momento em que Cristo o ajuda a não afundar nas águas (Mt 14,30-31). Aparece rodeado de símbolos que fazem alusão à sua pessoa. O responsável pela paróquia luterana os explica assim: “Na parte superior: um coração, símbolo da bondade de Pedro; a âncora, por sua fé; a Igreja sobre uma pedra; a cruz invertida, por sua crucifixão; a coroa, símbolo de Cristo, a quem ele adora”. O autor da obra acrescenta originalmente símbolos que não se veem com frequência: o “coração” como sinal da bondade de Pedro, ou a “âncora” como símbolo de sua fé. |
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Igreja Luterana Trindade, de Ann Arbor, Michigan, USA (site) | O templo conta com uma torre moderna carregada de símbolos, e em particular de cruzes, referentes a vários aspectos da vida cristã e sua história. Entre elas há também uma cruz invertida, que, segundo explica o site, é “um símbolo de São Pedro, que foi crucificado nessa posição”. |
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Site oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (site) | Entre os emblemas litúrgicos aparece este, de Pedro, com uma cruz invertida e as chaves. Em “Quem somos” lê-se que a Igreja Evangélica Luterana do Brasil “conta com 200 mil membros, distribuídos em 2000 congregações e pontos de missão e atendidos por centenas de pastores”. Nenhum deles notou nada de estranho em um emblema nada menos que litúrgico? |
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Catedral Presbiteriana Trindade, Sacramento, CA, USA (site) | Podemos ver um vitral muito belo com a imagem do Apóstolo Pedro, tendo em suas mãos as tradicionais chaves. Na parte de cima do vitral vê-se um escudo com a imagem de um galo e, na parte de baixo, um escudo com uma cruz invertida. No site explica-se que isso “representa sua morte: segundo a tradição, morreu em Roma crucificado de cabeça para baixo”. É de notar que se trata de uma igreja catedral. |
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Primeira Igreja Presbiteriana de Richmond, Virgínia, USA (site fora do ar) | Traz uma explicação de um retábulo de madeira tomada da obra “Symbolism of the Sanctuary”, do Dr. W. Lapsley Carson, pastor dessa igreja entre 1922 e 1959. Entre os símbolos há uma gravura que representa Pedro, com as chaves e uma cruz invertida. Segundo se diz ali, o desenho foi colocado na igreja “inadvertidamente ao contrário”. Aqui o publico como deveria estar. O site esclarece sobre esse escudo: “O saltire, ou chaves entrecruzadas, sobrepostas a uma cruz invertida, significa São Pedro… Pedro foi crucificado de cabeça para baixo”. |
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Primeira Igreja Presbiteriana, Waco, Texas, USA (site) | Em uma de suas janelas mostra-se a simbologia de Pedro: uma cruz invertida e as chaves cruzadas. Diz o site: “A cruz invertida foi o modo como Pedro quis morrer” |
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Igreja Presbiteriana de São Pedro sobre o Mar, Rancho Palos Verdes, CA, USA (site) |
Propõe em seu portal várias fotografias do abundante material de vitrais com que essa igreja foi enriquecida: entre eles, alguns dedicados a Lutero, Calvino e outros personagens importantes do cristianismo. Há uma sequência simbólica dedicada aos apóstolos em um dos corredores. Tudo ali são símbolos. Para Pedro apresentam-se: as chaves, uma barca de pescador, peixes, redes de pescador, uma âncora, um galo, um “70 x 7”, uma cruz sobre uma pedra, um cajado e uma cruz invertida (a foto ao pé deste parágrafo). Mas isso não é tudo: o fiel encontra-se com outra cruz invertida na porta principal, tão logo chega ao templo (a foto superior, à esquerda deste parágrafo). E, como se isso não fosse demais, uma rosácea na nave principal volta a recordar aos fiéis a morte de Pedro de cabeça para baixo (foto inferior, à esquerda deste parágrafo). |
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Igreja Presbiteriana Valley, Paradise Valley, Arizona, USA (site) | Mostra alguns “banners” ou estandartes, que, segundo explica o site, representam as grandes confissões de fé desde o início do cristianismo até os nossos dias. Informa-se também que os estandartes são expostos nessa igreja durante o “Domingo da Reforma”. No estandarte do “Credo dos Apóstolos” veem-se: uma âncora, um peixe, um cálice e uma cruz invertida. O site esclarece que se trata de “Pedro, que segundo a lenda foi crucificado de cabeça para baixo”, etc. É de notar que, apesar de o dado ser reconhecido como “lendário”, ele é usado na simbologia litúrgica no dia em que se festeja a Reforma de Lutero e companhia. |
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Igreja Presbiteriana Calvary, Allenwood, NJ, USA (site fora do ar) | Uma cópia do “banner” anterior em outra igreja Presbiteriana. O site declara que os símbolos, entre os quais se encontra uma cruz invertida com a consabida explicação, são “um simples lembrete dos TEMAS ESSENCIAIS da fé cristã” (destaque original). |
| Igreja Presbiteriana Graystone, Indiana, Pensilvânia, USA (graystonechurch.net) | Dá alguns dados sobre a construção e o significado do edifício. Também traz doze placas relativas aos apóstolos — o lugar de Judas é ocupado por Paulo —; as placas são de 1927. Diz o site: “As placas — na frente da capela Mack — mostram símbolos tradicionais pintados em ouro para cada um dos apóstolos. Pedro: cruz invertida com chaves. André…” etc. | |
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Igreja Presbiteriana de Lookout Mountain, USA (site) | Oferece uma descrição de alguns elementos do templo paroquial. Há uma série de escudos com os símbolos dos apóstolos. Para Pedro, a cruz invertida e as chaves, com a explicação que já conhecemos. |
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Igreja Anglicana dos Santos Filipe e Tiago em Palma de Maiorca, Espanha (site fora do ar) | Propõe abundante informação acerca da comunidade e do templo. O edifício conta com belos vitrais dedicados aos doze apóstolos e aos símbolos que costumam representá-los (a página de introdução mostrava todos os vitrais). Quando representa Pedro, o faz deste modo:
“Seus símbolos são as Chaves (que aqui formam parte de suas vestes) e uma cruz invertida (porque se sentiu indigno de morrer como Cristo, pediu que sua cruz fosse invertida, para que pudesse dirigir seu olhar aos céus enquanto estivesse crucificado). Esta cruz invertida não é imediatamente visível, dado que está em parte escondida pela barra que divide os dois vitrais”. E, com respeito ao vitral de Filipe Apóstolo, à esquerda do de Pedro, esclarece: “Filipe está apontando com sua mão esquerda para a cruz invertida de São Pedro no painel 8”. Nas fotografias que acompanham este parágrafo pode-se ver todo o vitral e um detalhe com os dois apóstolos mencionados e a cruz invertida no meio. |
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Igreja Anglicana de St. Peter ad Vincula, Stoke on Trent, GB (anteriormente hospedado em www.stoke1.org.uk ) | Falando do templo dessa comunidade, diz que o frontal do altar principal (note-se a importância do lugar) leva um desenho rico em simbolismo. O site explica esse desenho em detalhe e, entre outras coisas, diz: “Na parte superior encontra-se a cruz invertida de São Pedro, sinal do valor e da fidelidade, mas também da humildade; Pedro pensou que não era digno de morrer da mesma forma que Jesus”. Um pouco antes havia dito: “O frontal do altar foi doado por um membro de nossa congregação. Foi criado por Juliet Hemingray, uma das mais célebres desenhistas de objetos de igreja na Inglaterra: ela produziu todo o vestuário para a entronização do atual Arcebispo da Cantuária. Para realizar a obra, serviu-se de um desenho original sugerido pelo Reitor da igreja” (grifo meu). |
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Igreja Anglicana de São Pedro em Harborne, diocese de Birmingham, GB (anteriormente hospedado em www.st-peterscofe-jun.bham.sch.uk) | Vê-se um escudo com as chaves e a cruz invertida, que se repetia também no antigo site correspondente à escola paroquial. Nessa mesma igreja há uma cruz processional doada no ano de 1925. Tem uma peça central em esmalte com símbolos da paixão, “também as chaves cruzadas e a cruz invertida, elementos estes que se encontram em muitas partes da Igreja como símbolos de São Pedro”, esclarece o site, dando as razões que já conhecemos. Podia-se ver toda esta informação nesta página www.st-peterscofe-jun.bham.sch.uk pertencente à igreja (agora já fora do ar). |
| Igreja Batista de Hyde Park, Illinois, USA (site). Na atualidade a igreja é Unitária |
Nas janelas da parte superior há uma rica simbologia, em particular referente a distintas formas de cruzes. Segundo explica esse site, encontramos também uma cruz invertida: “Começando pelo lado ocidental encontramos: a Cruz de Pedro, cruz de seu martírio (porque foi crucificado de cabeça para baixo); etc.”. O templo foi construído pela e para a igreja Batista, segundo informa o site; com o passar do tempo mudou de denominação (Unitária). |
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Igreja Batista Broadway, Fort Worth, Texas, USA (site) | O site apresenta uma fotografia do enorme vitral chamado “do Grande Envio Missionário”, em alusão ao mandato de Cristo de pregar o evangelho a todo o mundo. “Requerem-se horas para apreciar toda a beleza deste vitral”, diz o site. No que nos interessa, há uma alusão a Pedro no extremo esquerdo da obra; sobre o Apóstolo há uma cruz invertida e as chaves. O site batista explica: “Abaixo está o símbolo de Pedro, a cruz invertida e as chaves cruzadas […] A Tradição diz que Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo porque não se sentiu digno de morrer da mesma maneira que seu Senhor.” A fotografia que publico aqui, tomada do site em questão, permite ver os símbolos com bastante dificuldade. |
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Igreja Cristã dos Discípulos de Cristo de Cleveland Heights, Cheektowaga, NY, USA (site fora do ar) | O templo foi construído nos anos sessenta, mas os vitrais da nave central foram instalados em 1980. São doze vitrais que fazem referência aos doze apóstolos. No vitral correspondente a Pedro, explica o webmaster: “Pedro é representado pela cruz invertida e pelas chaves. A Igreja Universal é representada pela terra, que se encontra em meio a nuvens de tormenta, e por uma nau em meio a um mar borrascoso”. |
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Site Christians in Schools, das igrejas Anglicana, Batista e evangélicos independentes, GB (anteriormente hospedado em www.cist.org) | No site “Christians in Schools” ofereciam-se recursos em inglês para o ensino e o testemunho cristãos nas escolas da região de Stockport, Cheshire (Inglaterra). Entre os numerosos recursos encontra-se a explicação da simbologia cristã, e também da nossa cruz invertida. É chamada “Cruz de Pedro”, e leva esta explicação: “A cruz invertida é conhecida frequentemente como ‘Cruz de Pedro’. Crê-se que Pedro, como Jesus, foi crucificado pelos romanos; mas pensou que não seria adequado morrer exatamente como Jesus, pelo que pediu que o crucificassem de cabeça para baixo”. Este testemunho parece-me particularmente interessante por tratar-se de recursos em nível escolar para as escolas da Inglaterra, aprovado pelas autoridades dessa região — não se trata de material proposto por uma ou duas pessoas — e, sobretudo, porque os autores desses recursos educativos são “um grupo de cristãos de várias denominações, incluídas as igrejas anglicana, batista e igrejas evangélicas independentes na região de Stockport, Inglaterra, Reino Unido”, segundo escreve David Scott, Tesoureiro e Administrador do convênio educacional.
Esta informação acerca do uso petrino da cruz invertida por parte de comunidades batistas, neste quadro e nos anteriores, considero-a particularmente interessante, dado que o Sr. Sapia, principal promotor — no mundo hispânico da Internet — da leitura satanista da cruz invertida, pertence ele mesmo à igreja evangélica Batista “Rei de Paz”, na cidade de Buenos Aires, de cujo site é o administrador. |
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Site Church Schools, de ajuda às escolas Cristãs, GB (anteriormente hospedado em www.churchschools.co.uk) | É dedicado a prestar assistência aos docentes e regentes das escolas das igrejas cristãs na Grã-Bretanha. O site é de nível profissional e pertence à National Society. Diz-se também ali: “Todo o material contido foi escrito por docentes das escolas de igreja e especialistas em administração de escolas de igrejas, incluindo pessoal diocesano de educação e conselheiros legais”. E também: “Este site foi aprovado pela Associação Nacional para o Ensino” (National Grid for Learning, entidade governamental — NGFL —). Entre o abundante material encontra-se uma página com sinais cristãos, e entre eles a cruz invertida com as chaves. E explica-se: “O símbolo de Pedro mostra uma cruz invertida e duas chaves entrecruzadas”. O material foi tomado da publicação “Teaching Christianity at Key Stage 2”, de uso nas escolas cristãs desse país. |
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Capela Católica da Imaculada Conceição, Seton Hall University, USA (site atualmente fora do ar) | Na sacristia dessa capela há um belo armário em carvalho com escudos dos apóstolos. O de Pedro leva uma cruz invertida e as chaves. |
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Igreja Católica de São Pedro e São Paulo em Waterloo, IL, USA (site) | O templo tem em suas portas de entrada os sinais dos apóstolos Pedro e Paulo: o de Paulo é uma espada, o de Pedro é uma cruz invertida. |
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Liturgia das Horas (Breviário Católico), editado pela Conferência Episcopal Argentina, tomo III (1997) p. 1507 | No breviário que os sacerdotes e religiosos usam para suas orações diárias na Argentina pode-se ver a gravura ilustrativa da festa dos apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho). O desenho, realizado em 1980, apresenta os dois gloriosos apóstolos de ambos os lados da Cruz do Senhor, sobre a qual uma pomba recorda o Espírito Santo. Os sinais de Paulo são uma barca — suas viagens apostólicas —, uma espada — foi decapitado em Roma, segundo a tradição — e um pergaminho — seus escritos; a simbologia de Pedro é representada com as chaves, uma rocha — ambas as imagens tomadas de Mt 16,18 — e a cruz invertida. |
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El Libro del Pueblo de Dios (Bíblia), versão Católica argentina das Escrituras, 18ª edição, janeiro de 1998. | Mostra-se uma gravura referente aos apóstolos Pedro e Paulo, introduzindo as cartas apostólicas. Nela, Paulo sustenta um pergaminho — seus escritos — e uma espada — sua morte martirial por decapitação, segundo a tradição; Pedro é visto com uma chave — por Mt 16,18 — e uma cruz invertida. Depois de uma breve introdução à obra, a edição argentina das Escrituras avisa que “As ilustrações desta Bíblia foram gentilmente cedidas por seus autores, os artistas argentinos Raúl Soldi (Antigo Testamento) e Norah Borges (Novo Testamento).” |
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Díptico Católico “Paulo e Pedro” (anteriormente hospedado em www.churchforum.org/arte/arc-sanpedro.htm) | Diz o site onde se vê o quadro:
“A obra é a 2ª parte do díptico ‘Paulo e Pedro’, desenhados por Frei Gabriel O.S.B. e realizados por Jaime Domínguez durante dezembro de 1995 e janeiro de 1996 na oficina de Arte Religiosa Contemporânea. A simbologia que corresponde a São Pedro encontra-se por todas as partes nesta obra: o Galo, a Chave do Céu, as Epístolas e a Cruz invertida.” [Ângulo superior direito] |
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Catedral católica de Santa Maria Rainha, em Baltimore, MD, USA (site) | Há um altar realizado com o motivo de Pedro, visível na fotografia superior à esquerda deste parágrafo. Entre vários outros símbolos, segundo explica o site da catedral, distingue-se atrás da estátua principal uma cruz invertida (notar a haste transversal inferior). Todas as esculturas da catedral são de 1954-1959.
Na mesma catedral há um vitral com o mesmo motivo, visível na segunda fotografia. |
| Igreja Católica do Santo Nome de Maria em Valley Stream, NY, USA (site) | Há uma representação simbólica dos Doze Apóstolos em sucessivas colunas no presbitério. Pedro é representado com a cruz invertida e as chaves. A obra é de 1954. | |
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Igreja Católica dos Apóstolos Pedro e Paulo, Bradenton, Flórida, USA (site) | Apresenta um mural onde aparece Cristo depois de sua Ressurreição, rodeado de muitos símbolos, paisagens e personagens bíblicos. Nesse mesmo site explica-se quem realizou o mural, como o fez e muitos outros detalhes, por exemplo, que tem quatro metros de altura por treze de comprimento. No mural aparecem os símbolos do martírio dos Apóstolos que dão nome à paróquia. Paulo aparece simbolizado por uma espada — na qual o artista inclusive desenhou o selo de César Augusto Nero — enquanto Pedro é simbolizado por uma cruz invertida, que se pode ver no extremo esquerdo do mural. |
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Igreja Católica de Saint Léger ND de Boulogne, Lens, França | O vitral apresenta vários temas petrinos e paulinos: a barca de Pedro sobre as ondas, as chaves e uma cruz invertida (ao fundo, ocupa todo o desenho); de Paulo veem-se uma espada e um pergaminho. Cada elemento está explicado nesse site da paróquia. |
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Igreja Católica da Santíssima Trindade, Augusta, Geórgia, USA (site) | Em um de seus arcos interiores, o templo representa os doze Apóstolos do Senhor através de seus símbolos. Para Pedro aparece uma cruz invertida com as chaves. |
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Igreja Católica de Santo Ulrico em Söcking, Baviera, Alemanha (site) | A torre do templo leva uma cruz invertida. Lê-se no site dessa paróquia: Ihr 56m hoher Turm wird als Besonderheit von einem Petruskreuz bekrönt (Der Apostel Petrus wurde mit dem Kopf nach unten gekreuzigt, weil er aus Ehrfurcht nicht genauso wir Jesus sterben wollte), o que significa, abreviadamente, que a torre tem uma cruz invertida de São Pedro, segundo a tradição de sua morte de cabeça para baixo. As fotos da esquerda são gentileza de Wolfram Zucker, da paróquia de Santo Ulrico. |
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Igreja Católica de São José, Giebelstadt, Baviera, Alemanha, e umas vinte igrejas nessa região. | Na fotocópia que publico aqui — foto superior — diz-se que umas vinte igrejas da Baviera têm em suas torres uma cruz invertida de Pedro, ou “Petruskreuz”. O dado chegou-me da intendência da cidade de Giebelstadt, Alemanha. Trata-se de um impresso publicado ali que comenta o sentido das distintas cruzes visíveis em algumas igrejas. Nele pode-se ver inclusive a torre da paróquia de São José — de Giebelstadt — com sua cruz invertida (a qualidade da fotocópia não é boa, mas suficientemente clara para se notar essa cruz). No impresso desenham-se vários tipos de cruzes, entre as quais uma cruz invertida, e lê-se: “A cruz que coroa nossa igreja paroquial leva uma Cruz de Pedro […] que é uma cruz latina invertida, segundo a tradição da morte de Pedro de cabeça para baixo. O professor Albert Bosslet construiu em nossa província umas sessenta igrejas; em um terço dessas igrejas — entre as quais se encontra a nossa — suas torres levam uma Cruz de Pedro”. Não pude averiguar se todas essas igrejas são católicas, ou também de outras denominações.
O professor Bosslet foi um afamado arquiteto construtor alemão de igrejas (1883-1957); sua obra estende-se por todo o país. As igrejas que mencionamos aqui foram construídas na primeira metade do século XX. Veja-se na foto inferior a bibliografia especializada usada na preparação do impresso. |
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Capela Católica no Cárcere Mamertino, Roma, Itália (site) | Este é o lugar onde a tradição cristã situa a cela na qual Pedro teria passado seus últimos dias antes de ser martirizado; encontra-se ali um altar, em cujo lado frontal se vê uma cruz invertida. |
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Igreja Católica de Santo André, Antuérpia (Bélgica) |
Esta imagem já a vimos mais acima como um testemunho sobre a crucifixão de Pedro em posição invertida. Repito-a aqui porque tem, além disso, o importante valor de mostrar Pedro não crucificado, mas abraçando uma cruz invertida, isto é, o sinal de sua paixão. Além disso, leva em suas mãos as chaves. A obra é de 1648. Foi uma novidade o uso do sinal na celebração de João Paulo II na Terra Santa 350 anos mais tarde? |
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Capela Católica sob o altar principal da Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano. | Um testemunho que estimo particularmente interessante é o sinal da cruz invertida sob o Altar-mor da basílica de São Pedro no Vaticano: o Altar-Mor é o que está sob o famoso baldaquino de Bernini, no centro da basílica. Sob esse altar há muitas capelas, entre as quais a que custodia os ossos que, segundo se crê, seriam de São Pedro: o Apóstolo teria padecido o martírio a poucos metros dali, crucificado de cabeça para baixo segundo nos transmite a tradição, e teria sido sepultado nesse lugar. Nas fotos que aqui apresento pode-se ver essa capela e o detalhe da cruz invertida, entre a estátua de Pedro (à esquerda da capela) e o ícone central do Cristo.
A capela, com suas esculturas e mármores, é obra do famoso arquiteto e engenheiro Carlo Maderno, que foi o arquiteto principal das reformas feitas na basílica por Paulo V, e também da atual fachada. A cruz invertida que ali se vê foi posta nesse lugar entre os anos 1607 e 1617. Cabe notar que esta capela, com o ícone de Cristo, a cruz invertida e as estátuas dos príncipes dos Apóstolos, é bem visível desde o piso superior da basílica, pois é uma capela aberta e conectada com o piso superior por duas escadas, de modo que os milhares de peregrinos que chegam a esse lugar diariamente podem apreciá-la sem sequer descer ao plano inferior; também se pode descer a este — fazem-no a maioria dos peregrinos — e ver assim a capela desde o plano em que foram tiradas as fotografias. Desde que foi colocada ali, 32 papas e milhões de pessoas, nos quase quatrocentos anos que nos separam daquela data, passaram diante do símbolo de Pedro. A foto em preto e branco e os dados da feitura tomo-os de Der Vatikan, Goldene Jahrhunderte der Kunst und Architektur, de Maurizio Fagiolo dell’Arco, Augsburg 1989, pp. 172-173, obra especializada que percorre passo a passo os lugares mais notáveis da Basílica. É tradução do original: L’Arte dei Papi, editora Arnoldo Mondadori, Mailand. |
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Altar para a celebração da Santa Missa no Monte das Bem-Aventuranças, Terra Santa, março de 2000. | O Papa, sucessor de Pedro, celebra a Santa Missa a poucos quilômetros da casa de Pedro na Terra Santa. A pessoa encarregada de desenhar o altar, entre outros sinais litúrgicos, usou este da cruz de Pedro sobre a cadeira papal. Como pode inferir o leitor, não foi nenhuma novidade fazê-lo.
Rastreando informações sobre aquela celebração, obtive o dado sobre quem realizou aquela cadeira: trata-se do P. Eduardo Ricoboni, do movimento Neocatecumenal. A celebração, com efeito, foi toda ela organizada por esse movimento eclesial, que, entre outras coisas, colocou naqueles dias a pedra fundamental de uma casa de retiro aos pés do monte das Bem-Aventuranças. O P. Ricoboni, além de sacerdote, é artista. Pude contatá-lo por telefone no dia 13 de fevereiro de 2003. Perguntei-lhe se ele havia estado na organização do evento e respondeu-me afirmativamente. Comentei-lhe que estava fazendo um estudo sobre a simbologia daquela celebração, e perguntei se ele podia me explicar um pouco, ao que acedeu com muito gosto. Quando lhe mencionei a cadeira e o desenho da cruz — sem preveni-lo antes de nada — respondeu-me: “A ideia foi de Kiko Argüello [o fundador do movimento] e refere-se à morte de Pedro; todo o cenário litúrgico foi desenhado por ele, eu me limitei a realizá-lo”. Disse-lhe o que “se dizia” daquela cadeira; ele riu disso e me respondeu: “Aqui o demônio não tem nada a ver; trata-se da morte de Pedro”. Este é o testemunho de quem construiu a cadeira. De modo que sabemos positivamente qual é a significação real do sinal. Se Kiko Argüello teve ou não motivos para esse desenho, pode o leitor vê-lo em tudo o que até aqui expus. Mas há mais. |
V. Exemplos do uso petrino — não satânico — do símbolo em ambientes profanos e seu reconhecimento em obras de referência.
| Imagem | Referências | Comentário |
| History of the Christian Church, Vol. II, cap. VI, § 77, de Philip Schaff (site). A edição digital depende da obra em papel de 1910. A obra original é de 1882.
Vi pessoalmente a obra em papel de 1889, editada em Nova York. Os dados nessa edição estão no volume 2, p. 270, nota 4, e correspondem perfeitamente com a edição digital que aqui cito. Pude consultar uma parte da bibliografia citada por Schaff, mas nada que acrescente algo substancial ao nosso tema. A outra bibliografia, que não pude ver, é de dificílima consulta. Mas não perco a esperança de continuar investigando. |
Em sua History of the Christian Church, o eminente historiador protestante trata o tema da arte cristã, e em particular da cruz e sua representação nos primeiros séculos. Diz, entre outras coisas: “Pouco depois da vitória de Constantino sobre Magêncio com a ajuda do Labarum [estandarte com a cruz] (ano 312), as cruzes apareceram nos capacetes, escudos, estandartes, coroas, cetros, moedas e selos, em formas variadas. [Aqui Schaff traz uma nota que diz:] Os arqueólogos distinguem sete ou mais formas de cruzes: Este testemunho é muito importante por vários motivos, mas sobretudo: a) o autor é protestante e a obra é séria; estas são as fontes consultadas por Schaff para o tema específico da cruz, segundo aparece nesse site: JUSTUS LIPSIUS (R.C., d. 1606, is Prof. at Louvain): De Cruce libri tres, ad sacram profanamque historiam utiles. Antw., 1595, and later editions. JAC. GRETSER (Jesuit): De Cruce Christi rebusque ad eam pertinentibus.Ingolst., 1598–1605, 3 vols. 4to; 3rd ed. revised, 1608; also in hisOpera, Ratisb., 1734, Tom. I.-III. WM. HASLAM: The Cross and the Serpent: being a brief History of the Triumph of the Cross. Oxford, 1849. W. R. ALGER: History of the Cross. Boston, 1858. GABR. DE MORTILLET: Le, Signe de la Croix avant le Christianisme. Paris, 1866. A. CH. A. ZESTERMANN: Die bildliche Darstellung des Kreuzes und der Kreuzigung historisch entwickelt. Leipzig, 1867 and 1868. J. STOCKBAUER (R.C.): Kunstgeschichte des Kreuzes. Schaffhausen, 1870. O. ZÖCKLER (Prof. in Greifswald): Das Kreuz Christi. Religionshistorische und kirchlich archaeologische Untersuchungen. Gütersloh, 1875 (484 pages, with a large list of works, pp. xiii.-xxiv.). English translation by M. G. Evans, Lond., 1878. ERNST V. BUNSEN: Das Symbol des Kreuzes bei alten Nationen und die Entstehung des Kreuzsymbols der christlichen Kirche. Berlin, 1876. (Full of hypotheses.) HERMANN FULDA: Das Kreuz und die Kreuzigung, Eine antiquarische Untersuchung.Breslau, 1878. Polemical against the received views since Lipsius,. See a full list of literature in Fulda, pp. 299–328. E. DOBBERT: Zur Enttehungsgeschichte des Kreuzes, Leipzig, 1880. Trata-se de literatura especializada; aqui se excluem as fantasias fundamentalistas. b) a cruz invertida conta-se entre as formas de cruz usadas depois do século quarto, segundo dados da arqueologia. Disso podemos concluir que a cruz invertida foi usada durante o primeiro milênio cristão como sinal de Pedro. |
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Site Symbols, versão digital da Enciclopédia de Símbolos Thought Signs. The semiotics of Symbols. Western Non-pictorial Ideograms de Carl G Liungman (site) | O site apresenta abundante e sério material sobre símbolos. Também a cruz invertida, sobre a qual diz: “A cruz latina invertida é conhecida como a cruz de São Pedro, em honra de Pedro, o discípulo de Jesus que se crê ter sido executado em forma de crucifixão em uma cruz invertida. Os satanistas, segundo se afirma, usam esta forma da cruz latina para seus rituais.” (Pode-se ver aqui)
O texto resume muito bem a situação: a cruz invertida é de origem cristã e refere-se à morte de Pedro de cabeça para baixo, segundo a antiga tradição; em algum momento da história, os seguidores de Satanás começaram a usar este símbolo para representar sua aversão a Cristo. Creio que é oportuno notar que, apesar de tanto a cruz “de Pedro” como a cruz “satânica” serem da mesma forma, o valor simbólico de ambas é, no entanto, contrário: se a cruz invertida é usada em relação a Pedro por sua morte crucificado de cabeça para baixo, então leva um valor cristão; foi suficientemente provado neste artigo o porquê desse uso no amplo leque de igrejas cristãs. Já não é “o Papa” quem usa o sinal, são todas as grandes denominações cristãs. Se a cruz invertida é a cruz de Cristo virada ao contrário, isto é, um desprezo de Cristo, então leva um valor anticristão. Os satanistas não pretendem expor a cruz “de Pedro” em seus obscuros rituais, não é verdade? Da mesma maneira, os cristãos (católicos, anglicanos, metodistas, presbiterianos, ortodoxos, evangélicos, batistas) não pretendem expor a cruz “satânica” em seus cultos cristãos. Tudo se resolve considerando o contexto em que se encontra o sinal. O importante deste artigo é oferecer ao leitor o contexto natural do sinal em uma celebração cristã. |
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Site Symbols in Christian Art & Architecture a cargo de Walter Gas, ancião da Igreja Presbiteriana, Dallas, TX, USA (site atualmente fora do ar
) |
O site, especializado em símbolos cristãos e baseado em uma notável bibliografia temática, traz doze emblemas correspondentes aos doze Apóstolos. Para São Pedro, o emblema leva a cruz invertida e duas chaves. |
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Dicionário de Nomes Le Petit Robert (2ª edição), Paris, 1990, página 1420. | Lê-se sob “São Pedro”, entre outras coisas: “Cruz de São Pedro: a cruz latina invertida, sendo que Pedro é representado com frequência crucificado com a cabeça para baixo”. |
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Símbolos, de Diccionarios Rioduero, Madri 1978. Págs. 70-71 (site atualmente fora do ar) | Pode-se ver um gráfico com várias cruzes, entre as quais uma invertida (a número 4). O dicionário a define como “de São Pedro”. |
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Enciclopédia Larousse (site atualmente fora do ar) | Na página web onde encontrei o desenho não se dão mais dados; espero encontrar a obra. Na cruz número 3 do desenho (cruz invertida) lê-se “de São Pedro”, segundo a informação do webmaster. Ver o próximo quadro. |
| Dicionário enciclopédico Larousse du XXe Siecle, volume II, Paris, 1929, p. 595. | Sob o verbete “Croix” traz a seguinte observação: “A cruz de quatro extremidades, quando cruzada em forma de x, chama-se de Santo André; quando está invertida chama-se de São Pedro; etc.” A obra, portanto, reconhece que uma cruz invertida é identificada como “de São Pedro”, pelos motivos evidentes neste artigo. Notar a data de edição desta obra: 1929.
O Larousse repete estes dados em edições posteriores, não em todas, mas sim nas maiores. Por exemplo, o Grand Larousse Encyclopédique, tomo III, Paris 1960, p. 674 (verbete “Croix”). |
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DUDEN Bildwörterbuch der deutschen Sprache (Dicionário em Imagens da língua Alemã) Mannheim, Leipzig, 1992. | A coleção DUDEN, em alemão, é mundialmente famosa e pode ser encontrada em qualquer boa biblioteca. O volume IV é um dicionário pictográfico. Nas páginas 574-575 há um esquema com elementos de igreja e numerosas cruzes, entre as quais se vê uma cruz invertida, cuja referência diz: “Petruskreuz” (cruz de Pedro). |
| Grande Dizionario Illustrato dei Personaggi Biblici, de Martin Bocian, PIEMME 1991, p. 498. | Falando do Apóstolo Pedro, a obra — que é uma tradução italiana do original alemão — assinala o seguinte: “A partir do século XIV, o báculo de Jacó, com três travessas transversais, é sinal do papado petrino, enquanto a cruz invertida indica o martírio de Pedro”. O texto permite entender que a cruz invertida é utilizada como sinal petrino a partir do século XIV, embora não forneça mais dados. | |
| Evangelisches Kirchenlexikon (Dicionário Eclesiástico Evangélico), Göttingen, 1958, coluna 960. | Este testemunho reveste-se também de particular importância, porque é uma obra especializada de grande porte (quatro volumes de grande tamanho e letra muito pequena…) preparada pela igreja Luterana Evangélica.
Sob o verbete “Kreuz” lê-se, entre outras coisas: “A cruz latina, quando está de cabeça para baixo, é a pouco frequente cruz de Pedro (ver, por exemplo, a pintura de Holbein, o Velho)”. |
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| Der Grosse Herder (Grande [Dicionário] Herder), volume 5, 1954, coluna 786. | Nesta obra enciclopédica em nove volumes, sob o verbete “Kreuz” há vários desenhos de cruzes. O desenho que leva o número 4 é uma cruz invertida, que a obra chama “Cruz de Pedro”. | |
| Wetzer und Welte’s Kirchenlexikon (Dicionário Eclesiástico de Wetzer e Welte), 1891, col. 1055. | Este enorme trabalho (treze volumes) mostra, sob o verbete “Kreuz”, várias formas de cruzes, entre outras uma cruz invertida. Na explicação dos gráficos lê-se “N. 6: a cruz invertida é conhecida como Cruz de Pedro”. | |
| Dictionnaire des Symboles, Emblemes & Attributes (Dicionário de Símbolos, Emblemas e Atributos) de M.P. Verneuil, Paris (sem data, mas de fins do século XIX), p. 143. | A obra é especializada em símbolos. Sob o verbete “Pierre, Saint” (São Pedro), depois de dar vários símbolos que representam o Apóstolo (chaves, cordeiro, correntes etc.), diz: “8º: A cruz, instrumento de seu suplício, porque foi crucificado de cabeça para baixo”. | |
| Christliche Symbole (Símbolos Cristãos), de Oscar Doering, Freiburg im Breisgau, 1940, p. 160. | O autor fala extensamente dos símbolos dos apóstolos. Sobre Pedro diz que “é representado por uma ou duas chaves, também um cajado (porque é como um segundo Moisés), ou um cajado-cruz, como também uma tiara, uma cruz com a travessa para baixo, um galo”. | |
| Iconographie de l’Art Chrétien (Iconografia da Arte Cristã), de Louis Réau, volume III, Paris, 1959, p. 1084. | Uma obra altamente especializada, em seis grossos volumes, editada pelas Imprensas Universitárias da França. O autor tem em seu haver 18 obras sobre iconografia, entre as quais várias de vários volumes. Na página indicada, falando extensamente da iconografia de Pedro, enumera vários símbolos, como as chaves, a barca, o peixe, o galo, as correntes e depois “a cruz invertida, que evoca sua crucifixão de cabeça para baixo”. | |
| Lexikon der Christlichen Ikonographie (Dicionário da Iconografia Cristã), de Kirschbaum-Braunfels, volume 8, Roma, 1976, coluna 161. | Esta é uma obra especializada sobre iconografia cristã em muitos volumes. Ao Apóstolo Pedro a obra dedica nove páginas; entre muitas outras coisas, diz que seus atributos são as chaves, um rolo ou livro, um cajado em forma de cruz, “a cruz invertida, como sinal de seu martírio”, etc. | |
| Lexikon der Christlichen Ikonographie (Dicionário da Iconografia Cristã) de Herder, volume 2, 1970, coluna 569. | A obra é especializada (oito volumes sobre iconografia cristã). Dedica um artigo às distintas formas de cruzes, entre as quais “A cruz de Pedro, que tem a haste horizontal na metade de baixo da haste vertical”. A obra apresenta também um desenho com várias cruzes, onde a número 14 é uma cruz latina invertida, que é assinalada como “Cruz de Pedro”. | |
| Dictionary of the Middle Ages, vol. 4, New York, 1984, p. 9. | Explica várias formas de cruzes, entre outras: “A cruz de Pedro, a que tem o braço superior mais comprido que os outros três (uma cruz latina invertida), assim chamada porque São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo”. Nas páginas 10 e 11 veem-se vários desenhos de cruzes, entre as quais a cruz invertida, com o nome “Peter Cross”. | |
| Gran Enciclopedia RIALP, tomo VI, p. 776. | No verbete “Cruz” há um desenho com muitas formas de cruzes. Também uma cruz invertida (a número 16), que a enciclopédia chama “De São Pedro”. | |
| Brockhaus Enzyklopädie, vol. 12, p. 481. | Esta enorme e importante enciclopédia alemã, sob o verbete “Kreuz” (cruz), diz: “Além destas formas fundamentais de cruzes [que a enciclopédia já mencionou], há numerosas variações ou formas especiais, como a cruz de Pedro (pelo Apóstolo Pedro, que quis ser crucificado de cabeça para baixo), e que consiste em uma cruz latina invertida”. | |
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Symboles, signes et marques (Símbolos, sinais e marcas) de Georges Nataf, Toulouse, 1973, p. 154. | Também uma obra especializada em simbologia, traz vários quadros com formas de cruzes; em um desses quadros — ver a fotografia — aparece uma cruz invertida, e a obra esclarece que é a “cruz de São Pedro”. |
| Estudo do Instituto Andaluz de Patrimonio Histórico | O estudo levado a cabo por encomenda da “Hermandad de la Redención”, com o objetivo de vestir os Apóstolos de Jesus para o “passo de Cristo”, conclui o seguinte: “São Pedro. Símbolos identificativos: chaves, galo, correntes, cruz invertida, báculo, tiara e cruz de tripla travessa”. O que significa que, depois de um estudo da história da arte referente a Pedro, o Instituto Andaluz de Patrimonio Histórico conclui que a cruz invertida é um sinal do Apóstolo. | |
| Museu da Benemérita Universidad Autónoma de Puebla, México (site) | No site dessa universidade, seção “cultura”, apresenta-se, entre outras coisas, o Museu da Universidade, e descrevem-se algumas obras que ali existem. Depois de uma descrição de um quadro do Apóstolo Pedro, o site acrescenta para informação dos visitantes (grifo meu):
“Atributos de São Pedro: São uma ou duas chaves do reino, uma para os céus e outra para a terra, que Pedro recebeu do próprio Cristo. Uma cruz invertida, que é o instrumento de seu martírio. O galo, já que negou Jesus três vezes antes que este cantasse. A barca, a rede e os peixes em sinal de que era pescador. Finalmente, lágrimas de arrependimento por ter negado o seu senhor.” |
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| Phil Phillips, Halloween and Satanism, Starburst Publications, Lancaster, PN, 1987 (site atualmente fora do ar) | O autor do livro diz que, devido à morte de Pedro de cabeça para baixo, “foi a sua cruz a que chegou a ser símbolo de martírio na Igreja primitiva: a cruz invertida.” O dado coincide com outras informações de boa fonte que remetem o uso da cruz invertida como símbolo de Pedro aos tempos posteriores a Constantino (ver mais acima). À margem da referência histórica, este dado — como vários outros deste artigo — prova que a ideia da cruz invertida como símbolo de Pedro não é nenhuma novidade e encontra-se amplamente difundida.
Também pode resultar interessante ao meu leitor saber que o site que publica estes textos é evangélico (no final do artigo propõe receber o Senhor como Salvador pessoal, aceitar a Bíblia como única autoridade etc.). |
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So bunt ist unser Glaube de Alexander Zieger, Leipzig, 1981, p. 30. | A obra é um grosso volume, muito gráfico, com informações acerca da história, doutrina, estrutura, arte etc. do cristianismo em geral, e foi produzida pela Conferência Episcopal Alemã. Há uma página com desenhos de cruzes e suas respectivas explicações. Também uma cruz invertida, que se apresenta como “Cruz de Pedro”, já que “Pedro, segundo a lenda, foi crucificado de cabeça para baixo”. |
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The Catholic Source Book, citado por FaithHelps, do Faith Magazine | Esta importante obra de referência da Igreja Católica nos USA mostra uma série de cruzes, entre as quais uma cruz invertida (n. 7 no desenho), com a respectiva explicação: “Cruz de São Pedro: representa seu martírio”. |
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Saints, Signs, & Symbols, de W. E. Post, Morehouse Publishing (1974), p. 66. | Nesta obra especializada em símbolos encontramos a ilustração que se vê aqui no quadro da esquerda, com a cruz invertida apresentada como “de São Pedro”. Walter Gas, ancião da igreja Presbiteriana, e sem dúvida um especialista em símbolos (ver mais acima), diz deste livro:
“Está organizado por categorias como cruzes, estrelas, a igreja etc. Muito bem ilustrado. Inclui um capítulo abrangente sobre os emblemas dos santos. Também inclui muitos símbolos raros, difíceis de encontrar em outra parte. Particularmente interessante para o estudo do simbolismo Católico”. |
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Site que vende imagens religiosas (site) | Seguindo a tradição cristã de representar Pedro com uma cruz invertida, oferecem uma estátua — de muito duvidosa beleza artística, devo dizê-lo — onde Pedro aparece com as chaves, correntes e uma cruz invertida a seus pés. |
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Escudo de Armas do Município de San Pedro de Mérida, Estremadura, Espanha | Leva uma cruz invertida dourada, como se vê na imagem debaixo do arco. Não é um sinal satânico, mas faz referência a Pedro, morto de cabeça para baixo, cujo nome o município honra. |
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Escudo de Armas do Município de Esterri d’Aneu, Espanha | No escudo destaca-se uma cruz invertida, que, segundo esclarece o site oficial do município, representa a cruz de Pedro, “o símbolo primitivo dado à vila como sinal de identificação”. |
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Site do International Catholic Stewardship Council (site) | Pode-se apreciar um Escudo de Armas com duas chaves cruzadas e uma cruz invertida, entre outra simbologia. Como explicam os encarregados do site, trata-se das “insígnias de Pedro”. |
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Site Medieval Wares (site), Canadá. | O site apresenta uma organização artesanal especializada na feitura de objetos de joalheria de caráter medieval. Entre o que oferece encontram-se cruzes invertidas para serem levadas como pingentes. Segundo o especialista, trata-se da “Cruz de São Pedro, baseada em uma cruz dos cruzados do século XII, encontrada em Cesareia”. No momento não tenho oportunidade de confirmar este dado, mas buscarei informações. De todo modo, está em sintonia com a informação da obra de Schaff (ver mais acima). |
Enquanto isso, e com o objetivo de sustentar, longe de toda realidade, uma chave de interpretação satanista do símbolo usado por João Paulo II na Terra Santa e respaldar assim seus preconceitos anticatólicos, os promotores de tão pobre causa propõem a seus leitores uma e outra vez:
| “não pareceria que a Cruz Invertida forme parte de nenhuma simbologia histórica da Instituição Católica romana”
Sr. Daniel Sapia |
Proposta que, pelos mesmos motivos, teve um eco surpreendentemente veloz do outro lado do oceano:
| “esse símbolo de nenhuma maneira é símbolo do apóstolo Pedro, nem dos cristãos, e nem sequer sua igreja papista utilizou jamais esse símbolo para identificar o apóstolo Pedro, como o senhor pode comprovar na Enciclopédia Católica. A CRUZ INVERTIDA É SOMENTE O SÍMBOLO DO SATANISMO INTERNACIONAL, como bem demonstrou o irmão Daniel Sapia”
Sr. Tito Martínez |
Sobre a Enciclopédia Católica que o Sr. Martínez menciona, comentei esse “argumento” neste lugar.
VI. Conclusões.
- Estes são elementos que pude encontrar para ilustrar o tema, tomados quase em sua totalidade da Internet. Pode-se pensar que os exemplos existentes na realidade são milhares.
- Das numerosas obras de referência sérias que citei aqui — mais de vinte, católicas, luteranas e não confessionais — só uma faz menção ao uso satânico da cruz invertida (embora atribuindo-lhe em primeiro lugar o significado petrino), enquanto todas as demais falam da cruz invertida simplesmente como “de Pedro”. Por quê?
- A tradição de Pedro crucificado de cabeça para baixo é reconhecida como tal por todas as grandes igrejas cristãs. Não existe nenhum testemunho histórico sério — ao menos que eu conheça — que fosse contra a antiquíssima tradição que afirma que Pedro foi crucificado em Roma, de cabeça para baixo. Há constância de sua existência desde ao menos o século III, como se pode ver ao longo deste artigo. A igreja Católica, por outro lado, nunca pretendeu transmitir esse fato como um dado indubitável, ou como se fosse um dogma da fé; simplesmente recorda os Apóstolos, e sobretudo o testemunho de seu martírio, segundo os dados que conserva. Quem não quiser aceitar essa tradição é muito livre de fazê-lo, e nada importa para o nosso objetivo de explicar a origem do sinal.
- A cruz invertida satânica e a cruz invertida petrina, embora idênticas na forma, são absolutamente contrárias quanto à origem e ao significado: uma resulta da inversão da cruz de Cristo para zombaria dele; a outra resulta da inversão, por parte de Simão Pedro, de sua própria cruz em honra de Cristo. O simbolismo que uma cruz invertida tenha em uma circunstância concreta julga-se pelo contexto: se está em contexto cristão, é petrina; se está em contexto anticristão, é satânica. Em qualquer caso, é preciso usar, sobretudo, o senso comum.
- O fato de os satanistas usarem este sinal por verem nele uma rejeição da cruz de Cristo é uma triste questão deles. É totalmente ridículo pensar que as igrejas cristãs devem deixar de usar esse sinal para que ninguém creia que essas igrejas se tornaram satânicas. Esse modo de agir é estranho a qualquer igreja que aja com uma mínima cota da liberdade dos filhos de Deus: a prova está no uso petrino do símbolo por parte de todas as igrejas acima mencionadas.
- Os acusadores do Papa pareceriam querer apresentar-nos um mundo em que a cruz invertida com significado satânico está por todos os lados, encabeça os atos públicos, preside as salas de aula, levanta-se sobre os monumentos nas praças, mostra-se em todas as bandeiras, abre todas as transmissões dos meios de comunicação…, do modo como a cruz suástica — sugerem — estava por todos os lados na Alemanha de Hitler. Esta apresentação é falsa.
- Por que deveria um católico tentar dar “argumentos válidos do uso do sinal” quando o mesmo é usado em todas as denominações cristãs mais importantes?
- Consta-nos positivamente a intenção dos organizadores daquela Missa: trata-se da cruz de Pedro. Com o fundamento que mostrei neste artigo, duvidar de tal coisa é um ato de clara obstinação, e está baseado, a todas as luzes, em preconceitos, não no interesse pela verdade.
- Se vou a uma reunião de satanistas e vejo uma cruz invertida, que pensarei — que estão venerando a memória do Apóstolo? Se vou a uma Missa presidida pelo sucessor de Pedro e vejo a cruz invertida, que pensarei — que é um desprezo a Cristo? Não seria tão ridículo como o caso anterior? Seria a minha uma conclusão baseada na significação do sinal em seu contexto ou em minhas ideias preconcebidas contra o Papa?
- Os apologistas anticatólicos da rede que publicaram o material sobre a cruz invertida ocultaram ou desconheciam a informação que aqui apresento: se a ocultaram, autodesqualificam-se; se a desconheciam, agiram imoralmente: é imoral acusar nada menos que de uma forma de satanismo a uma pessoa sem se informar por todos os meios possíveis sobre aquilo de que se está falando. Quem publica na Internet semelhante acusação deve conhecer a fundo o tema; do contrário, comete pecado grave de calúnia.
- Os que publicaram a apresentação satanista da cadeira papal deviam saber o que apresento neste meu artigo e deviam ter-se informado com plena certeza sobre o uso do símbolo, do mesmo modo como eu pude averiguá-lo com bastante detalhe: eles se dispunham a acusar pública e gravemente uma pessoa cuja autoridade é muito grande para milhões de pessoas: não deviam eles informar-se exatamente antes de lançar a acusação? Como definir quem não sabe o que podia e deveria saber?
- De agora em diante ninguém poderá negar que a cruz invertida é um sinal referido à morte de Pedro de cabeça para baixo, sinal que representa uma tradição duas vezes milenar da Igreja e que é usado por todas as grandes igrejas cristãs até os nossos dias. Se o Papa é ou não a “mão de obra do anticristo”, isso terá de ser averiguado em outra parte.
I. Breve apresentação do tema.















































































































































