Ao falar das versões em espanhol das Sagradas Escrituras, é impossível mencionar todas as Bíblias traduzidas para a nossa língua. Por isso indicamos algumas que, por sua importância ou difusão, vale a pena comentar.

Todas, salvo indicação em contrário, são traduzidas diretamente das línguas originais e incluem introduções e notas.

Versões de 1944 a 1960

Nácar-Colunga (1944). Primeira tradução católica da Bíblia completa feita a partir das línguas originais, marcando assim uma nova etapa. É considerada de grande limpeza, clareza e pureza de estilo. Editada pela Biblioteca de Autores Cristianos em 1944, continua disponível hoje em praticamente todas as livrarias católicas. As notas foram sendo reduzidas e, nas últimas edições, não são particularmente fáceis de manejar, pois foram colocadas no final do livro. Esta versão teve grande difusão.

Bover-Cantera (1947). Conjunto mais elaborado. Tem como pano de fundo um critério doutrinal: unir a mais estrita ortodoxia à sã modernidade. Expõe seus principais critérios literários de tradução, que se sintetizam em buscar o máximo de fidelidade, literalidade, diafaneidade e hispanidade. Tudo por respeito ao autor, à língua original, ao leitor e ao idioma castelhano. É uma Bíblia de estudo. Editada pela BAC em 1947. Foi revisada.

Straubinger (1944-51). A “primeira versão católica americana feita sobre os textos primitivos”, assim a intitula o próprio tradutor, de nacionalidade alemã, mas radicado na Argentina. Tradução e comentários de um só autor. Sem excluir as notas científicas e técnicas, interessa-se por comentários de tipo prático que façam descobrir a unidade de toda a Escritura. Esta Bíblia comentada é de grande valor, especialmente no que se refere às notas sobre doutrina católica. Atualmente foi reeditada pela Librería Beityala (www.beityala.com), no México.

Versões de 1960 até hoje

Bíblia de 1960Bíblia de Jerusalém (1ª edição espanhola de 1967). A tradução original francesa foi realizada sob a direção da École Biblique de Jérusalem; primeiro foi editada em fascículos e depois em conjunto. É uma Bíblia que, em francês e em diversos idiomas, teve profunda aceitação por suas introduções, paralelos que oferece etc. E torna-se um instrumento indispensável para o estudo científico das Escrituras. Foi revisada em 1973. A edição espanhola traduziu os textos das línguas originais segundo a crítica textual e a interpretação do original francês. Os títulos, subtítulos, apêndices e notas foram traduzidos do francês. Uma Bíblia com notas profundas sobre a tradução, embora, no que se refere ao Antigo Testamento, a maioria trate de temas de gramática, linguística e tradução. É considerada uma “Bíblia para especialistas”, mas a fidelidade do texto a torna muito prática e útil para qualquer pessoa.

Bíblia Latinoamericana (1972). É uma Bíblia de tipo popular, com vocabulário ao alcance de todos. Os autores pretenderam relacionar a Palavra com a realidade social vivida pela América Latina. Os comentários, a tradução e as notas seguem essa linha. Utiliza diferentes tipos de letras (inclusive no texto bíblico) para apresentar, por exemplo, as diversas tradições do Pentateuco. Teve grande difusão e, com o tempo, foi sendo revisada.

Dios habla hoy. Tradução das Sociedades Bíblicas Unidas, com aprovação do CELAM para uso pelos católicos. Duplo tipo de edição, com ou sem deuterocanônicos, para uso dos católicos e protestantes, respectivamente. A tradução é uma “versão popular”, com linguagem simples. Apresenta breves introduções aos diferentes livros. Divide o texto em seções e subtítulos, mostra paralelos, semelhanças e citações, e também notas de rodapé.

Nueva Biblia Española (1975). Esta tradução aplica de modo sistemático os princípios da linguística moderna e da nova estilística, marcando assim uma revolução na linha das traduções. Tem uma expressão moderna, literária, poeticamente bela, e conserva a fidelidade ao texto sem perder a atualidade que toda versão requer.

Cantera-Iglesia (1975). Revisão da Bover-Cantera depois de sua 6ª edição, com o mesmo tipo de critérios fundamentais. Refez-se, sobretudo, a tradução do NT. Boa para cotejar, especialmente no AT, o texto em sua língua original. Contém aparato de crítica textual.

Sagrada Biblia (Ed. Paulinas, México, 1978), do Pe. Agustín Magaña, mexicano da diocese de Zamora. Grande conhecedor da língua castelhana e da grega. A intenção do tradutor foi apresentar ao povo “um texto de leitura fácil, claro e preciso e digno da Palavra salvadora”. Traduziu tudo do grego, cotejando com outras traduções. Faltou-lhe um critério mais rigoroso para a seleção do texto. Sua linguagem é popular e bela; melhor a do NT. Quase não tem notas. As introduções foram tomadas de uma edição espanhola da Santa Bíblia, do Centro de Ed. Paulinas. Está no prelo uma nova edição com introduções e notas preparadas pela equipe de biblistas da Universidade Pontifícia do México. Já apareceu o NT dessa edição.

La Biblia (1992), da Casa de la Biblia (Espanha). Sob a direção de Santiago Guijarro e Miguel Salvador, uma equipe apresenta uma tradução totalmente revisada, com amplas introduções e notas. A Bíblia tem um conjunto unitário de introduções gerais, a blocos de livros e a cada um deles. Além disso, ao pé da página do texto bíblico há oportunas notas explicativas. Há também uma seleção de passagens paralelas, bem como uma ampla cronologia bíblica e numerosos mapas.

Biblia del Peregrino (1993). Dirigida por Luis Alonso Schökel, apresenta a revisão da tradução da Nueva Biblia Española. Embora reconheça a primazia de importância da tradução, contém comentários e paralelos. Em um fascículo à parte são oferecidas notas exegéticas.

Biblia de América (1994). Trata-se da edição para o nosso continente de La Biblia (1992).

Sagrada Biblia ou Biblia de Navarra (Universidad de Navarra). Esta cuidadosa tradução leva mais de 25 anos de trabalho que ainda não terminou. Foram apresentados o Novo Testamento, o Pentateuco e os Livros Históricos, que já estão publicados e podem ser comprados em volumes separados. À medida que se avança na tradução e na elaboração das notas, vão sendo publicados. A Bíblia de Navarra é um extraordinário esforço para oferecer uma versão com tradução cuidadosa, mas também com uma notável coleção de notas explicativas. Estas últimas, assim como as introduções de cada livro, são ao mesmo tempo profundas e acessíveis. Uma versão muito bem realizada, que permite não apenas compreender corretamente o conteúdo da Palavra Divina, mas também oferece informação completa sobre a relação do texto com a vida cristã de hoje. Alguns a consideram uma das melhores versões em castelhano disponíveis atualmente.

Fonte: Encuentra.com