Uma das verdades mais profundas e importantes da fé cristã está contida no dogma da Santíssima Trindade. A fé trinitária ensina a existência de um só Deus em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Uma única natureza divina, mas três Pessoas distintas.

Atualmente, o número de denominações protestantes que rejeitam o dogma trinitário tem aumentado consideravelmente, sendo que muitas delas adotaram antigas heresias cristológicas.

Como entender a Trindade?

Os teólogos esclarecem que os termos “natureza” e “pessoa” não são aqui tomados no sentido comum das palavras, mas segundo a linguagem filosófica, que é mais precisa. A natureza ou essência dos seres é aquilo que os faz ser o que são; é o princípio que os capacita a agir nessa condição (por exemplo, a natureza do homem é ser um animal racional, composto de alma e corpo). A pessoa, por sua vez, é o sujeito que age, e em cada homem há uma só natureza e uma só pessoa. Em Deus, porém, não é assim: uma única natureza sustenta uma Trindade de Pessoas.

Por isso, é impossível à inteligência humana compreender o mistério da Santíssima Trindade. O esforço racional dos teólogos (entre os quais se destaca São Tomás de Aquino) procurou ilustrá-lo da seguinte forma:

Como as três Pessoas divinas não se distinguem nem pela natureza, nem pelas perfeições, nem pelas obras exteriores, distinguem-se unicamente pela sua origem.

Não se distinguem pela natureza, porque possuem uma única natureza comum: a natureza divina. Assim, não são três deuses, mas um só Deus.

Não se distinguem pelas suas perfeições, pois estas identificam-se com a natureza divina. Nenhuma das três Pessoas é mais sábia ou mais poderosa do que as outras; todas possuem infinita sabedoria e poder. Nenhuma é anterior às demais, pois todas são igualmente eternas.

Também não se distinguem pelas suas obras exteriores, pois, tendo todas a mesma Onipotência, aquilo que uma realiza em relação à criatura é também realizado pelas outras duas.

Distinguem-se unicamente pela sua origem: o Pai não provém de nenhuma Pessoa; o Filho é gerado pelo Pai; e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como de um único princípio. É isto que impede que uma Pessoa se confunda com as outras.

Ricardo Sada Fernández explica isto de forma muito didática no seu estudo sobre a Trindade[1]:

Em primeiro lugar, consideremos Deus Pai. Este, com a sua infinita sabedoria, ao conhecer-Se, formula um pensamento de Si mesmo. Muitas vezes fazemos algo semelhante quando pensamos em nós próprios e formamos um conceito sobre o nosso “eu”, ou seja, “aquilo que somos para nós mesmos”. No entanto, existe uma grande diferença entre o nosso autoconhecimento e o conhecimento que Deus tem de Si mesmo. O nosso conhecimento próprio é imperfeito e incompleto (“ninguém é bom juiz em causa própria”). E mesmo que nos conhecêssemos perfeitamente — isto é, se o nosso conceito sobre o próprio “eu” fosse uma claríssima reprodução de nós mesmos —, seria apenas um pensamento que não sairia do nosso interior: sem existência independente, sem vida própria. Esse pensamento deixaria de existir, até na nossa mente, assim que nos voltássemos para outro assunto.

Quando se trata de Deus, as coisas são muito diferentes. O Seu pensamento sobre Si mesmo é perfeitíssimo: abrange completamente todos e cada um dos aspectos da Sua infinitude. Mas um pensamento perfeitíssimo, para o ser verdadeiramente, deve ter existência própria (se pudesse desaparecer, faltaria essa perfeição). O Seu pensamento é tão infinitamente completo e perfeito que Ele o reproduz com existência própria. A imagem que Deus contempla de Si mesmo, a Palavra silenciosa com que eternamente Se exprime, deve ter uma existência própria e distinta. A esse Pensamento vivo com que Deus Se exprime perfeitamente chamamos Deus Filho. Deus Pai é Deus conhecendo-Se a Si mesmo; Deus Filho é a expressão do conhecimento que Deus tem de Si. Por isso, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade é chamada Filho, precisamente porque é gerada por toda a eternidade, engendrada na mente divina do Pai.

Além disso, como essa geração é de natureza intelectual, é chamada de “Verbo”, ou seja, “Palavra”. Deus Filho é a “Palavra interior” que Deus Pai pronuncia quando a Sua infinita sabedoria conhece a Sua essência infinita.

Agora, Deus Pai (Deus conhecendo-Se a Si mesmo) e Deus Filho (o conhecimento que Deus tem de Si mesmo) contemplam a natureza que ambos partilham. Ao contemplarem-Se mutuamente (falamos, evidentemente, de forma humana), veem nessa natureza o belo e o bom em grau infinito. E como o belo e o bom geram amor, a Vontade divina move ambas as Pessoas a um ato de amor infinito, de Uma para a Outra. Como o amor de Deus por Si mesmo, assim como o conhecimento que Deus tem de Si mesmo, são da mesma natureza divina, tem de ser um amor vivo. Esse amor infinitamente perfeito, infinitamente intenso, que flui eternamente do Pai e do Filho é o que chamamos Espírito Santo, “que procede do Pai e do Filho”. É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo é o “Amor Subsistente”, o “Amor feito Pessoa”.

Prefigurações da Trindade: do Antigo ao Novo Testamento

“Então Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’.” (Gênesis 1,26)

Assim como a Revelação Divina foi progressiva, também o foi a forma como Deus foi Se revelando a Si mesmo aos homens.

A Tradição cristã reconhece nos textos em que Deus fala no plural (Gênesis 11,5-9; Isaías 6,8) um diálogo entre as Pessoas Divinas. Note-se que diz: “Façamos…” e não “farei”.

Certamente, esse texto não declara explicitamente com quem Deus falava, mas deduz-se que se tratava das Pessoas Divinas, pois, quem quer que fosse o interlocutor, participou na obra da criação. Com efeito, não teria dito “façamos” se estivesse se dirigindo a um mero observador, do mesmo modo que não se diria “comamos” apenas para que o outro assista ao nosso ato.

O homem é criado à imagem do Criador, fato que se torna evidente quando Deus fala em fazer o ser humano “à nossa imagem e semelhança”, e quando se diz “à imagem de Deus o criou”.

A interpretação de que, nesse texto, Deus falava com os anjos apresenta várias dificuldades. Em primeiro lugar, porque a Escritura declara que Deus fez tudo sozinho e sem qualquer ajuda (o que exclui os anjos).

“Eis o que diz o Senhor, teu Redentor, que te formou desde o seio de tua mãe: ‘Sou eu, o Senhor, que fiz todas as coisas, sozinho estendi os céus. Firmei a terra: quem estava comigo?’” (Isaías 44,24)

“Foi minha mão que fundou a terra, e minha destra que estendeu os céus; quando os convoco, todos se apresentam.” (Isaías 48,13)

“Como esquecer o Senhor, teu Criador, que estendeu os céus e fundou a terra…” (Isaías 51,13)

Deduz-se que Aquele com quem Deus falava era também Javé e Deus, o que é ratificado no Evangelho de São João quando diz:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.” (João 1,1-3)

Este texto, que também se refere ao momento da criação, é ligeiramente mais explícito e já permite assinalar duas coisas:

1) A quem quer que Deus falasse, um deles era a sua Palavra (logos), por meio da qual “tudo foi feito” e sem a qual “nada foi feito”.

2) A Palavra (logos) também não foi criada, pois, se tudo aquilo que pode ser designado como “feito” foi feito por meio da Palavra, seria contraditório pensar na própria Palavra como “feita” por si mesma.

A partir de tudo o que foi mencionado, pode-se concluir que Aquele que é chamado Palavra participou na obra da criação e, por conseguinte, também é Javé.

Ao longo da história, essa explicação foi dada por numerosos Padres da Igreja primitiva. Santo Ireneu, bispo e discípulo de São Policarpo, que por sua vez foi discípulo do Apóstolo São João, explica no século II:

“Que o Verbo, ou seja, o Filho, esteve sempre com o Pai, de múltiplas maneiras o demonstramos. E que também sua Sabedoria, ou seja, o Espírito, estava com Ele antes da criação.”[2]

“Portanto, não são os anjos que nos fizeram ou nos formaram. Também não é possível que eles possam fazer uma imagem de Deus; nem qualquer outro seria capaz de fazê-la, a não ser o Verbo de Deus; nem tampouco nenhum poder, que não seja o Pai de todos, poderia realizá-la. Deus não tinha necessidade de ninguém para executar o que Ele mesmo havia predeterminado fazer, como se não tivesse mãos próprias. De fato, sempre estão com Ele o Verbo e a Sabedoria, o Filho e o Espírito, por meio dos quais e em quem, livre e espontaneamente, fez todas as coisas. São a eles a quem o Pai se dirige dizendo: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.”[3]

Tertuliano mantém a mesma ideia:

“Se a pluralidade na Trindade te escandaliza, como se não estivesse ligada à simplicidade da união, pergunto-te: como é possível que um ser que é pura e absolutamente único e singular fale em plural: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’? Não deveria ter dito antes: ‘Faço eu o homem à minha imagem e semelhança’, já que é um ser único e singular?

No entanto, no trecho que se segue, lemos: ‘Eis que o homem se tornou como um de nós’. Ou Deus nos engana ou zomba de nós ao falar em plural, se Ele é único e singular; ou então, ele estaria se dirigindo aos anjos, como interpretam os judeus, porque eles não reconhecem o Filho? Ou ainda, seria porque Ele era ao mesmo tempo Pai, Filho e Espírito que falava em plural, considerando-se múltiplo?

Certamente, a razão é que Ele tinha ao seu lado uma segunda pessoa, seu Filho e seu Verbo, e uma terceira pessoa, o Espírito no Verbo. Por isso, ele usou propositalmente o plural: ‘Façamos… nossa imagem… um de nós’. De fato, com quem criava o homem? À semelhança de quem o criava? Ele falava, por um lado, com o Filho, que um dia deveria se vestir de carne humana; por outro, com o Espírito, que um dia deveria santificar o homem, como se falasse com tantos ministros e testemunhas.”[4]

São Justino Mártir, apologista do século II, dá-nos uma explicação semelhante:

“… ao dizer estas palavras: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança… E para que não deturpeis as palavras citadas, dizendo o que afirmam os vossos mestres, que Deus dirigiu-se a si mesmo ao dizer ‘façamos’, do mesmo modo que nós, quando estamos prestes a fazer algo, dizemos: ‘façamos’; ou que falou com os elementos, ou seja, com a terra e demais substâncias das quais sabemos que o homem é composto, e a eles disse ‘façamos’; vou agora citar-vos outras palavras do próprio Moisés, pelas quais, sem qualquer possibilidade de discussão, temos de reconhecer que Deus conversou com alguém numericamente distinto e igualmente racional. Ei-las aqui:

E Deus disse: Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Assim, ao dizer ‘como um de nós’, indica o número daqueles que conversam entre si, e que são pelo menos dois.

Pois não posso eu considerar verdadeira a doutrina que entre vós se chama heresia, nem os seus mestres são capazes de demonstrar que Deus falou com os anjos ou que o corpo humano é obra dos anjos. Pelo contrário, este rebento, realmente emitido do Pai, estava com Ele antes de todas as criaturas, e com Ele o Pai conversa, como nos revelou a Palavra pela boca de Salomão, ao dizer-nos que, antes de todas as criaturas, este mesmo que por Salomão é chamado sabedoria foi gerado por Deus como princípio e descendência.”[5]

Santo Agostinho na sua obra Cidade de Deus explica:

“Também se poderia entender dos anjos aquela expressão, quando Deus criou o homem, em que diz: Façamos o homem, porque ele não disse ‘farei’, mas acrescenta: à nossa imagem e semelhança, não é lícito acreditar que o homem foi criado à imagem dos anjos, ou que é a mesma imagem a dos anjos e a de Deus, e por isso se entende bem ali a pluralidade da Trindade.”[6]

Nos textos da Sagrada Escritura, quando se afirma que Deus é “um”, é utilizada a palavra hebraica ejad, que pode designar uma unidade composta — como em Gênesis 2,24, onde o homem e a mulher se tornam “uma só carne” —, e não yajid, que significa “único”. Esta palavra, embora signifique “um”, é compatível com a ideia de unidade e, ao mesmo tempo, de pluralidade — “um formado por vários” (um único Deus em três Pessoas divinas). A ideia da pluralidade das Pessoas em Deus não contradiz a sua unicidade.

Os Santos Padres da Igreja viram no Triságio uma louvação ao Deus Uno e Trino, na qual os anjos O louvam e glorificam dizendo: “Santo, Santo, Santo”. Três vezes Santo, porque são três as Pessoas divinas; uma vez Senhor, porque há um único Deus.

“Os querubins e serafins com vozes incansáveis louvam e dizem: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos (Isaías 6,3). Não o dizem uma só vez, para que não creias numa só pessoa; não o dizem duas vezes, para que não excluas o Espírito; não dizem ‘santos’, para que não penses numa pluralidade; mas repetem-no três vezes e dizem a mesma coisa, para que também no hino compreendas a distinção da Trindade e a unidade da divindade. Quando dizem isto, louvam a Deus. Tampouco nós encontramos algo mais precioso com que louvar a Deus do que chamá-lo santo.”[7]

“Quando os serafins glorificam a Deus dizendo três vezes: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos (Isaías 6,3), glorificam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Por isso, assim como somos batizados em nome do Pai, e do Filho, e também em nome do Espírito Santo, somos feitos filhos de Deus, não filhos dos deuses. De fato, o Senhor Deus dos Exércitos é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Uma só é a divindade, um só Deus em Três Pessoas.”[8]

“Quando [Isaías] viu esta temível revelação, que era um indício da economia por Cristo – pela qual todo o Universo devia ser preenchido com o louvor divino, aprender o mistério da Trindade e receber a catequese, a profissão de fé e o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo –, para anunciar isto, os serafins clamavam em voz alta este cântico: Santo, Santo, Santo, o Senhor, cujos louvores enchem os céus e a terra (Isaías 6,3).”[9]

Já no Novo Testamento começam a surgir doxologias trinitárias — orações de louvor e glorificação dirigidas à Santíssima Trindade.

“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” (2 Coríntios 13,13)

“Ao menos alguns de vós têm sido isso. Mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus.” (1 Coríntios 6,11)

Os primeiros cristãos não hesitavam em saudar nas suas cartas com uma tríplice invocação, na qual se uniam o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Outra característica fundamental da fé dos primeiros cristãos era a certeza de que os carismas concedidos à Igreja provinham da Trindade, e havia entre eles a firme convicção de que a sua vida de fé, edificada pelos dons divinos, era sustentada pelas três Pessoas divinas:

“Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” (1 Coríntios 12,4-6)

Não podemos concluir sem mencionar a fórmula trinitária do batismo:

“Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mateus 28,19)

No texto anterior, temos Cristo ressuscitado a enviar os seus discípulos para batizar todos os povos “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Não seria coerente pensar que Cristo utilizaria uma fórmula batismal que associasse Deus a duas simples criaturas; por isso, a fórmula batismal coloca o Pai, o Filho e o Espírito Santo no mesmo plano, como as Três Pessoas da Trindade.

A Divindade de Cristo

Não faltam evidências da divindade de Cristo que se podem encontrar na Sagrada Escritura. Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é também Deus e consubstancial ao Pai.

Talvez um dos textos mais explícitos se encontre no Evangelho segundo São João, onde o Apóstolo, referindo-se ao Verbo feito carne (Cristo), O declara Deus:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.” (João 1,1-3)

Cristo é também chamado de “Deus conosco”, “Deus forte” e até mesmo simplesmente “Deus”.

“Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco.” (Mateus 1,22-23)

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.” (Isaías 9,5)

“Ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça.” (Hebreus 1,8)

“E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem.” (Hebreus 1,6)

“Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” (1 João 5,20)

Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Tendes tudo plenamente nele, que é a Cabeça de todo principado e potestade.” (Colossenses 2,9-10)

Cristo, enquanto Segunda Pessoa da Trindade, partilha a glória do Pai:

“Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado.” (João 17,5)

A fé católica rejeita a doutrina herética que ensina que Cristo é um deus menor, criado, distinto e subordinado a Deus Pai. Esta doutrina, conhecida como arianismo e hoje adotada por muitas seitas (como as Testemunhas de Jeová), representa Cristo de forma semelhante à visão que os gregos da cultura pagã tinham de Hércules em relação a Zeus.

O próprio Tomé, que após ter duvidado reconheceu Cristo como “Senhor meu e Deus meu”, não o fez pensando que Ele fosse um “deus” distinto e separado do Pai:

“Depois disse a Tomé: ‘Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé’. Respondeu-lhe Tomé: ‘Meu Senhor e meu Deus!’” (João 20,27-28)

Essa aceitação explícita da divindade de Cristo diante de todo o Colégio Apostólico não causou qualquer tipo de rejeição e, caso Cristo não fosse Deus, teria sido um ato de grosseira idolatria.

Há também quem tenha tentado ver nas palavras de São Tomé uma simples expressão de espanto, ao estilo de “Oh meu Deus!”, apesar de o texto grego não deixar margem para dúvidas, pois tais palavras referem-se de forma inequívoca a Jesus Cristo. É a Cristo que Tomé se dirige naquela exclamação, chamando-O de seu Senhor e seu Deus.

No entanto, isso não significa que a divindade de Cristo tenha sido completamente compreendida pelos Apóstolos desde o início. O próprio Apóstolo Filipe, apesar do tempo passado com Cristo, no início não tinha consciência disso.

“Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto. Disse-lhe Filipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta’. Respondeu Jesus: ‘Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa dessas obras.’” (João 14,7-11)

“Eu e o Pai somos Um.” (João 10,30)

A igualdade do Pai e do Filho quanto à sua natureza divina é expressa no Evangelho, a ponto de se ordenar honrar o Filho como se honra o Pai. Se Jesus Cristo não fosse também Deus, isso constituiria um ato de idolatria:

“Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho. Desse modo, todos honrarão o Filho, bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida.” (João 5,22-24)

Santo Agostinho, partindo deste texto das Escrituras, explica de forma clara a divindade do Filho e a sua igualdade com o Pai quanto à sua natureza.

“Não há na Trindade aquela diferença que esses querem estabelecer, porque na Trindade a natureza é idêntica, assim como o é o poder. Isto é o que disse o Filho: A fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai; e os que querem viver piamente, que adorem o Senhor Deus seu e que somente a ele sirvam, o que foi mandado pela lei divina aos antigos pais. E não pode ser de outro modo, pois temos que servir ao único Senhor Deus nosso com a reverência que se deve a Deus… Digo que isto de forma alguma pode se verificar se toda a Trindade não é o mesmo Senhor Deus nosso.”[10]

Os Títulos da Divindade

Cristo, como verdadeiro Deus, ostenta títulos que só Deus possui. Tal como o Pai e o Espírito Santo, Ele é o Primeiro e o Último, o Alfa e o Ômega, e o Fim de tudo.

“Eis o que diz o Senhor, o rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos exércitos: ‘Eu sou o primeiro e o último, não há outro Deus afora eu.’” (Isaías 44,6)

Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador.” (Apocalipse 1,8)

“Ao vê-lo, caí como morto aos seus pés. Ele, porém, pôs sobre mim sua mão direita e disse: ‘Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive. Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos.’” (Apocalipse 1,17-18)

“Ao anjo da igreja de Esmirna, escreve: Eis o que diz o Primeiro e o Último, que foi morto e retomou a vida.” (Apocalipse 2,8)

Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim… Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã.” (Apocalipse 22,13-16)

Os três textos anteriores são particularmente claros, porque é Jesus quem fala e quem utiliza esses títulos.

Cristo, tal como o Pai, é Deus de Deus, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores:

“Porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz distinção de pessoas, nem aceita presentes.” (Deuteronômio 10,17)

Louvai o Deus dos deuses, porque sua misericórdia é eterna. Louvai o Senhor dos senhores, porque sua misericórdia é eterna.” (Salmo 135,2-3)[11]

“Combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis. Aqueles que estão com ele são os chamados, os escolhidos, os fiéis.” (Apocalipse 17,14)

“Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores!” (Apocalipse 19,16)

Objeções contra a Divindade de Cristo

Argumento nº 1 – Cristo diz “O Pai é maior do que eu”

“Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.” (João 14,28)

Este texto foi, à sua época, um dos mais usados pelos arianos para negar a igualdade de Cristo com o Pai, e é ainda hoje amplamente utilizado pelas Testemunhas de Jeová.

A dificuldade reside na incompreensão da doutrina trinitária. Ela ensina que Cristo, embora seja uma só Pessoa, tem duas naturezas (a humana e a divina). Isto significa que, embora antes da Encarnação Cristo fosse apenas Deus, depois desta passou a ser verdadeiramente homem, sem deixar de ser Deus.

Sendo Jesus Cristo uma só Pessoa com duas naturezas, podem aplicar-se-Lhe as propriedades que correspondem tanto à sua natureza humana como à divina (communicatio idiomatum). Neste sentido, encontramos no Novo Testamento textos que sugerem uma subordinação de Cristo ao Pai, enquanto outros indicam uma perfeita igualdade entre ambos.

Santo Agostinho explica a este respeito:

“Aqueles que dizem que o Filho é inferior ao Pai apoiam sua sentença nas palavras do Senhor quando diz: O Pai é maior do que eu. Porém, a verdade demonstra que, nesse sentido, o Filho é também inferior a si mesmo. E como não haveria de ser inferior a si mesmo se se aniquilou tomando forma de escravo? No entanto, ao vestir a natureza de escravo não perdeu a natureza de Deus, na qual é igual ao Pai. Se, portanto, tomou a forma de servo sem perder sua forma divina —em sua forma de servo e em sua forma de Deus é sempre o Filho unigênito do Pai, em sua forma divina igual ao Pai, e em sua forma de servo, mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem—, quem não vê que, em sua forma de Deus, é superior a si mesmo e, em sua forma de escravo, a si mesmo inferior?[12]

No entanto, há outros textos no Novo Testamento que falam da perfeita igualdade entre o Filho e o Pai:

“Por isso os judeus procuravam com maior empenho matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas afirmava ser Deus seu Pai, fazendo-se igual a Deus. Jesus tomou, pois, a palavra e começou a dizer-lhes: ‘Em verdade, em verdade vos digo: o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho.

De fato, o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que Ele mesmo faz; e há de mostrar-lhe obras maiores do que estas, de modo que ficareis assombrados. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer. O Pai, aliás, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento, para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” (João 5,18-23)

Neste texto, observamos que:

1) Os judeus queriam matar Cristo, porque Ele Se fazia igual a Deus (versículo 18).

2) Cristo dá-lhes a entender que Ele não é um Deus separado do Pai, pois nada faz por Si mesmo (versículo 19).

3) Em seguida, temos uma declaração explícita de onipotência, na qual Jesus afirma que tudo quanto o Pai faz, também o pode fazer o Filho (versículo 19).

4) Por fim, vemos uma declaração da igualdade entre o Pai e o Filho, ao expressar a vontade do Pai de que todos honrem o Filho como honram o Pai (nem mais, nem menos).

Mais uma vez, recebemos uma explicação excelente da pena de Santo Agostinho:

“A pupila humana não pode ver de modo algum a divindade, e aqueles que a contemplam não são homens, mas super-homens. Então, com pleno direito devemos entender do Deus Trindade as palavras bem-aventurado e único poderoso, manifestando a vinda de nosso Senhor na hora certa (1 Timóteo 6,15). A expressão: o único que possui a imortalidade (1 Timóteo 6,16) oferece o mesmo sentido daquela outra: O único que opera prodígios (Salmo 71,18).

Desejaria saber como meus adversários interpretam isso, pois se aplicam apenas ao Pai, como pode ser verdadeira a afirmação do Filho quando diz: ‘Tudo o que o Pai faz, o Filho também faz?’ Há, talvez, alguma coisa mais milagrosa entre os milagres do que ressuscitar e vivificar os mortos?

Pois o próprio Filho diz: ‘Assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim o Filho vivifica aqueles que quer’ (João 5,19-21). Como o Pai fará milagres sozinho, se essas palavras não permitem entendê-las apenas do Pai ou do Filho, mas do único e verdadeiro Deus, isto é, Pai, Filho e Espírito Santo?”[13]

Na sua réplica ao sermão dos arianos, ele explica:

“Pois as obras do Pai e do Filho são as mesmas, mas o Filho não é o mesmo que o Pai, mas sim porque nenhuma obra é do Filho que não seja feita pelo Pai por meio dele, e nenhuma obra é do Pai que não seja feita ao mesmo tempo pelo Filho.

Pois tudo o que o Pai faz, o Filho também faz. Não são algumas as obras do Filho e outras do Pai, mas as mesmas; nem o Filho as faz de maneira diferente, mas igualmente. Mas como o Filho não faz outras obras semelhantes, mas as mesmas que o Pai faz, o que é fazê-las igualmente senão fazê-las com a mesma facilidade e o mesmo poder?

Pois, se em verdade os dois fazem as mesmas obras, mas um com maior facilidade e poder do que o outro, certamente o Filho não as fará igualmente. Mas como faz as mesmas obras e igualmente, as obras do Filho não são, em verdade, distintas das do Pai, nem diverso o poder dos que operam. Nem, por certo, sem o Espírito Santo, pois este não pode estar separado dos outros dois em obras que hão de ser feitas por ambos.

Assim, de uma maneira admirável e divina, os três fazem as obras de todos eles e os três fazem as obras de cada um. Porque o céu e a terra e toda criatura são obra dos três. Pois do Filho foi dito: Tudo foi feito por ele (João 1,3). Mas quem se atreveria a separar o Espírito Santo de qualquer uma dessas obras, que é conhecido por conceder graças aos santos, dos quais está escrito: Mas todas as coisas são feitas por um único e só Espírito, distribuindo o próprio para cada um conforme quer?

Finalmente, sendo Cristo Senhor de todos e Deus bendito acima de todas as coisas pelos séculos (Romanos 9,5), que obra dentre todas se poderá negar ao Espírito Santo, que formou o próprio Cristo no seio de uma virgem?

Pois quando a Virgem perguntou ao anjo, que lhe anunciava o parto futuro: Como isso acontecerá, se eu não conheço varão? (Lucas 1,34), ela recebeu essa resposta: O Espírito Santo descerá sobre ti (Lucas 1,35). Mas as obras de cada um são chamadas as que manifestam pertencer a uma pessoa.

Assim, o nascimento de uma virgem pertence apenas ao Filho; a voz da nuvem: Tu és o meu Filho amado, pertence apenas ao Pai (Mateus 3,17; 17,5); apenas o Espírito Santo apareceu na forma corporal de pomba. No entanto, toda a Trindade fez essa carne apenas do Filho, essa voz apenas do Pai, essa forma apenas do Espírito Santo. Não porque cada um deles é incapaz sem os outros de realizar o que precisa ser feito, mas porque a operação não pode ser separada; onde não apenas a natureza é igual, mas também indivisível. Pois, sendo três, cada um deles é Deus, e, no entanto, não são três deuses.

Porque o Pai é Deus, e o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus; e o Filho não é o mesmo que o Pai, nem o Espírito Santo é o mesmo que o Pai ou o Filho; mas o Pai é sempre Pai, e o Filho é sempre Filho, e o Espírito de ambos nunca é só de um deles, ou do Pai ou do Filho, mas é sempre Espírito dos dois.

Não obstante, toda a Trindade é um só Deus. Pois quem negará que nem o Pai nem o Espírito Santo, mas somente o Filho, caminhou sobre as águas?

Apenas o Filho tem carne, em virtude da qual pôde pousar os pés nas águas e andar por elas. Mas de maneira alguma se pense que isso o realizou sem o Pai, quando de todas as suas obras se diz: Mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.

Tampouco sem o Espírito Santo, pois o lançar fora os demônios foi igualmente obra do Filho. É verdade que a língua daquela carne, por meio da qual ele mandava os demônios saírem, pertence apenas ao Filho; no entanto, ele mesmo diz: Eu lanço os demônios no Espírito Santo.

Além disso, quem senão apenas o Filho ressuscitou? Pois só pôde morrer quem teve carne. No entanto, esta obra, pela qual o Filho ressuscitou, o Pai não foi estranho, já que dele está escrito: ‘Aquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos’ (Romanos 8,11). Acaso o próprio Filho não se reanimou? Onde caberá o que disse: ‘Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias’ (João 2,19)?

Também afirma que tem poder para entregar sua alma e para tomá-la de volta (João 10,18). E quem será tão insensato a ponto de pensar que o Espírito Santo não cooperou na ressurreição de Cristo homem, quando atuou para que o próprio Cristo homem existisse?”[14]

Argumento nº 2 – Cristo não é Onisciente

“Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.” (Mateus 24,36)

Um texto muito usado pelos arianos para tentar demonstrar que Cristo, por não conhecer o dia nem a hora do fim do mundo, seria inferior a Deus e, portanto, não seria Deus.

Há, no entanto, outros textos que indicam a onisciência de Cristo quanto à sua natureza divina:

“… para que os seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência, para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Colossenses 2,2-3)

Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus.” (João 16,30)

“Perguntou-lhe pela terceira vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’. Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: ‘Amas-me?’, e respondeu-lhe: ‘Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas’.” (João 21,17)

Santo Hilário de Poitiers dá uma explicação um tanto longa, mas excelente.

“58. Mas os hereges entendem como uma negação de sua natureza divina o fato de ter sido dito: ‘O Pai é maior do que eu’ (João 14,28); ou também: ‘Ninguém sabe o dia nem a hora, nem os anjos nos céus, nem o Filho, somente o Pai’ (Marcos 13,32; Mateus 24,36).

Portanto, a ignorância do dia e da hora serve para negar que ele seja o Deus unigênito; de tal maneira que o Deus gerado por Deus não teria essa perfeição de sua natureza que é própria de Deus, pois, ao necessariamente ser dominado por essa ignorância, uma força externa seria mais forte do que ele e essa o manteria na fragilidade de sua ignorância como alguém impotente diante dela.

Mais ainda: a loucura dos hereges quer nos obrigar a essa interpretação ímpia, como se tivessem o direito de impor a confissão de que é assim que se deve crer; e alegam a razão de que o Senhor disse assim e pode parecer muito desrespeitoso que o testemunho que ele dá de si mesmo seja alterado com nossa interpretação diferente.

59. E, em primeiro lugar, antes de falar do sentido e da razão dessas palavras, deve-se considerar, com o bom senso, se se pode acreditar que ignore algo de qualquer coisa aquele que é o princípio de todas elas no que são e serão.

Pois se tudo existe por meio de Cristo e em Cristo e existe de tal modo por meio dele que tudo tem nele (Colossenses 1,16) seu ser, aquilo que não é estranho a ele nem deixa de existir por meio dele, como não entrará também em seu conhecimento, quando muitas vezes este, por virtude de sua natureza, que não pode ignorar nada, abarca aquilo que não existe nem nele nem por ele?

E aquilo que não tem sua razão de ser senão a partir dele e não recebe senão nele o desenvolvimento para o que é e será. Como ficará fora do conhecimento que corresponde à sua natureza pelo qual e no qual se contém tudo aquilo que se deve fazer?

Pois o Senhor Jesus não ignora os pensamentos humanos; não só aqueles despertados por um motivo presente, mas também os que se agitarão por causa dos desejos futuros; assim o atesta o evangelista: pois Jesus sabia desde o princípio quem não acreditava e quem era o que o ia entregar (João 6,64).

Pode-se considerar que o poder de sua natureza, que abarca o conhecimento das coisas que ainda não existem e não ignora as inquietudes que os espíritos ainda tranquilos deverão suportar, desconhecia o que existe por ele e nele?

E que seja impotente em seu próprio ser o que é poderoso em coisas estranhas, aquele do qual lembramos que se disse: Tudo foi criado por ele e nele e ele existe antes de todos (Colossenses 1,16s); ou aquilo: Porque ele teve a vontade de que nele habitasse toda a plenitude e por meio dele reconciliasse para ele todas as coisas? (Colossenses 1,19s).

Como nele está toda a plenitude, todas as coisas são reconciliadas por meio dele e nele e aquele dia é a esperança de nossa reconciliação, vai ignorar quando será aquele dia cuja fixação está nele e cujo mistério existe por ele?

Pois aquele dia é o de sua vinda, de que diz o Apóstolo: Quando Cristo aparecer, a vossa vida, então também vós aparecereis com ele em glória (Colossenses 3,4).

Ninguém ignora o que existe por meio dele e dentro dele. Cristo virá, e ignora o dia de sua vinda? É o seu dia, como diz o mesmo Apóstolo: porque o dia do Senhor virá de noite como um ladrão (1 Tessalonicenses 5,2), e se deve acreditar que ele não o conhece?

Os seres humanos planejam o que têm que fazer, conhecem-no de antemão enquanto podem, e o conhecimento do que devem fazer acompanha a vontade de realizá-lo; e aquele que nasceu como Deus, ignora o que existe por meio dele e nele?

Por ele existem os tempos, e o dia está nele, pois por meio dele se determinam as coisas futuras e em sua mão está o dispor da sua vinda. E viverá ele na ignorância, sem conhecer aquilo que existe para ele devido à natureza grosseira de sua mente?

Será ele como as feras e as bestas selvagens, que vivem de maneira alheia a qualquer previsão, ignoram aquilo mesmo que fazem quando, movidas por qualquer impulso de seu instinto irracional, são levadas para qualquer lugar de maneira casual e incerta?

60. Como se pode acreditar que o Senhor da glória, por ignorar o dia de sua vinda, tenha uma natureza desintegrada e imperfeita, que, de um lado, tem a necessidade de vir e, de outro, não conhece o momento de sua vinda? Portanto, seria melhor atribuir a Deus a ignorância que tira dele o poder de conhecer…

62. Mas Paulo, o doutor das gentes, não tolera entre nós essa confusão do erro ímpio, segundo a qual se acredita que o Deus unigênito ignorou algo. Pois diz: Fundados no amor, sejam levados à riqueza da plena inteligência, ao conhecimento do mistério de Deus, Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Colossenses 2,2s).

O Deus Cristo é um mistério, e nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Mas isso não pode ser dito ao mesmo tempo de uma parte e do todo, porque a parte não significa o todo e o todo não pode ser interpretado como uma parte.

Mas, se o Filho ignora o dia, já não estão nele todos os tesouros da ciência. Mas, se nele estão todos os tesouros da ciência, não ignora o dia, pois possui em si todo o tesouro da ciência. Mas nos convém lembrar que esses tesouros da ciência estão nele escondidos, mas não por estarem escondidos deixam de existir, pois estão nele porque é Deus, mas por ser mistério se escondem.

Mas para nós o mistério de Deus, Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da ciência, não está oculto nem é ignorado. E porque ele é mistério, vejamos se ele é ignorante nas coisas que não sabe.

Mas, se em outros lugares a confissão de ignorância não pode ser interpretada como desconhecimento, também agora ele não ignora o que desconhece. Pois, como sua ignorância, dado que todos os tesouros da ciência estão escondidos nele, é um propósito salvador mais do que ignorância, pode-se explicar o motivo de ignorar sem entender isso como não saber.

63. Pois todas as vezes que Deus diz que ignora, certamente confessa ignorância, mas não se encontra limitado por ela.

Pois não saber de nada tem a ver com a fraqueza da ignorância, mas sim com o fato de não ser tempo de falar ou de que a oportunidade de agir ainda não chegou.

Deus fala assim a Abraão: O clamor de Sodoma e Gomorra encheu a medida e seus pecados são muito grandes. Por isso, eu vou descer e ver se, de acordo com o seu clamor, eles chegaram ao limite; e, caso contrário, eu saberei (Gênesis 18,20s). Temos, portanto, um Deus que não sabe e que, no entanto, não ignora; pois, se sabe que os pecados são muito grandes e, ainda assim, desce para ver se eles atingiram a medida ou para saber disso se eles não a atingiram, vemos que ele não ignora isso porque não sabe, mas sim então ele sabe, porque chegou a hora de agir.

O fato de Deus saber, portanto, não é uma mudança a partir da ignorância, mas sim a plenitude do tempo. Ainda precisamos esperar para que ele saiba. Mas não podemos pensar em Deus que não sabe e, no entanto, ainda espera para saber; por isso, é preciso que o fato de ele não saber sabendo ou saber ignorando obedeça apenas ao propósito de falar e agir.

64. Portanto, não podemos duvidar de que o conhecimento de Deus é uma questão de tempo mais do que de mudança nele; pois, quando se fala em Deus saber, trata-se do momento de dar a conhecer o conhecimento mais do que no momento em que foi adquirido.

Isto mesmo é ensinado a nós com o que foi dito a Abraão: Não ponhas a mão sobre o menino e não lhe faças nada, pois agora eu conheci que temes o Senhor, teu Deus, e não perdoaste a teu filho amado por minha causa (Gênesis 22,12).

Assim, Deus sabe agora. O fato de saber agora é uma indicação de ignorância anterior; mas isso não se adequa ao ser de Deus. Também não é possível que ele ignorasse anteriormente a lealdade de Abraão, do qual foi dito: Abraão acreditou em Deus e foi considerado justo (Gênesis 15,6).

O fato de saber agora significa o momento em que Abraão recebeu esse testemunho, mas não que Deus, nesse momento, começasse a saber. Abraão com o holocausto de seu filho havia mostrado o amor que tinha a Deus. Deus o conhece nesse momento em que fala disso. Mas como não se deve pensar que antes não soubesse, temos que considerar que se diz que então ele sabe porque fala.

E entre os muitos trechos que estão contidos no Antigo Testamento sobre o conhecimento de Deus, apresentamos esses apenas como exemplo, para que se entenda que o fato de Deus não saber não é devido à sua ignorância, mas sim ao tempo.

65. Nos Evangelhos encontramos muitas coisas que o Senhor ignora conhecendo-as. Ele não conhece aqueles que praticam a iniquidade e se gloriam em muitos milagres feitos em seu nome, quando diz: E então jurarei que não os conheço. Afastem-se de mim todos vocês que praticam a iniquidade (Mateus 7,23).

Afirma até mesmo sob juramento que não conhece aqueles a quem, no entanto, não desconhece como praticadores da iniquidade. Ele não os conhece, portanto, não por ignorância, mas porque, em razão da iniquidade de suas obras, são indignos do seu conhecimento; confirma a verdade do que diz até mesmo pelo vínculo do juramento. Ele tem o poder de não ignorar na sua natureza e mantém o não saber no mistério de sua vontade…

66… Quando aquele que conhece perfeitamente os pensamentos e ações pergunta, como ignorante, sobre os pensamentos e ações — como quando pergunta à mulher por que ela tocou na orla de sua roupa, ou aos Apóstolos por que discutem, ou aos que choram onde está o sepulcro de Lázaro —, não se deve pensar que realmente não sabe, mas sim que se trata de um modo de falar. Pois não faz sentido que aquele que, estando ausente, sabe que Lázaro morreu e foi sepultado, não saiba o lugar do sepulcro, e que aquele que vê os pensamentos, não tenha conhecido a fé da mulher, ou que aquele que não precisa perguntar sobre nada, tenha ignorado a discussão dos Apóstolos. Para aquele que tudo conhece, é um propósito oculto dizer de vez em quando que não conhece aquilo que ignora.

Assim, no caso de Abraão oculta, por um tempo, o seu conhecimento; ou no caso das virgens néscias e dos que praticam a iniquidade, dos quais diz que não os conhece porque são indignos; ou no mistério do filho do homem, se pergunta como se ignorasse, é devido à sua condição humana.

Aquele que se adapta à realidade de seu nascimento corporal em tudo aquilo em que está limitada nossa fraca natureza. Não porque seja, por natureza, fraco aquele que é Deus, mas porque o Deus nascido como homem assumiu as fraquezas dos homens. E as assumiu não de modo que a natureza imutável tenha se transformado em uma natureza fraca, mas de tal maneira que o mistério da assunção teve lugar na natureza imutável, pois aquele que era Deus é homem e aquele que é homem não deixou de ser Deus.

Ao agir e se mostrar como alguém que nasceu como homem, a Palavra, que continua sendo Deus, usa com muita frequência o modo de falar próprio de seu ser de homem, e muitas vezes o modo de falar de Deus é o mesmo que o dos homens, pois diz que não sabe aquilo que não é hora de revelar ou aquilo que não merece ser conhecido.

Por isso, precisamos entender por que o Senhor afirmou que não conhece o dia. Se acreditarmos que ele realmente não o conhece, o apóstolo contradiz essa afirmação: ‘Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.’ (Colossenses 2,3)”[15]

É a mesma solução que a Igreja ensina até hoje: aquilo que Cristo, na sua ciência humana, declara ignorar, declara igualmente não ter missão de revelar (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 474).

Sobre a divindade do Espírito Santo

Assim como a Escritura identifica a Pessoa divina do Filho com Javé, o mesmo faz com a Pessoa do Espírito Santo.

Não é incomum encontrar, nos textos do Antigo Testamento onde Deus fala, uma identificação com o Espírito Santo no Novo Testamento:

“Ouvi então a voz do Senhor que dizia: ‘Quem enviarei eu? E quem irá por nós?’. ‘Eis-me aqui’ — disse eu —, ‘enviai-me’. ‘Vai, pois, dizer a esse povo’ — disse ele: ‘Escutai, sem chegar a compreender, olhai, sem chegar a ver. Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. E não se cure de novo’.” (Isaías 6,8-10)

O texto anterior é citado por São Paulo, que atribui as palavras de Deus ao Espírito Santo:

“Não estando concordes entre si, retiraram-se, enquanto Paulo lhes fazia esta reflexão: ‘Bem falou o Espírito Santo pelo profeta Isaías a vossos pais, dizendo: Vai a este povo e dize-lhes: Com vossos ouvidos ouvireis, sem compreender. Com vossos olhos olhareis, sem enxergar. Coração obstinado o deste povo, ouvido duro, olhos fechados, para não verem com a vista, nem ouvirem com o ouvido, nem entenderem com o coração, e se converterem e eu os curar’.” (Atos 28,25-27)

O mesmo acontece com este texto do Antigo Testamento:

“Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, as ovelhas por Ele conduzidas. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: ‘Não endureçais os vossos corações, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto, quando os vossos pais me provocaram e me puseram à prova, apesar de terem visto as minhas obras. Durante quarenta anos essa geração desgostou-me, e Eu disse: “É um povo de coração transviado, que não compreendeu os meus caminhos!” Então jurei na minha ira: “Não entrarão no lugar do meu repouso”.’” (Salmo 94,7-11)

Na Epístola aos Hebreus é citado este texto onde Deus fala e suas palavras são novamente atribuídas ao Espírito Santo:

“Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como por ocasião da revolta, como no dia da tentação no deserto, quando vossos pais me puseram à prova e viram o meu poder por quarenta anos. Eu me indignei contra aquela geração, porque andavam sempre extraviados em seu coração e não compreendiam absolutamente nada dos meus desígnios. Por isso, em minha ira, jurei que não haveriam de entrar no lugar de descanso que lhes prometera!” (Hebreus 3,7-11)

A Escritura identifica o Espírito Santo como um ser pessoal, diferentemente da crença herética de seitas como as Testemunhas de Jeová, que veem o Espírito Santo como uma força impessoal, ou como “a força de Deus sobre a terra”.

Uma força impessoal não pode ser entristecida, diferentemente da Terceira Pessoa da Trindade.

Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.” (Efésios 4,30)

Pode-se também pecar contra o Espírito Santo:

“Por isso, eu vos digo: todo pecado e toda blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não lhes será perdoada. Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.” (Mateus 12,31-32)

Também se pode resistir ao Espírito Santo:

“Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!” (Atos 7,51)

O Espírito Santo assiste e consola a Igreja:

“A Igreja gozava então de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número.” (Atos 9,31)

O Espírito Santo é enviado pelo Pai e ensina:

“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, irá ensinar-vos todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (João 14,26)

O capítulo 16 do Evangelho de São João distingue claramente as Três Pessoas Divinas. Cristo anuncia que irá para junto do Pai e que, de lá, enviará o Espírito Santo:

“Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ele vos ensinará toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e vos anunciará as coisas que virão.” (João 16,7-13)

O Espírito Santo é também Deus, razão pela qual São Paulo pode dizer com propriedade:

Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o Templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado — e isso sois vós.” (1 Coríntios 3,16-17)

São Cirilo de Alexandria o explica da seguinte maneira:

“Aos que estão tão cheios de ignorância proponho que respondam a esta pergunta: Como podemos ser templos de Deus nós que, segundo diz Paulo, temos o Espírito Santo que habita em nós, se o Espírito não for Deus por essência?

Se ele for uma criatura e obra de Deus, então por que razão Deus nos destrói, se somos nós que destruímos o templo de Deus, profanando nosso corpo no qual habita o Espírito Santo, o qual tem a mesma e única essência de Deus Pai e do Filho unigênito?

Se não fosse assim, não seria verdade o que disse o Salvador: Se alguém me ama, guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele viremos e nele faremos morada, pois devemos levar em conta que o Espírito habita em nós e que por meio dele acreditamos ter conosco o Pai e o Filho, tal como diz o próprio João em uma de suas cartas: Nisto conhecemos que permanecemos nele e ele em nós, que nos deu de seu Espírito.”[16]

É oportuno citar também São Basílio de Cesareia, que explica como os nomes que se referem ao Pai e ao Filho são comuns ao Espírito Santo:

“Ele é chamado de ‘Espírito’, como em: Deus é Espírito e em: Cristo Senhor é o Espírito do nosso rosto. É ‘Santo’, assim como o Pai é santo e o Filho é santo. Efetivamente, para a criatura, a santidade foi introduzida de fora, enquanto, para o Espírito, a santidade é plenitude de natureza. Por isso também não é ‘santificado’, mas ‘santificador’.

Ele é ‘Bom’, assim como o Pai é bom e o Filho, gerado pelo bom, é bom, e tem por essência a bondade. É ‘Reto’, assim como o Senhor Deus é reto, porque ele mesmo é verdade e justiça, sem desviar-se ou inclinar-se em nenhum sentido, em razão da imutabilidade de sua ciência.

Ele é ‘Consolador’, assim como o Unigênito, segundo o que este mesmo diz: Eu pedirei ao meu Pai e vos dará outro Consolador. Assim, os nomes que se referem ao Pai e ao Filho são comuns ao Espírito Santo, que recebe estes apelativos em razão de sua afinidade de natureza. De que outra parte poderiam efetivamente vir-lhe?

Ele é chamado também de Espírito Guia, Espírito da verdade, Espírito de sabedoria. O Espírito que me fez foi um Espírito divino. E a Besaleel —diz— encheu-o Deus de Espírito divino de sabedoria, de inteligência e de ciência. Tais são, portanto, os nomes, grandes sobremaneira, mas certamente sem exagero, sobre a glória.”[17]

Notas

  1. Ricardo Sada Fernández, El misterio de la Santísima Trinidad, disponível em https://encuentra.com/el_misterio_de_la_santisima_trinidad_13961/
  2. Ireneu de Lyon, Contra as heresias IV,20,3. Carlos
    Ignacio González, S.J., Ireneo de Lyon, Contra los herejes, Conferência do Episcopado Mexicano, México 2000
  3. Ireneu de Lyon, Contra as heresias IV,20,1
  4. Tertuliano, Contra Práxeas, 12
    Johannes Quasten, Patrologia I, Biblioteca de Autores Cristianos 206, Quinta Edição, Madrid 1995, p. 622
  5. Justino Mártir, Diálogo com Trifão, 62,1-4. Daniel
    Ruiz Bueno, Padres Apologetas Griegos, Biblioteca de Autores Cristianos 116, Terceira Edição, Madrid 1996, p. 411-412
  6. Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, XVI,6,1
    Biblioteca da Igreja Reformada, http://www.iglesiareformada.com/Agustin_Ciudad_16.html
  7. Ambrósio de Mediolano, O Espírito Santo, III, 109-111. Biblioteca
    Patrística Ciudad Nueva, Madrid 1986ss, 41, 225-226. Guillermo
    Pons, La Trinidad en los Padres de la Iglesia, Editorial Ciudad Nueva, Madrid 1999, p. 56
  8. Pseudo-Atanásio, De la encarnación y contra los arrianos, 10: Migne
    Patrologia Graeca, 161 vols., Paris 1875ss, 26,1000
  9. Teodoro de Mopsuéstia, Homilia Catequética, 16, 36. Jesús Solano, Textos Eucarísticos Primitivos, Tomo II, Biblioteca de Autores Cristianos 118, Terceira Edição, Madrid 1997, p. 102
  10. Agostinho de Hipona, Réplica ao Sermão dos arianos, XXIV, 27
    Obras Completas de San Agustín, Tomo XXXVIII, Biblioteca de Autores Cristianos 512, Madrid 1990, p. 329
  11. Nota da edição brasileira: nas referências aos Salmos segue-se a numeração hebraica; o texto citado, porém, segue a Bíblia Ave-Maria, cuja numeração (a da Vulgata) pode diferir em uma unidade.
  12. Agostinho de Hipona, A Trindade, I,7,14
    Obras Completas de San Agustín, Tomo V, Biblioteca de Autores Cristianos 39, Madrid 1985, p. 142
  13. Agostinho de Hipona, A Trindade, I,6,11
    Obras Completas de San Agustín, Tomo V, Biblioteca de Autores Cristianos 39, Madrid 1985, p. 137-138
  14. Agostinho de Hipona, Réplica ao Sermão dos arianos, XV
    Obras Completas de San Agustín, Tomo XXXVIII, Biblioteca de Autores Cristianos 512, Madrid 1990, p. 305-308
  15. Hilário de Poitiers, A Trindade, IX, 58-67. San Hilario de Poitiers, La Trinidad, Biblioteca de Autores Cristianos 481, Edición Bilingüe preparada por Luis Ladaria, Madrid 1986, p. 492-502
  16. Cirilo de Alexandria, Comentário ao Evangelho de São João, 1,13: Migne Patrologia Graeca, 161 vols., Paris 1875ss, 73,157. Guillermo Pons, El Espíritu Santo en los Padres de la Iglesia, Editorial Ciudad Nueva, Madrid 1998, p. 24.
  17. Basílio de Cesareia, O Espírito Santo, 19,48. Biblioteca de Patrística 32, Ciudad Nueva, Madrid 1986ss, p. 188-189. Guillermo Pons, El Espíritu Santo en los Padres de la Iglesia, Editorial Ciudad Nueva, Madrid 1998, p. 23-24.