Anteriormente analisamos a essência do papado e afirmamos que, embora o estilo de exercê-lo tenha variado ao longo da história, isso não significava que ele não existisse. Neste capítulo, examinaremos mais detalhadamente a evidência histórica relativa ao primado do bispo de Roma durante os primeiros séculos da cristandade.
São Clemente de Roma (? – 101 d.C.)
Enquanto bispo de Roma e terceiro sucessor de São Pedro[1], Clemente teve de enfrentar uma rebelião na comunidade de Corinto, ocorrida aproximadamente no ano 96, na qual os bispos legitimamente constituídos foram depostos dos seus ministérios. Clemente enviou uma carta disciplinar em nome da Igreja de Roma, que pôs fim à revolta e restaurou a paz naquela comunidade. Aqui estão alguns fragmentos desta carta:
“Da Igreja de Deus que habita como estrangeira em Roma, à Igreja de Deus que habita como estrangeira em Corinto. Devido às repentinas e sucessivas calamidades e tribulações que nos sobrevieram, cremos, irmãos, ter voltado algo tardiamente a nossa atenção para os assuntos discutidos entre vós. Referimo-nos, caríssimos, à sedição, estranha e alheia aos escolhidos de Deus, abominável e sacrílega, que uns poucos sujeitos, gente atrevida e arrogante, acenderam a tal ponto de insensatez que o vosso nome, venerável e celebradíssimo e digno do amor de todos os homens, veio a ser gravemente ultrajado.”[2]
“Mas, se alguns desobedecerem às admoestações que por nosso intermédio Ele mesmo vos dirigiu, saibam que se tornarão réus de pecado não pequeno e se expõem a grave perigo. Mas nós seremos inocentes deste pecado…”[3]
Embora não seja comum que os historiadores protestantes vejam nesta carta uma evidência a favor do primado romano[4], há poderosas razões para pensar que ela existe. Em primeiro lugar, é significativo o fato de o autor começar por apresentar desculpas por não ter conseguido atender prontamente às irregularidades da comunidade, o que demonstra, como comenta Johannes Quasten, que:
“a carta não foi inspirada apenas pela vigilância cristã dos primórdios nem pela solicitude de umas comunidades pelas outras. Se assim fosse, teria sido obrigatório apresentar desculpas por se imiscuir na controvérsia. Em vez disso, o bispo de Roma considera como um dever tomar o assunto em suas mãos e crê que os coríntios pecariam se não lhe prestassem obediência… Um tom tão autoritário não se explica suficientemente pelo simples fato das estreitas relações culturais que existiam entre Roma e Corinto. O escritor está convencido de que as suas ações são inspiradas pelo Espírito Santo: ‘Alegria e regozijo nos proporcionareis se obedecerdes ao que vos acabamos de escrever impulsionados pelo Espírito Santo.’”[5]
Uma explicação semelhante nos é dada por José Orlandis[6]:
“Trata-se de um fato tão significativo — tanto pela época em que ocorreu quanto pelo seu conteúdo — que Pierre Batiffol[7] o denominou ‘a epifania do primado romano’.”[8]
Explica ainda:
“Clemente, em nome da Igreja Romana, ordena aos rebeldes que se submetam aos presbíteros e que façam a penitência que lhes obterá o perdão. A carta não diz se a Igreja Romana intervinha a pedido dos presbíteros depostos — o que constituiria o primeiro caso conhecido de um recurso à Sé Romana — ou se esta Sé agiu por iniciativa própria, o que provaria que tinha consciência do seu poder para intervir em assuntos de outra igreja, quando o bem público eclesial — a salvaguarda da fé ou da disciplina — assim o exigisse. Mas o mais significativo é a boa acolhida que teve em Corinto a intervenção romana: foi recebida sem resistências e tida em grande honra. Dionísio de Corinto atesta que, por volta do ano 170, ainda perdurava nessa comunidade o costume de ler a carta de Clemente Romano na celebração da liturgia de domingo. Na mesma época, no Egito, a carta era tida em tanta estima que um escritor da fama de Clemente de Alexandria a considerava uma ‘Escritura santa’. Por fim, Eusébio de Cesareia acrescenta que, ainda no seu tempo — primeira metade do século IV —, a epístola de Clemente continuava a ser lida em muitas igrejas.”[9]
Também é bastante significativo que, na época em que ocorreu a revolta, o Apóstolo São João ainda estivesse vivo e presidindo a vizinha Igreja de Éfeso, fato atestado por Santo Ireneu quando escreve:
“Finalmente, a Igreja de Éfeso, fundada por Paulo e na qual João permaneceu até o tempo de Trajano, também é testemunha da verdadeira Tradição apostólica.”[10]
Dado que Trajano reinou de 98 d.C. a 117 d.C., João tinha necessariamente de estar ainda vivo quando ocorreu a revolta (ano 96). O fato de o bispo de Roma ter se sentido obrigado a disciplinar a revolta de uma igreja tão distante, e não o Apóstolo João, estando muito mais próximo, só faz sentido se foi o bispo de Roma, como sucessor de Pedro, quem exerceu o “ministério de pastor supremo com poder de jurisdição para manter a unidade universal e a ortodoxia dentro da Igreja Cristã”. Não há outra explicação satisfatória para o motivo pelo qual os coríntios deveriam submeter-se ao bispo de uma igreja distante, quando eles mesmos haviam desobedecido e destituído os seus próprios presbíteros das suas funções[11].
Santo Inácio de Antioquia (? – 107 d.C.)
Discípulo de Pedro e Paulo, segundo bispo de Antioquia e mártir durante o reinado de Trajano, aproximadamente no ano 107 d.C. Quando foi condenado à morte, foi-lhe ordenado que se deslocasse da Síria a Roma para ser martirizado. No caminho para Roma, escreveu sete epístolas dirigidas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna, Roma e uma carta a São Policarpo[12].
A carta mais importante é a que escreveu à Igreja de Roma, e é impossível não notar um tom diferente daquele que usou com as outras igrejas, nas quais se observa, ao contrário da anterior, um tom de instrução autoritativa.
“Inácio, por sobrenome Portador de Deus: à Igreja que alcançou misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo, seu único Filho; a que é amada e está iluminada pela vontade dAquele que quis todas as coisas que existem, segundo a fé e a caridade de Jesus Cristo, nosso Deus; Igreja, além disso, que preside na capital do território dos romanos; digna ela de Deus, digna de todo decoro, digna de toda bem-aventurança, digna de louvor, digna de alcançar tudo o que deseje, digna de toda santidade; e colocada à frente da caridade, seguidora que é da lei de Cristo e adornada com o nome de Deus: minha saudação no nome de Jesus Cristo, Filho do Pai…”[13]
Não passa despercebido o reconhecimento de Inácio a esta Igreja como aquela “que preside em Roma” e que está “colocada à frente da caridade”. Muito menos o tom: não transmite instruções, mas solicita confirmação:
“A ninguém jamais invejastes; a outros ensinastes a não invejar. Agora, pois, o que eu quero é que aquilo que mandais aos outros, quando os instruís como discípulos do Senhor, seja também firme a meu respeito. A única coisa que deveis pedir para mim é força, tanto interior como exterior, a fim de que não somente fale, mas que também esteja decidido; para que não somente, digo, seja chamado cristão, mas que me mostre como tal.”[14]
“Não vos dou eu mandatos como Pedro e Paulo. Eles foram Apóstolos; eu não sou mais que um condenado à morte; eles foram livres; eu, até o presente, sou um escravo…”[15]
Mark Bonocore, no seu debate com Jason Engwer sobre este assunto, comenta:
“O mais significativo é que, enquanto Inácio solicita a todas as Igrejas às quais escreve que orem pela sua igreja da Síria (Antioquia), nunca a encarrega ao cuidado de outra igreja, mas somente a Roma. A frase que ele usa também é bastante interessante, ecoando a terminologia que ele invoca na sua introdução, onde diz como ‘Roma preside na caridade’. Agora, na sua conclusão, ele diz de Antioquia:”
“Lembrai-vos nas vossas orações da Igreja da Síria, que agora, em lugar de mim, tem a Deus por pastor. Somente Jesus Cristo e a vossa caridade farão com ela o ofício de bispo.”[16]
Ireneu de Lyon (c. 130 – 202 d.C.)
No seu tratado Adversus haereses (Contra as heresias), testemunha poder enumerar os bispos designados pelos Apóstolos nas diferentes igrejas e a série dos que lhes foram sucedendo até o seu tempo; no entanto, por ser demasiado longa a tarefa, limita-se a dar-nos a sucessão episcopal da Igreja de Roma, à qual qualifica de “a maior”, “a mais antiga” e “a mais conhecida por todos”.
“Mas, como seria muito longo, num volume como este, enumerar as sucessões de todas as Igrejas, nos limitaremos à Igreja maior, mais antiga e mais conhecida por todos, fundada e estabelecida em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo, demonstrando que a tradição que ela recebeu dos Apóstolos e a fé que anunciou aos homens chegaram até nós por sucessões de bispos. Isso servirá para confundir todos aqueles que, de uma forma ou de outra, seja por complacência ou por vanglória, seja por cegueira ou por equívoco, celebram reuniões não autorizadas…”[17]
Em seguida, há uma declaração importantíssima, na qual se põe em relevo a primazia da Igreja de Roma sobre as demais, e na qual a tradução latina que se conserva diz: Ad hanc enim ecclesiam propter potentiorem principalitatem necesse est omnem convenire ecclesiam, hoc est omnes qui sunt undique fideles, in qua semper ab his qui sunt undique, conservata est ea quae est ab apostolis traditio.
Uma possível tradução seria: “…Porque, por causa da sua liderança mais eficaz, é necessário que concordem com esta Igreja todas as Igrejas, isto é, os fiéis que estão em todas as partes, já que nela sempre se conservou a tradição apostólica pelos (fiéis) de todas as partes.”
Uma objeção à evidência que estes escritos de Santo Ireneu fornecem à primazia do bispo de Roma como sucessor de Pedro é explicada pela Enciclopédia Católica: “Alguns escritores não católicos tentaram diminuir a importância do texto traduzindo a palavra convenire como ‘recorrer a’, entendendo assim apenas que os fiéis de todas as partes recorriam a Roma para que o fluxo da doutrina da Igreja se mantivesse imune ao erro. Essa tradução, no entanto, é refutada pela conclusão do argumento, que se baseia inteiramente na afirmação de que a doutrina romana se mantém pura graças ao fato de ter a sua origem nos dois Apóstolos fundadores daquela Igreja, Pedro e Paulo. As frequentes visitas de membros de outras igrejas cristãs a Roma nada acrescentavam a isso. Por outro lado, a tradução tradicional é exigida pelo próprio contexto, sobre a qual, embora tenha sido alvo de inúmeros ataques, não se encontrou nenhuma outra com melhores probabilidades reais (ver Dom John Chapman em ‘Revue Bénédictine’, 1895, p. 48).”[18]
Posteriormente, Santo Ireneu lista em seguida os bispos romanos, continuando com Lino, Anacleto e Clemente, até Eleutério:
“Depois de terem fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos entregaram o serviço do episcopado a Lino: este Lino é lembrado por Paulo nas suas cartas a Timóteo (2 Timóteo 4, 21). Anacleto o sucedeu. Depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente herdou o episcopado, o qual viu os bem-aventurados Apóstolos e conferiu com eles, e teve diante dos olhos a pregação e Tradição dos Apóstolos que ainda ressoava; e não ele só, pois ainda viviam naquele tempo muitos que haviam recebido a doutrina dos Apóstolos. Na época deste mesmo Clemente, havendo surgido uma dissensão não pequena entre os irmãos que estavam em Corinto, a Igreja de Roma escreveu a carta mais autorizada aos Coríntios, para os reunir na paz e reparar sua fé, e para anunciar-lhes a Tradição que pouco tempo antes havia recebido dos Apóstolos…”[19]
Para concluir, é igualmente importante mencionar a atribuição explícita da fundação da Igreja de Roma a Pedro e Paulo. Houve um tempo em que alguns eruditos protestantes negavam que Pedro sequer tivesse estado em Roma; hoje em dia essa objeção é cada vez mais rara: a historiografia especializada — inclusive a protestante — dá por firmemente estabelecida a estadia e o martírio de Pedro em Roma.
“Mateus, (que pregou) aos hebreus na sua própria língua, também pôs por escrito o Evangelho, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam e fundavam a Igreja. Depois que eles morreram, Marcos, discípulo e intérprete de Pedro, também nos transmitiu por escrito a pregação de Pedro. Igualmente Lucas, seguidor de Paulo, registrou em um livro o Evangelho que este pregava. Por fim, João, o discípulo do Senhor que se recostou sobre o seu peito (João 21,20; 13,23), redigiu o Evangelho enquanto residia em Éfeso.”[20]
A controvérsia pascal
A controvérsia pascal deu lugar a uma afirmação cada vez mais explícita da supremacia da Igreja de Roma em relação às outras Igrejas. Surgiu como consequência das diferenças existentes entre a igreja de Roma — seguida por quase todas as demais — e as igrejas asiáticas, quanto ao dia da celebração da Páscoa. Embora pudesse parecer que a diferença era secundária, essa data condicionava todo o ciclo litúrgico, o que era um sinal visível de comunhão entre todas as igrejas.
É importante notar que, já no tempo do Papa Aniceto (c. 155), São Policarpo (discípulo do próprio São João) deslocou-se a Roma com mais de 80 anos de idade. Alegava não poder renunciar a uma tradição recebida diretamente de São João. Apesar de não chegarem a um acordo, o Papa Aniceto e São Policarpo mantiveram a paz e a comunhão. No entanto, no final do século II, o problema voltou a agravar-se quando, na liturgia das igrejas asiáticas — agora representadas por Policrates de Éfeso —, foram introduzidas algumas observâncias com traços judaizantes. Perante tal situação, o Papa Vítor I, consciente da sua autoridade primacial, convocou a realização de sínodos provinciais nas diversas igrejas, e todos — com exceção das igrejas asiáticas — concordaram com a posição do Papa e com a tradição romana. Em seguida, o Papa Vítor ameaçou aplicar sanções canônicas, incluindo a excomunhão. O cisma acabou por não se concretizar graças à intervenção de Santo Ireneu que, embora tivesse manifestado a sua adesão à prática romana, pediu ao Papa que não excomungasse os cristãos asiáticos, visto que o seu apego às antigas tradições não dizia respeito a matéria doutrinal. O Papa atendeu ao pedido e não os excomungou. Com o tempo, essas igrejas acabaram por adotar a disciplina romana.
Mais uma vez, vemos aqui o bispo de Roma exercendo o ministério da unidade, plenamente consciente da autoridade recebida, ao ponto de ameaçar com sanções de excomunhão outras igrejas — o que demonstra que, mesmo numa data tão recuada, a Igreja de Roma já tinha plena consciência da sua primazia.
Notas
- Assim consta na lista mais antiga de bispos romanos que nos foi deixada por Santo Ireneu (Contra as heresias 3, 3, 3) e por Eusébio de Cesareia na sua obra História Eclesiástica 3, 15, 34. ↩
- Clemente Romano, Epístola de Clemente aos Coríntios I. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 177. ↩
- Clemente Romano, Epístola de Clemente aos Coríntios LIX. Ibid., p. 231. ↩
- César Vidal Manzanares, teólogo e historiador protestante, escreve sobre esta carta no seu Diccionario de patrística (Dicionário de Patrística): “A carta reveste certa importância porquanto não só contém um testemunho importante acerca da estada de Pedro em Roma e da de Paulo na Espanha, como também nela aparece a primeira declaração expressa sobre a sucessão apostólica (XLIV, 1-3); contudo, não afirma o primado da sé de Roma.” ↩
- Johannes Quasten, Patrología I (Patrologia I), Biblioteca de Autores Cristianos 206, Quinta Edição, Madrid 1995, p. 56. ↩
- José Orlandis foi catedrático de História do Direito da Universidade de Zaragoza, decano da Faculdade de Direito Canônico e primeiro diretor do Instituto de História da Igreja. Realizou mais de duzentos trabalhos e mais de vinte livros. ↩
- Pierre Batiffol, historiador francês, foi o primeiro capelão do Colégio de Santa Bárbara e reitor do Instituto Católico de Toulouse. Escreveu uma série de ensaios acadêmicos sobre a história da Igreja primitiva e é reconhecido como erudito em história da Igreja. ↩
- José Orlandis, El pontificado Romano en la historia (O pontificado romano na história), Editorial Palabra, Segunda Edição, Madrid 2003, p. 36. ↩
- Ibid. ↩
- Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 4. ↩
- O historiador Berthold Altaner, embora admita a consciência da primazia da Igreja de Roma, também atestada pela recepção positiva da carta, tenta uma explicação alternativa: “Na intervenção da Igreja de Roma – o próprio Clemente toma imediatamente parte ativa, o que pode ser explicado em parte pela vigilância cristã primitiva e pelo cuidado das Igrejas, bem como pelas estreitas relações políticas e culturais entre Corinto e Roma, já que esta havia sido refundada como colônia romana (44 a.C.). No entanto, já aqui se pode antecipar o espírito, o poder e a pretensão de Roma de manter uma posição especial entre todas as outras comunidades da καθολική έκκλησία (Ign., Smyrn. 8,2). A estima particular com a qual a epístola foi recebida no início do segundo século aponta na mesma direção” (Berthold Altaner, Patrology, Herder KG 1960, p. 99). Explicação que parece menos satisfatória do que a do historiador José Orlandis, precisamente porque, embora existissem estreitas relações políticas e culturais entre Roma e Corinto, essas não criariam uma obrigação moral de obediência de uma igreja para com a outra. ↩
- Policarpo. Bispo de Esmirna e discípulo do Apóstolo São João. Morreu mártir. ↩
- Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, Saudação inicial. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 474. ↩
- Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos 3, 1. Ibid., p. 476. ↩
- Ibid., p. 477. ↩
- Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos IX. Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos, Biblioteca de Autores Cristianos 65, Quinta Edição, Madrid 1985, p. 480. ↩
- Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 2. Johannes Quasten, Patrología I (Patrologia I), Biblioteca de Autores Cristianos 206, Quinta Edição, Madrid 1995, p. 303. ↩
- Enciclopédia Católica, “Papa”. ↩
- Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 3. ↩
- Ireneu de Lyon, Contra as heresias 3, 3, 1. ↩