O Gênesis nos ensina que os primeiros seres humanos tiveram sua origem num primeiro casal: Adão e Eva. É inaceitável para a fé dizer que a humanidade evoluiu de uma forma animal inferior?
Estes seres “ponte” entre os dois mundos—o do espírito e o da matéria—tiveram sua origem num primeiro casal: Adão e Eva, segundo o ensino do primeiro Livro da Bíblia, o Gênesis. Bem, ótimo, mas então: não viemos do macaco, como dizem por aí? É inaceitável para a fé dizer que a humanidade evoluiu de uma forma animal inferior?
Embora não seja esta a ocasião para um exame detalhado da teoria da evolução, podemos seguir um breve raciocínio sobre a teoria que estabelece que tudo o que existe—o mundo e o que contém—evoluiu a partir de uma grande massa informe de matéria inicial. “No que concerne ao mundo mesmo, o mundo de minerais, rochas e matéria inerte, há sólida evidência científica de que sofreu um processo lento e gradual, que se estendeu durante um período muito longo de tempo.”
Nesta teoria não há nada contrário à Bíblia ou à fé. Se Deus escolheu formar o mundo criando originalmente uma massa de átomos e estabelecendo ao mesmo tempo as leis naturais pelas quais, passo a passo, evoluiria até tornar-se o universo como hoje o conhecemos, pôde muito bem fazê-lo assim. Continuaria sendo o Criador de todas as coisas.
Ainda mais: um desenvolvimento gradual de seu plano, atuado por causas segundas, refletiria melhor seu poder criador do que se tivesse feito o universo que conhecemos num instante. O fabricante que faz seus produtos ensinando supervisores e capatazes mostra melhor seus talentos do que o patrão que tem de atender pessoalmente cada passo do processo.
A esta fase do processo criativo, ao desenvolvimento da matéria inerte, chama-se “evolução inorgânica”. Se aplicamos a mesma teoria à matéria vivente, temos a chamada teoria da evolução orgânica, segundo a qual a matéria vivente—inclusive a do corpo humano—evoluiu por longas eras desde certas formas simples de células vivas a plantas e peixes, de aves e répteis ao homem.
A teoria da evolução orgânica está muito longe de ser provada cientificamente. Há bons livros que poderão proporcionar ao leitor interessado um exame equilibrado de toda esta questão. Mas para o nosso propósito basta assinalar que a exaustiva investigação científica não pôde encontrar os restos da criatura que estaria a meio caminho entre o homem e o macaco. Os defensores do evolucionismo orgânico baseiam sua doutrina nas semelhanças entre o corpo dos símios e o do homem, mas um juízo realmente imparcial nos fará ver que as diferenças são tão grandes quanto as semelhanças.
Alcázar, J. El origen del hombre, Libros MC, Madrid, 1986. Arnaldich, L. El origen del mundo y del hombre según la Biblia, Rialp, Madrid, 1972. Artigas, M. Las fronteras del evolucionismo, Libros MC, Madrid, 1985. Dailey, K. Cronología del hombre fósil, Editorial Labor, Barcelona, 1968. Palafox, E. Evolución y Darwinismo, México, 1987.
Assim, a busca do “elo perdido” continua. De vez em quando descobrem-se uns ossos antigos em cavernas e escavações. Por um tempo há grande excitação, mas depois se vê que aqueles ossos eram ou claramente humanos ou claramente de macaco. Temos “o homem de Pequim”, “o homem-macaco de Java”, “o homem de Foxhall” e uma coleção a mais. Mas estas criaturas, um pouco mais que os macacos e um pouco menos que o homem, estão ainda por desenterrar (Trese).
E, ainda que o encontrassem, para a fé não teria maior relevo. Deus pôde ir preparando o corpo do homem por meio de um processo evolutivo, se assim o tivesse desejado. Pôde ter orientado o desenvolvimento de uma determinada espécie de macaco até que alcançasse o ponto de perfeição que requeria. Mas então, ao chegar a esse ponto de perfeição, Deus criaria uma alma espiritual, a infundiria nesse corpo, e teríamos o primeiro homem. Seria igualmente verdadeiro o relato bíblico de que Deus criou o homem do barro da terra. A Igreja não proíbe, como comumente se pensa, “que seja objeto de estudo a doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”.
Mas a fé católica manda defender—estamos citando a Encíclica Humani Generis de Pio XII—“que as almas são diretamente criadas por Deus. Por ser o espírito de uma ordem absolutamente superior à da matéria, a alma não pode “evoluir” a partir do corpo, como tampouco pode herdar-se de nossos pais. Marido e mulher cooperam com Deus na formação do corpo humano. Mas a alma espiritual que faz desse corpo um ser humano há de ser criada diretamente por Deus, e infundida no momento da concepção nesse corpo recém-formado.”
Continuará a busca do “elo perdido” e sejam quais forem os resultados futuros, nós seguiremos tão tranquilos. Sabemos que, como toda verdade vem de Deus, não pode haver contradição entre o dado da fé e o da ciência. Seja qual for o modo que Deus escolheu para fazer nosso corpo, é a alma o que mais importa. É a alma a que ergue do solo os olhos do animal—de seu pobre afã de alimento e sexo, de prazer e fuga da dor—, é ela a que levanta nossos olhos para que descubramos a verdade inefável de nosso destino eterno.
Autor: Ricardo Sada Fernández
Fonte: Encuentra.com