Miguel: Olá José, estivemos compartilhando nossa última conversa com nossa amiga Marta da Igreja Batista, e ela nos deu opiniões bastante interessantes que eu gostaria que tu ouvisses. Por isso a convidamos.

José: Com muito prazer.

Marta: Encantada, amigo.

José: Igualmente, Marta, conta-me.

Marta: Ainda que não acredites, eu estou basicamente de acordo com muito do que disseste aos meus amigos.

José: A respeito de quê?

Marta: Estou de acordo contigo em vários pontos fundamentais.

Em primeiro lugar, que Cristo fundou UMA só Igreja. Isso se deduz claramente da Bíblia quando diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mateus 16,18). Este versículo da Escritura com as palavras do Senhor ensina também quem é o edificador da Igreja, pois ele disse “Eu edificarei a minha Igreja”. Se o próprio Cristo a edificou, não é uma instituição humana, mas uma instituição divina. Outros, tanto homens como mulheres, edificaram pseudo-igrejas. Seus nomes são recordados na história: Lutero, Calvino, Henrique VIII, João Wesley, José Smith, Alexandre Campbell, Ellen White, e muitos outros. Todos eles fundaram instituições feitas por homens. Mas há somente uma Igreja, e somente uma que Cristo edificou.

Se Jesus a chamou de “minha Igreja”, está deixando implícita uma relação íntima entre ele e ela. Olhando para o futuro através dos séculos, ele viu a confusão na multiplicação de pseudo-igrejas.[1]

José: Então nisto estamos completamente de acordo, não é? Cristo fundou uma só Igreja e essa Igreja não deixou de existir desde que foi fundada há 2000 anos.

Marta: Exatamente. E também estou de acordo contigo no teu conceito de indefectibilidade.

Observa que no mesmo texto mais adiante (Mateus 16,19) acrescenta que “as portas do Hades não prevalecerão contra ela”; portanto, a Igreja que Jesus edificou não era um corpo inerte, fraco, temporário, feito por humanos, de modo que cessasse de existir durante os séculos de obscurantismo, como creem meus amigos e como alguns de nossos pseudo-historiadores chegaram a sustentar; mas sim uma Igreja militante, vitoriosa, sustentada pela graça para vencer toda oposição, e para chegar triunfante até o fim dos tempos.

Como batista digo e sustento, que nunca durante os vinte séculos que se passaram, deixou essa Igreja de existir, e nunca até o fim do tempo deixará de existir, segundo a palavra do nosso Senhor que a fundou e falou dela como sua Igreja.

José: Pois sim, não poderíamos estar mais de acordo nisto.

Marta: Também estou de acordo com tua noção sobre a Igreja visível. Esta é uma questão de grande importância, porque há quem sustente que quando Cristo disse: “Edificarei a minha Igreja” não estava falando da local e visível, mas da Igreja universal e invisível, composta de todos os crentes. Tal interpretação, a meu ver, é impossível. Se isso fosse ensinado nas Escrituras, como a Igreja universal e invisível poderia ter sido edificada séculos antes desta, ou o que dizer dos personagens do Antigo Testamento, Enoque, Abraão, Jacó, Davi, os profetas? Não estavam eles nela? Como poderia alguém decidir suas queixas numa assembleia universal e invisível que nunca foi reunida?

Está claro que Cristo esteve falando da assembleia ou congregação local e visível. Se há um corpo como a Igreja universal e invisível, esta nunca será congregada, e nunca se reunirá até que os redimidos cheguem ao lar celestial. E por isso enfatizo que a palavra Igreja nunca é usada nesse sentido, exceto metaforicamente.

Assim, quando Cristo esteve na terra, instituiu uma Igreja visível, organizada, com autoridades, com autoridade para receber e excluir membros. Na Bíblia se veem muitos exemplos: “Se teu irmão não os ouvir, dize-o à Igreja; e se não ouvir a Igreja, trata-o como gentio e publicano” (Mateus 18,17). Também se fala da excomunhão do incestuoso em 1 Coríntios 5,1-8 e dos hereges em 1 Timóteo 1,20 e 2 Timóteo 2,17.

José: Sim, continuamos de acordo; acho muito interessante que hajas chegado a essas conclusões lendo a Bíblia.

Marta: Esta não é uma conclusão somente minha; tem sido a posição que sempre sustentamos os batistas e que explica muito bem o livro “O batismo estranho”, de M.L. Moser, Jr[2], e também o livro “O rastro do Sangue” de J.M. Carroll[3].

No que não coincidimos é em qual é essa Igreja verdadeira, visível e indefectível fundada por Cristo há dois mil anos. Tu crês que é a Igreja Católica, e nós cremos que é a Igreja Batista.

José: Mas se os batistas surgiram após a reforma protestante, como é possível que eles fossem uma Igreja visível e indefectível desde os tempos dos apóstolos?

Marta: Sim o foram. Sempre houve igrejas fiéis que por sua fidelidade incorreram na ira dos devotos da religião do Estado, a grande maioria dos quais não eram genuínos cristãos. A essas igrejas fiéis foi negado o nome de cristãs, e lhes foram dados muitos outros nomes, de modo que às vezes eram chamados por um, e outras por outro; por exemplo, “montanistas” “tertulianistas”, “novacianos”, “donatistas”, “albigenses”, “cátaros”, “paulicianos”, “petrobrusianos”, “valdenses”, “amoldistas”, “enriqueños”, “anabatistas”, etc., mas embora tivesse outros nomes, eram realmente verdadeiros batistas.

José: Sinceramente, não vejo sentido nisso. Estás me dizendo que todos esses grupos, alguns mais antigos do que outros, eram batistas?

Marta: Sim.

José: Mas se esses grupos eram realmente batistas, quer dizer que mantinham uma mesma fé e doutrina, assim como vós manteis agora.

Marta: Exatamente. Embora não digamos que esses grupos tenham sido sempre fiéis em todo sentido aos ensinamentos do Novo Testamento, cremos que no essencial sim o foram.

José: Digo-te algo: eu estudei a história e a doutrina desses grupos e te asseguro que não somente não foram fiéis aos ensinamentos do Novo Testamento, mas nem sequer compartilham as doutrinas que os batistas consideram essenciais. Se quiseres, fazemos um percurso por algumas delas e vemos.

Marta: Prossegue.

José: Comecemos pelos montanistas. Seu fundador, um tal Montano, que viveu em meados do século II e afirmava que Jesus Cristo não havia ensinado tudo, mas que havia prometido a seus discípulos um Paráclito com a tarefa de completar seu ensinamento.

Marta: Cristo sim prometeu um Paráclito por certo, o Espírito Santo.

José: O problema é que ele mesmo dizia ser o Paráclito e que a tarefa de esclarecer o ensinamento cristão lhe havia sido confiada. Acreditais vós nisso?

Marta: Nisso não, mas sim em que aqueles que houvessem caído da verdadeira fé deveriam ser batizados novamente.

José: Estás confundida; eles não sustentavam isso, mas sim que após o batismo os pecados graves, como a apostasia e o adultério, eram imperdoáveis mesmo ao receber o sacramento da penitência. Rejeitavam além disso o matrimônio e as relações conjugais, e consideravam o parto das mulheres como diabólico. Tenho entendido que os batistas não compartilham essas doutrinas, ou me engano?

Marta: Não tenho conhecimento de que os montanistas cressem isso; tenho que investigar e verificar.[4]

José: Está bem, vamos agora com os tertulianistas, que foram fundados por Tertuliano, um notável escritor eclesiástico católico que viveu em meados do século II e durante o início do III. Infelizmente terminou por converter-se em montanista e depois os abandonou para fundar sua própria seita. Sua doutrina podemos conhecer hoje por seus próprios escritos[5] onde defende os postulados rigoristas, proibindo como os montanistas as segundas núpcias mesmo no caso de viuvez, nega também o perdão dos pecados graves e estabelece a obrigação do jejum.

Marta: Sim, aceito que não compartilhamos que os pecados após o batismo não tenham perdão. O Sangue de Cristo pode conceder o perdão de todos os pecados.

José: Então, não vejo como podes sustentar que eles eram batistas espirituais. Se admitiste que a verdadeira Igreja é visível, indefectível e imperecível, deve forçosamente manter uma mesma doutrina e uma mesma fé. Se formos francos, os batistas modernos condenariam essas doutrinas como heréticas.

Marta: Como te dizia, assim como no caso dos montanistas, não me consta que eles cressem isso.

José: Claro, mas tudo o que te estou dizendo aqui podes verificar em diversas fontes de história, não só católicas mas protestantes, e inclusive verificar nos escritos que se conservam desses movimentos.

Vamos agora com os novacianos. Que tal?

Marta: Prossegue…

José: Os novacianos separaram-se da Igreja no século III, e compartilhavam essencialmente todas as doutrinas católicas. Seu cisma se produziu por causas completamente distintas das diferenças que mantemos com os batistas. Eles negaram que a Igreja Católica tivesse autoridade para administrar o perdão dos pecados àqueles que em tempos de perseguição apostataram da fé, mas agora estavam arrependidos. Afirmavam que a Igreja havia se corrompido por ser demasiado indulgente com os pecadores, e exigiam que os que se houvessem afastado da fé se tornassem a batizar.

Marta: Precisamente, coincidiam conosco em que aqueles que receberam um batismo inválido deveriam se rebatizar.

José: Não me entendeste bem; eles não insistiam em rebatizar porque cressem que seu batismo foi inválido, nem tampouco porque negassem o batismo de crianças, mas porque consideravam certos pecados graves como imperdoáveis[6]. Novaciano havia negado a absolvição aos que adoraram os deuses pagãos durante a perseguição para salvar suas vidas, e seus seguidores estenderam sua doutrina a todos os pecados que nós consideramos “mortais” (idolatria, homicídio e adultério, ou fornicação). Se vós cresseis o mesmo, teriam que estar se batizando após cometer um pecado grave, coisa que não fazeis. Ou tu te rebatizas cada vez que pecas?

Marta: Certamente não, porque no sangue de Cristo obtive o perdão de meus pecados para sempre, não somente os que cometi, mas os que cometerei.

José: Pois bem, sem entrar a discutir o que há de preciso na tua afirmação[7], fica claro que eles não criam o mesmo que os batistas. Além disso, muitos deles proibiam também as segundas núpcias mesmo no caso de viuvez, como os montanistas, e é natural porque usavam muito as obras de Tertuliano e na Frígia se combinaram com os montanistas.

Outro grupo afim também o mencionaste, os donatistas, vamos estudá-los.

Marta: Prossegue.

José: O donatismo foi um movimento cismático do século IV que, a bem dizer, era também muito mais afim aos católicos do que aos batistas, pois compartilhavam também quase todas as doutrinas católicas. Seu erro foi acreditar que a Igreja somente estava composta dos bons, e que os maus estavam excluídos, de tal modo que os que em tempos de perseguição fugiram à prova do martírio, e os que não estivessem dispostos a aceitá-la chegada a hora, não continuavam pertencendo à Igreja, portanto os sacramentos administrados pelos católicos careciam de valor para eles[8].

Os donatistas sim acreditavam na sucessão apostólica, ao contrário dos batistas, e contavam com bispos validamente ordenados. Criam também na validade dos sacramentos administrados por eles, incluída a presença Real de Cristo na Eucaristia, batizavam crianças, algo que vós rejeitais enfaticamente como uma corrupção herética da Igreja. Além disso, vós também não credes que a Igreja esteja composta somente dos bons, mas reconheceis que nela também há pecadores, e que por pecar não se fica separado irremediavelmente da Igreja.

Marta: Como te digo, verificarei.

José: Vamos aos cátaros. Era um movimento herético do século X que acreditava numa dualidade criadora (Deus e Satanás)[9]. Além disso, rejeitavam o Antigo Testamento, que a seu ver relatava os feitos de Satanás e príncipe deste mundo. Criam que as Tábuas da Lei foram entregues a Moisés pelo Demônio, e que Jesus era um “éon”, o mais prestigioso de todos os “filhos de Deus”, escolhido e adotado imediatamente como filho seu para que fosse ao mundo com a missão de conhecer e honrar seu nome. Havia para eles, portanto, a obrigação de venerá-lo como seu irmão maior em Deus.

Para além disso, eles não batizavam nem adultos nem crianças, mas tinham um único sacramento denominado o “Consolamentum” que era uma espécie de batismo, comunhão e extrema-unção juntos e que consideravam o batismo do Espírito Santo. [10].

Agora, tu me dirás se um grupo que não compartilha nem convosco, nem conosco, uma mesma fé num Deus Trino, pode ser considerado batista ou inclusive cristão.

Marta: Certamente não[11].

José: Vamos agora com os petrobrusianos.

Marta: Tenho compreendido que Pedro de Bruys, no século XII, e seus seguidores eram cristãos devotíssimos que negaram que fosse válido batizar crianças, porque elas não podiam crer, requisito indispensável para ser batizado. Negava como uma falsidade a transubstanciação e a eficácia da oração pelos defuntos, todas doutrinas que nós compartilhamos.

José: É verdade, isso eles tinham em comum convosco, mas só isso, sendo muito mais as diferenças do que os pontos em comum.

Marta: Por exemplo…

José: Rejeitavam o Antigo Testamento, e do Novo Testamento aceitavam apenas os evangelhos. Só com isso já terias razão suficiente para descartá-los como antepassados espirituais dos batistas.

Proclamavam ainda que era preciso queimar as igrejas e substituí-las por estábulos. Além disso, pregavam a destruição de todas as cruzes, por causa do horror que os verdadeiros cristãos deveriam sentir ao recordar a paixão do Senhor. Destacaram-se por percorrer as terras do Delfinado e do sul da França saqueando templos e queimando cruzes, insultando os clérigos e semeando discórdia por onde passavam. Pedro de Bruys foi finalmente preso e condenado à fogueira em 1130.

Marta: Verificarei…

José: Estudemos os paulicianos. Eles tampouco aceitavam o Antigo Testamento e apenas parte do Novo. Eram dualistas e apresentavam uma profunda oposição entre o espírito e a matéria. Para eles, Cristo não tivera mais do que um corpo aparente, e Maria não fora mais do que o canal pelo qual Ele se havia manifestado. Posteriormente, deixaram de ter sacerdotes e não administravam nem o batismo nem a Eucaristia.

Observa que novamente há notáveis diferenças com os batistas. Vós não rejeitais o Antigo Testamento, nem credes que haja dois deuses, muito menos que Cristo não tivesse um corpo verdadeiro.

Marta: É verdade, não cremos nisso. Deixa-me verificar se eles realmente acreditavam nisso.

José: Mas se o criam, também não eram antepassados espirituais dos batistas.

Vamos agora com os valdenses.

Marta: Dos valdenses sei que rejeitavam o batismo de crianças, a confissão dos pecados com o sacerdote, a transubstanciação, o culto aos santos, rejeitavam o purgatório e as indulgências. Pode-se dizer que praticamente as mesmas doutrinas católicas que nós, batistas, rejeitamos hoje.

José: Eles não aceitavam o conceito de transubstanciação, mas criam que a presença Real de Cristo na Eucaristia se operava na boca de quem a recebia dignamente. Também criam no sacramento da penitência, embora acreditassem que era a santidade, e não a ordenação, a condição suficiente e necessária para a celebração válida dos sacramentos, pelo que se confessavam e absolviam entre si, e não perante sacerdotes devidamente ordenados. Os valdenses rejeitavam ainda a posse de terras e o matrimônio que não tivesse como único objetivo a procriação.

É verdade que rejeitavam o batismo de crianças, a veneração dos santos, a doutrina do purgatório e das indulgências, mas é um tanto simplista considerá-los antepassados espirituais dos batistas por isso, pois se formos ver, todas as denominações protestantes rejeitam muitos desses pontos e nem por isso as consideram batistas[12].

O único grupo que poderia reconhecer como um ponto de origem dos batistas são os anabaptistas, mas já estamos falando do pleno século XVI, e mesmo assim ainda tinham muitas diferenças com os batistas de hoje.

O que estou tentando te fazer entender é que, embora tenhas percebido certas características que a Igreja verdadeira deve ter: 1) Unidade e Visibilidade perpétua, 2) Catolicidade, 3) Santidade e indefectibilidade, 4) Apostolicidade, e isso te levou a buscar seu rastro na história, a solução não é buscá-la nesses grupos, muitos dos quais estiveram imbuídos de tendências gnósticas e maniqueístas que tornam até impossível considerá-los cristãos.

Marta: A opção que tu propões é buscá-la na Igreja Católica, e essa é ainda mais improvável, porque não pode ser uma Igreja que caiu na idolatria e na apostasia.

José: Considera que é possível que tenhas adquirido preconceitos que não te permitem reconhecê-la como a verdadeira Igreja, mas para isso tens que estudar de maneira objetiva e sincera a Igreja Católica e sua doutrina, e verificar se é de fato tudo o que acreditas que é.

Já dizia o venerável arcebispo Fulton J. Sheen: “Não há mais de 100 pessoas no mundo que verdadeiramente odeiem a Igreja Católica, mas há milhões que odeiam o que eles acreditam que é a Igreja Católica”.

Notas

  1. Os argumentos tomados para esta conversa são extraídos do livro O batismo estranho, de M. L. Moser, Jr. (pastor da Igreja Batista Central de Arkansas de 1965 a 1990), na edição traduzida por W. M. Nevins. Também do livro «The Trail of Blood», publicado em 1931 pelo pastor batista J. M. Carroll.
  2. M. L. Moser, Jr. foi pastor da Igreja Batista Central de Arkansas de 1965 a 1990. O pastor defende as hipóteses sustentadas pelos batistas a partir do movimento landmarkista, surgido em 1851 no sul dos Estados Unidos, segundo o qual seria possível encontrar uma igreja batista visível ao longo de toda a história, conectando-se com a Igreja do Novo Testamento.
  3. A obra original à qual se faz referência é «The Trail of Blood», publicada em 1931 pelo pastor batista J. M. Carroll.
  4. Já há uma tendência que se pode considerar majoritária dentro dos batistas que, após investigar de modo mais minucioso a história e a doutrina desses movimentos heréticos primitivos, se afastou da posição que Marta defende neste diálogo. O pastor e historiador batista Justo Anderson, no tomo I de sua obra intitulada Historia de los bautistas, editada pela Casa Bautista de Publicaciones, reconhece: «Uma análise cuidadosa dos montanistas demonstra que é um equívoco considerá-los como um ponto de partida da denominação batista. Como diz Troeltsch, foram os primeiros do «tipo-seita» dentro do cristianismo. No princípio não se desviaram da fé, mas começaram um esforço mórbido pela moralidade e a disciplina prática, ou seja, um puritanismo pentecostalista. Para o batista, o deslize mais sério foi a substituição da profecia contínua pela revelação final em Cristo… Muito do que se disse dos montanistas se aplica aos novacianos e donatistas» (Justo Anderson, Historia de la Iglesia Bautista, Tomo I, Casa Bautista de Publicaciones, Colombia 2006, p. 130).
  5. Entre eles De fuga in persecutione, De monogamia, De ieiunio adversus psychicos, De pudicitia, De virginibus velandis. Todos eles estão disponíveis gratuitamente, mas em inglês, no site www.tertullian.org.
  6. Os historiadores batistas costumam relacionar equivocadamente diversos conflitos relacionados ao batismo como um apoio à sua rejeição ao batismo de crianças. Justo Anderson escreve a esse respeito: «A oposição ao rebatismo originou-se na própria Igreja primitiva, que declarou uma fórmula clara: «Um Senhor, uma fé, um batismo» (Efésios 4,5). No entanto, por volta do ano 250, o bispo Cipriano de Cartago, no Norte da África, insistiu no rebatismo dos cismáticos e dos hereges que se apresentavam para se tornar membros de sua Igreja» (Justo Anderson, Historia de la Iglesia Bautista, Tomo I, Casa Bautista de Publicaciones, Colombia 2006, p. 12). É certo que São Cipriano de Cartago teve um conflito com o Papa porque pretendia rebatizar hereges, mas ele não negava a validade do batismo infantil; antes, defendia a sua necessidade, como deixa constância em seus próprios escritos (veja Cipriano de Cartago, A Fido sobre o batismo das crianças, Ep. 58).
  7. Os batistas professam a doutrina do «Uma vez salvo, sempre salvo», que é também herética porque nega que o homem possa cair do estado de graça de Deus mesmo se peca mortalmente e morre sem se arrepender. Esta doutrina é paradoxalmente a heresia oposta ao novacianismo.
  8. Os donatistas caracterizaram-se por um fanatismo exagerado que os levou a perseguir violentamente os católicos, matando-os, queimando seus altares, atirando aos cães suas hóstias consagradas, e não porque não cressem na presença real de Cristo na Eucaristia, coisa em que vós não credes, mas porque criam que somente as suas consagrações eram válidas. Chegaram a recorrer inclusive ao suicídio coletivo. O cisma foi sufocado ao ser Donato exilado e depostos os bispos donatistas, mas durante o reinado de Juliano, o apóstata, voltou a ganhar força; as divisões entre eles, porém, fizeram com que se matassem entre si. No Concílio de Cartago sua doutrina foi condenada, sentença depois ratificada pelo Papa Honório em 411. Terminaram por desaparecer com a invasão dos vândalos, que perseguiu igualmente donatistas e católicos.
  9. Os cátaros pregavam a salvação mediante o ascetismo e a estrita rejeição do mundo material, percebido pelos cátaros como obra demoníaca. Tal doutrina postula a existência dos dois princípios maniqueus do Bem e do Mal, que são igualmente a Luz e as Trevas, o Espírito e a Matéria. Contudo, o Todo e o Nada são dois aspectos de um mesmo princípio que, por causa da tendência do Nada a chegar a ser «algo», engendram um número ilimitado de seres eternos, filhos do princípio Deus. À frente dessa multidão ilimitada de filhos de Deus estão o Espírito Santo e Jesus Cristo. Estes não eram considerados propriamente Deus (Trindade) senão na medida em que procediam efetivamente d’Ele, sendo o Pai o único Deus absoluto, enquanto o Filho e o Espírito Santo não participam da onipotência. Para mais detalhes, consulte a obra de H. Masson, Manual de Herejías, Ediciones Rialp SA, 1989.
  10. O Consolamentum era administrado aos adultos (considerados mais fiéis, que se convertiam em «Parfait» ou «Perfeitos», os quais se mantinham celibatários e vegetarianos) e aos que estavam moribundos. Os que recebiam o «consolamentum» chegaram a efetuar outra prática conhecida como a «endura», na qual jejuavam até morrer, considerando esta uma morte mística.
  11. Justo Anderson a esse respeito admite: «Os outros grupos dissidentes, os bogomilos dos Bálcãs e os cátaros (albigenses) do sul da França eram uma continuação histórica dos paulicianos. Alguns dizem que os batistas surgiram de seus sucessores. No entanto, como diz Vedder: «Os paulicianos, cátaros, bogomilos e albigenses foram, mais ou menos, cristãos… ainda que suas teorias dualistas sejam essencialmente anticristãs e os separem rudemente dos que professam ser guiados somente pela Palavra de Deus». Realmente, SERIA DIFÍCIL NOMEAR EM TODA A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO GRUPOS QUE TIVESSEM MENOS EM COMUM COM OS BATISTAS DO QUE ESTES» (Justo Anderson, Historia de la Iglesia Bautista, Tomo I, Casa Bautista de Publicaciones, Colombia 2006, p. 142).
  12. O historiador batista Justo Anderson reconhece a esse respeito: «OS VALDENSES TINHAM MUITO POUCO EM COMUM COM OS BATISTAS. O mesmo se pode dizer a respeito dos lolardos e dos hussitas. Embora aqueles grupos tenham rejeitado o batismo infantil e praticado o rebatismo, tinham muito em sua doutrina que os batistas modernos não aceitaríamos. Concordo com o doutor Vedder quando diz: «É inquestionável que, por quatro séculos inteiros antes da Reforma, houve grupos cristãos com vários nomes, difamados pela Igreja Romana como hereges, que professaram aproximadamente… a fé e a prática dos batistas modernos… Isto é bastante diferente de provar a identidade substancial dessas seitas com os batistas modernos… Uma coisa é provar que as várias seitas deram testemunho, ora uma, ora outra, a esta ou àquela verdade sustentada por uma denominação moderna, e outra bem distinta é identificá-las todas, ou algumas dessas seitas, com qualquer corporação moderna»» (Justo Anderson, Historia de la Iglesia Bautista, Tomo I, Casa Bautista de Publicaciones, Colombia 2006, p. 147-148).