IntroduçãoA DidaquéSão Clemente RomanoSanto Inácio de AntioquiaSão Policarpo de EsmirnaCarta de BarnabéFragmentos de PapiasO Pastor de HermasEpístola a DiognetoSão Justino MártirSanto Ireneu de LiãoTertulianoSão Cipriano de Cartago

1845 foi o ano em que John Henry Newman foi recebido na Igreja Católica depois de um longo processo de conversão. Tendo sido durante vinte anos presbítero da Igreja Anglicana, sustentava, de acordo com a teologia protestante, que a Igreja Católica era uma perversão da Igreja de Cristo, afastada do Evangelho por acrescentar doutrinas meramente humanas às reveladas por Deus. Como membro destacado do Movimento de Oxford, ligado à Alta Igreja Anglicana e empenhado em recuperar as tradições mais antigas, iniciou um estudo profundo da Igreja primitiva e dos Padres da Igreja. Esse estudo o levou a concluir que o anglicanismo se encontrava, na realidade, na mesma posição das heresias dos primeiros séculos, opondo-se à Igreja de Cristo.

Convertidos à Igreja Católica

No ano 2000, Alex Jones foi recebido na Igreja Católica juntamente com parte da congregação que havia dirigido como pastor pentecostal. Em seu influente ministério de quarenta anos, não podia estar mais distante do catolicismo. Como muitos evangélicos contemporâneos, ensinava que a Igreja Católica era uma seita, a “prostituta da Babilônia”, e que o Papa era o “anticristo”. Contudo, desejando inovar, propôs à sua congregação experimentar um culto religioso do século I; para isso, começou a estudar a Igreja primitiva diretamente nas fontes primárias: os próprios textos patrísticos. À medida que avançava, incorporou doutrinas e práticas que só podiam ser descritas como católicas. Isso preocupou membros de sua congregação, que o acusaram de estar contaminado pelo “catolicismo”. Embora respondesse que pretendia apenas incorporar doutrinas e práticas presentes no cristianismo primitivo, acabou aceitando sua aproximação da Igreja Católica e concluiu que o catolicismo continha a totalidade do cristianismo.

Do autor

Os Padres da Igreja falam por si mesmos

Este artigo faz parte de Cristianismo Primitivo: Em busca das origens da Igreja de Cristo, um percurso documentado pela fé dos primeiros séculos e por suas respostas às questões que ainda dividem católicos e protestantes.

Conheça o livro na Amazon →

Capa do livro Cristianismo Primitivo

Essas duas conversões, separadas por quase dois séculos, estão longe de ser excepcionais. J. H. Newman não foi o único membro do Movimento de Oxford a abraçar a fé católica. Entre outros convertidos notáveis da época estão Robert Hugh Benson, Henry Edward Manning, Gerard Manley Hopkins, John Chapman OSB, Thomas William Allies, Augusta Theodosia Drane, Frederick William Faber, Lady Georgiana Fullerton, Robert Stephen Hawker, James Hope-Scott, George Jackson Mivart, Henry Nutcombe Oxenham, Augustus Pugin, Edward Caswall e William George Ward.

Também em nossos dias, ao lado do pastor Alex Jones, não foram poucos os casos célebres de conversão ao catolicismo: Graham Leonard, Michel Viot, Scott Hahn, Jimmy Akin, Marcus Grodi, Ulf Ekman, Fernando Casanova e Dave Armstrong, entre outros.

Em todos esses casos, um fator decisivo foi descobrir, pelo estudo da Igreja primitiva, como a fé católica contém a plenitude da fé cristã e como ela, mais do que uma evolução transformista das doutrinas do Evangelho, é seu desenvolvimento homogêneo: assim como uma semente se torna árvore e continua sendo a mesma.

Mas o que pode haver nos textos cristãos primitivos que, ao ser descoberto por tantos irmãos de outras denominações, acaba por conduzi-los à fé católica?

Se a Igreja Católica fosse realmente produto de uma corrupção iniciada no século IV, quando a religião católica se tornou a religião oficial do Império Romano — hipótese aceita no protestantismo —, o que se pode encontrar nos textos dos primeiros séculos que hoje identifique o cristianismo primitivo com o catolicismo?

A série de artigos intitulada Catolicismo Primitivo percorrerá o mesmo caminho desses convertidos notáveis, começando pelos escritos dos Padres Apostólicos, que tiveram contato direto com os Apóstolos, até chegar aos Padres da Igreja dos primeiros séculos. Será dada atenção especial aos textos que descrevem doutrinas controvertidas que os protestantes modernos rejeitam hoje na Igreja Católica, a fim de esclarecer se representam um desenvolvimento genuíno da doutrina cristã.